A histeria estorva a acção

O humorista Ricardo Araújo Pereira escreveu uma crónica a “atacar” a tentativa de pinkwashing da Fox News, em parceria com o braço armado da comunidade LGBTQI+ do Partido Socialista, a ILGA, onde aponta o facto de, nessa mesma parceria, se descolar o género da identidade sexual (que, na verdade, andam e andarão sempre de mãos dadas, pois um não existirá sem o outro). Conclui o humorista que, se querem tirar a carga sexual das atracções que são, fundamentalmente, sexuais, então que chamem homogenerais aos homossexuais.

Para melhor compreensão do tema, recomendo também a crónica de Carmo Afonso no jornal Público, onde a mesma tem uma frase salutar: “É uma chamada de atenção para a esquerda. (…) Leiam antes de atirar as pedras. Pode não ser uma blasfémia.” O que parece ser a espuma das ondas em que se mergulha hoje em dia: a opinião imediata, nunca fundamentada e que procura dividir, à esquerda e à direita, a sociedade entre “nós” e “os outros”, sem atender ao que, de facto, está escrito e fundamentado.

Digo isto com alguma pena de mim próprio, porque, infelizmente, parece que não podemos ser crianças para sempre; mas sou do tempo em que a esquerda se unia em torno de causas que achava primordiais e saía à rua, fazia barulho na rua pelos direitos que achava serem inalienáveis. Hoje, também com muita pena minha, denoto que esquerda, em vez de se unir nas ruas por esse país afora, inunda as redes sociais e as caixas de comentários com opiniões enraivecidas que, ao invés de tentarem “educar”, tentam impor uma visão unipessoal de alguns temas, sem que o debate se faça seriamente e com fundamento. [Read more…]

Wokismo é folclore. Poder é outra coisa

Somos constantemente bombardeados com histórias mirabolantes sobre o lobby woke, que, alegadamente, tomou conta dos EUA. Sobre o poder de uma esquerda que praticamente não existe, com a excepção de uma meia-dúzia de representantes eleitos em círculos mais progressistas, como Ocasio-Cortez ou Bernie Sanders, que por cá, quanto muito, integrariam as fileiras do PS ou, no limite, a ala social-democrata do BE.

Acontece que, nas questões que realmente importam, nas decisões que realmente pesam e definem o futuro dos americanos, vemos quem verdadeiramente manda naquele país.

Vemo-lo no enorme fosso que separa ricos e pobres, num país que ainda é a maior economia mundial e permite que pessoas trabalhadoras vivam em tendas, porque não ganham o suficiente para pagar uma casa. Em nome da liberdade, dizem eles.

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Conversas Vadias 53

Na 53ª edição das Conversas Vadias, asseguraram os serviços mínimos, os vadios António de Almeida, Carlos Garcez Osório e José Mário Teixeira. Desta feita a vadiagem rondou: eleições do PSD, candidatos, passados, liberalismo, Iniciativa Liberal, PS, Fernando Medina, contas, Esquerda, Direita, Chega, eleições francesas, protesto, revolta, justiça, impunidade, medo, informação, comunicação social, Passismo, troika, crises e resolução do BES.

Por fim, os vadios apresentaram as suas sugestões: [Read more…]

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Conversas Vadias 53
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Aqui estou, Manuel Acácio

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, vai, na semana que vem, apresentar a proposta do próprio para a introdução de transportes públicos gratuitos na capital. Não é que Carlos Moedas queira muito, mas como a esquerda tem maioria na CML, lá vai ter de fazer o frete e cumprir com uma das medidas que lhes prometeu.

Com isto, muita coragem, sr. Moedas: no PSD ficará ligado à introdução de uma medida que o próprio PSD apelida de… “coisa de extrema-esquerda”. Depois de há uns anos ter ouvido Pedro Passos Coelho a defender o “Imposto Mortágua”, tudo é possível. Parabéns, Carlinhos!

Fotografia: Bruno Gonçalves.

A cegueira da “esquerda” pelo ódio à NATO

Fonte: epa

Os embaciados óculos ideológicos de certa esquerda de aquém e além mar, para a qual a adoração da imagem inimiga – no caso, a sem dúvida censurável NATO, –  é superior à sua capacidade de empatia, humanismo e respeito pela soberania dos povos, levam, por estes dias, adeptos seus a pronunciarem-se sobre a guerra na Ucrânia com as conhecidas adversativas e propostas de rendição da Ucrânia.

