
Nestes tempos em que a opinião pública dominante normalizou a extrema-esquerda (apesar deles próprios não se terem normalizado porque continuam exactamente iguais debaixo da “pele de cordeiro” onde desonestamente se escondem) é preciso mais do que nunca, não esquecer.
Nestes tempos em que, anacronicamente, Portugal continua subjugado por uma delirante narrativa de esquerda que nos tolhe o direito à felicidade que merecemos e nos aprisiona à pobreza e à miséria socialista, volta a ser necessário sermos disruptivos e pôr fim a este rumo que parece inexorável. Mas que o não é.
Nestes tempos em que o medo da mudança reprime as nossas mais legítimas aspirações, não precisamos de um novo “25 de Abril” porque, desta vez, já temos, pelo menos, um arremedo de democracia. Mas precisamos desesperadamente de um novo 25 de Novembro que recoloque Portugal no caminho da prosperidade.






“Quem foi derrotado no 25 de Novembro?
Há dois derrotados: a 25, claramente a extrema-esquerda militar; a 26, todos os que queriam usar a derrota do dia anterior para proibir o PCP”
Pacheco Pereira
25 de Novembro e rigor histórico
(Pacheco Pereira)
“ Comemorar o 25 de Novembro? Porque não, desde que o que se comemore seja o que aconteceu e não a interpretação da direita radical do que aconteceu.
Primeira coisa: o 25 de Novembro não tem qualquer comparação com o 25 de Abril, misturá-los diminui o significado do primeiro. O 25 de Abril foi uma data fundadora que acabou com 48 anos de ditadura, e com três guerras coloniais, em Angola, Moçambique e Guiné. Foi um acontecimento de dimensão mundial. O 25 de Novembro foi uma data correctora, comparável à derrota do golpe de 11 de Março, que teve o mesmo papel. Ambas se fizeram num clima de excesso e esse excesso era perigoso para a democracia e atrasaram a consolidação de uma democracia parlamentar, mas o que é que se podia esperar de uma viragem histórica tão radical como foi a derrota da ditadura? Que seria calma e pacífica?
Num contexto de relativa importância, o 25 de Novembro pode e deve ser lembrado. No entanto, em termos da democracia, as eleições de 1975 e 1976 foram muito mais importantes. As eleições para a Assembleia Constituinte foram aliás o mais forte mecanismo de deslegitimação das tentativas de radicalização à direita e à esquerda nesse ano de 1975, mostraram a força diminuta do PCP nas urnas e a dimensão do PS como principal partido português. O PPD também teve o seu papel, mas bastante menor.
A segunda coisa: quem foi derrotado no 25 de Novembro? Há dois derrotados, um, a 25, outro a 26. A 25, claramente a extrema-esquerda militar; a 26, todos os que queriam usar a derrota do dia anterior para proibir o PCP. Em ambos os casos quer uns quer outros, se ganhassem, podiam no limite abrir caminho para uma guerra civil, e a democracia ficaria em causa por muitos anos. É a derrota das duas tentativas que torna o 25 de Novembro importante, e, caso seja esse o conteúdo das comemorações, elas serão mais conformes com a verdade histórica.
Uma nota sobre o PCP. O PCP fez aquilo que faz sempre em circunstâncias destas: tinha um pé dentro e outro fora, colocaria os dois pés quando as coisas pendessem para um lado. Os militantes do PCP estavam nas sedes e os apoios militares do PCP tinham armas. Mas desde Agosto de 1975 que a política do PCP fora definida por Cunhal como sendo de “ronha”, e de infiltração do MFA por dentro, e havia uma desconfiança profunda quanto à “revolucionarização” esquerdista, que o partido sabia ser aventureira. Do mesmo modo, o que se sabe sobre a política da URSS era igualmente hostil a uma “Cuba na Europa”, ainda sob a sombra do golpe chileno de 1973. É verdade que Cunhal e o PCP não partilhavam de alguns conselhos de moderação soviéticos, mas tinham necessariamente de os ter em conta. Por isso, apresentar o PCP como o “grande derrotado” do 25 de Novembro não tem qualquer fundamento. Ficou enfraquecido, mas ministros comunistas continuaram no Governo e algumas políticas de nacionalizações são posteriores ao 25 de Novembro.
