Trump não viu na Fox News

Trump não viu na Fox News. Mentiu novamente, tal como qualquer outro demente. Tem a particularidade irónica de culpar a sua estação de TV, responsável pelas suas “fake news”.

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Experimente você mesmo: https://goo.gl/mHF621

Realidade Alternativa

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Quem é esta gente?

A primeira notícia, da RTP, é total e premeditadamente falsa. As outras são todas verdadeiras.
Quem é esta gente que nos anda a informar?

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It’s great. It’s amazing.

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No mundo de Trump não há factos nem verdade. Apenas o que se diz no momento. [Read more…]

O ano em que a extrema-direita voltou ao poder

 

Ouço com incredulidade as notícias do que Trump diz e faz. De mansinho, como um elefante entre porcelanas, o KKK, os fanáticos religiosos, os negacionistas ambientais, o populismo, a perseguição aos emigrantes, a tortura, a mentira descarada e todo o mal que a extrema-direita encarna chegou ao poder na América, pela mão de Trump.

Deste lado do Atlântico ouvem-se vozes preocupadas com a possibilidade da Le Pen poder chegar ao poder. Mas isso já aconteceu entre os amaricanos. Sem disfarçar, escroques como Geert Wilders, Frauke Petry, Nigel Farage e Marine Le Pen falam abertamente ao que vêm e, pior, têm apoiantes.

Entretanto, enquanto Trump vai destabilizando os EUA e o mundo, há quem se pergunte até onde isto irá. A resposta é clara – basta ver o que outros fizeram. Quando esse momento chegar, Trump irá para a guerra. A memória das pessoas é o seu principal inimigo. Maus anos se aproximam.

Factos alternativos com camones dentro

Ana Cristina Pereira Leonardo

Era o PREC e eu recusei a borla de um americano. A preposição conta: era ele quem me queria pagar o almoço.

Ao pedir a dolorosa, o dono do modesto restaurante disse-me que já estava pago e apontou para o américas que lá do canto mais sombrio da sala me esboçou um corpulento sorriso. Respondi com um esgar e declarei, com o radicalismo próprio da juventude desses tempos, que nem pensasse, o camone que fosse pagar almoços à tia dele, para a terra dele, era o que mais faltava, morte ao imperialismo e bem feita que se engasgasse com as espinhas, os meus almoços pago-os eu e nesta altura da conversa já tinha voado para o Chile, passado pelo Vietname, a Argentina em espera, o americano encarnado em agente da CIA em Lisboa, pinta de torcionário em pré-reforma, e no fim quem ficou a ganhar foi o galego, embolsou a soma de dois bitoques e duas sobremesas, o comer pago a dobrar, bendito PREC mais o camones go home, à distância talvez o homem fosse apenas um velho engatatão em férias mas como dizia o Nixon, até os paranóicos têm inimigos reais, o que não era o meu caso (talvez só um bocadinho), nem decerto o caso do outro americano que conheci em Marrocos a estudar os macacos-de-Gibraltar nas montanhas do Atlas, sozinho, ele, os macacos e a neve no Inverno, a mulher que se descobrira lésbica regressada a casa

Bye bye love / Bye bye happiness, hello loneliness / I think I’m-a gonna cry-y[Read more…]

Ouvido no portugalex

Por causa do muro, Trump vai contratar a equipa do “Querido, mudei a casa.”

Quem elegeu Trump?

Foi a “Esquerda” que boicotou Sanders em favor de Clinton. Foi a “Esquerda” que, mais uma vez, escolheu a Direita. Foi a corrupção.

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A Fatwa sobre Polanski ou as saudades que eu tenho do «Nobody Expects the Spanish Inquisition!»

Ana Cristina Pereira Leonardo

No meio da avalanche de notícias que têm tido Trump como hors d’oeuvre, entrée, main course e dessert – deixando de lado o chumbo doméstico da TSU e as bebidas – passou relativamente despercebida a renúncia de Roman Polanski a presidir à cerimónia de entrega dos César, o correspondente francês dos óscares de Hollywood. O cineasta havia sido escolhido pelos organizadores da cerimónia, que terá lugar em final de Fevereiro, mas o vendaval de indignados – e sobretudo, ao que parece, de indignadas – com a escolha teve como consequência que o mesmo acabasse por recusar o convite.

