Homo sum: nihil humani a me alienum puto.
Terêncio
‘Sou homem: considero que tudo o que é humano me diz respeito.’
No dia 12 de Março, Kilmar Abrego Garcia foi detido em Baltimore. No dia 15, foi enviado para El Salvador, de onde tinha fugido em 2011. Abrego Garcia foi enviado para o país de origem, para o Centro de Confinamento do Terrorismo, uma prisão em que estão 40000 reclusos, com base em acusações que não estão provadas, o que, numa sociedade civilizada, quer dizer que é inocente.
De um lado, está Trump, com o discurso musculado dos cobardes poderosos, praticantes de um marialvismo bacoco que fascina os que acreditam que as vítimas serão sempre os outros. Do outro lado, está Nayib Bukele, presidente de El Salvador e lambe-cu de Trump, não necessariamente por esta ordem, que já decidiu, sem necessidade de tribunais, que Abrego Garcia é um terrorista que, portanto, não pode ser devolvido aos Estados Unidos, mesmo que, repita-se, não haja nenhuma condenação em tribunal.
O mundo sempre foi dirigido por bestas que se comportam como qualquer um de nós, que somos capazes de decidir que alguém é culpado de alguma coisa porque tem mesmo cara de ser culpado dessa coisa. A História, no fundo, é esta contínua luta contra a barbárie em que nos espojamos, uma luta contra os nossos caninos sedentos do sangue de iguais. As leis, a civilização e a decência atrapalham-nos muito.
De um lado, Trump; do outro, Bukele. Dois bêbedos na tasca em que o poder sobe rapidamente à cabeça. No meio, Abrego Garcia, um homem, como muitos outros espalhados pelo mundo e pela História, impedido de viver, sujeito à discricionariedade de abjecções com forma humana.
Abrego Garcia, na melhor ou na pior das hipóteses, é um criminoso a quem sonegaram direitos, um homem a quem estão a roubar a vida, tal como a estão a roubar à família e aos amigos.
Depois de duas guerras que teriam servido para acabar com todas as guerras e com todas as ditaduras, confirmamos, todos os dias, que as guerras e as ditaduras não desapareceram. Há 51 anos, houve, em Portugal uma revolução ainda mais bonita do que se esperaria; há 50 anos, houve eleições livres no meu país. Hoje, na Assembleia da República, estão montes de trump a gritar alarvidades para fascínio de gente que não sabe ou não quer ter vergonha na cara.
Abrego Garcia não quer ser um símbolo, quer voltar para casa, como milhares de milhões que tiveram o azar de serem escravizados, presos, torturados ou mortos porque dobraram, sem saber, uma esquina que uns poucos consideraram errada ou proibida.
O 25 de Abril é, assim, um dia que serve para que as pessoas sejam apenas pessoas. Um 25 de Abril, independentemente do dia ou do ano, faz falta a muita gente e a muitos países.






Quanto ao Trump, trata-se de um país com meios bastantes para investigar e aplicar leis.
Quanto ao que se passou em S. Salvador, país com território ocupado por gangues criminosos, só um tótó wook está à espera que isso se resolva sem um qualquer regime de excepção aos trâmites burocráticos de um justicialismo de país cultural e materialmente rico.
O mais que significa americanos em prisões de S.Salvador é prestação de serviços prisionais.
Tem mais que meios, mas assim sobrava menos para encher os bolsos do agente imobiliário falhado e dos amigos, tal como antes enchia o de outros, mas em comum têm sempre wall street e o complexo militar industrial.
Mas não se confunda exportar para um campo de concentração justiça, nem uma prisão com um campo de trabalhos forçados onde está tudo a monte e para onde, ao contrário do passado, se pode saber que ninguém sai ou olhar de satélite para o quintal vermelho.
menos, bronco mais bronco não há, o algodão não engana. Primeiro, S. Salvador não é um país, tens de estudar. Depois, querias escrever “woke”. Finalmente, não tens uma palavra de solidariedade para a possibilidade de o Abrego ser inocente e ser apanhado no meio da salgalhada criada pelo teu deus, o bronco dos broncos. Esperar de ti solidariedade ou compaixão seria ingenuidade. Continua a ser igual a ti próprio, para que nunca nos esqueçamos de que ainda há muito caminho para fazer até chegarmos à humanidade. Beijocas “wooks”.
Desculpe Nabais, mas São Salvador é um país, veja lá bem! Pelo Menos, a Norte faz fronteira com Trump, cuja capital, como toda a gente sabe, foi recentemente nomeada Donald por uma ordem executiva.
É banhada a leste pelo Golfo de Wook e o poder político está entregue a um guarda prisional proveniente da tribo dos Totós conhecido como Naybimbo Bakokele.
Está tudo na edição 2025 do Mapa Menos!
Pois tens toda a razão!
Eu não disse ‘tadinho do Abrego’ a propósito do 25A!
Ele terá ouvido falar do 25A que encheu a cadeia de Caxias e uns tantos quartéis como o Ralis e o QG do Corvacho?
Sempre lhe daria algum conforto…
Pois claro!
