Porque se despreza Cabo Delgado

A esquerda é hipócrita. A esquerda é trafulha. A esquerda é interesseira. Mas acima de tudo a esquerda é criminosa porque continua a ser responsável pelo desinteresse da sociedade pelas imensas e colossais barbáries que ainda ocorrem por esse mundo.

Acham um exagero? Pois eu não tenho qualquer dúvida que a agenda noticiosa mundial é muito, mas mesmo muito marcada pelos interesses da esquerda. Então em Portugal, essa minha opinião torna-se uma constatação. A esquerda, ao contrário de outros sectores mais democráticos, não tem qualquer pejo em utilizar estratégias menos éticas para ganhar influência. São, ainda, reminiscências soviéticas. Por exemplo, em Portugal, a esquerda, nomeadamente o PCP e o BE, planeiam desde há muito, sem qualquer vergonha, a infiltração das profissões e das instituições que possam conceder influência na informação e na formação das massas. Desde logo, na comunicação social e na educação.

Porque razão não há jornal ou telejornal em que os anormais do Trump e do Bolsonaro não apareçam, mas passam-se dias (meses) sem se ouvir falar de Maduro, de Kim Jong-un, de Xi Jinping, de Aleksandr Lukashenko, de Putin, etc. Não pode ser pela qualidade e nível de vida nos respectivos Países. Não pode ser pela democraticidade. Não pode ser pelo respeito aos mais elementares direitos humanos. É que é evidente que os mais referidos, gozados e atacados (com razão, diga-se de passagem) ainda conseguem proporcionar isso às suas populações. Quanto aos outros, estamos conversados.

E nesta agenda noticiosa dominada pela esquerda, a miséria, a fome, os assassinios, o despotismo que aqueles Povos sofrem diária e constantemente é pura e simplesmente desprezado. Se isto não é ser criminoso, melhor, se este desinteresse deliberado não corresponde a um crime hediondo contra a humanidade, então o que corresponderá?

Muito mais evidente e chocante, por exemplo é a diferença de tratamento pela comunicação social do que está, há muito, a acontecer em Cabo Delgado e o que aconteceu nos EUA. Aqui um cidadão foi, repulsivamente, morto pelo exagero de um agente de autoridade. A partir daí, os jornalistas auxiliados pela ocorrência de mais 2 ou 3 situações similares, noticiaram non-stop o que aconteceu repetindo vezes e vezes sem conta o vídeo do homicídio, as manifestações que se lhe seguiram, etc. Porquê? Porque através do usual embuste de transformar as excepções em regras, conseguiam extrair a “prova” da preponderância do fascismo (através do abuso de autoridade) e do racismo (um agente branco que matou um negro, esquecendo que os restantes 3 agentes eram de diferentes etnias).

Para perceberem melhor o que pretendo dizer, deixem-me contar algo que pude ler ontem no Twitter onde, num post, uma mulher se insurgia contra o facto de um homem ter “apalpado” (o termo não é meu) uma estranha no meio da rua numa cidade deste País. Além de desejar a morte ao “apalpador”, dava como óbvio e comprovado o iminente e avassalador perigo do machismo. Ilustrava tudo isto com um recorte de um jornal local que dava essa notícia. Provavelmente sou só eu e por isso devo estar errado (o tanas), mas se uma ocorrência como essa consegue ganhar a dignidade de aparecer como notícia de jornal, acho que somos capazes de já estar num bom patamar geral de respeito pelas Mulheres.

Mas voltando ao que, realmente, interessa até porque estamos perante uma emergência humanitária, porque é que o terror de Cabo Delgado é olimpicamente ignorado? Porque é que o homicídio reiterado, cruel, revoltante e simplesmente inadmissível de parte da população de Cabo Delgado é mascarado pelo silêncio?

Porque noticiar isso nada de positivo (pelo contrário, provavelmente) traz para a esquerda que é quem, efectivamente, marca a agenda. Dali não se pode, nem à custa de silogismos trafulhas, inferir fascismos, racismos ou outros “ismos” quaisquer que possam prolongar a ilusão que a esquerda ainda pode ter alguma razão.