Polanski tem hoje 83 anos e quando tinha 43, em 1977, foi acusado de violar uma jovem modelo de 13, Samantha Geimer, então Samantha Gailey, crime pelo qual esteve 43 dias detido, saindo sob caução, após o que fugiu dos EUA onde tem até hoje a Justiça à perna e a cabeça a prémio, mesmo se Samantha Geimer há muito desistiu do processo (acordaria uma indemnização de 225 mil dólares com o cineasta, que acabou por reconhecer que não existira sexo consentido, e publica em 2013 o livro de memórias, The Girl: A Life in the Shadow of Roman Polanski, no qual não se coíbe de criticar a exploração do seu caso pelos meios de comunicação, juízes e advogados; na altura do lançamento queixou-se ao LA Times: «Não deviam poder tornar o que me aconteceu ainda pior, só porque é mais interessante. Fazem com que nos sintamos mal e sejamos uma vítima, de modo a poderem usar-nos como bem lhes aprouver»). [Read more…]

Lemos, ouvimos e vemos

Ana Cristina Pereira Leonardo

 

O capitalismo é como aquelas pessoas a quem emprestamos um dedo e, dois dias não são passados, nos querem levar os membros. A frase não é do velho Marx, nem sequer de Žižek: é minha. E em época tão dada à arrogância da humildade opinativa, digo-o sem falsa modéstia. Porque o caso é este, ao debate de ideias opõe-se hoje uma batalha de opiniões: «Eu acho isto, tu achas aquilo. Eu tenho direito a achar isto, tu tens direito a achar aquilo. Eu estou certo em achar isto e tu és uma besta em achar aquilo» – como se ao criticismo kantiano acrescesse, vá lá, uma espécie de democratização do insulto e do disparate. São tempos palavrosos, pois, em que o império das imagens (cf. o fenómeno narcísico das selfies) não correspondeu ao colapso anunciado das palavras: à imagem de Trump como palhaço de cabeleira bizarra seguiu-se a presidência dos EUA por via de meia dúzia de frases feitas e curtas (não será por acaso que não larga o Twitter).

Quem fala de Trump, fala de capitalismo, pelo que não me desvio do assunto. E o assunto é este: são OITO. Contas feitas, oito multimilionários detêm riqueza idêntica à miséria somada de cerca de metade da população mais pobre da Terra: 3,6 mil milhões de pessoas. [Read more…]

Trump é a Verdade

São muito mais preocupantes as reacções à eleição de Trump do que a eleição de Trump propriamente dita. Pelo motivo simples de que essas reacções sugerem uma total ausência de consciência sobre os motivos, as acções e as omissões que nos trouxeram a este lugar da História.

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É mesmo para acabar.

“Com a retirada de Obama e a entrada em cena do Luís XIV da Quinta Avenida, o mundo entra noutra fase. Podemos chamar-lhe incerteza mas incerteza é o que menos existe” – Clara Ferreira Alves, Expresso, 21 de Janeiro de 2017.

Quando acabei de ler o artigo desta semana de Clara Ferreira Alves na revista do Expresso fiquei a pensar que nunca como nos últimos tempos concordei tanto com aquilo que ela escreve. Sempre gostei de ler os seus artigos e ainda mais quando discordo das suas opiniões. Mas este seu texto, com o título “É para Acabar”, é do melhor que tenho lido nos últimos anos. Está ali tudo, devidamente retratado e colocado no seu real contexto:

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A maior prova, se tal seria necessário, foram os resultados das eleições nos Estados Unidos. A imprensa a fazer campanha contra Trump e o resultado foi ao contrário. O mesmo se diga no que toca ao Brexit. Retomando o texto de Clara Ferreira Alves:

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Estou plenamente convencido que assim será. Um a um, eleição a eleição os “Trump” mais ou menos letrados por esse mundo fora, a começar pelas próximas eleições em França, vão vencer com o voto popular. Porque o povo está farto. Completamente farto e prefere o “quanto pior, melhor”. As elites merecem que assim seja, para desgraça de todos. Voltando ao artigo de Clara Ferreira Alves:

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Subscrevo tudo isto que a Clara Ferreira Alves escreveu. Para mal dos nossos pecados, estou convencido que assim será. É mesmo para acabar…

Resumindo,

O Obama quer mas o Trump fecha.

