Penteão

Trumpa

Isto é tão bom, mas tão bom, que só é pena ser mau.

Acto 1:

“He said he didn’t meddle,” President Trump told reporters aboard Air Force One on Saturday. “I asked him again. You can only ask so many times… He said he absolutely did not meddle in our election. He did not do what they are saying he did.”

He added: “And I believe, I really believe that, when he tells me that he means it.”

Despite the fact multiple US intelligence agencies concluded Moscow interfered in the presidential election in the attempt to push the vote in the Republican’s favour, President Trump also said the accusations had hurt Mr Putin’s feelings. [Independent, 12/11/2017]

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Conta de Trump no Twitter apagada durante 11 minutos

Empregado apagou-a no seu último dia de trabalho. Twitter restaurou-a 11 minutos depois.

Contribuição do Facebook para manipulação eleitoral nos EUA foi muito além da visualização de anúncios pagos

Páginas do Facebook geridas por russos foram responsáveis ​​por resultados muito mais palpáveis do que os milhões de visualizações de anúncios políticos durante as eleições norte-americanas. Com efeito, traduziram-se em dezenas de eventos políticos no mundo real nos EUA, incluindo uma manifestação ligada ao contra-movimento “Blue Lives Matter” (reacção ao movimento Black Lives Matter contra a brutalidade policial exercida sobre os afro-americanos)  numa cidade e num protesto contra a brutalidade policial noutra cidade – e nos mesmos dias.

Uma investigação do Wall Street Journal revelou que pelo menos 60 marchas, manifestações ou protestos foram orquestrados, divulgados ou financiados por oito páginas do Facebook apoiadas pela Rússia. Estes números parecem indicar um nível de exposição muito superior ao que até agora se estimava.

  • Páginas do Facebook investigadas: 8
  • Número total de gostos: mais de 2 milhões
  • Marchas, manifestações e protestos programados: pelo menos 60
  • Eventos confirmados como ocorridos: 22

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Entretanto, pela imprensa estrangeira e arredores…

Alguma comunicação social retratou Trump como ele é. Um merdas da extrema-direita, cheio de cautelas para não perder o apoio desses grupos. Pelo ritmo de demissões, não faltará muito para que apenas lhe sobrem esses.

Este é um bom momento para recordar as investidas que alguns opinadores realizaram, na comunicação social, em blogs e no Facebook,  com o intuito de suavizar e racionalizar esse doido que ocupa o lugar de presidente dos EUA. E acho engraçadas algumas reacções do comentadorismo nacional face a esta inequívoca colagem de Trump à extrema-direita. Alguns exemplos: o discurso de ódio na América não é novo; nazismo e comunismo são a mesma coisa; falam da América mas calam-se sobre a Venezuela. A técnica é muito simples. Dado que não podem negar a realidade, procuram relativizá-la para a diminuir.

Mas a realidade é clara. Apenas algumas décadas passadas sobre a loucura do nacionalismo que conduziu à Segunda Guerra Mundial, os extremistas chegaram de novo ao poder de mais uma potência económica e militar. Maus augúrios se anunciam. Quem tiver dificuldade em ler o actual contexto a partir da História pode sempre optar por uma versão romanceada, como a de Ken Follet.

Fábula

De asas estendidas, a águia pairava, livre, magnífica, como que abraçando o vento. Feliz, deleitava-se na sua incomparável capacidade de desenhar linhas mágicas no ar. Ensaiando um voo picado, desceu, vertiginosamente, em direcção ao solo – era um prazer muito seu. Beleza e velocidade puras animavam o céu.

O caçador, bronco de gozo, apontou. Para ele, era só um troféu. Matar por matar. Era o seu modo de felicidade. Atingida no peito, a ave deixou escapar como que um último grito, um lamento, e caiu pesadamente no chão. Nada restava da sua magnificência, da sua graça. O caçador olhou o corpo disforme e sem vida da ave e sentiu-se mais homem, mais exclusiva e intensamente homem.

– Convidado a comentar o acontecido, o presidente Trump explicou que ambos os protagonistas destes eventos eram culpados. Pois quem mandou a águia voar, provocante, frente ao caçador, interrompendo até, com o peito, a livre trajectória da bala?

Casa Bronca

Então estamos assim: Rex Tillerson, Secretário de Estado dos EUA, diz que devem iniciar-se negociações com a Coreia do Norte sobre a questão nuclear sem por em causa o regime. O manda-chuva da CIA, pelo seu lado, diz que a questão do regime tem de estar em cima da mesa. Trump, com a habitual subtileza estratégica, está-se nas tintas para complicações e diz que põe aquilo tudo a ferro e fogo. Às vezes – cada vez mais vezes…- não têm alguma saudade dos tempos em que o imperialismo tinha alguma racionalidade – uma racionalidade cruel, criminosa, sim, mas inteligível ?…