Chega, um partido ao serviço dos mais ricos

De todas as parvoíces que vejo a claque de André Ventura disparar, a mais patética, parece-me, é aquela que coloca o líder do CH no papel de Robin dos Bosques do Parque das Nações:

  • Ele vai tirar aos poderosos para dar aos mais pobres.

A primeira evidência que esta ideia estapafúrdia deixa a nu é a incapacidade da maior parte dos apoiantes do CH ser incapaz de ler o programa do partido ou de ir além dos Tiktoks que vê em loop.

Não vos vou maçar com uma lista exaustiva, mas vou dizer-vos isto:

  1. O CH é financiado pelos milionários que surgem nesta imagem. Muitos deles receberam milhões em contratos com o Estado, como é o caso de José Maria Bravo, dono da Helibravo, que lucrou dezenas de milhões alugando os seus helicópteros ao Estado português, durante governos PSD/CDS e PS. Ou, como se diz em chegano, “andou a mamar”.

  1. Faltam nesta lista alguns membros das famílias Mello e Champalimaud, duas das mais ricas do país, que, nas últimas eleições, deram donativos no valor máximo permitido por lei ao CH.
  2. Em tempos, o CH defendeu, no seu programa, a privatização total do SNS. Sabem a quem é que isso poderia correr mesmo muito bem? À família Mello, dona da CUF, e à Champalimaud, que tem igualmente interesses económicos na saúde, através da fundação. Neste momento, é verdade, o CH defende apenas a expansão das PPP’s. Mas sabemos, de experiência, que tudo pode mudar do dia para a noite. Precisamente como aconteceu quando, por pressão popular, o CH foi a correr alterar a parte do programa que previa a privatização do SNS e de todo o Estado Social.

  3. Importa também referir que o CH pretende diminuir drasticamente a progressividade do IRS. Isso significa aumentar impostos a quem tem menos e reduzir a quem tem mais e deve contribuir mais. E se o CH defende menos impostos para os mais ricos, só alguém muito alheado da realidade pode acreditar que isto equivale a “tirar aos ricos para dar aos mais pobres”.

  4. Finalmente, e à semelhança da sua referência Donald Trump – político que ainda esta semana se deixou corromper pelo Qatar, o financiador da organização terrorista Hamas – o CH defende tarifas às importações. No imediato, o resultado dessas tarifas é o aumento do custo dos produtos afectados, o que significa um aumento geral do custo de vida. E quem serão os principais afectados? Os mais ricos? É claro que não. São os que chegam ao fim do mês a contar trocos.

Não tive tempo de ler o programa com a atenção que gostaria. E a minha hora do almoço está a acabar. Mas, há um ano, o CH também defendia o regresso dos Vistos Gold. Medida que agrava a especulação imobiliária e faz subir os preços das casas.

Quem será que sai mais prejudicado com uma medida destas?

Exactamente.

Nota final: todas estas medidas e ligações são legítimas. Cada partido faz as suas opções e o CH tem todo o direito de fazer as suas. Mas poupem-nos na treta absoluta de dizer que o CH é um partido que está cá para olhar pelos mais pobres.

Não está.

O CH é um partido financiado por milionários.
Com leis simpáticas para milionários.
E boas oportunidades de negócio.

Para milionários.

Gelados com a testa?

Não, obrigado.

Comments

  1. Maioria dos eleitores vota por simpatia.
    Programas eleitorais, cabeças de lista, etc, são assuntos muito complexos e de difícil interpretação.
    Jantares, comícios, concertos e televisão e vota-se no mais bonito………………..

    • camarada says:

      concordo camarada, 50 anos com várias maiorias de esquerda só explicável por ser muito complexo

  2. francis says:

    uff, ainda bem que fui alertado. E eu a pensar que o PS e PSD estavam ao serviço das Mota-Engis e dos BES e dos proprietarios de gasolineiras de Braga e dos chinos da EDP, etc etc. Afinal, é so o Chega. Os outros são uns anjos, uns meninos de coro

  3. Figueiredo says:

    O blogue «Aventar» está em força a fazer um gigantesco frete ao Partido Chega, que é a bóia de salvação deste regime liberal/maçónico e dos restantes partidos, uma tentativa desesperada de tentar manter o sistema-político constitucional ainda em vigor.

    Mas valia colar um selo no blogue a dizer «Nós apoiamos o Quarto Pastorinho».

    • Anonimo says:

      Este é um blog de esquerda, não apoia liberachos
      Verdadeira esquerda, patriótica e pelo povo

      • Para blog de esquerda, quase não tem nada sobre travar a transferência de poder para o capital, quanto mais retirá-lo.

