Leituras

Very important classe media“, de João Quadros, que se pode ilustrar assim:

Contribuintes de alto rendimento, ou os pobres que paguem a crise

Excerto do Negócios da Semana onde se entrevistou José Azevedo Pereira, antigo director geral dos impostos. Fala-se da forma como são tratados os chamados “contribuintes de alto rendimento”, aqueles que ganham mais de 5 milhões de euros/ano ou têm património superior a 25 milhões de euros.

JAP: Por via de regra estes contribuintes de alto rendimento representam uma parcela muito significativa do IRS cobrado em países onde a respectiva tributação é levada mais a sério. Eles chegam a representar 20 a 25% da tributação em IRS.

NS: E em Portugal?

JAP: Em Portugal, isto não é, o dado não é algo que Portugal se possa orgulhar, mas não chega a meio por cento.

Fonte: Projecto tretas.org

Não há dinheiro

Portugal foi dos países onde o peso do rendimento dos 1% mais ricos mais cresceu.

Cursos vocacionais: e agora?

muito se escreveu sobre os cursos vocacionais e o que há para escrever servirá apenas para tornar ainda mais negras as cores deste fundamentalismo ideológico de Nuno Crato. O modelo escolar alemão claramente dividido em duas vias está mais do que experimentado e muito longe de produzir os resultados esperados, isto dando de barato que é possível importar modelos organizacionais tal como se importa um opel ou uma salsicha.

Os cursos vocacionais estão a ser espaços para as coisas mais absurdas, nomeadamente, agressões bárbaras a colegas de escola, a professores e a funcionários. A coisa está em tal estado que já há diretores a pedir a colegas que aguentem as coisas até ao fim do ano porque não há nada mais a fazer.

Aprendizagens zero, com taxas de insucesso muito perto dos 100%.

Só que agora, temos um problema. Alguns cursos do 2º ciclo chegam agora ao fim do equivalente ao 6º ano e a estes alunos só resta uma de duas coisas:

– passam nos exames nacionais e podem transitar de via, entrando no ensino regular (7º ano);

– não passando, ficam retidos no 2ºciclo ou então a escola é obrigada a criar um vocacional de 3º ciclo (equivalência a 7º, 8º e 9º) para continuar a desgraça.

A primeira hipótese é tão provável como o Porto ser prejudicado por um árbitro – é uma hipótese possível, mas apenas académica.

No segundo caso, fazer avançar a cangada para o terceiro ciclo resulta apenas numa forma de continuar a fazer de conta. Manter o grupo no 2ºciclo é apenas repetir o erro.

E, enquanto isso, professores, funcionários e direções desesperam com um retrocesso aos anos 80, ao tempo em que a minha geração abandonou a escola algures entre o 7º e o 8º…

Repare caro leitor que estes vocacionais são claramente promotores (indutores!) de abandono escolar, num país que tem uma escolaridade de 12 anos. Dirão os menos atentos que quem não quer estar na escola, deve sair.

Pois, mas saindo, vão para algum lado, não?

Para as prisões? Ou para as Juventudes Partidárias?

Palpita-me que estamos perante a quadratura do círculo.

184450000

Em euros, o valor do plantel do Sport Lisboa e Benfica.

386750000 é o valor do Chelsea.

São mais de duzentos os milhões que separam as duas equipas e o Chelsea tem um onze inicial com um valor médio de 35 milhões e o SPORT LISBOA E BENFICA um valor médio inferior a 17 milhões.

O Chelsea é o campeão europeu em título e o SPORT LISBOA E BENFICA ganhou um título semelhante há 51 anos, precisamente na Holanda.

O Chelsea pode ir ao Real Madrid buscar o melhor treinador do mundo e o SPORT LISBOA E BENFICA tem o Jorge Jesus.

Eles conseguiram cá vir buscar o David Luíz e o Ramirez, dando em troca dinheiro e, à época, um cromo – o Matic.

O Chelsea pode vir ao BENFICA comprar quem quiser e o BENFICA pode ir ao Chelsea buscar quem eles já não quiserem.

Seria um clássico da bola referir frases do tipo “David contra Golias”, “São onze contra onze” e tal…

Mas, no futebol, ganha mais quem tem mais dinheiro. Sempre. Ou quase. Tem sido assim em Portugal, tem sido assim na Europa.

