Trump a tirar medidas

“Então é isto que os mexicanos vêem”, terá dito Trump enquanto puxava da fita-métrica. 

Parem de oprimir a direita

É sempre comovente ler e ouvir os testemunhos da direita oprimida, seja pela claustrofobia democrática, sempre presente (apenas e só) quando o PSD e o CDS-PP estão na oposição, seja pelas ameaças de bofetadas que ocasionalmente lhes são dirigidas por militantes descontrolados do PS. De pouco importa se todos os dias surge um imbecil a fazer comparações imbecis, que Costa é Trump ou Catarina é Le Pen. A direita é sistematicamente oprimida, pelo que tem todo o direito a insultar quem quiser. Mas ai daquele que ouse insultar a direita, ou sugerir que um palerma qualquer merece um par de chapadas. Porrada, é sabido, e o vídeo em cima demonstra-o bem, só se tolera aos puros e castos da direita. Tal como as perseguições a entidades independentes. Por isso parem de oprimir a direita. Ninguém respeita a democracia como eles.

Notícia? 

Quando o título, sobre a motherfucker das bombas, atravessa a comunicação social com mais eficácia do que os mísseis disparados enquanto se mordisca uma fatia de bolo de chocolate – the best, absolutely – lembramo-nos da imprensa como caixa de ressonância, em vez de fonte de informação.

Eis o processo de destrumpetização em curso. 

Isso foi durante a sobremesa – acabámos de disparar 59 mísseis

Que coisa grotesca.

“Estava sentado à mesa, tínhamos acabado de jantar, e estávamos na sobremesa”, conta. “Tínhamos o melhor pedaço de bolo de chocolate que alguma vez vi. O Presidente Xi estava a apreciar. E eu recebi as mensagens dos generais que os navios estavam carregados e preparados, o que quer fazer?”.

“E decidimos avançar”, continua Trump. “E eu disse, Sr. Presidente – isto foi durante a sobremesa – acabámos de disparar 59 mísseis (…) a caminho do Iraque”.

“A caminho da Síria?”, diz a jornalista. Trump pára por segundos e depois corrige: “Sim, a caminho da Síria”. [RTP

A ligeireza, a burrice, o ar de parvo. Tudo em Trump é asqueroso. E perigoso. Até o recursos aos mísseis para tapar a ausência de popularidade.

A política como exemplo de Virtude para os jovens

Não passou muito tempo pela eleição de Trump. Quase todos os líderes europeus fizeram observações apocalípticas sobre essa bizarria. Era um bronco, um ignorante, um populista perigoso. Hoje todos “compreenderam” o ataque à Síria.

Isto não é política internacional. É a política.

Trump recusa-se a cumprimentar Merkel

Escândalo! Que português com coluna vertebral a cumprimentaria?

Conselheira de Trump diz que Obama espiou-o através do microondas

É possível.

Aguarda-se, com expectativa, a reacção indignada de Ricardo Costa

No calor da polémica que envolveu a página de Facebook Os truques da imprensa portuguesa e o director de informação do grupo Imprensa, Ricardo Costa colou a página a Trump, Bannon e à “fachospére” (sic), acusando-os de quererem uma “imprensa subjugada”, como se grande parte dela não o estivesse já há muito. [Read more…]

Trump não viu na Fox News

Trump não viu na Fox News. Mentiu novamente, tal como qualquer outro demente. Tem a particularidade irónica de culpar a sua estação de TV, responsável pelas suas “fake news”.

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Experimente você mesmo: https://goo.gl/mHF621

Realidade Alternativa

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Quem é esta gente?

A primeira notícia, da RTP, é total e premeditadamente falsa. As outras são todas verdadeiras.
Quem é esta gente que nos anda a informar?

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It’s great. It’s amazing.

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No mundo de Trump não há factos nem verdade. Apenas o que se diz no momento. [Read more…]

O ano em que a extrema-direita voltou ao poder

 

Ouço com incredulidade as notícias do que Trump diz e faz. De mansinho, como um elefante entre porcelanas, o KKK, os fanáticos religiosos, os negacionistas ambientais, o populismo, a perseguição aos emigrantes, a tortura, a mentira descarada e todo o mal que a extrema-direita encarna chegou ao poder na América, pela mão de Trump.

Deste lado do Atlântico ouvem-se vozes preocupadas com a possibilidade da Le Pen poder chegar ao poder. Mas isso já aconteceu entre os amaricanos. Sem disfarçar, escroques como Geert Wilders, Frauke Petry, Nigel Farage e Marine Le Pen falam abertamente ao que vêm e, pior, têm apoiantes.

Entretanto, enquanto Trump vai destabilizando os EUA e o mundo, há quem se pergunte até onde isto irá. A resposta é clara – basta ver o que outros fizeram. Quando esse momento chegar, Trump irá para a guerra. A memória das pessoas é o seu principal inimigo. Maus anos se aproximam.

