A invenção da grande vaga de crimes

Todos já incorremos no disparate de confundir uma experiência pessoal com um dado sociológico alargado. É o “Isto só a mim!” ou o “Este país é uma vergonha!” decorrentes de termos sido vítimas de um carteirista.

Em conversa de café mais ou menos alcoolizada, podemos chegar a defender a pena de morte, a tortura ou a condenação a ver jogos do Futebol Clube do Porto da última época no caso de o criminoso ser portista. Depois, o processo civilizacional a que vamos sendo sujeitos faz efeito e passa-nos.

O populista que chega ao poder (executivo, legislativo ou outro) é um bêbedo numa tasca que tem solução preferencialmente violenta para tudo. Para isso, conta com a ajuda das redes sociais necessariamente desreguladas e com uma comunicação social reduzida tantas vezes a caixa de ressonância.

André Ventura e o seu agente Luís Montenegro alimentam-se de uma insegurança que apregoam, com a ajuda das manchetes que eles próprios geram: o  crime, a insegurança, as violações, os “nossos” valores, a imigração, a nacionalidade.

Note-se: é preciso que haja muita gente crédula e ignorante para engolir falsas percepções. Sim, sim, podemos dizer mal dos eleitores. Podemos, podemos.

A imagem é da primeira página do Diário de Notícias de hoje. A notícia é esta.

Comments

  1. Asnonimo says:

    Nada de novo. Aliás, a geração redes acha que tudo inventaram, quando não passa de recauchutagem com devido upgrade tecnológico.
    O Ministro Fernando Gomes foi apeado num esquema idêntico. Uma “onda ” de crime violento que de repente desapareceu

  2. POIS! says:

    Nos mercados, quotidianamente, já se fazem negócios, por exemplo, de: moeda de papel e moeda virtual; petróleo de papel e petróleo virtual; ouro de papel e ouro virtual; trigo de papel e trigo virtual; café de papel e café virtual; cobre de papel e cobre virtual.

    Não admira que agora também haja crime de papel e crime virtual. Entre os nossos maiores especialistas estão os Correiodamanha e Nau no de papel e a Irmandade do Venturoso Quarto Pastorinho, com destaque para as e-aparições da Virgem Matia’s, no virtual.

  3. Não sei, pá, andam para aqui turistas que se orgulham de atirar em 4 pessoas durante um suposto cessar-fogo, ai se a Chaga sabe.

    Como se os média em via de falência não fossem caixa de ressonância e idênticos oportunistas, e não raras vezes o contraditório só apareça mesmo nas redes sociais desreguladas, ao invés da caixinha de verdade única e inquestionável.

  4. Tuga says:

    As extremas direita espanhola e portuguesa, usam as redes sociais, para inventarem situações que lhe interessam depois explorar.
    Mas deveria ser a imprensa responsável a desmontar as mentiras .
    Sobre o mesmo assunto, o falso ataque que 3 emigrantes fizeram a um idoso, a France24 fez uma noticia completa em que demonstra que esse “ataque” tinha sido falso e plantado nas redes sociais pela extrema direita espanhola, enquanto a RTP sobre a origem do “ataque ao idoso” nada diz, aceitando esa informação como verdadeira.
    Percebe-se o interesse que o avençado do casino tem em colocar na RTP gente que lhe serve os interesses.
    Provavelmente a contar com a breve extinção do Laranja Canal do Dr Balsemão, que com perdas de 66 milhões de euros em 2024 não vai durar muito

  5. Tuga says:

    As extremas direita espanhola e portuguesa, usam as redes sociais, para inventarem situações que lhe interessam depois explorar.
    Mas deveria ser a imprensa responsável a desmontar as mentiras .
    Sobre o mesmo assunto, o falso ataque que 3 emigrantes fizeram a um idoso, a France24 fez uma noticia completa em que demonstra que esse “ataque” tinha sido falso e plantado nas redes sociais pela extrema direita espanhola, enquanto a RTP sobre a origem do “ataque ao idoso” nada diz, aceitando esa informação como verdadeira.
    Percebe-se o interesse que o avençado do casino tem em colocar na RTP gente que lhe serve os interesses.
    Provavelmente a contar com a breve extinção do Laranja Canal do Dr Balsemão, que com perdas de 66 milhões de euros em 2024 não vai durar muito

    • “Los tres implicados en la paliza al vecino ya están detenidos. Son de origen magrebí.” sic El Mundo online. A “imprensa responsável” já faz o que pode (por exemplo, o que aconteceu o mês passado, na Irlanda do Norte, não foi praticamente noticiado), mais seria voltarmos ao tempo do Ramiro Valadão.

    • Anonimo says:

      Que falso ataque?

