Aquele momento em que o mundo ficou um local mais perigoso

Trump says US will withdraw from nuclear arms treaty with Russia

Experts warn of ‘most severe crisis in nuclear arms control since the 1980s’ as Trump confirms US will leave INF agreement [The Guardian]

Eis a contribuição do maluco com bigode saído de um filme de cowboys, John Bolton, caucionada por Trump, o santo padroeiro de O Dinheiro Primeiro.

Quero ver o que é que vão fazer com esse dinheiro todo depois de rebentarem com isto tudo.

Preocupações com a estrema-direita

Le Pen, Áustria, Bolsonaro, só para enumerar três. Muitas preocupações, justas, com que se tem passado e com o que pode vir a acontecer. Mas observo amiúde que há muitos olhos que se fecham perante o que se passa na América. A extrema-direita está no poder numa das nações mais importantes do mundo. Trump é o fascista, ou lá o que lhe queiram chamar, que chegou ao poder. Fica a lembrança, para que não se vista a cara de estadista preocupado num lado e se faça de conta que nada se passa no outro.

A oposição-administração não muito silenciosa

Nos vertiginosos tempos em que vivemos, onde o instantâneo é regra e a reflexão tende a ocupar um lugar secundário, poderá pensar-se que uma notícia de quarta-feira passada cheire a bafio. Mas é bem actual e nem precisa de ser arejada.

Muitos têm apontado a natureza louca do presidente americano, tendo repetidamente sido adjectivados de tontos para baixo. Mas agora é um elemento da administração Trump quem o afirma, o que devia ser suficiente para que as luminárias nacionais, a par das restantes, engolissem uns sapos. Talvez se tenham ficado pelas cuisses de grenouille, no entanto.

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Vostok-18

Num momento em que a Rússia cresce para ocidente e a NATO se encontra fragilizada por Trump, russos e chineses brincam à guerra. Talvez o lacaio de Putin ache que uns fucks o façam passar a perna ao ex-agente do KGB e, quiçá, torná-lo chefe do mundo branco. No entanto, a aproximação entre chineses e russos, catalisada pelas suas guerras fáceis de ganhar, é mais um passo em direcção à nova ordem mundial, na qual Putin, e não Trump, é o centro que vai resultando da implosão liderada pelo pateta cor de laranja.

Comércio: “Last Week Tonight”, com John Oliver

Tempos estranhos nos quais meios de comunicação social difundem notícias falsas e os programas de comédia fazem análise política.

Aqui fica um sumário em imagens. [Read more…]

Vlad a gozar com a sua marioneta

Steven Seagal nomeado enviado especial da Rússia nos EUA

A declínio do império americano

O filme a que roubei o título do post é uma comédia sobre a moral mas o vídeo que aqui trago tem no enredo a tragédia da queda de uma potência. Problema lá deles e, talvez, daqueles que são (eram?) os seus aliados.

O discurso de Trump, com palavras de tal rudeza, construído com a mesma visão maniqueísta plasmada nas suas declarações domésticas, vai progressivamente quebrando a áurea de parceiro que tem mantido os EUA numa posição dominante no mundo. [Read more…]

Trump pairando sobre os céus de Londres

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Ao contrário do que muita gente por aqui acha, Trump não é propriamente destituído de inteligência prática e sabe exactamente onde quer chegar.

Trump quer redesenhar a política mundial, nem mais nem menos, e pô-la ao serviço da “America great again” e das grandes corporações privadas, fazendo tábua rasa de organizações humanitárias e/ou garantísticas, género ONU ou UNESCO, e blocos transnacionais como a CE, as quais, na sua concepção, só atrapalham.

A recente cimeira da NATO mostra que Trump pode facilmente ameaçar torpedear uma organização que, além das questões estratégicas, não sirva os interesses da indústria americana e o seu ascendente geoestratégico, neste caso a do armamento.

O mesmo se passa hoje, na visita a Inglaterra. [Read more…]

Um palerma narcisista

A última de Trump é ele pretender que o Twitter apague as contas dos jornais The New York Times e The Washington Post.

Este exercício de estupidez vem na sequência de o Twitter estar, por fim, a apagar milhões de contas falsas (mais de 70 milhões em 2 meses) , muitas delas geridas por bots (abreviatura para robots, correspondendo a programas informáticos que, neste caso, republicam os seus tweets e simulam a interacção entre utilizadores).