    • Chinoca says:

      O Figueiredo está a confundir alguns trampas que aqui vem vomitar a sua bilis com a maioria das pessoas que aqui escrevem.

  4. JgMenos says:

    Nada dá maior suporte à indigente esquerdalhada do que o ódio aos ricos.
    Na corrupção os ‘activos’ são os odiados, os ‘passivos’ são os vitimados.
    Se idiotas e corruptos fazem maus negócios com o dinheiro dos impostos, o ódio fica reservado para quem lucra, os idiotas e corruptos são tadinhos enganados.
    Onde houver dinheiro acumulado está o mal, todo o javardo teso é o coitadinho.

    Cambada de imbecis!

    • Estranho achismo para quem nunca culpa quem suborna, e para quem nunca vê corrompidos nos clubes mais próximos de si.

    • POIS! says:

      Pois é caso para se dizer…

      Tadinhos dos ricos que tão odiados são!

      Não é fácil ser rico, aparecem logo os invejosos de todos os calibres! E quando se tenta uma corrupçãozita, para abanar um pouco da monótona vida de um abastado logo na rua lhe chamam nomes como “ativo!”, o que faz crescer exponencialmente os ódios e as invejas.

      Mais valia que não acumulassem tanta mais valia! É um dó!

  5. Um partido que representa o rumo do regime ocidental, no corporativismo como no chauvinismo de uma suposta supremacia branca.

  6. Joana Quelhas says:

    Sim o Chega não passa de um mais um partido socialista.
    E como é bem sabido o socialismo só sobrevive à conta do Capitalismo.
    As empresas que nasceram e cresceram num ambiente capitalista e se tornaram suficientemente grades precisam do socialismo para não serem mais expostas às regras da concorrência precisam do socialismo.
    A simbiose perfeita dos nossos dias.
    A única vantagem do Ch em relação aos outros partidos socialistas em Portugal( q são todos ) é defender as tradições portuguesas, a identidade e nacional, esse conceito que os esquerdistas não conseguem sequer saber o que é ( são Vasconcelistas que gostam do internacionalismo ) , e tão cara ao Povo português.
    As pessoas que amam a Liberdade votam Chega enquanto esperam por um partido de Direita.

    Joana Quelhas

    • Estou para conhecer um partido que não seja, nesta definição que não devia ser possível na idade adulta, socialista.

  7. Joana Quelhas says:

    Sim o Chega não passa de um mais um partido socialista.
    E como é bem sabido o socialismo só sobrevive à conta do Capitalismo.
    As empresas que nasceram e cresceram num ambiente capitalista e se tornaram suficientemente grades precisam do socialismo para não serem mais expostas às regras da concorrência precisam do socialismo.
    A simbiose perfeita dos nossos dias.
    A única vantagem do Ch em relação aos outros partidos socialistas em Portugal( q são todos ) é defender as tradições portuguesas, a identidade e nacional, esse conceito que os esquerdistas não conseguem sequer saber o que é ( são Vasconcelistas que gostam do internacionalismo ) , e tão cara ao Povo português.
    As pessoas que amam a Liberdade votam Chega enquanto esperam por um partido de Direita.

    Joana Quelhas

    • POIS! says:

      Pois…

      Curioso! Já li uma coisa parecida em qualquer lado!

      Cá p’ra mim andam aí socialistas a roubar a sublime clarividência de Vosselência para vender ao quilo e, com o produto, rumarem às Caraíbas!

      Não deixe, ó Qwellllhhass! Olhe que os comentários de Vosselência podem vir a valer em leilão o dobro do dos pensos do Venturoso Pastorinho!

      • POIS! says:

        Uma correção: na sétima linha é “o dobro do valor dos pensos do Venturoso (…)”

    • Carlos Almeida says:

      Claro e o AfD da Alemanha também é socialista.
      Já o saudoso fuer da mosca teve a mesma ideia.
      Grande e sábia análise Dona Quelhas.
      E muito actual embora com 90 anos

      Como dizia um outro socialista

      A bem da nação

  8. Confesso que não faço a mais pálida ideia o que sejam as tradições portuguesas, a identidade e nacional.

    Por acaso, gostava que me iluminassem.

    • O futebol (origem inglesa), fátima (da coisa italiana), e fado (cantares das colónias e norte de áfrica). A comida à base de batata (américa latina), o expresso (italiano), o desprezo ao comunismo (olha, mais italianos, e alemães)…
      O globalismo do bem feito por outros, no fundo, que a subserviência é outro valor nacional.

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