A derrota da Huawei

Huwaei Mate 30 Pro

Tal como se antecipava, as dificuldades da Huawei face ao bloqueio americano iriam fazer-se sentir mais ao nível dos serviços (Google Play e Google Apps) do que quanto ao acesso a materiais (processadores, sistema operativo, etc.). Chegou o momento da prova de fogo, com a Huawei a apresentar hoje o seu primeiro modelo (Mate 30 Pro) sem que, até agora, se tivesse sabido se este telemóvel terá acesso a aplicações como Gmail, Maps, demais software e serviços da Google. [Read more…]

Vitórias no papel

Em Março do ano passado, Trump anunciou que ia entrar em diversas guerras comerciais. E que estas eram boas e fáceis de ganhar.

“When a country (USA) is losing many billions of dollars on trade with virtually every country it does business with, trade wars are good, and easy to win,” Trump tweeted Friday morning. “When we are down $100 billion with a certain country and they get cute, don’t trade anymore – we win big. It’s easy!” [CNBC]

Não fugindo à norma, estas declarações não tinham fundamento e apenas reflectiram o lado narcisista de Trump.

Comparativamente com Agosto do ano passado, segundo o Expresso, o balanço é o seguinte:

  • As importações de produtos norte-americanos pela China caíram 22%;
  • As exportações da China para os Estados Unidos registaram uma quebra de 16%.

Olhando só para estes números, vê-se que Trump não está a ganhar guerra alguma. Nem tal será fácil. Surpresa. O cowboy americano ainda não descobriu os conceitos de win-win e de cá se fazem, cá se pagam.

Mas pode sempre pegar no seu marcador preto com que alterou a rota do furacão Dorian e rabiscar qualquer coisa que lhe amacie o ego.

Ou pode abrir mais excepções, como o adiamento das novas taxas a aplicar aos produtos chineses, essas que, segundo Trump, não afectam a economia americana – apenas para que, afinal, não afectem as compras de Natal, digo, o espírito natalício.

Houve um tempo em que se podia ter controlado a China, quando a indústria se estava a mover em massa do ocidente para o oriente, em busca de salários quase nulos e de ausência de respeito ambiental e laboral. Esse tempo há muito que passou. E não serão taxas sobre importações que irão limitar o gigante amarelo nesta economia interdependente.

A resposta da Gronelândia

Se não é, podia ter sido.

A realpolitik e o nepotismo favorecem o populismo

Santana Castilho*

  1. Um grupo de cidadãos pediu que se tomem medidas para impedir eventos neo-nazis no território português, designadamente uma conferência nacionalista promovida por organizações de extrema-direita, programada para 10 de Agosto, em Lisboa. Segundo o Expresso, é Mário Machado (cujo envolvimento no homicídio do malogrado Alcindo Monteiro e noutros crimes de discriminação racial não pode ser esquecido) o mentor da iniciativa, para a qual terá convidado Paul Golding, igualmente condenado no Reino Unido pelo crime de ódio racial. Segundo a Constituição da República Portuguesa (artº 46º, nº 4) não devem ser consentidas “organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”.
    A Tragédia de El Paso (20 pessoas desabridamente abatidas a tiro por um jovem de 21 anos), eventualmente justificada por um manifesto de supremacia rácica que a polícia texana encontrou, convoca-nos à reflexão. Intitulado “A Verdade Inconveniente”, o manifesto proclama a necessidade de os texanos se livrarem dos hispânicos para proteger o modo de vida dos americanos, colhe inspiração no discurso de ódio de Brenton Tarrant (o monstro que assassinou 51 muçulmanos na Nova Zelândia) e é indissociável da retórica xenófoba e anti-imigratória de Trump, que há bem pouco apodou os mexicanos de violadores e criminosos, apesar de as taxas de criminalidade dos imigrantes serem bem inferiores às taxas de criminalidade dos americanos. [Read more…]

A inversão completou-se

Os oprimidos passaram a opressores e os libertadores transformaram-se nos perseguidores.

Israel e Estados Unidos da América completaram a inversão dos papéis que tiveram na segunda guerra mundial.

Trump não faz estes ataques racistas por acaso. Ele tem uma forte base de apoio no seu eleitorado e nos congressistas republicanos, o que diz muito sobre a generalidade dos americanos também.