Taras Bilous é um historiador ucraniano, activista do grupo Sozialny Ruch (Movimento Social) da organização do Movimento Social e editor da revista ucraniana de esquerda Commons.

Pouco depois do início da guerra, Taras Bilous escreveu “A letter to the Western Left from Kyiv”, na qual comunica a uma parte da esquerda do Ocidente o que pensa sobre a sua reacção à agressão da Rússia contra a Ucrânia.

Deve ler-se na íntegra, mas aqui ficam alguns excertos: [Read more…]

GPS: da esquerda para a direita

O Chega, nos últimos anos, foi um desbloqueador de alguma continência a que a direita se sentiu forçada durante alguns anos. Dito de outra maneira: alguma direita perdeu a vergonha e voltou a sentir o odor do 25 de Novembro, porque a direita adora o cheiro a extinção de esquerda pela manhã.

Muita dessa direita, alegadamente defensora da democracia, começou a aproveitar as críticas ao Chega para dizer que os extremos se tocam e que, portanto, o PCP ou o Bloco, por exemplo, eram tão maus como o partido de André Ventura, porque defendem ditaduras ou porque ser de esquerda é ser inevitavelmente defensor de ditaduras.

Algumas pessoas de esquerda ainda têm tentado explicar que há um espectro democrático que inclui partidos de direita, mas não o Chega, mesmo sabendo-se que esta espécie de partido é mais uma jogada populista do que uma agremiação ideologicamente consistente. A verdade, no entanto, é que a quantidade de nazis e de fascistas assumidos torna a subida do Chega preocupante. [Read more…]

As descobertas da direita portuguesa ou mesmo mundial

Quando o mesmo homem, num país, desempenha, em anos seguidos e alternadamente, as funções de Presidente da República e de Primeiro-ministro, dificilmente poderíamos falar em democracia consolidada ou mesmo em democracia. Vladimir Putin nunca foi flor que se cheirasse, tal como os oligarcas e mafiosos que o rodeiam e que andam pelo mundo a comprar clubes de futebol e empresas e casas e iates. Putin é um escarro tóxico que aprendeu muito do que sabe no mundo soviético, para, hoje, ser chefe de um bloco capitalista e imperialista, porque o primeiro implica o segundo, a cavalo de uma globalização inevitável e cavalgada por gente muito pouco recomendável, sempre salvaguardada, no entanto, por quantos defendem a pureza de um capitalismo imaginariamente assente numa aparência de meritocracia.

A direita portuguesa ou mesmo mundial descobriu, com a invasão da Ucrânia, que o Putin era mesmo mau. De caminho, aproveitou para continuar a normalizar o Chega, indignando-se muito com a posição equívoca do PCP (que consegue condenar e relativizar, ao mesmo tempo, a invasão russa), como se o PCP não tivesse, há muitos anos, posições equívocas sobre algumas ditaduras, usando de uma linguagem tortuosa para fugir a comentários sobre excrescências como a antiga oligarquia angolana ou a ditadura norte-coreana. [Read more…]

Ao cuidado da extrema-direita que ainda não saiu do armário

Há quem não compreenda as dimensões racista, xenófoba, misógina ou globalmente autocrática – to name a few – do Chega. Pior: há quem as compreenda, compreendendo também as consequências que daí resultam, mas opta por desvalorizar e normalizar, por ódio à esquerda, por simpatia envergonhada pelo Chega ou por comungar do mesmo ideário. Ou por todos estes motivos. E mais alguns.

Daqui salta-se quase sempre para a vitimização. E uma das modalidades de vitimização mais comuns é esta: então e a extrema-esquerda? Quando me deparo com esta sobrevorização do papel de micropartidos como o MRPP ou o MAS, fico sempre perplexo. Bem sei que o MRPP defende a morte dos traidores, mas será que alguém os leva a sério? Têm relevância política? Recebem financiamento significativo que possa transformar estes partidos numa ameaça real? Não, não e não. Três vezes não.

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Marxismo cultural na República Bolivariana da Alemanha

Um governo que resulta de um acordo entre os homólogos alemães do PS, PAN e IL decidiu aumentar o salário mínimo em 25%, criar um programa de construção de 400 mil habitações sociais, para baixar as rendas, e legalizar a cannabis, entre outras medidas progressistas. Se acontecesse por cá, logo surgiria um palerma qualquer a gritar:

  • Extrema-esquerda! Marxismo cultural! Venezuela!