Factos alternativos com camones dentro

Ana Cristina Pereira Leonardo

Era o PREC e eu recusei a borla de um americano. A preposição conta: era ele quem me queria pagar o almoço.

Ao pedir a dolorosa, o dono do modesto restaurante disse-me que já estava pago e apontou para o américas que lá do canto mais sombrio da sala me esboçou um corpulento sorriso. Respondi com um esgar e declarei, com o radicalismo próprio da juventude desses tempos, que nem pensasse, o camone que fosse pagar almoços à tia dele, para a terra dele, era o que mais faltava, morte ao imperialismo e bem feita que se engasgasse com as espinhas, os meus almoços pago-os eu e nesta altura da conversa já tinha voado para o Chile, passado pelo Vietname, a Argentina em espera, o americano encarnado em agente da CIA em Lisboa, pinta de torcionário em pré-reforma, e no fim quem ficou a ganhar foi o galego, embolsou a soma de dois bitoques e duas sobremesas, o comer pago a dobrar, bendito PREC mais o camones go home, à distância talvez o homem fosse apenas um velho engatatão em férias mas como dizia o Nixon, até os paranóicos têm inimigos reais, o que não era o meu caso (talvez só um bocadinho), nem decerto o caso do outro americano que conheci em Marrocos a estudar os macacos-de-Gibraltar nas montanhas do Atlas, sozinho, ele, os macacos e a neve no Inverno, a mulher que se descobrira lésbica regressada a casa

Bye bye love / Bye bye happiness, hello loneliness / I think I’m-a gonna cry-y[Read more…]

Ouvido no portugalex

Por causa do muro, Trump vai contratar a equipa do “Querido, mudei a casa.”

Quem elegeu Trump?

Foi a “Esquerda” que boicotou Sanders em favor de Clinton. Foi a “Esquerda” que, mais uma vez, escolheu a Direita. Foi a corrupção.

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A Fatwa sobre Polanski ou as saudades que eu tenho do «Nobody Expects the Spanish Inquisition!»

Ana Cristina Pereira Leonardo

No meio da avalanche de notícias que têm tido Trump como hors d’oeuvre, entrée, main course e dessert – deixando de lado o chumbo doméstico da TSU e as bebidas – passou relativamente despercebida a renúncia de Roman Polanski a presidir à cerimónia de entrega dos César, o correspondente francês dos óscares de Hollywood. O cineasta havia sido escolhido pelos organizadores da cerimónia, que terá lugar em final de Fevereiro, mas o vendaval de indignados – e sobretudo, ao que parece, de indignadas – com a escolha teve como consequência que o mesmo acabasse por recusar o convite.

Polanski tem hoje 83 anos e quando tinha 43, em 1977, foi acusado de violar uma jovem modelo de 13, Samantha Geimer, então Samantha Gailey, crime pelo qual esteve 43 dias detido, saindo sob caução, após o que fugiu dos EUA onde tem até hoje a Justiça à perna e a cabeça a prémio, mesmo se Samantha Geimer há muito desistiu do processo (acordaria uma indemnização de 225 mil dólares com o cineasta, que acabou por reconhecer que não existira sexo consentido, e publica em 2013 o livro de memórias, The Girl: A Life in the Shadow of Roman Polanski, no qual não se coíbe de criticar a exploração do seu caso pelos meios de comunicação, juízes e advogados; na altura do lançamento queixou-se ao LA Times: «Não deviam poder tornar o que me aconteceu ainda pior, só porque é mais interessante. Fazem com que nos sintamos mal e sejamos uma vítima, de modo a poderem usar-nos como bem lhes aprouver»). [Read more…]

Lemos, ouvimos e vemos

Ana Cristina Pereira Leonardo

 

O capitalismo é como aquelas pessoas a quem emprestamos um dedo e, dois dias não são passados, nos querem levar os membros. A frase não é do velho Marx, nem sequer de Žižek: é minha. E em época tão dada à arrogância da humildade opinativa, digo-o sem falsa modéstia. Porque o caso é este, ao debate de ideias opõe-se hoje uma batalha de opiniões: «Eu acho isto, tu achas aquilo. Eu tenho direito a achar isto, tu tens direito a achar aquilo. Eu estou certo em achar isto e tu és uma besta em achar aquilo» – como se ao criticismo kantiano acrescesse, vá lá, uma espécie de democratização do insulto e do disparate. São tempos palavrosos, pois, em que o império das imagens (cf. o fenómeno narcísico das selfies) não correspondeu ao colapso anunciado das palavras: à imagem de Trump como palhaço de cabeleira bizarra seguiu-se a presidência dos EUA por via de meia dúzia de frases feitas e curtas (não será por acaso que não larga o Twitter).