O argumento do palerma que presidente aos EUA é que estes dois jornais são fontes de notícias falsas (fake news). Na verdade, ele próprio é uma fonte de fake news, quando por exemplo, segundo a Vox, em Fevereiro afirmou que nunca disse que não existiu interferência russa nas eleições americanas, apesar de o ter afirmado publicamente diversas vezes. Ele próprio, segundo a sua argumentação, devia-se submeter ao cancelamento que preconiza para os outros.

O narcisismo da figura vai ao ponto de ter um passado de interacções com os bots agora a serem apagados pelo Twitter, por exemplo agradecendo-lhes por terem reencaminhado bostas que tweetou.

Post baseado num artigo da Vox, o qual contém links para o que aqui é afirmado.

A dualidade moral é…

… sentir-se chocado por alguém usar uma foto de uma criança qualquer para ilustrar o que Trump fez aos filhos dos imigrantes ilegais mas não escrever uma linha sobre as acções de Trump propriamente ditas.

 

Dizem esses que é por isto que as pessoas desconfiam da comunicação social, como se por trás destas imagens não estivesse uma realidade cruel. Chutam para canto, também, afirmando que é uma lei de Obama. Pouco lhes importa que a realidade seja outra, tendo-lhes bastado um site alt-right publicar um vídeo com tais afirmações para virem gritar para a praça pública.

Na verdade, pouco importa se a lei é de Obama ou não. O que interessa é quem é que a está a aplicar e como – o diabo está nos detalhes e o “como” faz muita diferença. Sendo uma lei miserável, importa também explicar porque é não tinha sido corrigida, especialmente quando Trump tinha uma maioria no Congresso para o fazer. Chutar para o Obama, perdão, para canto, é uma forma de menorizar o que está a ser feito. Mas quanto a isso, silêncio. O problema está em algum idiota ter dado o flanco ao usar uma imagem que não é das crianças separadas e enjauladas.

Não faltam materiais que essa gente gente pudesse comentar, mas aquelas duas fotografias…. meu deus! [Read more…]

El Sueño Americano

roupas_migrantes

[Helena Ferro de Gouveia]

Estas imagens são retiradas da conta de Instagram do fotógrafo norte-americano Tom Kiefer. Chama-lhes “ El Sueño Americano”.
As posses dos indocumentados, consideradas “não essenciais” são confiscadas, incluindo brinquedos de crianças, bíblias, rosários e roupa.
Nenhuma roupa para trocar é permitida aos migrantes detidos na fronteira norte-americana, nem mesmo roupa interior ou cobertores.
América 2018.
(E não me venham para aqui com o discurso de que os pais usam as crianças para a fuga, se vocês estivessem desesperados e deixassem tudo para trás deixariam os vossos filhos ?

Proteger as fronteiras? Sim, nunca desta forma, com esta indignidade. Falamos de humanos, com um coração que bate como o nosso )

Façam-me um favor e partilhem até à exaustão esta indignidade.

Uma besta é uma besta

Para justificar as novas tarifas alfandegárias para produtos canadianos, Trump precisava de alegar que a importação de aço e alumínio era uma ameaça para a segurança. E como a justificou ele?

«Trump asked, according to CNN: “Didn’t you guys burn down the White House?”»

Só dois detalhes. Foram tropas britânicas e foi em 1814.

“The White House was burned by British troops in 1814 as part of a failed invasion of the mid-Atlantic, more than 50 years before the signing of Canada’s confederation paved the way for the founding of modern-day Canada.”

No entanto, a verdade para Trump e seus correlegionários não deve estragar uma boa história. Fica aqui esta nota também para os deslumbrados portugueses que por aí vão debitando coisas.

[imagem]

Actualização: link para as citações.

A cimeira Trump-Kim

“Veja só sr. polícia, o marujo que eu empurrei borda fora sabe nadar e não se afogou. E até chamei a guarda costeira para o recolher. Salvei-o, é o que é.”

Esta rábula ilustra o que aconteceu entre Trump e o Kim. Ambos se entretiveram a quase iniciar uma guerra nuclear e agora encontraram-se para voltar ao ponto de partida em que estavam quando começaram a medir o tamanho das respectivas pilas.

A comunicação social, talvez por suspirar de alívio, confunde voltar à estaca zero com progresso. Não lhes ficava mal recordar os leitores que este tipo de tratado não foi o primeiro que os EUA estabeleceram com a Coreia do Norte e não será, seguramente, o último deles a dar em nada.