Na defesa do seu presidente, um congressista republicano, caucasiano, chega ao ponto de dizer que ele próprio é uma pessoa de cor. “I think we’re going way beyond the pale right now. They talk about people of color. I’m a person of color. I’m white. I’m an Anglo-Saxon”. A negação é, também, uma forma de perpetuação.

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Vaidades

“Marcelo faz discurso contra fecho de fronteiras e pede união contra alterações climáticas, assim titula o PÚBLICO. Simultaneamente, o Presidente anda a espalhar spin sobre uma suposta visita de Trump a Portugal, a convite do próprio. Alguém que avise Marcelo sobre Trump ser a antítese daquilo que ele defende.

É tão simples quanto isto: “Comércio livre ou ecologia!”

A casta de políticos mainstream e os adstritos comentadores andam a vender a tese de que o comércio livre é a resposta ao proteccionismo ceguinho de Trump. O que não gostam nada de enfrentar e empurram energicamente para debaixo do tapete, é a questão crucial da contradição intrínseca entre, por um lado, a promoção de um modelo de desenvolvimento que, à custa de ignorar as externalidades negativas, rodopia os produtos pelo globo, os vende ao preço “mais barato” e fomenta o descarte e, por outro lado, o combate ao descalabro climático.

Conforme sintetiza Serge Halimi: Doravante, todos sabem que o elogio, que se tornou consensual, dos produtores locais, dos circuitos curtos ou do tratamento in loco dos resíduos é incompatível com um modo de produção e de troca que multiplica as «cadeias de valor», isto é, que organiza a engrenagem dos porta-contentores nos quais as componentes de um mesmo produto «atravessarão três ou quatro vezes o Pacífico antes que ele chegue às prateleiras de um estabelecimento comercial».

Com o poderoso leque de acordos de livre comércio que a EU quer fazer passar à pressão, os Verdes, tão em moda, têm agora óptimas oportunidades de demonstrar quão verdes realmente são, seja no Parlamento Europeu, seja (em alguns casos em que a UE não conseguiu evitar que os acordos tivessem que “descer” ao nível nacional) nos respectivos parlamentos.

Não confio nada e parece que tenho razão: O parlamento do Luxemburgo está em vias de ratificar o CETA (acordo UE/Canadá), com o voto favorável dos Verdes.

A prova

Já se sabia que a tese de a Huawei ser um perigo para a segurança dos EUA tinha uma forte possibilidades de ser um bluff. Agora, a prova está aí. Como era óbvio, a questão sempre foi uma guerra comercial, onde os americanos exerceram toda a sua força para tentar não perder o controlo comercial e técnico das futuras redes 5G.

Se havia um perigo de segurança há uns meses, este continua a existir agora.

O que é que mudou, então? Por um lado, diversas empresas americanas começaram a fazer pressão para que a barreira colocada à Huawei fosse levantada, pois os seu negócios estavam a ser afectados. E se há argumento a que Trump é sensível, o lucro é, porventura, o principal. Ver, por exemplo, a anacrónica decisão de reforçar o investimento nas central de carvão (“beautiful, clean coal“).

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Trump admitiu que a Rússia o ajudou a ser eleito. E, depois, negou-o.


“I had nothing to do with Russia helping me to get elected.”

Negou-o a seguir, em declarações ao New York Times, passado uma hora.

“No, Russia did not help me get elected,” Mr. Trump told reporters as he departed the White House for Colorado Springs. “I got me elected.”

O bronco tinha estado no Twitter a bater no procurador especial que o investigou, Robert Mueller, o qual tinha ontem afirmado que a sua investigação não tinha ilibado Trump de crime algum.

Acontece, quando a boca foge para a verdade.

EUA contra Huawei, a batalha do monopólio

A administração norte-americana baniu a Huawei dos EUA, interditando simultaneamente as empresas norte-americanas de exportarem tecnologia para esta empresa.

Além do bloqueio no território americano, a medida tem impacto global e os efeitos sentir-se-ão em breve. A Google anunciou que as suas aplicações e serviços, tais como Gmail, Maps, YouTube e outros, não poderão ser usados em futuros modelos dos telemóveis Huawei. Idem para actualizações de segurança. A Intel também anunciou restrições às suas tecnologias. E o mesmo se passará com todas as empresas americanas que exportem bens e serviços.