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Convidar os amigos. Feito. Obter a password da conta @POTUS. Feito. Códigos das bombas. Feito. Partir isto tudo. On the way.

O estado de graça possível

Trump continua a falar e escrever como um troll alcoolizado. As consequências só não foram ainda trágicas porque os líderes e governos visados o vêem como um inimputável. É o estado de graça possível. Do governo alemão veio uma bofetada em modo de aviso, de Putin um cordial cachação, da China e do seu presidente veio – com aquela paciência de um povo que conta a sua história em milénios…- um elegantíssimo e rendilhado discurso que disse tudo o que havia a dizer nunca mencionando o nome do grunho, para espanto do público do Fórum de Davos.
And the beat goes on...

Primeiro aviso a Trump

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A Alemanha é a primeira a “mostrar os dentes” a Trump e a explicar-lhe como funciona, hoje, a economia global. Ainda bem que é a Alemanha. Pior será no caso da China. É que esta não se limita a “ranger“…

O mundo está a ficar perigoso. Muito perigoso.

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Mais Estados membros vão abandonar a UE.

O discurso.

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Esta madrugada a actriz Meryl Streep, nos Globos de Ouro, foi ao palco receber o seu mais que justo prémio de carreira e fez um discurso brilhante. Podem ver e ouvir neste link.

 

Com a faca e o queijo na mão

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Obama dá ordem de expulsão de elementos dos serviços secretos russos em território americano. Em resposta, Sergey Lavrov sugere troco na mesma moeda. É então que Putin entra em cena, coloca a proposta de Lavrov em stand-by, aguardando pela tomada de posse de Trump que acontece dentro de poucos dias, e aproveita a deixa para acusar o ainda presidente dos EUA de “diplomacia irresponsável”.

Vou adorar ver os fofos dos liberais anti-Obama, que não se cansaram de lançar foguetes envergonhados quando Trump venceu as eleições, e que passam a vida a recordar-nos dos perigos que Putin representa para o planeta Terra, quando Trump estiver devidamente domesticado pelo tirano russo. Mas isto sou eu que sou um exagerado.

Os chineses a gozarem com Trump

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Um galo erigido frente a um shopping em Taiyuan, província de Shanxi, no norte de China. O designer disse que a escultura – anunciando o próximo Ano Chinês do Galo – foi inspirada no penteado e gestos de Donald Trump. Parece que Bush vai rapidamente perder o pódio da burrice.

O Trump mão não está a escolher apenas milionários para a sua equipa.

Também está a escolher multimilionários.

Trumpetes, as cornetas que aspiram chegar ao som do clarim

Pergunta-se porque é que metade da população americana acreditou em fantasias como a participação de Hillary Clinton em rituais satânicos? Pois a resposta é simples, o tempo vertiginoso da mentira é imbatível e é isso que valoriza os trumpinhos, quanto mais extravagantes melhor. Olhe à sua volta em Portugal e veja como eles estão tão deslumbrados com Trump, acham que chegou a sua hora.

Palavra do ano em 2017

Plutocracia“.

As nomeações de Trump

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Os homens de negócios não levarão os negócios e interesses para a Casa Branca. Jamais.

Apesar de Trump, ainda há quem queira pôr o seu dinheiro neste país comandado por bloquistas e comunistas

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O título do Expresso, para quem se dedica exclusivamente à leitura de títulos, poderá levar o leitor a pensar que o leilão de dívida de ontem, no qual Portugal colocou 700 milhões de euros em Obrigações do Tesouro, terá corrido mal. Nem por isso. A procura superou a oferta e a taxa paga pelo governo português foi inferior às yields do mercado secundário. Pelos vistos, ainda existem uns quantos maluquinhos dispostos a meter o seu dinheiro neste país comandado por bloquistas e comunistas. E a oferta, pasmem-se, não chega para satisfazer a procura. Só pode estar tudo doido. [Read more…]

A importância de uma vírgula

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Lá fora, como cá. (Autor desconhecido.)