Ou outra dessas palernices que mantêm a direita radical e extremista divertidas. Como acontece num país onde a maioria da população já atingiu a maturidade política, a coisa circunscreve-se aos primos neo-nazis do CH, devidamente afastados dos democratas por um robusto e bem-definido cordão sanitário. Lá chegaremos. Estamos há tempo demais no jardim de infância.

Sentido de Estado e a memória curta da direita: o caso do irrevogável Paulo Portas

Agora que o chumbo está consumado, e voltando ao spin dos últimos dias, a propósito das críticas que foram sendo feitas à postura do BE e do PCP, esses bandalhos que estavam a enganar o país com uma encenação desavergonhada, confortavelmente instalados no bolso das moedas de António Costa, e que acabariam por vender o seu voto e a sua integridade por cinco tostões, mas que lá se juntaram aos seus detractores para sepultar o que restava da Geringonça – paz à sua alma! – vamos lá viajar até 2013. E vamos de submarino.

Aquando da demissão de Paulo Portas – que era irrevogável, assumia o próprio em comunicado – o país mergulhou numa crise política que significou um aumento de 8% dos juros da dívida pública, qualquer coisa como 2,3 mil milhões de euros. Foi este o preço da birra do último governo de direita: 2,3 mil milhões de euros. Acontece que as convicções de Portas, mais a irrevogabilidade da sua demissão, tinham, também elas, um preço, que Passos Coelho decidiu pagar: promoveu Portas e vice-primeiro-ministro e cedeu mais um ministério ao CDS-PP, desta feita o da Economia, com a pasta a ser entregue a Pires de Lima. E o irrevogável deixou de o ser.

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6 anos de delirante “método Betadine”

Vamos lá ver se entendem de uma vez por todas: raramente (raramente é um eufemismo) o Estado tem dinheiro próprio; os colossais recursos que “gere” (outro eufemismo, a palavra correcta seria “delapida”) resultam dos impostos, contribuições, taxas e “taxinhas” que somos coercivamente forçados a pagar; isto é, o tal “dinheiro do Estado” é produto de uma espécie de  “racketeering” em que, legalmente, se obriga o Contribuinte a pagar por uma protecção que depois pode ou não ocorrer (normalmente, não). 

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A encenação, afinal, era à direita

O spin da direita funcionou e o alegado controle da comunicação social por parte da esquerda, sem surpresas, revelou-se mais um embuste bem sucedido da direita. Durante semanas, lemos e ouvimos deputados-cronistas, senadores de Domingo a noite e profissionais do spin, todos a insistir na mesma tecla: o OE22 seria aprovado, sem dúvida alguma, e as difíceis negociações em curso não passavam de uma encenação. PCP e BE estavam, literalmente, no bolso de António Costa. Um esquema bem montado que está aí para nos recordar que os radicais da direita trauliteira passista nunca foram embora. Rangel, como outros antes dele, é apenas a sua mais recente barriga de aluguer. Mas a crise política tem um e apenas um culpado. Chama-se António Costa. Foi ele que não quis aceitar os termos dos partidos de esquerda para garantir o seu apoio. A ver vamos, se a esquerda ainda vai a tempo de sacar um coelho da cartola até Quarta-feira.

Jorge Sampaio, sempre!

Ontem vimos partir um dos nossos melhores. Um combatente destemido, um espírito culto e pleno de substância, um político excepcional, um exemplo para muitos, onde orgulhosamente me incluo, e, sobretudo, um homem bom. Uma das poucas reservas morais que nos restavam de uma classe política em decadência. Sempre do lado certo da luta.

Jorge Sampaio enfrentou o Estado Novo pela primeira vez no início dos anos 60, enquanto líder estudantil, durante a sua passagem pela Faculdade de Direito de Lisboa, numa década marcada pelo Maio de 68. Já advogado, defendeu presos políticos em julgamentos viciados pelo regime fascista, sem nunca tremer ou hesitar. Corajoso, voltaria a desafiar o regime ditatorial ao concorrer à Assembleia Nacional pela CDE em 1969. Correu sérios riscos, apesar da vida confortável onde se poderia ter refugiado, mas que nunca o demoveu.