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Perceber Trump

“Para mim, o Plaza era como uma grande pintura”, disse Donald Trump sobre o hotel que ele concordou comprar em 1988 e que depois perdeu quando este faliu. “Não foi puramente sobre o resultado final.” [NYT, 2016, What Donald Trump’s Plaza Deal Reveals About His White House Bid]

Um artigo, bem escrito, que decifra o pensamento de Trump. Ajuda a perceber, por exemplo, a derrota que teve recentemente com a ida do ditador Norte Coreano à Rússia, depois de este se ter pavoneado com testes de mísseisos tais que não iriam acontecer.

Tudo se resume ao seu ego, a par de uma inesgotável lata para mentir e torcer a realidade até que encaixe na sua ficção.

[Imagem: Wikipedia]

O relatório sobre Trump e sobre a Rússia e o novo lápis azul

Sem surpresa, Trump e Rússia são os termos mais referidos no relatório de Mueller sobre a interferência russa nas eleições americanas de 2016. A surpresa, para alguns, pelo menos, está noutro lado.

Termo Número de ocorrências no relatório de Mueller
Trump 1648
Russia [em inglês] 1607
Clinton 273
IRA (Internet Research Agency) 140 (+16 para Internet Research Agency)
Facebook 81
Twitter 71
Conspiracy 44
Collusion 23
Google 6

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O Relatório Mueller em versão Pinto Monteiro

Aqui está o ficheiro PDF, devidamente recortado à la Pinto Monteiro.

Conhecem aquele país que vai para a guerra para “estabelecer” a democracia como o melhor dos piores regimes?

Bem prega frei Tomás, fazei o que ele diz e não o que ele faz.

Trump vai vetar a decisão que anula o acto de tirania, perdão, prepotência, levado a cabo por si mesmo e que consistiu em declarar um estado de emergência inexistente, exceptuando a emergência de obter fundos para uma promessa eleitoral que os representantes do povo tinham rejeitado.

Com um desenho é mais simples.

Viva a democracia! Onde haja petróleo para explorar, claro.

Quem é que faz uma machete destas?

Dois alienados lunáticos encontram-se para satisfazem as suas agendas pessoais. Alguém em Portugal faz um título a dizer “Trump e Kim tinham tudo para dar certo mas tropeçaram nas sanções”. Trata-se de um caso de incompetência ou de cegueira?

Afinal, há coincidências

No dia em que um ex-advogado de Trump foi ao Congresso dos EUA lançar mais lenha na fogueira, calhou Trump e o ditador da Coreia do Norte encontrarem-se para mais um número de coreografia. Os dois eventos não têm relação alguma. Seguramente. Apear de o primeiro estar planeado há qb tempo e o segundo ter caído do nada.

Alguém que avise a Margarida Rebelo Pinto. Afinal, há coincidências.

Adenda
Não houve acordo mas o objectivo de criar uma diversão foi atingido.

A cimeira entre o Presidente dos Estados Unidos e o líder da Coreia do Norte terminou esta quinta-feira, em Hanói, sem que fosse alcançado “qualquer acordo”, anunciou a porta-voz da Casa Branca.”

Ao usar a Coreia do Norte como um instrumento dos seus objectivos pessoais, Trump está a transformar Kim Jong-un num seu par, com um protagonismo que não existia antes desta administração americana. Ou seja, nada mudou na Coreia do Norte e o respectivo líder ficou mais forte. Estamos pior, portanto.

Sobre a suposta nomeação para o Prémio Nobel da Paz, só pode ser devaneio de quem está a engolir a conversa de um narcisista gabarolas.

Maravilhosa globalização

Mais um avanço na “prossecução de uma agenda comercial ambiciosa”, pela mão da ainda mais ambiciosa comissária para o comércio, Cecilia Malmström – desta vez na Reunião informal de Ministros do Comércio da UE, que teve lugar a 21 e 22 de Fevereiro, em Bucareste.