Tadinhos dos pides! Tanta noite perdida a torturar com sacrifício das próprias famílias, tanto filho de pide que não sentiu o sublime carinho de um torcionário profissional, tanta esposa de pide que ficou à espera, em longas noites de solidão (ou, no limite, de arrojada substituição), tanto relatório mal escrito de bufo para ler, tanto livro proibido para apreender, tanto comuna para farejar…
…e foi tudo acabar em Caxias, esse autêntico Tarrafal da Linha de Cascais de onde mais de 100 000 pides terão desaparecido, atirados das muralhas e devorados pelas taínhas, só se salvando umas dezenas que fugiram disfarçados de gajas boas para o “Elefante Branco” e mais uns dois ou três que aprenderam a cantar o “Grândola Vila Morena” e enganaram os guardas.
Foi realmente dramático! E ainda hoje não se sabe a verdade toda! Foi tudo abafado!
Deixa estar que os António Augusto Bernardo e Óscar Cardoso tardaram mas lá arrecadaram tença por “altos e assinalados serviços prestados ao país”, conforme certificou o Cavaco, esse grande democrata! Já o Salgueiro Maia…
Temos de compreender. Foi muita hora a torturar, de noite, ao frio e à geada (não entrava um raio de sol nas salas de interrogatório), tudo por carolice pidesca, já que não pagavam horas extraordinárias.
Ao Óscar Cardoso temos ainda a agradecer não ter acabado com o 25 de abril de uma vez. Foi quando foi a Vale de Zebro, ao depósito de armas, buscar uns morteiros pesados para bombardear o Terreiro do Paço e, chegado lá, deu com o nariz na porta porque o Cabo Quarteleiro tinha saído e levado a chave. Como pide muito paciente e bem educado que era, ficou de passar mais tarde. Foi o que nos valeu a todos!
(Atenção: juro que esta não inventei. Ouvi a história ao próprio numa das vezes em que falou à SIC, já há uns anos…)
Corrijo só um facto: o morteiro era para, segundo o pidesco Cardoso calar o Rádio Clube Português. O resto é como está.
Aliás, em sucessivas entrevistas o pidesco Cardoso conta como esteve em todo o lado na noite do, e no dia, 25 de abril. Foi inclusivamente visto a voar por cima do Quartel do Carmo e só não baixou a recolher o Salgueiro Maia porque ele se encostou a uma árvore e era arriscado, podia desequilibrar-se e enfiar um ramo no cu.
Na altura o Cardoso ficou até conhecido pelo Batpide.
Imagina que não eram protegidos das suas vítimas… uma oportunidade deitada fora para a limpeza que o país nunca terá.
Pois citando, Menos, mas citando…
“Quanto ao Trump, trata-se de um país com meios bastantes para investigar e aplicar leis”.
Mais um conjunto de colossais lições que o Supremo Intelectual Salazaresco JgMenos confere a toda a Humanidade!
A primeira é de Geografia: ficamos a saber que existe um país chamado Trump!
A segunda é o novo princípio de Menos que resolve em duas linhas todos os dilemas ético-políticos que por aí alimentam muita fábrica de papel!
Ficamos então igualmente a saber que, se um país:
a) possuir meios para investigar, seja lá o quê…
b)…e aplicar leis, sejam elas quais forem…
c) …está tudo bem!
Eis alguns brilhantes exemplos da aplicação do princípio de Menos:
“Quanto ao Putin, trata-se de um país com meios bastantes para investigar e aplicar leis”.
“Quanto ao Ali Khamenei, trata-se de um país com meios bastantes para investigar e aplicar leis”.
“Quanto ao Kim Jong-Un, trata-se de um país com meios bastantes para investigar e aplicar leis”.
“Quanto ao Mohammad bin Salman, trata-se de um país com meios bastantes para investigar e aplicar leis”.
“Quanto ao Hibatullah Akhundzada, trata-se de um país com meios bastantes para investigar e aplicar leis”.
Achar que Trump age à revelia dos americanos é lírico.
Eles querem é os bad hombres de lá para fora, seja isso o que for, e os seus taxpayer dólares não aplicados no que chamam de socialismo.
Estes 100 dias e o doge têm sido fantochada, o Heritage ainda nem aqueceu
And then one fine day the bourgeoisie is awakened by a terrific boomerang effect: the gestapos are busy, the prisons fill up, the torturers standing around the racks invent, refine, discuss. People are surprised, they become indignant. They say: “How strange! But never mind—it’s Nazism, it will pass!” And they wait, and they hope; and they hide the truth from themselves, that it is barbarism, the supreme barbarism, the crowning barbarism that sums up all the daily barbarisms; that it is Nazism, yes, but that before they were its victims, they were its accomplices; that they tolerated that Nazism before it was inflicted on them, that they absolved it, shut their eyes to it, legitimized it, because, until then, it had been applied only to non-European peoples; that they have cultivated that Nazism, that they are responsible for it, and that before engulfing the whole edifice of Western, Christian civilization in its reddened waters, it oozes, seeps, and trickles from every crack.
— Aimé Césaire, Discourse on Colonialism (1950)