Quem fala de Trump, fala de capitalismo, pelo que não me desvio do assunto. E o assunto é este: são OITO. Contas feitas, oito multimilionários detêm riqueza idêntica à miséria somada de cerca de metade da população mais pobre da Terra: 3,6 mil milhões de pessoas. [Read more…]

Trump é a Verdade

São muito mais preocupantes as reacções à eleição de Trump do que a eleição de Trump propriamente dita. Pelo motivo simples de que essas reacções sugerem uma total ausência de consciência sobre os motivos, as acções e as omissões que nos trouxeram a este lugar da História.

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É mesmo para acabar.

“Com a retirada de Obama e a entrada em cena do Luís XIV da Quinta Avenida, o mundo entra noutra fase. Podemos chamar-lhe incerteza mas incerteza é o que menos existe” – Clara Ferreira Alves, Expresso, 21 de Janeiro de 2017.

Quando acabei de ler o artigo desta semana de Clara Ferreira Alves na revista do Expresso fiquei a pensar que nunca como nos últimos tempos concordei tanto com aquilo que ela escreve. Sempre gostei de ler os seus artigos e ainda mais quando discordo das suas opiniões. Mas este seu texto, com o título “É para Acabar”, é do melhor que tenho lido nos últimos anos. Está ali tudo, devidamente retratado e colocado no seu real contexto:

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A maior prova, se tal seria necessário, foram os resultados das eleições nos Estados Unidos. A imprensa a fazer campanha contra Trump e o resultado foi ao contrário. O mesmo se diga no que toca ao Brexit. Retomando o texto de Clara Ferreira Alves:

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Estou plenamente convencido que assim será. Um a um, eleição a eleição os “Trump” mais ou menos letrados por esse mundo fora, a começar pelas próximas eleições em França, vão vencer com o voto popular. Porque o povo está farto. Completamente farto e prefere o “quanto pior, melhor”. As elites merecem que assim seja, para desgraça de todos. Voltando ao artigo de Clara Ferreira Alves:

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Subscrevo tudo isto que a Clara Ferreira Alves escreveu. Para mal dos nossos pecados, estou convencido que assim será. É mesmo para acabar…

Resumindo,

O Obama quer mas o Trump fecha.

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Convidar os amigos. Feito. Obter a password da conta @POTUS. Feito. Códigos das bombas. Feito. Partir isto tudo. On the way.

O estado de graça possível

Trump continua a falar e escrever como um troll alcoolizado. As consequências só não foram ainda trágicas porque os líderes e governos visados o vêem como um inimputável. É o estado de graça possível. Do governo alemão veio uma bofetada em modo de aviso, de Putin um cordial cachação, da China e do seu presidente veio – com aquela paciência de um povo que conta a sua história em milénios…- um elegantíssimo e rendilhado discurso que disse tudo o que havia a dizer nunca mencionando o nome do grunho, para espanto do público do Fórum de Davos.
And the beat goes on...

Primeiro aviso a Trump

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A Alemanha é a primeira a “mostrar os dentes” a Trump e a explicar-lhe como funciona, hoje, a economia global. Ainda bem que é a Alemanha. Pior será no caso da China. É que esta não se limita a “ranger“…

O mundo está a ficar perigoso. Muito perigoso.

Trump

Mais Estados membros vão abandonar a UE.

O discurso.

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Esta madrugada a actriz Meryl Streep, nos Globos de Ouro, foi ao palco receber o seu mais que justo prémio de carreira e fez um discurso brilhante. Podem ver e ouvir neste link.

 

Com a faca e o queijo na mão

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Obama dá ordem de expulsão de elementos dos serviços secretos russos em território americano. Em resposta, Sergey Lavrov sugere troco na mesma moeda. É então que Putin entra em cena, coloca a proposta de Lavrov em stand-by, aguardando pela tomada de posse de Trump que acontece dentro de poucos dias, e aproveita a deixa para acusar o ainda presidente dos EUA de “diplomacia irresponsável”.

Vou adorar ver os fofos dos liberais anti-Obama, que não se cansaram de lançar foguetes envergonhados quando Trump venceu as eleições, e que passam a vida a recordar-nos dos perigos que Putin representa para o planeta Terra, quando Trump estiver devidamente domesticado pelo tirano russo. Mas isto sou eu que sou um exagerado.

Os chineses a gozarem com Trump

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Um galo erigido frente a um shopping em Taiyuan, província de Shanxi, no norte de China. O designer disse que a escultura – anunciando o próximo Ano Chinês do Galo – foi inspirada no penteado e gestos de Donald Trump. Parece que Bush vai rapidamente perder o pódio da burrice.

O Trump mão não está a escolher apenas milionários para a sua equipa.

Também está a escolher multimilionários.

Trumpetes, as cornetas que aspiram chegar ao som do clarim

Pergunta-se porque é que metade da população americana acreditou em fantasias como a participação de Hillary Clinton em rituais satânicos? Pois a resposta é simples, o tempo vertiginoso da mentira é imbatível e é isso que valoriza os trumpinhos, quanto mais extravagantes melhor. Olhe à sua volta em Portugal e veja como eles estão tão deslumbrados com Trump, acham que chegou a sua hora.