Na Conferência de imprensa da Presidência romena e da Comissão Europeia, Malmström – a quem, pela eficácia e competência dos seus gloriosos feitos em prol da globalização, as multinacionais deveriam atribuir um prémio – enumerou os últimos sucessos alcançados e mostrou-se confiante quanto aos que ainda quer alcançar.

Os acordos UE-Japão e UE-Singapura já cá cantam, em fila de espera estão Mexico, Chile, Indonésia, Austrália, Nova Zelândia, Tunísia, Mercosul, além de muito trabalhinho na Organização Mundial do Comércio.

Claro que um dos assuntos mais melindrosos que tem estado no topo da sua agenda são as negociações UE-USA. Depois de, no ano passado, Trump ter avançado com tarifas sobre alumínio e aço e ameaçar impor tarifas aos automóveis europeus, realizou-se em Julho o encontro com Juncker em que este, para apaziguar o loiraço, prometeu aumentar as importações de soja e gás liquefeito pela UE.

Sementes de soja geneticamente modificada e gás liquefeito maioritariamente proveniente do super poluente fracking, se já tinham as portas abertas, elas passaram a estar escancaradas.

Desde então, está a ser preparado o mandato para se chegar a um pequeno “deal”. As negociações do ambicioso TTIP mantêm-se congeladas (só que, como o mandato nunca foi revogado…), mas a comissão quer obter dos ministros do comércio um mandato para negociar em matéria de produtos industriais e cooperação regulatória.

Um deal que Trump, claro está, exige que seja justo. A atribuição do mandato de negociação à comissão está a ser promovida pela Alemanha e contrariada pela França, produzindo uma pequena escaramuça entre ambos os países.

Valha-nos, que apesar da enorme pressão dos EUA, neste pretendido mandato a agricultura fica de fora. Gregg Doud, o negociador-chefe do USTR em matéria de agricultura resfolegou: “Nem consigo expressar a minha frustração em relação à agricultura europeia e à forma como lidam com coisas como a biotecnologia; a forma como lidam com coisas como o frango com cloro e hormonas na carne de bovino.”

A frustração do sr. Doud é uma nítida expressão do que está em jogo. Normas de protecção ambiental, social ou do consumidor são, obviamente, empecilhos aos negócios, que se querem livres.

Um dos mandatos que a comissão enseja obter agora refere-se pois à cooperação regulatória UE-EUA, estando sobre a mesa as chamadas “avaliações da conformidade”. Claro, à porta fechada e com ouvido nos grandes lobbies.

Maravilhoso “comércio livre”. Que felizes seremos um dia, nesse imenso mercado global, em que os parlamentos serão teatrinhos encantadores…

EUA, o estado daquilo

O Observador Fox News apresentou os seus artigos de deslumbramento, fazendo tábua rasa sobre mentiras e exageros (por exemplo, este e este).

Nearly 30 dubious claims woven into speech
From the economy to immigration and crime, the president played fast and loose with the facts.

Não esteve sozinho a publicar por cá histórias nesta mesma linha. Foi o tom geral, até. Fake news também passa por fazer de correia de transmissão e ignorar outros pontos de vista.

Algumas das tiradas do presidente americano incluem referências a uma suposta carnificina na fronteira com o México (mas zero referências aos sucessivos massacres por tiroteio nas escolas), às maravilhas trazidas pela sua guerra comercial (sem referir os milhões que tem precisado de enviar para os agricultores) e ao desempenho da economia (que já vinha em crescimento).

E apelou à paragem da investigação sobre a sua eleição, a qual já tem presos e diversos acusados. O cerco aperta-se, assim se constata.

Gente perigosa

Não é só o retomar da indústria do carvão, com todos os problemas ambientais associados. Não é só o racismo e misoginia abertamente declarados. Não é só o constante ataque ao jornalismo. Não é só o tomar de posições de força, unilaterais, dignas de qualquer ditadura de esquina. Não é só o entusiasmado apoio à indústria das armas. Não é só a quebra de acordos entre aliados. Não é só o fascínio por regimes ditatoriais.

É tudo isto e um ego à frente de qualquer outro interesse, aliado à escolha das opções que potenciem o negócio. Um bronco capaz de colocar o mundo em pantanas porque uma jornalista o adjectivou de cobarde. Gente perigosa.