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O Cotrim mentiu-nos…

E o Público também. Recentemente, surgiu uma notícia do Público a alegar que o João Cotrim Figueiredo “não vê porque não repetir modelo dos Açores” com PSD e Chega. Vá lá, meteram as aspas até Açores, mas este título trata-se claramente de mais uma tentativa de descredibilizar a IL e colocá-la como braço direito do Chega. Não há uma entrevista que seja feita ao líder da Iniciativa Liberal sem uma referência ao Chega. Se querem escrutinar o trabalho da IL, ao menos que se faça com verdade. Questionem o porquê da abstenção em medidas pró-LGBT, por exemplo. Que já agora também discordo, porque deveria ser voto contra, visto que orientação sexual nunca deve ser um fator de desempate. Achar que a IL é contra LGBT é quase o mesmo que achar que a IL é contra aviões ou bancos. Questionem a abstenção em relação à audiência do Rui Pinto. Tenta coisa que têm, mas a única forma que encontraram para tentar melindrar liberais é falar do Chega. Ora, liberais dão palco a fachos por irem a umas palestras, mas trazer o Chega para a conversa todas as entrevistas é mero escrutínio.

Depois disto, ainda há pessoas que não perceberam o que se passou nos Açores. Não percebem que o acordo da IL é apenas e só com o PSD. Querem um desenho? Então tomem um desenho. Pode ser que seja desta.

E agora chegamos à parte mais grave. Cotrim mentiu-nos e não há como fugir às evidências. Ainda em tempos de legislativas, Cotrim disse não se juntar ao Chega.

Mais tarde, diz o mesmo numa entrevista ao Expresso.

Desta vez, não foi o JCF, mas sim Tiago Mayan a afirmar que não há hipótese para iliberais.

E agora, chegamos à mentira. JCF disse no Polígrafo SIC que seria a última vez que afirmava que não haveria acordos nenhuns com o Chega.

Ora, pois… É mentira. Infelizmente, repetiu dia 17/05 com Miguel Sousa Tavares.

E como se não fosse suficiente, ainda repete na RTP1, no 5 Para a Meia Noite.

Felizmente, temos esta excelente recolha do Myles. Para deixarem de perguntar e mentir sobre as posições liberais, talvez o Cotrim tenha de tatuar na testa “Chega é merda”.

Espero que da próxima vez, não haja resposta. Obviamente, virão os donos da virtude dizer que quem cala consente, mas não há motivo nenhum para repetir isto. Lamentável que os OCS dêem tanto palco a um partido como o Chega que apenas tem um deputado. Mas depois, os mesmos que acham isto normal são aqueles que gritam normalização a cada esquina.

XII Convenção do Bloco de Esquerda: Justiça na Resposta à Crise

Fotografia: LUSA

Realizou-se este fim-de-semana, em Matosinhos, a XII Convenção do Bloco de Esquerda.

Depois de quatro anos de “geringonça” e de acordos firmados à Esquerda com o Governo do Partido Socialista e depois de mais quase quatro anos de oposição a um Governo teimosa e prepotentemente minoritário do mesmo partido, o Bloco de Esquerda reuniu-se a Norte para aferir o pulso aos seus militantes e à sua direccção. Catarina Martins, apesar de algo contestada interiormente, venceu e parte assim para pelo menos mais dois anos à frente do partido.

Mas vamos ao fundo da questão. Depois de quatro anos em que o objectivo foi, em conjunto com o PCP e com o PS a governar, reverter a maioria das medidas da Troika, o PS partiu para as eleições de 2019 a apostar em dois trunfos: um, o primeiro, o da maioria absoluta; esperança acalentada até ao fim, tratada como tabu publicamente, mas objectivo premente nas hostes internas; o outro, menos significante para António Costa e Cª, a da continuação dos acordos à Esquerda. Contudo, findado o acto eleitoral de 2019, decidiu o PS governar sozinho, minoritariamente, julgando que podia ceder à Esquerda e à Direita quando melhor lhe conviesse, arregimentando, assim, votos de um lado e do outro, e secando a oposição. Podemos dizer, ainda assim, e tendo por base as sondagens que têm vindo a público, que a estratégia do Partido Socialista não tem saído, de todo, furada – mas, neste ponto em concreto, teríamos base para outro texto.