Só a cegueira de adepto me permite ter a certeza que hoje, contra a Ditadura do Capitalismo, o pobre, de Vermelho, vai ganhar ao, Rico e Monárquico, equipado de azul.

Acreditem!

Evidências

Os ricos não pagam a crise.

Os super-ricos e o Titanic

Dos 400 homens super-ricos que viajavam em 1.ª classe [no Titanic, em 1912], 70% morreram afogados. Há registos, recordados num ensaio de F. Zakaria, que nos confirmam que J. J. Astor, a maior fortuna do mundo de então, acompanhou a sua mulher até ao bote salva-vidas, recusando-se a entrar enquanto existissem mulheres e crianças por salvar. O mesmo fez B. Guggenheim, que ofereceu o seu lugar no bote a uma mulher desconhecida. Se o Titanic naufragasse em 2013, estou seguro de que quase todos esses 400 super-ricos chegariam são e salvos, deixando para trás, se necessário, as suas próprias mulheres e crianças. A gente que manda hoje no mundo acredita apenas no sucesso egoísta, traduzido em ganhos monetários, pisando todas as regras e valores. Os aventureiros que conduziram a humanidade à atual encruzilhada dolorosa não passam de jogadores que transformaram o mundo num miserável reality show. Tirando o dinheiro, nada neles os distingue da gente vil, medíocre e intelectualmente indistinta que se arranha para participar nesses espetáculos insultuosos para com a condição humana. Quando andarmos pela rua, é preciso ter cuidado. É preciso olhar lá bem para baixo. No meio do pó e da lama, habita a vilanagem que manda no mundo. Cuidado para não tropeçarmos nalgum deles…

Viriato Soromenho-Marques via Joana Lopes.

Suspeita? que exagero…

FMI suspeita que ricos estão a fugir ao fisco.

Quase 39

Um mês! Apenas um mês da pensão deste tipo daria para pagar 38,7 anos da nova proposta de mínimo para o subsídio de desemprego.

Ó Ticas, vá à méda qrida

É por estas e por outras que gostaria de assistir ao extermínio dos pobres. Os ricos desapareceriam naturalmente: ao deixarem de ter a caridadezinha para se entreterem e exibirem aposto que se desvaneceriam no ar.

Ou como escreveu o Calimero que nos brindou com estas imagens:

 “Ajudar uma família ajudar os pobrezinhos, cantar-lhes fado e publicar as fotografias no Facebook.”

(e não me venham com a tanga de que aquelas pessoas precisam; eu sei que precisam, todos sabemos que precisam, mas quem exibe a sua “generosidade” desta forma também precisa de ter vergonha na cara)

via Paulo Guinote

Irresponsabilidade

Eu, que gosto muito de ler o chileno Luis Sepúlveda, não resisto a citá-lo:

Estamos a viver, em muitos países da Europa, uma pobreza que queríamos esquecer, superar. Estamos a chegar a níveis de pobreza do pós-guerra, e não houve nenhuma guerra. Houve, sim, uma enorme irresponsabilidade dos ricos e dos nossos representantes.

(Jornal de Negócios,2 março 2012)

Vai viver um ano com o salário mínimo e depois falamos: Alexandre Soares dos Santos

 “que se acabe com esta mania nacional dos salários dos ricos, dos quadros”, criticou Alexandre Soares dos Santos.

“Temos de ter políticas salariais onde as pessoas que trabalham sintam que o produto deste também vai para elas. Têm de haver políticas de remuneração”, salientou o gestor. in RTP

Alexandre Soares dos Santos, segundo a Forbes, foi o único dos milionários portugueses que o ano passado assistiu ao crescimento da sua fortuna pessoal. A minha sugestão ao cavalheiro para uma experiência de vida fora da zona de conforto, do colinho da empresa que herdou do papá, da papinha do estado que acaba de lhe oferecer uma legislação laboral à medida das grandes superfícies comerciais, refere-se ao nosso salário mínimo nacional, com o holandês não vale, ok?

fotografia Luiz Carvalho

Os ricos e leituras recomendadas para pobres

Esta coisa de os ricos terem percebido que a austeridade não lhes dá jeito nenhum e por isso desistiram de investir em Portugal (o mais importante ângulo do caso Pingo Doce/Holanda e por isso mesmo o mais ocultado) deu direito a mais uma enxurrada de púdicas defesas dos criadores de riqueza, generosos inventores de empregos, gente honrada e trabalhadora. Nuns casos falam assim por má-fé, noutros por ignorância.