Imagem: The Washington Post

Vamos lá ver

Nos EUA, os democratas não aceitam financiar mais um troço do muro na fronteira com o México e Trump recusa-se a assinar o orçamento que desbloqueará o shutdown sem esse financiamento. Este é o impasse.

O presidente Trump anunciou no sábado que iria estender as protecções de deportação para alguns imigrantes ilegais em troca de 5,7 mil milhões de dólares de financiamento para um muro ao longo da fronteira com o México. [NYT]

É uma abertura para negociar desde que um dos lados opte por capitular. Ou, por outras palavras, é o que se chama de chico-espertice. Quem quer negociar não chega a uma reunião com um discurso “Não aceitam as minhas condições? Bye-bye.“, como aconteceu numa das anteriores tentativas.

Mas, note-se, não me estou a queixar. O espectáculo, para o qual nem tive que pagar bilhete, está a ser divertido.

Infantilidades?

“Uma resposta infantil não merece outra resposta infantil”

Falemos então de infantilidades e sobre como é que isto começou.

Antes do Natal, houve um acordo entre Democratas e Republicanos para financiamento do governo e evitar o shutdown. No dia seguinte, a Fox News, que mais parece o jornal oficial da Casa Branca, lançou uma campanha a picar Trump, dizendo que este estava a ser cobarde. E a seguir, Trump deu o dito pelo não dito e fez saber que não aprovaria o orçamento, o que levou o líder Republicano do Senado a dar um passo atrás, rasgando esse acordo.

Incitado por Rush Limbaugh e Ann Coulter, Trump faz uma declaração de última hora dizendo que ele não vai assinar a legislação republicana [portanto, do seu próprio partido] para manter o governo aberto e exige 5 mil milhões de dólares para fazer um muro na fronteira. A maioria republicana da Câmara dos Deputados aprovou uma lei que morre no Senado [republicano]. Trump culpa democratas pelo shutdown. [The Guardian]

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Cimeira G20- Ouçam as vozes que se erguem

Ontem e hoje o clube dos 20 (os líderes das 20 mais poderosas economias do mundo) esteve na sua reunião anual, desta feita em Buenos Aires, numa Argentina em profunda crise, inflação em nível recorde de ca. de 40% e cujo governo recomendou aos habitantes da cidade que fossem passar fora o fim de semana devido aos previstos massivos protestos da sociedade civil. Os quais, ao contrário do que sucedeu o ano passado em Hamburgo, se mantiveram pacíficos, mas foram significativos.

Couraçados dentro do habitual cerco de muitos milhares de polícias e soldados armados até aos dentes (25.000 desta vez), lá estiveram eles – Xi Jinping, Temer, Trump, Putin, Erdogan, Merkel, Macron, May, Trudeau, Juncker, Mohammed bin Salman e outras estrelas dúbias -, os supostos chefes do mundo (os donos dos mercados financeiros partem-se a rir), dedicados a discutir os temas que supostamente são os do mundo, fingindo que os resolvem, à custa dos contribuintes.

Além da “guerra comercial” e das tensões na Ucrânia a dominar as discussões, na agenda encontram-se nobres objectivos, como a luta contra as alterações climáticas e a aplicação do Acordo de Paris, ou o desenvolvimento sustentável. E coisas como o futuro do trabalho, o empoderamento das mulheres, a fiscalidade da economia digital.

A incomensurável desfaçatez desta gente, que continua a assinar centenas de acordos de comércio „livre“ e investimento que boicotam a protecção do ambiente! ou que não arrisca impor um imposto chorudo aos colossos (digitais) que praticamente não os pagam, antes agachando-se cada vez mais em competição entre si, a bem dos colossos!

Falinhas mansas de hipócritas que atiram calhaus para os olhos dos povos, enquanto se ajoelham perante o capital. Quanto a ideias verdadeiramente novas para se libertarem das correntes que se aplicaram e aplicam a si próprios, para assim mais libertarem as transnacionais, é zero.