Fazendo jogo duplo, julgou o PS que, chegada a hora da votação do Orçamento de Estado, tudo se decidiria sem sobressalto. Enganou-se. Para o OE’21, o Bloco de Esquerda insistiu num x número de medidas – que, diga-se de passagem, nem eram todas quantas o partido idealizaria -, entre as quais o reforço do SNS (através da contratação de mais profissionais, sejam médicos, auxiliares ou enfermeiros), a reversão das medidas do Governo PSD/CDS, impostas pela Troika, no que diz respeito à Lei Laboral, e um aumento da rede de protecção social, para prevenir o desemprego e ser possível responder ao aumento anunciado do mesmo, face à situação pandémica. A nenhuma destas propostas atendeu o PS, preferindo, todavia, ceder noutras matérias propostas pelo PCP e contar com a abstenção dos comunistas (e do PAN). Teve azar, o Partido Socialista, pois no Bloco de Esquerda nunca nos contentamos com pouco. Mesmo quando o contexto é mais apertado e complicado, sabemos é que é possível ir mais além e conceder mais a quem trabalha. Ao contrário do PS, não está o Bloco de Esquerda, (bem ou mal, dependendo do espectro político e dos valores ideológicos de cada um) preso às imposições neo-liberais da Comunidade Internacional, encabeçadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos da América. Está, isso sim, interessado o BE em dar mais condições a quem trabalha, a quem está à margem, a quem não vê reconhecidos os seus direitos nas áreas do trabalho, da educação, da saúde ou da segurança social. E isso basta-nos para sabermos dizer “não” às pretensões do PS de colonizar a Esquerda. [Read more…]

O Aventar não é um blogue de direita. Nem de esquerda. É do pluralismo e da diversidade

Lembro-me bem dos tempos do passismo, em que a esquerda aventadora, onde me incluo, estava em ebulição. O Aventar é um blogue de esquerda, de esquerdalhos, afirmavam os juízes virtuais. E eu, esquerdalho que vê a coisa de dentro, pensava para mim que o Aventar não era de esquerda nem de direita, mas o simples facto de haver um governo de direita no poder, dava um gás adicional à esquerda da casa.

Alguns anos volvidos, leio por aí que o Aventar deu uma volta, e os juízes virtuais decretam agora que somos um blogue de direita, de direitalhos, e eu olho para o painel de autores e ele pouco se mexeu. Mesmo esta última vaga de jovens talentos, chegada nos últimos meses, praticamente ainda não publicou, com a excepção do Francisco e do João. [Read more…]

Esquerda Direita Volver 6 – Maçonaria, Opus Dei e o mandato de Deputado

A sexta edição do debate “Esquerda Direita Volver”, desta vez dedicado às propostas do PAN e do PSD para que os deputados do Parlamento passem a declarar a sua ligação Maçonaria ou à Opus Dei.

A debater, os aventadores Fernando Moreira de Sá, António de Almeida, José Mário Teixeira e João Mendes.

Com a moderação de António Fernando Nabais.

Aventar Podcast
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Esquerda Direita Volver 6 - Maçonaria, Opus Dei e o mandato de Deputado







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Esquerda Direita Volver 5 – O centésimo aniversário do PCP

A quinta edição do debate “Esquerda Direita Volver”, desta vez dedicado ao centésimo aniversário do PCP.

A debater, os aventadores Fernando Moreira de Sá, António de Almeida, José Mário Teixeira e João Mendes. E com a ausência especial de Francisco Salvador Figueiredo.

Com a moderação de António Fernando Nabais.

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Esquerda Direita Volver 5 - O centésimo aniversário do PCP







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Esquerda Direita Volver 4 – A gestão da pandemia

O quarto debate “Esquerda Direita Volver”, desta vez com Fernando Moreira de Sá, António de Almeida, Francisco Salvador Figueiredo, João Mendes e José Mário Teixeira.
Moderação de António Fernando Nabais.

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Esquerda Direita Volver 4 - A gestão da pandemia







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Esquerda Direita Volver 3 – Esquerda e Direita face ao Centro que governa

Mais um debate “Esquerda Direita Volver”, desta vez com Carlos Araújo AlvesJosé Mário Teixeira, Fernando Moreira de Sá e António de Almeida.
Moderação de António Fernando Nabais.