Esquerdofrenia

[João L. Maio]

O pior da esquerda é a constante falta de unidade. A dar tiros nos pés somos os maiores.

Num momento em que a esquerda precisa de estar unida, debater e chegar a consensos sobre a melhor forma de reagir (não gosto da palavra, mas é a correcta neste caso) ao avanço de uns certos iluminados sem luz, eis que prefere medir a pilinha do “eu sou mais anti-fascista do que tu” com os outros camaradas do mesmo espectro político.

As sondagens que vão saindo valem o que valem (ainda para mais quando as próximas Legislativas são apenas em 2023). No entanto, são sempre sintomáticas de alguma coisa, não fossem elas… amostras representativas. E essas dizem-nos que os desventurados vão galgando terreno. Um deputado fascista na Assembleia da República é um empecilho que temos tentado combater e desconstruir; agora imaginem fazer esse trabalho com quinze ratazanas lá metidas por outros milhares de ratazanas que os elegerão. Tudo isto se torna mais urgente quando ouvimos o líder da oposição dizer que não põe de parte uma coligação com os mini-hitleres cá da rua. Não acordes, esquerda…

Unam-se. Não se arruma com um fascista atirando o tiro para o ar. Separados e de costas voltadas não se combate o presente e muito menos se constrói o futuro.

“Tudo depende da bala e da pontaria/Tudo depende da raiva e da alegria”.

Tolerância

A ver se, de uma vez por todas, conseguem entender.

É-me, completamente, irrelevante a proveniência.

Auto-mutilação

Actualmente, ser de esquerda implica mutilar a sua própria liberdade. Principalmente, a liberdade de pensar.

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A enorme diferença

O que esta crise tem, inegavelmente, demonstrado é que a esquerda aposta e depende da estupidez do eleitorado enquanto o centro e a direita precisam desesperadamente que a inteligência e o nível cultural médios dos Portugueses aumentem rápida e substancialmente.

Sem nome, ainda

Na quase irrelevância de um Rui Rio bipolar, sobra a evidência de um PS atirado para a extrema-esquerda quer pela vocação da sua actual direcção quer pelas dolorosas, exorbitantes e retrógradas contrapartidas de um apoio parlamentar indispensável à sobrevivência de um governo, muito mais animado pela sede de estar no poder do que, propriamente, pelo talento e intenção da prosperidade.

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Feminismo vs Liberdade Individual

Há certezas absolutas que ninguém pode refutar quando falamos nas desigualdades entre homens e mulheres. Temos o exemplo dos salários ganhos por cada género, sendo que por cada euro ganho por um homem, uma mulher recebe 84 cêntimos. O problema coloca-se quando nos questionamos pela razão desta desigualdade factual. O movimento feminista fala de uma sociedade patriarcal, uma sociedade em que o homem tem predominância apenas pelo género. As feministas, que tanto criticam o capitalismo e aqueles que têm o lucro como algo positivo, são as primeiras a falar das diferenças salariais. Pelos vistos, o dinheiro não é assim tão irrelevante quanto isso. O movimento feminista, que não podemos confundir com as mulheres, não defende a igualdade de oportunidades para os indivíduos de ambos os géneros, mas sim uma igualdade de resultados. Se antes, as pessoas viviam numa ditadura pela ordem, agora vivem numa obsessão pela igualdade. Colocaram essa obsessão à frente da liberdade individual, não permitindo que as mulheres sigam o seu caminho, mas impondo uma luta identitária contra os homens.

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A ciência ou a vida

Por outras razões, insurgi-me, recentemente, contra tudo o que faça de nós egoístas ou bairristas. A ideia de que os meus são sempre melhores do que os outros e que, portanto, merecem mais e melhor é simplesmente repugnante. Somos todos tendencialmente egoístas, bairristas e nacionalistas, mas só gente abjecta é que permite que essa tendência se transforme numa perversão que desumaniza. Ser humano é outra coisa; espezinhar o Outro é só ser selvagem.

A ciência, tal como o ar ou a água, é património da humanidade e todos os estados têm de zelar para que assim seja, sob pena de serem só uma confederação de criminosos. Uma vacina, por exemplo, não pode estar apenas ao alcance de quem tiver dinheiro para a comprar. O mundo ainda é demasiado desigual e sabemos que uma vacina comum no mundo ocidental é, muitas vezes, uma miragem nos países subdesenvolvidos.