Fica a seguir uma selecção, em nada exaustiva, para ilustrar um ponto simples: este tratado de 2018 vale zero. Serviu, isso sim, para dois líderes melhorarem a péssima imagem resultante dos seus próprios actos.

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A ajudinha de Trump ao “comércio livre”

Cecilia Malmström, a amazona europeia do comércio livre, tem um objectivo claro: arrematar o maior número possível de acordos comerciais e de investimento antes das próximas eleições europeias, marcadas para Maio de 2019.

Até lá, a coisa corre-lhe de feição, contando até com uma ajudinha de Trump. Porquê? Se por um lado o proteccionismo trumpista está a dar fortes dores de cabeça à comissária por via da ameaça de aumento das tarifas sobre o aço e o alumínio, por outro lado está a facilitar-lhe o trabalho. É que os vigorosos e alargados protestos de milhões de cidadãos europeus durante as negociações do TTIP e do CETA quedaram emudecidos, neutralizados, por via da sonora lógica maniqueísta: Trump é proteccionista e MAU, portanto o comércio livre é BOM. É como dizer que quem critica as derivações perversas do capitalismo é comunista. Uma estratégia populista e fácil, de que a Sra. Malmström se utiliza e desfruta para enfiar as esporas anti-democráticas e passar a galope acordos para o comércio dito “livre”, entendido à boa maneira neoliberal: privatização, liberalização, desregulamentação. Desenvolvimento sustentável?? Fica emoldurado para inglês ver num capitulozito muito jeitoso e simbólico, sem sanções. Porque o resto das mais de mil páginas dos acordos é gerido pela perspectiva que interessa: transladar – e aí sim, com mão de ferro – para esferas superiores e inteiramente fora do nosso alcance, as normas de tudo o que possa ser comercializado e garantir aos investidores a margem de actuação que tanto merecem. [Read more…]

Um par de tomates contra a opressão

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Foi no final do mês de Março, há 15 anos atrás, que uma aliança liderada pelos Estados Unidos invadiu o Iraque, um estado soberano. Os dois grandes argumentos usados para justificar a ofensiva perante a opinião pública foram a existência de armas de destruição maciça e a colaboração do regime iraquiano com a Al-Qaeda. Bush, Blair, Aznar e o seu mordomo asseguravam-nos que as provas eram irrefutáveis. Mas tudo não passou de um grande barrete.

O que se passou com o Iraque não foi caso isolado. Aconteceu com inúmeros países, sob a forma de invasões alicerçadas em pretextos falsos, golpes de estado patrocinados ou false flag attacks. Morreram centenas de milhares de vítimas inocentes, destruíram-se cidades e sociedades, abriu-se o caminho à ascensão novos déspotas e os suspeitos do costume lucraram a reconstruir, a garantir a “segurança” e a explorar recursos naturais. [Read more…]

É só para sublinhar o que já se sabia

President Trump has abandoned his live-on-television promise to work for gun control measures that are opposed by the National Rifle Association, instead bowing to the gun group and embracing its agenda of armed teachers and incremental improvements to the existing background check system.” NYT, 12/03/2018

A questão das armas nos EUA não se resolve sem que o financiamento partidário deixe de ser controlado pelo meio empresarial. Devemos olhar para os outros e pensar para onde caminhamos

Make it right, Joe

Joe Right, professor numa próspera, embora pequena, cidade do Sul dos EUA, dirigiu-se à sua escola onde iniciaria mais um feliz dia de trabalho. Estava uma manhã quente, pelo que Joe estacionou o seu carro – um híbrido, claro, era preciso dar o exemplo – junto à pastelaria que havia ali, frente à entrada da escola. Saiu do carro, resistiu a acender um cigarro – estavam por lá alunos e alunas e o exemplo,não é…- e entrou. Pediu uma Coca Cola – diet, claro, o exemplo…- que acompanhou com umas bolacha sem glutém, sem açúcar, sem lactose – o exemplo…-, cujo gosto, suspeitava Joe, não seria muito melhor que o do cartão em que vinham embaladas.
Dirigiu-se à sua sala de aula. Os alunos e alunas – nunca esquecer de enumerar os dois géneros, pelo menos, lembrou, de si para si, Joe – enchiam a sala. Joe gostava deles e da sua profissão. Ultimamente sentia, porém, algum embaraço. Tinha-se preparado para abordar algumas obras literárias de que gostava, mas parece que, agora, não seriam admitidas por conterem elementos politicamente incorrectos. [Read more…]

O analfabeto funcional

As câmaras apanharam as notas que Trump recebeu para a audiência que este concedeu aos familiares das vítimas do último massacre numa escola dos EUA.

