Gente perigosa

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O Expresso destaca na edição online um relatório de segurança que alerta para os grupos de extrema-direita e de extrema-esquerda em Portugal. Um tipo lê um título destes e fica a pensar que existem em Portugal organizações de extrema-esquerda que espancam emigrantes até à morte ou que bloqueiam ruas para levar a cabo batalhas campais urbanas.

Porém, ao ler a notícia, a desilusão abate-se sobre este tipo. Afinal, aquilo que é referido no tal relatório, segundo o Expresso, é que alguns militantes portugueses não-identificados de grupos de extrema-esquerda não-identificados participaram em protestos violentos contra o G-20, na Alemanha. Isso, e, valha-nos Deus, ocuparam uns edifícios devolutos no Porto e em Lisboa. Isto sim, é gente perigosa.

A violência de extrema-esquerda é, felizmente, um fenómeno que não tem expressão em Portugal. Não que a violência da extrema-direita seja um grande flagelo, até porque não tem a dimensão que tem noutros países europeus, mas existe. Vimo-la no Prior Velho há uns dias atrás. Conhecemos os nomes de várias organizações. Sabemos quem são os seus líderes. Não façam de nós parvos.

It’s The End of The World as we Know it….

….mas eu não fico satisfeito, ao contrário do que diz a música dos REM.

Não fico satisfeito (nem surpreendido) com a vitória da extrema-direita (e extrema-esquerda, as quais não distingo em nada) por essa Europa fora. É alarmante. Assustador.

Representa o princípio do fim do sonho europeu. E nestes momentos o melhor é não esconder os culpados: o centro direita e o centro esquerda europeus. Todos sem excepção. Porque levaram o eleitorado a ter de fazer estas escolhas. Porém, o eleitorado não pode fazer de conta que não é nada com ele.

Quando amanhã regressarem as fronteiras, as pesetas/escudos/francos e o retrocesso da liberdade, talvez se lembrem do dia 25 de Maio de 2014. Ou talvez não.

Esquerda radical?

Existe uma crise cuja raiz está na desregulação de mercados e nas ligações cúmplices entre o poder financeiro e o poder político. Essa crise tem sido gerida – é o termo – por governos de centro-direita sempre muito pragmaticamente adversos às ideologias, mesmo que finjam o contrário e mesmo que se finjam o contrário (por exemplo, quando não estão no governo). A gestão dessa crise tem-se baseado em medidas consideradas inevitáveis e que têm provocado o empobrecimento, o desemprego, a precariedade, enfim, têm tornado pior a vida dos cidadãos.

Ninguém esconde que a solução esteja na austeridade, mas barrosos, merkeis e outros defendem a austeridade pura e simples, colocando as questões macroeconómicas acima da vida das pessoas. Mais radical do que isto só se se defender, frontalmente, o fim da democracia. Para isso, já não falta quase nada e podemos dar como exemplo as reacções musculadas da direita ao exercício da greve ou a criminalização dos funcionários públicos como raça responsabilizada pela crise. [Read more…]

Quem escreve assim é jornalista

Extrema-esquerda grega diz que acordo com a troika é nulo.

Não é que me ofenda, temos as costas largas, mas depois admirem-se que designe o CDS como um partido de extrema-direita.