Segundo parece, Donald Trump tentou comprar o exclusivo de uma vacina para os Estados Unidos a um laboratório alemão. Se o negócio fosse avante, Trump reclamaria mais uma vitória, festejando o facto de que os americanos sobreviveriam, enquanto os outros poderiam morrer. [Read more…]

Menos combate ideológico

[Francisco Salvador Figueiredo]
Em tempos de emergência, a esquerda escolheu usar uma doença para criticar os liberais e defender as suas ideias.
Os liberais, por outro lado, optaram por chegar a soluções com qualquer partido de qualquer espectro político.
Se vos disseram que ser liberal é odiar o Estado, enganaram-vos. Ser liberal é acreditar na capacidade do indivíduo. Depois de meses com o único partido liberal a apresentar modelos que já resultaram, chegou a hora de mostrar que também é um exemplo de seriedade. Ao contrário do Bloco.
Para o Bloco, o combate ideológico é mais importante do que a vida das pessoas.
O Bloco é porco, nem mais, nem menos do que isto.

Sobre a degradação do SNS

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Fotografia: Lusa

Ao contrário de Marques Mendes, que será, porventura, o cidadão português mais bem informado da actualidade, eu não sei se o SNS está pior ou melhor do que no tempo da Troika. Não tenho números ou dados estatísticos que me permitam chegar a uma conclusão clara e objectiva sobre o problema. Nem sei sequer se o que se passa hoje no SNS resulta das políticas deste governo ou dos seus antecessores.

Contudo, não me interessa saber se, estatisticamente, o SNS está pior ou melhor que no tempo da invasão pirata neoliberal, à qual nos submeteram as mesmas pessoas que participaram na fabricação da crise artificial que colocou a economia mundial de rastos, e da qual os mais ricos emergiram mais ricos, e os mais pobres, sem surpresa, mais pobres. [Read more…]

Se dúvidas houvesse sobre o tipo de políticas deste Governo e a quem elas interessam…

A CIP quer maioria absoluta para o PS.

Espera lá! E a direita não tem culpa?

Durante milhares de anos, poucos homens exploraram muitos sem que os explorados tivessem verdadeiramente à sua disposição instrumentos mentais, morais ou intelectuais que lhes permitissem perceber que estavam a ser escravizados, que a exploração era uma realidade. Pelo meio, claro, houve revoltas, houve Espártaco, houve jacqueries, houve Galileu e muitos outros que chegaram a mártires, mas foi preciso esperar por tempos mais recentes para que alguns filósofos, independentemente da sua condição burguesa, dessem aos explorados meios para, finalmente, pensar sobre a sua condição. Foi então que os oprimidos começaram a estrebuchar, a incomodar, a exigir, para espanto das classes altas, que, invariavelmente, reagiram com brutalidade, até que, em muitos casos, foram obrigadas, para sobreviver, a aceitar a democracia, sendo que, ainda assim, nunca deixaram nem deixarão de a minar.

O poder, ao longo de milhares de anos, encontrou sempre maneiras de se legitimar, legitimando a opressão que exercia, com a ajuda, entre outras, da religião. No caso da nossa Europa, basta lembrar que o rei era ungido (o mesmo que se disse, por exemplo, do Bolsonaro e já fora dito acerca de Salazar), o que lhe dava direito, na prática, a algo semelhante à impunidade. O equilíbrio de poderes era um equilíbrio entre poderosos (reis, papas, duques e outros) e não entre patrões e servos. [Read more…]

Se eu disser muitas vezes “gajas boas!”, elas caem-me às carradas no colo?

Se assim for, espero que o João Miguel Tavares tenha razão na sua complexa análise da situação no Brasil.

Tancos e as críticas da “esquerda” a Marco António Costa

 

O “socialista” Vítor Rodrigues recebe o Primeiro-Ministro Passos Coelho, em sessão solene, a menos de um mês das eleições legislativas de 2015.