Entre as notas banais, que não precisam de estar numa cábula para quem tenha dois dedos de testa, destaca-se a n.º 5, “Estou a ouvi-lo”. Os assessores dele optaram, claramente, pelo princípio KISS, não fosse o stupid enterrar-se como habitualmente.

Na Virgínia, um rapaz de 13 anos não pode comprar uma cerveja mas pode, legalmente, comprar uma arma

Em Junho de 2016, pouco depois de dois tiroteios em escolas públicas e do massacre em Orlando, a CNN acompanhou um rapaz de 13 anos numa sessão de compras. Foi-lhe vedado o acesso a tabaco, bebidas, bilhetes de raspadinha e pornografia. Mas pôde, legalmente, comprar uma arma de fogo.

Eis o país da fachada vitoriana, que mete um apito a cada ass, fuck e shit dito na TV, indo ao detalhe de meterem uma chapa à frente da boca do apresentador (porém, deixando som suficiente para se perceber o que é que foi dito), mas onde se podem comprar armas de fogo livremente. Gente louca, bem representada pelo maluco do Trump, que preconiza armar os professores como solução contra os tiroteios nas escolas.

Trump, a grande besta

Face aos recentes tiroteios na Florida, EUA, o que anuncia Trump na audiência que concedeu àqueles que queriam colocar as armas de fogo sobre controlo? Em frente aos miúdos que sobreviveram e aos pais dos que perderam os filhos, Trump declarou que deviam ser dadas armas aos professores. Um professor armado  poderia acabar aquilo “muito rapidamente”, disse Trump.

Repare-se, quando se atravessa a fronteira dos EUA para o Canadá, passa-se de um país de lunáticos, que andam aos tiros uns aos outros, para outro onde nada disso acontece. E qual é a solução de Trump? Mais armas. O autêntico far west.

Além da cretinice e falta de tacto, há o outro lado das soluções infantis do actual presidente americano. Um professor com armas acaba aquilo. Depois, claro, de uns quantos terem levado uns tiros e do próprio professor passar a ser o juiz e carrasco. Uma grande besta, é o que é.

(vídeo actualizado)

A neutralidade da net explicada pelo Burger King

Há umas semanas, a entidade reguladora das comunicações dos EUA, a FCC, cancelou as directivas criadas pelas presidência de Obama que obrigavam os operadores de telecomunicações a servir todos os conteúdos de todos os sites de forma igual. Ou seja, agora podem deixar de seguir o que foi padrão na Internet desde que esta existe. A motivação é meramente comercial, permitindo criar pacotes artificiais, no sentido de não corresponderem às necessidades dos clientes, mas sim à estratégia da empresa.

O assunto foi polémico nos EUA, houve até uma “sondagem” organizada pela FCC, mas que se concluiu estar repleta de dados falsos, e no fim, a FCC fez aquilo que Trump tinha decidido, ou seja, favoreceu os gigantes das telecomunicações. Curiosamente, os  liberais cá da terra não atiraram as vestes ao chão, como fariam se Chavez mandasse um traque.

Apesar do assunto não estar morto, enquanto Trump comandar o governo dos EUA, não haverá alteração de política. Entretanto, iniciativas como a do Burger King traduzem em termos simples as implicações de uma aparente alteração burocrática.

Democracia?

Que se lixe isso. Temos dinheiro.

Assim se endereça a manobra concebida para tirar os olhos dos problemas internos. Frank Underwood não faria melhor.

Por falar em politicamente correcto

Trump Administration Prohibits CDC Policy Analysts From Using the Words ‘Science-Based’
On Friday the Washington Post reported that the Trump Administration has forbidden the Centers for Disease Control from using seven terms in certain documents: “science-based”, “evidence-based”, “vulnerable,” “entitlement,” “diversity,” “transgender,” and “fetus”.

Acho que já li um livro com este enredo, no qual as palavras tinham um significado alterado.