A estes últimos recomendo mais uma vez a leitura de Os Donos de Portugal. Está lá tudo: na generalidade dos casos em Portugal as grandes fortunas fizeram-se à pala do estado, da capacidade de influenciar governos e outras trafulhices mais variadas. Percebe-se que na maioria é gente sem escrúpulos, para quem negociar com o Hitler ou Pinochet pode ser o ex-líbris da família Espírito Santo e o lado para onde melhor dormem.

Quanto à forma como a comunicação social tem lidado com este e outros casos sugiro a leitura de A subserviência dos jornalistas perante o poder económico, uma boa sistematização do Daniel Oliveira.

BPN: eles são ricos, eles não vão acabar presos

Você sabia que o caso BPN está a ser julgado desde 15 de dezembro de 2010? Você ouviu no telejornal que só Oliveira e Costa, juntamente com Dias Lourreiro um dos principais responsáveis pelo estado de Portugal, arrolou cerca de 600 testemunhas? Você sabe que ainda agora o juiz do processo pediu flexibidade aos advogados e sua carregadíssima agenda ou “o julgamento só vai acabar daqui a 10 anos“?

Não sabia? estranho. Será porque nem ao PSD, de quem o BPN foi o banco de recursos financeiros ilimitados, nem ao PS que nacionalizou os prejuízos deixando fugir o dinheiro, interessa ouvir falar neste processo? Vive num país livre onde há liberdade de expressão, não vive?. Ou vive num país de merda onde a comunicação social é propriedade e obedece aos ricos que nunca vão acabar presos?

O regresso de Diogo Leite Campos

Depois da publicação deste vídeo no Aventar o vice-presidente do PSD desapareceu das televisões (favor que generosamente fiz ao PSD, e não é para cobrar: sou um mãos largas).

Agora, depois do anúncio de um aumento de treta no IRS dos mais ricos leio nos blogues da direita herdeira dos garotos de Chicago que ganhar 5000 euros não é ser rico, blasfema-se e arma-se um 31 por causa do dito cujo.

Este aumentozito é mera manobra de marketing: taxar os ricos só seria eficaz taxando o património, coisa que não se faz com a desculpa de ser muito difícil (mas não impossível: até o Medina Carreira inventou um truque para o fazer, embora agora se mostre arrependido) e em ambos os casos com a ameaça da fuga de capitais (o que não é verdade: quase todos os nossos ricos sacam e sempre sacaram do estado, e não encontram outro estado à mão de semear onde governantes e empresas se misturem com a facilidade lusitana).

Volta Leite Campos, estás perdoado.

Os ricos que paguem a crise

A expressão que dá título a este pequeno texto está muito em voga nos dias de hoje, como sempre acontece em qualquer período de crise financeira.

Tal como a faca de dois gumes, ela dá jeito para cortar em qualquer sentido que seja útil, à  Esquerda e à Direita.

Ultimamente tem sido a Direita a capitalizar – algo que lhe é naturalmente intrínseco – com a dita expressão, colocando os ricos e suas fortunas numa espécie de limbo entre o paraíso do virtuoso capital e o inferno da ruína financeira.

Nesse limbo ser rico é bom enquanto não significar que pode pagar mais. Se significar, então passa-se de rico a trabalhador, como tão bem ilustrou Américo Amorim.

Não entendo que devem ser os ricos a pagar a crise, mas, outrossim, que sejam também eles a pagar a crise. Se tem de haver esforço de todos, que ele seja proporcional às capacidades de cada um.

Depois do PREC e da visita de Olof Palm a Portugal, parece-me que se continua mais preocupado em acabar com os ricos do que acabar com os pobres.

Tenho a convicção de que um dia que se elimine a pobreza, não teremos ricos para nos preocuparmos.