Conheci pessoalmente o Dr. Marco António Costa no dia 6 de Setembro de 2015, no gabinete do actual presidente da Câmara de Gaia, onde me foi apresentado. Faltava menos de um mês para as eleições legislativas de Outubro desse ano e o Dr. Passos Coelho era recebido na Câmara de Gaia, liderada por “socialistas”, com todas as honras devidas a um Primeiro-Ministro de Portugal. Enquanto se faziam discursos solenes e se trocavam abraços e garrafas de Vinho do Porto, o secretário-geral do PS, António Costa, distribuía bandeiras e canetas nas ruas do país, lutando pelo objectivo que daí a algum tempo viria, para desgosto e surpresa de muitos ditos homens de esquerda, a alcançar – ser primeiro-ministro de um governo do PS.

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As falazes divisões debilitadoras da Esquerda

As relações entre os sexos são, sabidamente, um tema complexo e virulento. Não sou especialista no assunto de género, mas não sou cega e basta olhar em volta para ver, na mercearia, mulheres com nódoas negras sobremaneira suspeitas; basta conhecer os números sobre salários para ver as diferenças; basta atentar ao número de mulheres em cargos de poder e compará-lo com o dos homens; basta ler sobre a violência doméstica e ver os números, basta ter, quando jovem, sentido o desconforto de ouvir bocas sexistas na rua. Enfim, basta olhar e ver. Como gosto muito de cinema, noto particularmente que, mesmo na grande maioria dos filmes verdadeiramente bons, a apresentação do acto sexual transporta sobremaneira os clichés de uma fantasia bem masculina.

Vem isto a propósito do programa Prós e Contras sobre o movimento #MeToo. Só vi a primeira parte, e chegou. Aliás, chegou logo ao ouvir Raquel Varela a desqualificar todo o movimento, porque acha que os homens ficam cheios de medo. Porque acha o verbo “importunar” muito bonito e reivindica o direito de tocar. Afirmando que o movimento mete tudo no mesmo saco, mete ela própria tudo no mesmo saco, ao reduzir o movimento à questão da presunção de inocência. Daí, dá o salto e etiqueta arrogantemente o movimento #MeToo de conservador, anti-democrático. E claro, só as lutas de classes é que são progressistas. [Read more…]

Politicamente correcto

A insistência histérica e descontrolada da esquerda no politicamente correcto, mais não é que o estertor de uma ideologia (socialismo) que sempre se revelou desumana (o termo correcto deveria ser anti-humana) e ilógica, apesar de atractiva para quem precisa de desculpar e camuflar a sua própria inépcia.

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Solução BES: a Nova Direita e a Direita Má

Pedro Mota Soares já foi Ministro da Solidariedade Social. Peço o favor de não se rirem, porque é verdade. Esse extraordinário currículo transformou-o em professor da chamada Escola de Quadros do CDS.

Em dada altura, enquanto ministro da Solidariedade Social (vamos tirar esse sorrisinho da cara, já!), chegou a criticar o facto de que havia gente a ganhar fortunas à custa do Rendimento Social de Inserção, como todos os bons direitolas do mundo inteiro que se dedicam a chamar parasitas aos que recebem alguma ajuda do Estado, essa entidade que só deve existir para entregar dinheiro aos grandes empresários, que é para isso que servem adjudicações e simulacros de concertação social e outros fingimentos.

Por outro lado, há tanta gente tão pouco recomendável na direita mundial que até Mota Soares se sente na obrigação de fazer de conta que não quer a mesma sociedade que é defendida por Bolsonaro. O centrista chega mesmo a distanciar-se de Le Pen, que, por sua vez, anda assustada com os exageros do mesmo Bolsonaro. Pelo meio, Mota Soares até recicla um discurso que está muito em voga, dizendo que a culpa de todos os disparates da extrema-direita é da esquerda e que, no fundo, a extrema-esquerda é igualzinha à extrema-direita, unidas pelo populismo e que, se formos ver bem, uma pessoa, estando ali na extrema-esquerda, basta contornar o quiosque e já está na extrema-direita, porque é tudo malta que frequenta o mesmo café, ao contrário de Mota Soares, cliente habitual de um outro snack-bar que, por acaso, até serve uns preguinhos muito bons.