Aí está o cadáver

Essa Great America Again, terra da livre iniciativa, acabou de permitir que os grandes monopólios controlem o tráfego da Internet. Net neutrality is dead.

Penteão

Trumpa

Isto é tão bom, mas tão bom, que só é pena ser mau.

Acto 1:

“He said he didn’t meddle,” President Trump told reporters aboard Air Force One on Saturday. “I asked him again. You can only ask so many times… He said he absolutely did not meddle in our election. He did not do what they are saying he did.”

He added: “And I believe, I really believe that, when he tells me that he means it.”

Despite the fact multiple US intelligence agencies concluded Moscow interfered in the presidential election in the attempt to push the vote in the Republican’s favour, President Trump also said the accusations had hurt Mr Putin’s feelings. [Independent, 12/11/2017]

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Conta de Trump no Twitter apagada durante 11 minutos

Empregado apagou-a no seu último dia de trabalho. Twitter restaurou-a 11 minutos depois.

Contribuição do Facebook para manipulação eleitoral nos EUA foi muito além da visualização de anúncios pagos

Páginas do Facebook geridas por russos foram responsáveis ​​por resultados muito mais palpáveis do que os milhões de visualizações de anúncios políticos durante as eleições norte-americanas. Com efeito, traduziram-se em dezenas de eventos políticos no mundo real nos EUA, incluindo uma manifestação ligada ao contra-movimento “Blue Lives Matter” (reacção ao movimento Black Lives Matter contra a brutalidade policial exercida sobre os afro-americanos)  numa cidade e num protesto contra a brutalidade policial noutra cidade – e nos mesmos dias.

Uma investigação do Wall Street Journal revelou que pelo menos 60 marchas, manifestações ou protestos foram orquestrados, divulgados ou financiados por oito páginas do Facebook apoiadas pela Rússia. Estes números parecem indicar um nível de exposição muito superior ao que até agora se estimava.

  • Páginas do Facebook investigadas: 8
  • Número total de gostos: mais de 2 milhões
  • Marchas, manifestações e protestos programados: pelo menos 60
  • Eventos confirmados como ocorridos: 22

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Entretanto, pela imprensa estrangeira e arredores…

Alguma comunicação social retratou Trump como ele é. Um merdas da extrema-direita, cheio de cautelas para não perder o apoio desses grupos. Pelo ritmo de demissões, não faltará muito para que apenas lhe sobrem esses.

Este é um bom momento para recordar as investidas que alguns opinadores realizaram, na comunicação social, em blogs e no Facebook,  com o intuito de suavizar e racionalizar esse doido que ocupa o lugar de presidente dos EUA. E acho engraçadas algumas reacções do comentadorismo nacional face a esta inequívoca colagem de Trump à extrema-direita. Alguns exemplos: o discurso de ódio na América não é novo; nazismo e comunismo são a mesma coisa; falam da América mas calam-se sobre a Venezuela. A técnica é muito simples. Dado que não podem negar a realidade, procuram relativizá-la para a diminuir.

Mas a realidade é clara. Apenas algumas décadas passadas sobre a loucura do nacionalismo que conduziu à Segunda Guerra Mundial, os extremistas chegaram de novo ao poder de mais uma potência económica e militar. Maus augúrios se anunciam. Quem tiver dificuldade em ler o actual contexto a partir da História pode sempre optar por uma versão romanceada, como a de Ken Follet.

Fábula

De asas estendidas, a águia pairava, livre, magnífica, como que abraçando o vento. Feliz, deleitava-se na sua incomparável capacidade de desenhar linhas mágicas no ar. Ensaiando um voo picado, desceu, vertiginosamente, em direcção ao solo – era um prazer muito seu. Beleza e velocidade puras animavam o céu.

O caçador, bronco de gozo, apontou. Para ele, era só um troféu. Matar por matar. Era o seu modo de felicidade. Atingida no peito, a ave deixou escapar como que um último grito, um lamento, e caiu pesadamente no chão. Nada restava da sua magnificência, da sua graça. O caçador olhou o corpo disforme e sem vida da ave e sentiu-se mais homem, mais exclusiva e intensamente homem.

– Convidado a comentar o acontecido, o presidente Trump explicou que ambos os protagonistas destes eventos eram culpados. Pois quem mandou a águia voar, provocante, frente ao caçador, interrompendo até, com o peito, a livre trajectória da bala?