Ainda Diogo Leite de Campos, vice-presidente do PSD, e os ricos

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Este vídeo cá da casa tem tido algum sucesso: 78º mais comentado, na sua categoria, na semana passada (contas do Youtube).

Desses comentários destaco este, de resto o mais votado, assinado por d3kay:

Houve alguém que disse que bom era este gajo levar 10000 chapadas por mês. Mas se levarmos em conta que sobre estas 10000 chapadas incidem 42% isto significa que este gajo fica reduzido a 5800 chapadas. Será que se pode dizer que 5800 chapadas por mês, em casa, de roupa lavada, com comida, por instrução dos filhos, e isso tudo, é muito? Largar 5800 chapadas por mês, em qualquer país europeu é de classe média baixa, será que são estes os costumes portugueses? Isto… não chega sequer pró kim sung.

E já agora, quem quiser ver a reportagem completa da SIC de onde foi retirado este tesourinho, pode fazê-lo aqui. Ainda há mais momentos épicos, como uma lição de fuga aos impostos, na condição de advogado, que vos deixo: [Read more…]

Presidenciais: Os ricos e os pobres

Na campanha para as Presidenciais, ouvimos todos os dias os ricos a falar dos pobres. Mais: os ricos enchem a boca com a palavra pobres, mesmo que da pobreza nada conheçam.
Cavaco fala dos pobres. Está mal, mas, apesar de hipócrita, tem desculpa: não passa de um pobre de espírito.
Alegre fala dos pobres, enxugando as lágrimas no intervalo de uma caçada no Alentejo vasto (mil perdizes cairão a seus pés enquanto o poeta recita «Cão como Nós»), entre duas bandarilhas espetadas no dorso de um touro, no arroto final de um lauto jantar com fados e guitarradas e onde os funcionários de serviço – os únicos pobres que ali estão – serão olhados com superioridade. Manuel Alegre não é um pobre de espírito. Mas é um hipócrita.

Guerra!- uma carta para os meus descendentes

a realidade que os ricos,os senhores do mundo,organizam para nós, o povo pobre

Um dia, faz já muitos anos, o meu pai escreveu-me uma carta, que eu transcrevo:

Meu querido puto,

Andas a brincar na tua bicicleta de duas rodas, pelas ruas do bairro. Ris e pareces muito feliz e contente. Até largaste as fraldas, por pensares ser adulto ao manipulares a tua bicicleta. Corres e não só ris, como atacas. Atacas qual carga de cavalaria, perante um inimigo imaginário, esse que é desenhado pela tua ideia da guerra. Para ti, a guerra passa por ser uma brincadeira. E ainda bem. Porque, meu puto, seria bom que a guerra fosse uma brincadeira e não essa realidade espantosa, dura e terrível, que vês reflectida na cara dos teus pais. Uma cara de tristeza e de depressão. Palavras que nem entendes, como não deves entender a palavra guerra.

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Tens coragem de dizer que és de Esquerda?


Tens coragem de dizer que és de Esquerda?

Apoias este Governo e este Primeiro-Ministro, votaste nele.
É um Governo que negociou o Orçamento com a Direita e que vai negociar o PEC com a Direita.
É um Governo que não toca nas mais-valias em Bolsa, que continuam isentas de tributação.
É um Governo que não toca nos privilégios fiscais dos Bancos, que continuam a pagar 50% do IRC das outras empresas.
É um Governo que não cria um imposto para grandes fortunas.
É um Governo que não taxa os bens de luxo.
É um Governo que não mexe no sigilo bancário ou no sigilo fiscal.
É um Governo que só faz privatizações.
É um Governo que não mexe nos privilégios dos gestores públicos.

Mas é um Governo que vai diminuir o Rendimento Mínimo.
É um Governo que vai diminuir o Complemento Solidário para Idosos.
É um Governo que vai diminuir o Subsídio Social de Desemprego.
É um Governo que vai diminuir a Pensão de Viuvez.
É um Governo que vai diminuir o Complemento de Dependência (idosos).
É um Governo que vai diminuir o Subsídio para Pessoas Deficientes.

Continuas a ter coragem de dizer que és de Esquerda?

Distribuição da riqueza

Este é o problema número um em Portugal!

Uns, poucos, com tudo.

Outros, cada vez mais, sem nada.