No fundo, Mota Soares quer para a direita uma solução como a do BES: de um lado, está ele, da Direita Boa, a Nova Direita (a da “tradição humanista”, disse Henrique Burnay, humorista involuntário); do outro, está a Direita Má. Entretanto, o Novo Banco, a parte boa do BES, parece que precisa de mais dinheiro, o que nos leva a pensar que, se calhar, não há grande diferença entre o banco bom e o banco mau, mas isto pode ser o meu populismo a falar.

A maioria parlamentar e o salário mínimo

O adjectivo “mínimo”, numa expressão como “salário mínimo”, deveria servir para classificar um montante que permitisse a quem o recebe um mínimo de dignidade. Na realidade, tendo em conta o custo de vida em Portugal, sabemos que isso não é verdade.

Há dois dias, o arco da governação chumbou uma recomendação do PCP para que o ordenado mínimo passasse para 650 euros. As razões apontadas por esta gente, para quem país e cidadãos são compartimentos estanques, correspondem a jogos florentinos de quem está sempre do lado dos mais fortes.

O CDS, fiel à voz do dono, criticou a proposta do PCP, considerando que se trata de uma “prova de vida”, o que é sempre muito fofo da parte de um partido que se lembra de pensionistas e de agricultores em anos de eleições.

Pergunto-me o que leva as vítimas de sucessivos assaltos a dar maioria absoluta aos assaltantes, essa sim, uma geringonça com mais de quarenta anos.

Os politólogos estão estupefactos: O PS consegue governar mais à Direita do que o PSD

Podia dar o exemplo da Educação, em que uma imbatível Maria de Lurdes Rodrigues, no que diz respeito ao ataque à Escola Pública em geral e aos professores em particular, é perseguida nos seus feitos pelo actual titular da pasta.
Podia dar o exemplo da Saúde, cujo SNS está pior do que alguma vez esteve – cortesia do Partido que o fundou.
Podia dar ainda o exemplo da Energia – no meio de todas as vergonhas de Pinho e Sócrates, o actual Governo consegue transformar uma dívida da EDP ao Estado numa dívida do Estado à EDP.
Pois, não há dinheiro. Mas para os mesmos de sempre há sempre dinheiro.
Podia dar n exemplos, mas não é preciso. O fim da austeridade é uma treta e a merda é a mesma de sempre. Desde o início mas sobretudo desde que é presidente do Eurogrupo, o ministro dos bilhetes do Benfica mais não faz do que sacar aqui e ali, cativar tudo o que mexe, meter-se com quem tem menos e acobardar-se perante os poderosos. Um corrupto moral que não passa disso mesmo – de um corrupto moral.
Quanto à Esquerda, continuará até ao fim da Legislatura refém do PS. A engolir sapos perante um Governo mortinho por que o façam cair para depois poder governar em maioria absoluta. Perante um Governo que actualmente está mais próximo do PSD do que da Esquerda.
Alguma vez esteve mais longe?

Em 2016 emigraram 100 mil portugueses

Há aspectos estruturais da organização da sociedade portuguesa, principalmente na área laboral, que não sofreram, com a entrada em funções do actual governo, as modificações necessárias a uma inversão das tendências e dos indicadores mais negativos que marcaram a governação anterior de PSD e CDS.

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Poder e assistencialismo

Portugal, enquanto sociedade e economia, gera recursos mais do que suficientes para permitir a todos os seus cidadãos uma vida materialmente digna.

Gera recursos suficientes para ter uma Escola Pública capaz de cumprir integralmente a sua função, com níveis de qualidade aceitáveis e disponível para todos.

Gera recursos que chegam e sobram para ter ao serviço de toda a população um bom Sistema de Saúde, praticamente gratuito.

Gera recursos suficientes para cuidar da Terceira Idade com a dignidade exigível, através, designadamente, de um sistema de Segurança Social totalmente sustentável e capaz de responder às necessidades específicas dessa população.

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O regresso do cavaco-vivo

A universidade de Verão de Castelo de Vide está para o Ensino Superior como as notas do Monopólio estão para o dinheiro, o que quer dizer que as aulas que ali decorrem não são, portanto, aulas, concluindo-se, portanto, que os docentes não são professores e que os alunos, portanto, os alunos, dizia eu, não estão ali para aprender. Pronto, confesso: é um rodízio de comícios.