  6. Fiquei a saber, pelo “fascista” Nuno Gonçalo Poças que não fui o único que foi assaltado (com sucesso variável) mais de uma dúzia de vezes, entre os 15 e os 25 anos (primeiro a caminho da Escola de Sacavém e depois no Jardim do Campo Grande e no Parque Eduardo VII), e nunca fui à esquadra, porque, como toda a gente sabia e sabe, nestes casos, isso não serve para nada e só dá chatices. Tal como ele, estatisticamente, tive uma santa juventude. Os jornalistas gostam de inventar realidades, e, para isso, a estatística é perfeita, mas as pessoas vivem na realidade e é isso que explica o Chega. Infelizmente (para quem acha que nada de bom virá do Ventura) é da natureza do burros insistirem no que não funciona: neste caso, na técnica de, por meio de dados que toda a gente sabe que não correspondem à realidade, nos demonstrar que o cachimbo que estamos a ver não é um cachimbo. O Ventura sorri.

    • Anonimo says:

      Isso de ser assaltado uma duzia de vezes é percepção, não realidade. Os números oficiais dizem que nunca foi assaltado.

    • Uma média é uma média, uma anedota é uma anedota. Devia era estar a estudar, preguiçoso, e se fosse mulheres estava a pedír pior – é assim, não é?
      Pois sorri, e sorri muita gente até chegarem as contas e as dívidas, enquanto os financiadores vão se rir para umas ilhas privadas e passeiam ao espaço.

  7. Whale project says:

    E o que e que andavas a fazer numa zona desde sempre conhecida como ponto de engate de meninos, eras cicerone da Catherine Deneuve?
    Haverá sempre gente que não quer fazer queixa na esquadra mas de certeza, sua real besta, a percentagem não é maior do que era quando estatisticamente havia mais crime.
    Alias, até me atrevo a dizer que hoje há mais queixas. Qual é a mulher que na década de oitenta ou noventa, vítima de violação ou violência doméstica se queixava? Conheceste alguma sua besta?
    Quero que gente como tu e o Ventura vão para o diabo que vos carregue.
    Arranja motivos para nos enterrar em nova ditadura fascista, arranja os que queiras mas deixa te de aldrabices.
    Bons engates meu bandalho.

    • JgMenos says:

      O Trump pôs-te irritadiço, tótó?
      O império russo não vai chegar a tempo de te resgatar da insignificância?

      • Deixe estar o Trump, está precisar de distrair não ter revelado a lista de pedófilos que o incluía, que um ex-primeiro ministro da colónia do médio oriente insiste, sem ninguém lhe perguntar, que nada tem a ver com aquilo.
        Ninguém salva a província eurolândia que desistiu de ter futuro, mas também não são mais uns mísseis disparados pelo império que vão fazer o projecto nazi ter homens ou munições para se defender.

  8. Do zurrar deste “projecto de baleia” (percebo que prefira não assinar “burro gordo”), registo o direito dos “progressistas” a chamarem paneleiros aos outros sem serem homofóbicos (e “escurinhos” sem serem racistas, e “fascistas” a toda a gente que os contrarie).

  9. JgMenos says:

    Isto só pode ser fascismo!
    Pois assaltantes, carteiristas e sacadores, bem como muitas outras minorias culturais começam a ser discriminadas e objecto de discursos de ódio?

    • Com tanto facilitismo, benesses e defensores, é estranho como há tanta falta de candidato a funcionário público, investigação, subsídios, e, agora, carteiristas. Discurso de ódio agora é só para capitalistas, ministros que recebem pela empresa “familiar”, e criminosos de guerra.

    • Tuga says:

      Estimado Salazarento menor

      Escreveste a palavra fascismo. Tu és a pessoa indicada para falar desse tema, a avaliar a tua completa formação na escola da PIDE em Sete Rios.

  10. POIS! says:

    Pois é! Só pode ser!

    Tem Vosselência toda a razão em sentir-se discriminado! Um sacador de alto coturno, como é o distinto caso de Vosselência deveria até ser condecorado, quanto mais vítima de discurso de ódio!

    E quer este país ser competitivo! Perseguem-se sacadores da categoria de um Menos, enquanto Mosks, Trampas, Zukavergas e outros continuam a sacar a malta à vontade!

    Não é justo!

    PS. Tente mudar para assaltante, pode ser que a perseguição não seja tão forte. É certo que terá mais trabalho noturno e em dias feriados, mas pode compensar.

    Carteirista é que pode não ser boa ideia. Cada vez há Menos massa nas carteiras. Há notícias recentes que um dos maiores carteiristas romenos, Ionotas Papacarteiru, tentou o suicídio após apenas dois dias de estágio no elétrico 15.

    • POIS! says:

      Obviamente é uma resposta a JgMenos, ao comentário/lamento das 18.44.

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