 

O que me dizem os modernos gestores e economistas sobre esta questão?

O que sugerem para resolver esta questão?

Manifesto pelo fim da divisão na carreira III

Boas, se me permite car@ leitor@, vou insistir na minha tese de que não faz sentido haver qualquer divisão na carreira docente. E volto ao tema tendo como ponto de partida o texto do Luís (Trabalho igual, salário igual). Numa resposta a dois tempos:

 

 

Karl Marx

 

E o primeiro comentário vai no sentido de rebater um pré-conceito menos declarado, mas sempre muito presente, contra "O" sindicalista, como se os problemas do nosso país fossem estes e não outros. Sem qualquer tipo de Pré-conceito afirmo que a culpa dos problemas estruturais do nosso país está nas elites dirigentes e não nos trabalhadores. Temos patrões a mais e empresários a menos. Temos gatunos a mais e governantes a menos. Temos uma minoria dirigente interesseira, nada interessada nos interesses da maioria dirigida.

Há sindicalistas conservadores? Com visões do passado? Claro…

 

Mas, quando me dizem que hoje é preciso voltar a jornadas de trabalho de 60h / semana, quando me dizem que talvez seja preciso voltar a trabalhar mais do que oito horas por dia por causa da competitividade… quem é que é reaccionário e conservador?

Será moderno o incompetente Albino Almeida, o pai de todos os pais, vir dizer que quer as creches e escolas das 7h30 às 19h30?

E seria conservador, se por exemplo, exigisse dos empresários um maior apoio aos trabalhadores com filhos em idade escolar, para que estes podessem ajudar os filhos?

 

Nunca na história da humanidade houve tanto dinheiro disponível, nunca como hoje Portugal e os Portgueses foram capazes de gerar tanto dinheiro – porque é que alguns têm que ficar com "ele todo" e outros com nada?

 

Porque é que os lucros de uma empresa, pública ou privada não importa, são para os accionistas na sua totalidade? Porque é que o trabalho é visto como um custo de produção e não como parte essencial ao lucro? Porque é que as empresas não dividem por exemplo, parte dos seus lucros, numa proporção igual, entre accionistas e trabalhadores?

 

Já sei, isto é ser conservador e ter uma visão do passado. O que é moderno é ter gente a ganhar milhões quando temos portugueses a passar fome.

 

Repito – a questão central é mesmo a da distribuição da riqueza.

 

E com isto me perdi no que queria escrever, mas certamente vão ter a paciência de me acompanhar no próximo post…

 

A ladaínha do Orçamento

Já aí está. Vem sempre nesta altura, Outono do Orçamento Geral do Estado, como as ladaínas da minha terra voltam na Páscoa.

 

Os vencimentos de miséria não podem ser aumentados, as empresas não aguentam, são as PMEs que exportam apoiadas em baixos salários. A Função Pública nem pensar, arrastam tudo, qualquer aumento é a miséria e as falências. Todos os anos, ano após ano, sem vergonha.

 

Mas a ladaínha das remunerações milionárias tambem já anda por aí, é preciso segurar os cérebros, os tais que colocaram este país, novamente, na cauda dos países mais pobres da UE, e dos mais injustos! Que vão embora! Mas vão embora para onde? Alguem os quer?

 

A ladaínha é cantada em únissono, num país governado à vez por um partido que se diz socialista e outro que se diz social-democrata, que deveriam ser partidos com consciência social e reformista, virados para uma economia moderna assente na educação, na inovação e na investigação, mas que só fazem pontes e autoestradas. 

 

De braço dado com empresas monopolistas e/ou em cartel, este Estado que abafa o empreendorismo, que pesca à linha politica as empresas que apoia e facilita, já tem aí as "beatas" de serviço.

 

Taxar os ganhos de capital em 20%? Fogem, outra desgraça, numa prática fiscal que penaliza os pobres e a classe média, só pensar em taxar as fortunas arrepia esta gente. Fogem? Mas para onde? Para os países a sério, onde as políticas são nacionais e prosseguem a equidade fiscal?

 

As mesmas empresas que recebem ajudas milionárias do Estado, que fazem contratos de "contentores de Alcântara" por ajuste directo, por 30 anos, fogem?