Cavaco Silva foi um dos “professores” convidados e, de modo coerente, confirmou aquilo que de pior tem em si, que é, afinal, o melhor que pode dar ao mundo. O político que fingiu, durante anos, não ser político deu mais uma lição de vacuidade, o que, afinal, faz sentido na universidade de Verão de Castelo de Vide. [Read more…]

Autopsicografia de um homem de esquerda

João Valentim André

A pergunta ressoa no mais fundo do corpo ético do homem de esquerda: “como posso eu aceitar, sem forçar todo o meu ser à dissolução, que a sociedade de que participo condene mil homens à pobreza para que possa criar um que seja rico?”

A pergunta é labiríntica. A resposta reside no seu centro mental, um ponto cósmico, guardada por um temível animal mítico. Mas uma vez chegado a esse centro, não tem, o homem de esquerda, como evitar o confronto. E ele dá-se precisamente no lugar do eixo, no axis mundi, na base da árvore da vida pela qual se ascende à resposta.

Para que o mistério não viesse a ser simplesmente um maneirismo literário, o demiurgo achou por bem fazer depender a vitória sobre a besta mítica da resposta a uma outra pergunta: desses mil homens condenados à pobreza, quantos não sacrificariam outros cem mil ao mesmo mísero destino para que a fortuna lhes sorrisse a eles?

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O dia inicial faccioso e distorcido

Chegados ao 25 de Abril, o segundo da era da Geringonça, damos por nós confrontados com a habitual literatura ficcional-conspirativa, que tende em dar o ar da sua graça por esta altura. O texto de João Marques de Almeida (JMA), publicado no insuspeito Observador, esse hino à imprensa independente, é um belo exemplar do género.

Diz-nos este académico e antigo assessor de um dos exemplos maiores de ética e sentido de estado que foi Durão Barroso, hoje no topo da hierarquia desse farol da liberdade moderna que é o Goldman Sachs, que a luta pela liberdade, protagonizada – não só, que fique claro – pelas forças de esquerda contra o salazarismo não passa de um mito. “Absolutamente falso”. A sua luta, segundo JMA, não era mais do que uma fachada para “impor uma ditadura aos portugueses. Seguramente, mais violenta do que a do Estado Novo”. O resto é mais ou menos o mesmo que os JMA’s desta vida normalmente escrevem nestas ocasiões. Tudo no mesmo saco, a adoração religiosa de Estaline como dogma e as cegueiras ideológicas do PCP com Coreias do Norte e afins como prova científica de que tudo o que mexe à esquerda tem como missão abolir a democracia e todas as formas de liberdade, especialmente a económica, que um tipo de esquerda que se preze tem que ter prioridades.

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Exactamente, Alberto Gonçalves: Portugal está perigoso.

Faz hoje três meses, o Fernando Moreira de Sá escreveu sobre a saída do Alberto Gonçalves do DN, e deixou-me o José Vítor Malheiros e o Público, sobre os quais na altura não escrevi, porque, ao contrário do DN, que deixou intacta a restante ala direita, o Público continuou a despachar a esquerda. Seguiram-se Paulo Moura e Alexandra Lucas Coelho. Hoje regresso a todos eles, porque Portugal está perigoso. Para o Alberto Gonçalves mas sobretudo para a esmagadora maioria da opinião publicada à esquerda. Nos jornais como nos comentários televisivos.

No caso de Alberto Gonçalves, este da Sábado, não o do DN, um toque de fina ironia merece ser destacado. Ver um proeminente liberal, alegadamente sacrificado no altar capitalista com um contrato indigno, indignado porque prescindem de parte dos seus serviços, não perdendo tempo para fazer acusações como as que podemos ver em cima, faz lembrar aquele cliché da direita do esquerdalho que arranja desculpas para justificar os seus insucessos profissionais. Então o dinheiro não é do patrão e não é ele que decide? Até aqui estava tudo bem, agora a liberdade poderá ter chegado ao fim e a purga não poupa quase nenhum daqueles que tornava a Sábado legível. Tem a sua piada. Será que também correram com o Nuno Rogeiro e ninguém nos avisou? Estes comunas do grupo Cofina… [Read more…]