Hoje, conseguiram amalgamar os temas do comércio, mudança climática e migração numa declaração final vaga e oca, sem qualquer efeito real, com ou sem Trump. [Read more…]

Tal como se esperava, sol de pouca dura

Donald Trump e Kim Jong-Un quando se reuniam em Singapura

Em Junho passado, por altura da cimeira Trump-Kim, chamava-se à atenção aqui para um simples facto.  Os tratados de paz da Coreia do Norte têm parecido uma peneira para tapar o sol. Parece que, novamente, tal está a acontecer, com a particularidade de a reviravolta ter sido ainda mais rápida do que anteriormente. [Read more…]

Os Estados Soviéticos Unidos da América

As credenciais de Jim Acosta, da CNN, para acesso à Casa Branca deverão ser restauradas, determina  juiz [NYT]

A história é simples. Uma semana antes das eleições intercalares nos EUA, a campanha republicana usou diariamente o tema da caravana a caminho das suas fronteiras. A Fox News, também conhecida pelo Canal Trump, chegou ao ponto de ter um repórter infiltrado nessa caravana. O objectivo óbvio foi usar o populismo do medo como arma eleitoral. Naturalmente, na noite da eleição, Acosta perguntou a Trump pela caravana. Afinal de contas, o próprio presidente usou-a constantemente nos seus comícios. Como merdas que é, não deixou que a pergunta fosse concluída nem se dignou responder. Passou, isso sim, a insultar o repórter. E, por fim, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, anunciou que o acesso de Acosta à Casa Branca tinha sido revogado, justificando a decisão com recurso a um vídeo manipulado por Alex Jones, o conhecido maluco da extrema-direita. Ou seja, Trump acusa a CNN de fake news e, sem surpresa, constata-se que estas fazem parte da natureza da sua administração. [Read more…]

Aquele momento em que o mundo ficou um local mais perigoso

Trump says US will withdraw from nuclear arms treaty with Russia

Experts warn of ‘most severe crisis in nuclear arms control since the 1980s’ as Trump confirms US will leave INF agreement [The Guardian]

Eis a contribuição do maluco com bigode saído de um filme de cowboys, John Bolton, caucionada por Trump, o santo padroeiro de O Dinheiro Primeiro.

Quero ver o que é que vão fazer com esse dinheiro todo depois de rebentarem com isto tudo.

Preocupações com a estrema-direita

Le Pen, Áustria, Bolsonaro, só para enumerar três. Muitas preocupações, justas, com que se tem passado e com o que pode vir a acontecer. Mas observo amiúde que há muitos olhos que se fecham perante o que se passa na América. A extrema-direita está no poder numa das nações mais importantes do mundo. Trump é o fascista, ou lá o que lhe queiram chamar, que chegou ao poder. Fica a lembrança, para que não se vista a cara de estadista preocupado num lado e se faça de conta que nada se passa no outro.

A oposição-administração não muito silenciosa

Nos vertiginosos tempos em que vivemos, onde o instantâneo é regra e a reflexão tende a ocupar um lugar secundário, poderá pensar-se que uma notícia de quarta-feira passada cheire a bafio. Mas é bem actual e nem precisa de ser arejada.

Muitos têm apontado a natureza louca do presidente americano, tendo repetidamente sido adjectivados de tontos para baixo. Mas agora é um elemento da administração Trump quem o afirma, o que devia ser suficiente para que as luminárias nacionais, a par das restantes, engolissem uns sapos. Talvez se tenham ficado pelas cuisses de grenouille, no entanto.

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Vostok-18

Num momento em que a Rússia cresce para ocidente e a NATO se encontra fragilizada por Trump, russos e chineses brincam à guerra. Talvez o lacaio de Putin ache que uns fucks o façam passar a perna ao ex-agente do KGB e, quiçá, torná-lo chefe do mundo branco. No entanto, a aproximação entre chineses e russos, catalisada pelas suas guerras fáceis de ganhar, é mais um passo em direcção à nova ordem mundial, na qual Putin, e não Trump, é o centro que vai resultando da implosão liderada pelo pateta cor de laranja.

Comércio: “Last Week Tonight”, com John Oliver

Tempos estranhos nos quais meios de comunicação social difundem notícias falsas e os programas de comédia fazem análise política.

Aqui fica um sumário em imagens. [Read more…]

Vlad a gozar com a sua marioneta

Steven Seagal nomeado enviado especial da Rússia nos EUA