
Carla Castro, adversária de Rui Rocha nas internas do partido, foi relegada para um lugar considerado não elegível da lista por Lisboa. Apesar do exaustivo trabalho parlamentar. Parece que a IL, apesar de muito jovem, já revela alguns dos piores hábitos dos partidos da velha guarda. Meteu-se com a elite do partido, levou. Lembremo-nos de Carla Castro, da próxima vez que um liberal nos vier dar lições sobre meritocracia.






Foi uma decisão um pouco foleira, mas compreende-se.
Uma bomba sexy como é o prestigiado pensador liberalesco Calhau não podia assim, sem mais, ser ensombrada por uma feiosa que resolveu dar nas vistas no trabalho parlamentar.
Nestes maios liberalescos a imagem é muito importante. Não se podem correr riscos.
São todos muito liberais. Clássicos…
Mas que admiração? Alguém duvida que os ILs são o que eu chamo estalinoliberais? Já aqui escrevi sobre esse assunto.
O neoliberalismo, assim como o liberalismo “tout court” são realidades complexas, e nunca foram correntes monolíticas. Embora não seja um tema que esteja no centro das minhas preocupações, já me tinha interrogado acerca disso.
Recentemente li, na revista francesa “Alternatives Économiques” um comentário a um livro recentemente saído, “Néo-libéralisme(s). Une archéologie intellectuelle”, da autoria de Serge Audier, que me fez alguma luz sobre o assunto: entre os neo-liberais existem muitos matizes, desde os que recusam de todo a intervenção do Estado, mesmo para corrigir desigualdades gritantes (como é o caso de Hayek), até os que a defendem, mesmo para além dos casos mais gritantes, defendendo posições muito próximas, ou coincidentes mesmo com as dos social-democratas (René Courtain, Jacques Roueff, e muitos outros) (1).
Mesmo no seio da suposta Igreja Universal Neoliberal, “Sociedade Mont Pèlerin” muitos divergiram de Hayek ou Friedman e ainda mais dos “libertários” ultra-radicais, tipo Milei.
Na mesma obra, o autor justifica a ascensão de Hayek a “supremo sacerdote” do neoliberalismo pelo empurrão dado pelo milionário Harold Luhnow, administrador do Fundo Wolker, que lhe pagou o salário, promoveu os seus livros através de massivas distribuições gratuitas e esteve por detrás da publicação da versão condensada do livro nas Seleções do Reader’s Digest.
Não admira, portanto, que Hayek tivesse acabado a promover as liberalescas ditaduras da América Latina que tanto agradavam aos USA.
Ora, quando uma pessoa vê um Guimarães Pinto, entre outros, “rasgarem as vestes” na defesa do vendido e defensor de totalitários Hayek, como aconteceu numa recente polémica com Francisco Louçã, aí temos a ideologia básica da Impetuosa Liberalesca.
É aquilo a que se pode chamar a ideologia Estaliberalesca.
E grita o Calhau a plenos pulmões: Hayek está vivo nos nos nossos corações!
Olha, rimei!
(1) Se arranjar tempo e paciência para o ler (é uma obra algo exaustiva (630 páginas, e em francês!..) ainda vou pensar em comprar…
E mais uma prova da ideologia Eslinoliberal são os cartazes da IL, que decalcam a estética estalinista.
Se duvidam, vejam isto:
https://twitter.com/LiberalPT/status/1692133059355615695