A entrevista de José Sócrates à TVI

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O ex-Primeiro Ministro José Sócrates deu uma entrevista à TVI da qual é legítimo destacar dois momentos. O primeiro, que a comunicação social não deixou passar despercebido, foi quando José Sócrates parece ter insinuado que a investigação de que é alvo, e que já provocou, entre outras coisas, a sua prisão, está, de algum modo, relacionada com o ex-Presidente da República, Aníbal C. Silva. Uma leitura mais livre, e necessariamente mais subjectiva e sujeita a erro, das suas declarações, pode levar a concluir que o ex-Primeiro Ministro considera, intimamente, que o ex-Presidente da República de algum modo promoveu ou patrocinou as acusações, não formalizadas, que recaem sobre si. O argumento, sendo conspirativo, é totalmente plausível.

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Quem elegeu Trump?

Foi a “Esquerda” que boicotou Sanders em favor de Clinton. Foi a “Esquerda” que, mais uma vez, escolheu a Direita. Foi a corrupção.

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O Público e os empatas

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Na primeira página do Público, podemos ler aquilo que está na imagem. Como sabemos, empatar na política ainda é mais feio do que no futebol ou na vida íntima de outros.

Se lermos apenas este título, que é o que fazemos muitas vezes, é evidente que a imagem da esquerda não ficará em bom estado, porque, aparentemente, não quer resolver determinados assuntos. Se a esquerda merece ter bom ou má imagem, poderemos discutir noutra altura, se não vos importais.

Se se quiser, apesar de tudo, pensar um bocadinho, levantar uma dúvida, poderemos perguntar-nos se este título será uma referência a toda a esquerda, PS incluído, ou se haverá algumas divisões.

Ao fazer essa coisa raríssima que é ler a reportagem, ficamos a saber que o PS recusou as propostas dos partidos de esquerda acerca da limitação dos salários dos reguladores, que o PS, ao contrário dos (outros) partidos de esquerda, quer diminuir paulatinamente o número de alunos por turma, que o PS não quer fazer alterações no mapa das freguesias antes das próximas eleições autárquicas, que o PS não quer resolver já muitas questões relacionadas com o sistema bancário ou com os offshores, que o PSD e o PCP não viabilizarão de imediato algumas medidas contra os maus tratos a animais, que há uma proposta do CDS acerca do envelhecimento activo que tarda em ser aprovada, que o PS anda a adiar uma resolução sobre o uso da produção nacional e regional nas cantinas públicas, e, enfim, que há um grupo de trabalho que tem a seu cargo dois diplomas do PCP e do BE acerca do regime jurídico da partilha de dados informáticos e dos direitos de autor. [Read more…]

Passos Coelho

A Esquerda deve agora, repito, agora, defender, com os devidos recato e inteligência, o actual líder da oposição. No interesse da própria Esquerda e no interesse do país.
Eles vêm aí.

O Meio

© Público

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O Partido Socialista é uma força social que cumpre um papel determinante no sistema político português. A sua acção doutrinária e operativa assenta numa matriz filosófica de grande relevância histórica, quer no contexto nacional, quer no contexto internacional, devendo-se à sua família política e filosófica alargada uma parte muito significativa daquilo que hoje é conhecido por “civilização ocidental”.
Ao Partido Socialista tem cabido a responsabilidade de ser um factor de equilíbrio dinâmico entre várias correntes de pensamento político, sendo o grau de dificuldade dessa tarefa singularmente elevado pela multiplicidade de tendências e visões do mundo que cabem dentro de uma organização plural, de génese humanista e tradição republicana.
Cabendo-lhe a função de ser o “meio”, de assegurar que a sociedade portuguesa é dirigida tendo em conta os princípios doutrinários e constitucionais de uma Democracia pluralista, não foram raras as ocasiões em que o PS pareceu ter adoptado posições políticas de “direita”, agindo num sentido que a muitos pareceu contraditório com a sua matriz ideológica e com os interesses específicos de uma significativa parte da população portuguesa que via no PS, legitimamente, um defensor dos seus direitos sociais.

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