Carta do Canadá – O Albertino

Ilustração: Atlanta Sketch Group

Ilustração: Atlanta Sketch Group

Naquele tempo o Ti Xico Porto era o tesoureiro do Comando Geral da PSP, na Avenida António Augusto de Aguiar, e uma vez por semana eu ia almoçar com ele. Geralmente à sexta-feira e a seguir ao almoço íamos para Tomar gozar o fim-de-semana. Eram almoços reinadios, na messe, e tomávamos café um pouco acima, na mesma rua, mesmo em frente a um chalet arte nova, na esquina da Luís Bívar, se bem recordo, que exibia uma placa explicando que ali tinha vivido António José de Almeida, grande figura da 1ª República. Volta e meia aparecia o Albertino,   construtor civil feito a poder de baldes de cimento desde os 12 anos, porque o país era o que era e a vida é o que é. Gostava muito do Ti Xico e vinha quase sempre só para o ver  e se regalar no café com os amigos dele. Todos achavam piada ao Albertino e puxavam por ele, que era um meia leca magrote, esturricado, olhinhos matreiros de rato. E muito rico. Podre de rico. Abria a boca e dizia coisas espantosas. Inesquecíveis. Sentenciava, por exemplo, que os alquitetos mandam mais que os inginheiros.  Devia saber disso, porque era um gaioleiro desembaraçado que cirandava pela câmara e pelas ruas de Lisboa a impingir projectos, a fazer e vender casas. Tinha ideias claras. Os pretos, dizia, era para estarem em África e porrada neles que eram uma cambada de malandros. Uma ocasião, naquele café manhoso da Avenida Conde Valbom, que era o quartel-general dos empreiteiros, leu num jornal que a Inglaterra se propunha legalizar as uniões de homossexuais  e não esteve com modas: meteu-se num avião  para Londres,  onde o filho estudava, e obrigou-o a regressar a casa sob pena de o pôr fora de casa se não obedecesse.  Sobre mulheres, era definitivo: quando inquirido de qual discurso tinha gostado mais nas festas regionais, nem pestanejava ao declarar que “dos discursos o que eu gostei mais foi das pernas das gajas”, que ele observava palitando os dentes enquanto os oradores  palravam. [Read more…]

A arte da mentira

Rui Naldinho

Após a eleição de Donald Trump muito se tem falado das razões mais profundas que estiveram na origem da sua vitória. Teoriza-se sobre tudo sem se ter a certeza de nada. Analisam-se as motivações para tantas mentiras  do republicano vitorioso nesta eleição. E como o povo americano se deixou seduzir por elas.

Ferreira Fernandes fala no Diário de Noticias da “pós-verdade”, como a palavra do ano. “Uma homenagem ao Brexit e a Trump. É um adjectivo que define uma sociedade pasmada com a realidade. Espero que passe a substantivo, já. É que, se a verdade é dura, a pós-verdade, que é uma mentira, pode distinguir-se talvez melhor, pois é mole.”

Se tudo isso está em conformidade com o pensamento dominante, há questões que, no entanto, não podem deixar de se colocar. [Read more…]

A Trumproxenetização da política

Está em curso. Afinal Trump não é assim tão mau, diz um ex-primeiro-ministro,  jornalistas e, até, um Grande Repórter, meu deus, e correias de transmissão da direita.

Como o Facebook permitiu a vitória de Trump

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Um artigo na Wired explica a forma como o Facebook contribuiu para a vitória de Trump. Não foi tanto pelas notícias falsas, isso deve ter sido mais reservado ao Twitter, mas sim pela angariação de fundos e pela observação, em tempo real, do efeito do arranjo das comunicações de campanha (se funcionava melhor um vídeo ou uma imagem estática; se certo destaque devia estar antes ou depois do título; etc.). O grande investimento em propaganda por parte da campanha de Trump foi, precisamente, no Facebook. Leitura obrigatória para os nossos doutores em rotação.

Here’s how Facebook actually won Trump the presidency

Nada a que os pafiosos estejam desatentos, dada a experiência demonstrada no império do click, montado durante o anterior governo (Observador, perfis falsos no Facebook, equipa de produção de fotomontagens, constante produção de “factos” políticos, etc.).