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Esquerda Direita Volver 3 - Esquerda e Direita face ao Centro que governa







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Pod do Dia – Mata

Guerra colonial (1961-      )

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Pod do Dia - Mata







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Esquerda Direita Volver 2 – os caminhos da Esquerda em Portugal

Mais um debate “Esquerda Direita Volver”, desta vez com João Mendes, Fernando Moreira de Sá e José Mário Teixeira.
Moderação de António Fernando Nabais.

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Esquerda Direita Volver 2 - os caminhos da Esquerda em Portugal







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A fita política

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A fita política







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Esquerda Direita Volver 1 – Os caminhos da direita em Portugal

A estreia do Esquerda Direita Volver.
Debate entre João Mendes, Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira e Francisco Salvador Figueiredo.
Participação especial de Carlos Garcez Osório.
Moderação de António Fernando Nabais.

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Esquerda Direita Volver 1 - Os caminhos da direita em Portugal







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Notas sobre as presidenciais 7: Ana Gomes against the system

Não quero imaginar o que teria sido esta eleição sem a candidatura de Ana Gomes. Sem uma candidatura que representasse o espaço que vai da social-democracia ao socialismo democrático, onde me posiciono ideologicamente. Sem uma voz de esquerda suficientemente corajosa para questionar o establishment socialista, mas sem nunca renegar o europeísmo ou as vantagens de uma economia mista, onde os sectores público, privado e social se complementam, regulados pelo Estado. Uma voz do centro-esquerda com provas dadas de carreira e competência, que tem sido um farol na luta contra a corrupção, contra a criminalidade económica e a favor de um Estado mais honesto e transparente. Senti-me representado desde o primeiro momento, mesmo sabendo tratar-se de uma eleição com um resultado mais do que expectável, que de resto se veio confirmar. [Read more…]

Notas sobre as Presidenciais 3: hecatombe à esquerda?

À medida que os resultados iam saindo, a narrativa da hecatombe à esquerda foi sendo construída, por painéis essencialmente feitos de fazedores do opinião alinhados à direita, que toda a gente sabe que a comunicação social é controlada pela esquerda.

Mas será que foi mesmo assim?

Comecemos pelos resultados PCP, responsáveis pelo primeiro momento de vergonha alheia da noite eleitoral, com assinatura de Rui Rio, que fez questão de dar grande ênfase, no seu discurso, ao facto de João Ferreira ter ficado atrás André Ventura, apesar de tal se dever, essencialmente, a votos do PSD.

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E agora?

Mário Machaqueiro
Há várias coisas que me apetece dizer face aos resultados eleitorais. A primeira destina-se à ideia de que o PS de António Costa é um dos grandes vencedores com esta vitória do situacionismo do centrão. Especialmente numa altura em que anda a cavalgar as sondagens que, a serem fidedignas, mostram como os portugueses se estão nas tintas para os escândalos políticos associados ao governo – a inacreditável fraude na selecção do procurador europeu que, pelos vistos, nem um sobrolho levanta à grande maioria dos nossos conterrâneos – como lhes é também indiferente a forma desastrosa na gestão que o primeiro-ministro está a fazer da pandemia, indiferença que, em grande medida, explica o facto de a abstenção ter sido inferior ao esperado (eu diria, ao lógico: mas a realidade social não se compadece com a lógica). O centrão, portanto, reinstalou-se e foi até buscar votos ao eleitorado da esquerda mais “radical”, pois sabe-se que muitos eleitores do BE saíram de casa para pôr uma cruzinha no Marcelo. Nada disto, porém, propicia grandes extrapolações para futuras legislativas e até mesmo para o relacionamento futuro do presidente com o governo de Costa. Acho que não tive alucinações auditivas quando percebi umas advertências sibilinas que Marcelo foi insinuando, aqui e ali, no seu discurso de vitória – aliás, excelente – e que deixam no ar a ideia de que ele talvez se prepare para não facilitar a vida do governo relativamente à errância, ao desleixo e à casmurrice obtusa nas medidas contra a pandemia. A sua insistência neste tema, a estratégia (brilhante) de ter iniciado e terminado o discurso colocando a tónica neste assunto, podem antecipar uma actuação mais determinada (ou menos mole ou menos pactuante) em relação àquele que é, realmente, o único assunto que agora nos deve mobilizar em primeira instância. A alternativa é termos, no tempo que separa até às eleições legislativas, a mesma marmelada pastosa, em matéria de relações institucionais, que temos conhecido ao longo destes meses. Hipótese que, claro, não será de excluir. Não sabemos, pois, que problemas ou entraves Costa terá pela frente no seu relacionamento com Marcelo, sobretudo se estivermos cientes de que o “presidente dos afectos” é, por detrás da máscara do homem das selfies, um tipo florentino e sinuoso, cuja agenda nem sempre é politicamente clara.