Mas subsiste um outro problema nas comemorações. Quem é que se aclama como vencedores? Costa Gomes, o Grupo dos Nove, Eanes, Melo Antunes são sem dúvida os homens que estiveram no centro da resistência à extrema-esquerda militar e que, na célebre declaração de Melo Antunes, travaram o caminho à ilegalização do PCP, assim como o PS e Mário Soares.
Estão a imaginar alguns dos propugnadores do 25 de Novembro a elogiar o PS, Costa Gomes, Melo Antunes, Vasco Lourenço e os outros membros do Grupo dos Nove? Não, vão transformar Jaime Neves no “herói” da liberdade como fez a Iniciativa Liberal colocando-o num cartaz junto de Roosevelt, Churchill, Rosa Parks, Arendt, Reagan e De Gaulle. Convém não cair na tentação de esquecer os primeiros para incensar o segundo. Jaime Neves teve um papel importante nas operações militares de 25, foi por isso elogiado por Melo Antunes, mas tornou-se um derrotado a 26.
Nos dias de hoje a guerra cultural precede a radicalização política, e as datas têm um papel nessa guerra. A direita moderada portuguesa ganhava em olhar para o que está a acontecer no Partido Republicano americano, em que uma pequena minoria capturou um dos grandes partidos históricos e sob a batuta de Trump introduziu o caos no Congresso e bloqueou o apoio à Ucrânia, enquanto Trump anda nos comícios a defender a execução dos ladrões de lojas e do seu antigo chefe do Estado Maior.
Não há mal nenhum em comemorar o 25 de Novembro, mas só se presta um serviço à democracia se se for rigoroso nessas comemorações, não usando a data para introduzir nos dias de hoje uma espécie de remake dos riscos de guerra civil do passado. Sem nunca esquecer que os desejos de guerra civil em 1975 não vieram só de um lado, vieram dos dois, à direita e à esquerda. Ambos fizeram danos à democracia e ambos mataram. Se destaparem a caixa de Pandora errada, e ela está sempre errada, não ajudam a dar valor e significado ao 25 de Abril e à democracia que ele permitiu.”
E sim, o PCP deveria ter sido proibido .
Os partidos comunistas deveriam ser proibidos (como na alemanha) à semelhança dos partidos fascistas, pois são dois regimes irmãos que provocaram muitas mortes e muito mal no mundo.
O PCP que ajudou a fundar o SNS provocou muitas mortes e muito mal no mundo? Pensei que foram outros partidos a chumbarem a criação do SNS, burrice a minha.
Estranho, sobre os países que continuam a fabricar fome nunca há nada a dizer, é a fada do mercado. Nem as bombas, a criar organizações violentas com que se alia e desalia ao sabor do vendo, são divinas porque há uma cruzinha a mudar o testa de ferro.
‘Foi um acontecimento de dimensão mundial’.
Sem dúvida, mas só pela soma dos mortos no que se seguiu em Angola e Moçambique.
Só isso lhe deu dimensão mundial, não o carnaval político que por aqui se continua!
Viva Soares e Cunhal, então.
E não é que a vítima começa novamente com um insulto do bem?
Burgesso queque Imbecil neoLiberal vai espalhar os teus vómitos para o Beobachter.
Facholas de quinta categoria requentada precisavas de um Otelo para te enfiar no Campo Pequeno com os teus amiguinhos (incluindo o coninhas-mor do Moedas) betinhos nojentos filhos e netos de bombistas.
Já agora, mete essa bosta de “Vortex Mag” pelo teu lixiviado acima
Isto conta como discurso do ódio?
Os reacionários chamam “Ditadura” a tudo, pois existem diferentes, crenças ! Se for a chamada “Ditadura” do proletariado, esta não permite corrupçao e oligarcas com fortunas de biliões, obtidas com o sangue de quem trabalha…
É tão giro ver os derrotados do 25/11 a celebrar o 25/11…
Ai se eles soubessem que o PCP näo foi ilegalizado!
Ai se eles soubessem que ministros do PCP continuaram no Governo!
Ai se eles soubessem que houve nacionalizações após 25/11/75!
Celebram a liberdade de exploração da senhora que os pariu num mercado a que chamam livre, que é a única coisa que interessa.