
Não pretendo fazer uma análise ao Portugal – Espanha que ditou a eliminação da Selecção nos oitavos de final do Mundial 2026. Após o final do jogo, o capitão Cristiano Ronaldo afirmou ter ganho 3 títulos internacionais ao serviço de Portugal, que anteriormente à sua chegada nada ganhava.
Uma vez que Cristiano para o bem e para o mal chama a si o protagonismo, permito-me escrever estas linhas que não pretendem de forma alguma menosprezar a carreira do melhor jogador que o futebol português já produziu.
O futebol é um desporto colectivo, que permite que os executantes talentosos se destaquem, para gáudio dos adeptos que por vezes os elevam ao patamar de Deuses. Mas são sempre as equipas que ganham ou perdem, Léo Messi não seria Campeão do Mundo em título se D. Martinez não tem defendido no último minuto o remate de K. Muani, por exemplo. E tantos outros exemplos poderiam ser apontados a comprovar que ninguém ganha sozinho uma partida de futebol, embora por vezes assim pareça.
Após o final de carreira da brilhante geração que conquistara 2 títulos mundiais de juniores, onde se destacaram Vítor Baía, Fernando Couto, Jorge Costa, Paulo Sousa, Rui Costa, Luís Figo ou João Vieira Pinto entre muitos outros que não pretendo de forma alguma menosprezar, surgiu Cristiano Ronaldo, reclamando o seu lugar entre os demais no Euro 2004 e Mundial 2006, emergindo por mérito próprio fruto do trabalho, como o melhor jogador, mas não estava sozinho, Pepe, Nani, Quaresma e outros estavam lá e com o capitão, em equipa ganharam jogos e até o Euro 2016, com Cristiano a ser decisivo na meia-final, mas não na final, por ter saído lesionado logo no início, o que não impediu o milagre que parecia impossível de vencer a poderosa França em pleno Stade de France com um improvável golo de Éder. O futebol tem destas coisas, por isso o amamos…
Mas Cristiano tem outro lado, uma característica que lhe permitiu chegar longe, a ambição de ser o melhor, mas que por vezes o atraiçoa. Não percebe que não é insubstituível, porque não existem insubstituíveis. Quando o seu ego se tornou insuportável em Madrid, Florentino Perez permitiu que saísse, o Real Madrid continuou… A carreira de Cristiano é que não tornou a ser a mesma, ainda conseguiu números bastante razoáveis em Turim ao serviço da Juventus, mas após a saída para Manchester tem sido sempre a descer…
A bajulação em seu redor que alimenta o ego torna insuportável que outros batam os números que persegue ou alcancem primeiro obectivos que disputam.
A rivalidade com L. Messi proporcionou alguns dos momentos mais infelizes a Cristiano, por exemplo quando desvalorizou as Bolas de Ouro que considerou um prémio ganho por votação, referindo que a Bota de Ouro era mais importante porque se conquistava com golos. No final Messi ficou com 8 Bolas de Ouro contra 5 de Cristiano, 6 Botas de Ouro contra 4 de Cristiano, ganhando o português apenas no número de Champions, com uma a mais que o argentino.
Durante uma entrevista a Piers Morgan, Cristiano afirmou que ganhar um Mundial seria um sonho, mas após a vitória Argentina em 2022 ao mesmo jornalista afirmou que é um torneio de 7 jogos, que não se podem medir carreiras por 7 jogos. Mas ontem tal como em 2022, todos vimos lágrimas nos olhos de Cristiano, sinal que um Mundial representa para os jogadores bem mais que alguns jogos…
Ainda na relação com a imprensa, anteontem Cristiano permitiu que o jornalista brasileiro Marcelo Bechler lhe fizesse uma pergunta, mas introduzindo-o como alguém que o odeia. Quando o jornalista se referiu a Cristiano por várias vezes como um temível avançado, marcador exímio, chegando ao ponto de afirmar que se mandassem uma máquina de lavar para a área, Cristiano Ronaldo encontraria forma para a meter na baliza. Qual então o motivo para o ódio segundo o jogador? O facto do jornalista opinar que Cristiano é de facto um jogador enorme, mas não no mesmo patamar que Pelé e Messi. Cristiano prefere que Edu Aguirre lhe massage o ego no El Chiringuito.
Saber sair de cena é uma virtude, mas não vem mal algum que Cristiano Ronaldo prefira continuar a jogar, a selecção portuguesa é que não pode ficar refém por gratidão dos caprichos de alguém que foi de facto um dos melhores jogadores de futebol. Mas já não é! Ao dia de hoje Portugal tem avançados mais eficazes como Gonçalo Ramos, Paulinho e Gonçalo Guedes, capazes de fazer pressão alta sobre defesas contrários, sem obrigar por exemplo Bruno Fernandes a passar o jogo desgastando-se a compensar lacunas do colega de equipa de 41 anos. Como é óbvio a experiência de Cristiano até poderia ser aproveitada e se ficasse no banco, poderia ser útil nos últimos 15 ou 20 minutos contra defesas desgastadas. E provavelmente ainda conseguiria resolver jogos. Mas a sua vaidade, arrogância, não lhe permitem aceitar outro papel que não seja o protagonista.