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Do Mataste-os, Miguel à morte do homem branco

Miguel Oliveira, o nosso herói em duas rodas, venceu o Grande Prémio de Portimão. O seu director, no final, disse-lhe “Mataste-os, Miguel!”

Éder, o herói de um golo só, gritou em público, no meio das comemorações do Europeu de 2016: “Amanhã, é feriado, caralho!”

Num mundo em que se tomasse tudo à letra, Miguel Oliveira estaria a ser interrogado pela polícia e milhares de trabalhadores teriam ficado em casa por ordem de Éder.

Mamadou Ba defendeu, num vídeo, que é preciso “matar o homem branco assassino, colonial e racista”. Houve gente de uma certa direita que preferiu parar em “branco” e gritar que houve ali incitamento ao ódio, racismo e tudo.

Efectivamente, essa certa direita vive muito preocupada em demonstrar que não há racismo estrutural ou que não há racismo ou que o anti-racismo é outra espécie de racismo. No fundo, essa direita é filha de gente que nunca se conformará com esta mania da igualdade e que vê com maus olhos os filhos dos proletários e dos escravos de há cem anos que se atrevem a dizer o que pensam.

Dir-se-ia que a direita tem dificuldades cognitivas e que, por isso, não sabe lidar com metáforas. Seria redutor e insultuoso para a inteligência de tantos.

Há casos de grande inabilidade no uso das metáforas, é certo: há uns anos, Assunção Esteves chamou “carrascos” a vítimas que se queixavam. Os mesmos que hoje se indignam com Mamadou, por desejar o fim da toxicidade, ficaram, então, muito calados. Percebe-se: os que protestavam pertenciam a uma raça inferior.

Processo Reaccionário de Equivalência a Calimero (PREC)

Está em curso o Processo Reaccionário de Equivalência a Calimero (PREC), seguido pela Direita portuguesa, na esteira de um Trump que não aceita perder eleições e de polacos e de húngaros que se queixam desse empecilho que é o Estado de Direito.

A Direita portuguesa, que era tão nação valente e imortal, tão heróis do mar (preferindo, contudo, o povo pobre ao nobre povo), tão Chaimite, tão peito ilustre lusitano, anda, agora, combalida de tantas queixinhas, sempre tão desgostosa com a democracia ou por causa da democracia. Ainda recentemente, em 2015, lacrimejou e fez beicinho porque o funcionamento democrático ditou uma maioria parlamentar muito feia, de barbas e camisas aos quadrados, com seringas para velhinhos e caninos afiados para as criancinhas. [Read more…]

Esquerda e Chega é tudo a mesma coisa ou as falsas equivalências

Entre a direita democrática (pergunto-me, tantas vezes, se isto não será um paradoxo), tem surgido um discurso que pretende reduzir os partidos da esquerda parlamentar a gente tão radical como André Ventura, só que de sinal contrário. Daí a dizer que, no fundo, são todos iguais é um passinho de pardal, misturando tudo numa imensa sopa de radicalismo e de sede ditatorial.

Mesmo antes de André Ventura, já pêéssedês e cêdêésses atiravam umas ideias semelhantes: a a esquerda radical, a esquerda que defende ditaduras, a esquerda que tem a mania da superioridade moral (esta é particularmente divertida, por ser tão infantil).

Nota muito importante a propósito de André Ventura: em menos de um fósforo, saiu do passismo para a extrema-direita lepenesca ou trumpiana. Ou será que não saiu verdadeiramente do passismo, mudando apenas de nome e não propriamente de ideias? O que é certo é que Passos Coelho esteve presente no lançamento da candidatura de Ventura à câmara de Loures.

A esquerda parlamentar não está isenta de erros e de más companhias ou de preferências discutíveis. Efectivamente, um dos pecados do PCP está em não ver ou não querer ver o horror de muitos regimes comunistas, incluindo o da Coreia do Norte. [Read more…]

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