Na FPF querem muito manter Cristiano na equipa, os milhões ganhos em royalties com a venda de camisolas por todo o mundo permitem à FPF uma solidez financeira que não teria sem o jogador. Cristiano tem contrato para vestir Nike, imaginem o golpe que a Puma conseguiu no contrato com o equipamento da Selecção. O Mundo inteiro assistiu Ronaldo vestindo Puma. Conhecendo bem Cristiano que já anda pela FPF há mais de 20 anos, sabem que remete-lo para o banco de suplentes iria chateá-lo e provavelmente acabaria a bater com a porta. Por isso, após o episódio Fernando Santos no Qatar, escolheram R. Martinez, um diplomata, que não faz ondas, cumpre o que lhe pedem. Na Bélgica manteve Hazard e tentou sempre justificar o injustificável. Melhor cartão de visita não havia para garantir que os objectivos comerciais estariam assegurados até ao Mundial 2026.
Veremos o que nos reserva o ciclo que agora se iniciará, Jorge Mendes e Gestifute que mantêm influência na FPF e principais clubes portugueses quererão recuperar o poder que outrora tiveram, mas a última palavra continua a ser de Cristiano e da FPF…









Pois mas…
Muito pior que o crepúsculo do Cristiano é o da mil vezes mais crepusculante Autoeuropa.
Cansados de greves selvagens, ou ainda piores, os investidores alemães têm vindo a reduzir para níveis irrisórios a produção. A título de exemplo, na passada quarta-feira, em vez dos 1000 habituais apenas foi produzido apenas um único carro e, mesmo assim, saiu só com duas rodas, uma da frente e outra de trás. Equilibrava-se, mas só podia andar a direito.
Ao mesmo tempo, os CEOs mandam encaixotar as linhas de produção que, segundo informações credíveis, irá ser deslocalizada para as Filipinas, onde o T-Roc dará lugar a um novo e revolucionário modelo, Bongbong Roc & Role, cuja produção elevará a novos e elevados Marcos a indústria local.
É claro que isto tudo está a passar ao lado dos sindicaleiros atualmente reunidos na Colónia de Férias da CGTP no Meco onde praticam nudismo e outrso desportos pouco recomendáveis.
Quando voltarem ao serviço, depois das férias e da festa do Avante, irão ter uma bela surpresa!
Olhe que não, vão construir IFVs e APCs para uma nova cruzada teutónica contras os bárbaros, a lembrar as memórias históricas que não querem deixar para a colónia, e isso não dá prejuízo a ninguém nem são precisas contas certas. Nem sobreviver aos pássaros voadores, que isso é propaganda a ser ilegalizada em breve.
Pássaros voadores? É verdade que existem?
Realmente, pareceu-me ver recentemente um gadjet piante numa das árvores lá do quintal!
Aonde chegou a tecnologia, meu deus! Não há palavras para tamanho progresso!
Ainda me hão de explicar para que servem tantos IFVs e APCs, umas latas cuja vulnerabilidade a todo o tipo de ataques é tão óbvia que até mete nervos!
Só se for para que não se perda tempo a matar os infantes um a um, porque à dúzia deve ser mais barato.
Lembram-se das VBTP doadas por Portugal á Ucrânia, em conjunto com uns tais “Leopard”, que se viriam a juntar a uns tais “Abrams”, e que, tudo em conjunto, iria “virar” a sorte da guerra? Onde é que estão?
IFVs? APCs? Se querem mandar malta para a frente de combate, experimentem antes uns “papa-reformas”. É mais seguro. Só vão dois de cada vez em cada veículo, por isso morrem menos.
E, assim como assim, podem passar mais despercebidos. Podem confundir-se com aquela malta que vai ver os drones a passar.
No segundo parágrafo: não é “perda”, mas sim “perca”.
Como sempre, serve para os donos meterem muito ao bolso e criarem-lhes umas carreiras nos muitos think tanks a receber muitos dólares por cada aparência numa qualquer conferência de propaganda onde uma Kallas não destoa.
O futebol há muito deixou de ser um desporto colectivo
E há muito deixou de ter adeptos (como se fosse concebível um tuga “ser” do Real Madrid)
É tudo baseado no jogador
Basta dizer que a rivalidade é cr/messi, como se isto fosse ténis ou atletismo.
Americanices…
Só falta franchisar, e o Benfica deslocar-se para Vila Real de Sto António
O futebol continua e continuará a ser um desporto colectivo, obviamente.
O problema é a “fulanização do futebol”, nas sábias palavras de Alberto Miguéns.
Tem que haver um ídolo, para vender camisolas. Que isto de fazer várias camisolas (especialmente na candonga) é uma chatice, depois não vende…
Se a “nossa” equipa tiver sorte, temos um Messi, que carregou uma equipa sofrível à final do Mundial;
se tivermos azar, teremos um Cronaldo que se arrasta, e arrasta uma equipa de jovens talentos, que já provaram poderem jogar bem melhor sem ele.
Depois temos a Espanha, cujo ídolo é o Yamal, que é metido no bolso de cada vez que joga contra o Mendes. E que näo se viu no Mundial porque vale 200M€, o melhor da equipa (sim, um colectivo fortíssimo, mais que as estrelas) foi o Rodri. AH, mas as camisolas do Rodri näo vendem.
Tipo no PSG, ainda näo vi pessoal com camisolas do Neves ou Vitinha…