Chega ilegalizar o Chega?

Há quem defenda que o Chega é um partido ilegal ou que é necessário ignorá-lo para não se correr o risco de lhe dar visibilidade.

Em primeiro lugar, a expressão “partido ilegal” é um paradoxo, num Estado de Direito. O Chega existe e tem um deputado na Assembleia da República. Isso chega para estar dentro da legalidade.

Mas não temos o direito a apresentar queixa, se acreditarmos que existem indícios de inconstitucionalidades no programa, nas acções ou nas declarações do Chega? Com certeza que sim, mas reduzir o combate político a isso é superficial e, portanto, perigoso, até porque não basta estar convencido de ilegalidades, é preciso prová-las. O que fazer enquanto isso não acontece ou se nunca chegar a acontecer? Relembre-se, por exemplo, que o Partido Nacional Renovador (actual Ergue-te) existe e concorre a eleições.

Mais vale acreditar que o Chega é legal, como foram e são legais partidos tenebrosos, alguns, com responsabilidades governativas, muitos, responsáveis por coisas inomináveis.

Mas o Chega não é perigoso? É muitíssimo perigoso, inimigo do Estado de Direito, praticante de um falso cristianismo elitista que despreza as classes baixas (a cruzada contra os apoios sociais é só um dos sintomas). A Quarta República do Chega é o futuro regresso ao passado. Por muito que o seu programa seja legal, as suas intenções e as suas declarações (ainda que comicamente contraditórias, como demonstra Ricardo Araújo Pereira) devem ser combatidas. [Read more…]

Chega, o filho bastardo do estado a que isto chegou

 

Disse Pedro Norton:

Quando os partidos tradicionais do nosso sistema político começarem a tratar o Chega mais como consequência do que como causa, ter-se-á iniciado a travagem do seu crescimento.

E isto fez-me pensar. Efectivamente, o Chega não é O problema (apesar de ser um problema), ou pelo menos não é a origem dele. O Chega, tal como outros epifenómenos idênticos, é uma consequência directa do estado a que isto chegou. Do Estado em permanente estado de desconfiança, que se funda na percepção, cada vez mais alargada, e não muito desfasada da realidade, da existência de uma enorme rede de corrupção instalada nos vários patamares da governação e da administração pública, que se cruza com a banca, algumas das principais sociedades de advogados portugueses, várias empresas e empresários e, claro, toda uma corja de políticos servis, que manobram a coisa pública a toque de caixa de quem lhe poderá, um dia, dar acesso à tal porta rotativa. De Lisboa até à mais recôndita freguesia deste país. [Read more…]

As falsas equivalências de um PSD em avançado estado de venturização

Foto: João Miguel Rodrigues@Jornal de Negócios

Há quem esteja a tentar minar a discussão pública sobre aquilo que se está a passar nos Açores, recorrendo a falsas equivalências para desviar os holofotes do cerne da questão, que é o acordo entre a maior força política portuguesa e um partido de extrema-direita, herdeiro do salazarismo, com uma ala neonazi e ligações às principais forças neofascistas europeias.
É disto que estamos a falar, não de outra coisa. Da legitimação da extrema-direita por forças democráticas. Da extrema-direita das castrações químicas, das remoções compulsivas de ovários, das fake news, das assinaturas falsas aquando da formação do partido, do albergue de antigos militantes de organizações neo-nazis, dos negacionistas da ciência e das alterações climáticas, dos teóricos da conspiração, da fábula anti-elites, financiada pelas elites, e das infindáveis contradições e mortais à retaguarda daquele cujo nome não deve ser mencionado, mais a verborreia virtual e as tiradas xenófobas e racistas. É isto que está em causa. É este o cerne da questão. Foi a isto que o PSD de Rui Rio se rendeu.

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Assédio moral será abjecto ou desagradável?

Tribunal Constitucional confirma assédio moral a empregada de corticeira

 

Aguarda-se, a qualquer momento, que João Miguel Tavares (JMT) escolha o adjectivo apropriado. Será que o assédio moral a que foi sujeita Cristina Tavares poderá ser qualificado como “abjecto”? Será vil ou aborrecido? Talvez amargo, talvez desprezível. Há a possibilidade de ser asqueroso, mas JMT poderá escolher enfadonho. O patrão de Cristina Tavares, autor do assédio moral, merecerá ser considerado antipático ou infame? No máximo, será displicente, nunca ríspido.

Repelente, nojento ou horrendo? Que exagero! Isso serve apenas para a quantidade pornográfica de horas que os funcionários públicos trabalham. E pornográfico vem, aliás, a propósito: porque são os funcionários públicos que, de horário imoral em riste, andam a fornicar os trabalhadores do sector privado, jamais os autores de assédio moral.

Os patrões que cometem assédio moral, coitados, são como os violadores que, no fundo, são vítimas da própria violação: explorar empregados é uma coisa que lhes acontece – iam a passar por ali e, de repente, estavam a explorar pessoas. Os empregados, aliás, estavam mesmo a pedi-las, porque não há nada que peça mais um assédio moral do que a condição proletária. «Iam agora ser proletários e não íamos explorá-los? Até parecia mal!», declarou, à nossa reportagem, um patrão mais afável, como diria JMT.

Felizmente, segundo JMT, temos o Chega, de onde nos chegam propostas jocosas, porque os seus militantes são pessoas chistosas, trocistas, divertidas, sempre prontas a brincar com ovários e testículos, mas seriamente preocupadas com coisas importantes, úteis, necessárias, essenciais, como retirar dinheiro aos mais pobres, porque só há uma coisa mais abjecta do que um indigente, um miserável, um pedinte, um necessitado: essa coisa é o número de horas semanais de trabalho de um funcionário público.

A Hidra

Imagem: PÚBLICO

 

O mal não acontece por acaso.

A Hidra começou com Passos Coelho a promover Ventura ao palco nacional, em 2017, através de um candidatura autárquica. Nos Açores ensaia-se um Governo Regional. E agora já se admite alargamento ao plano nacional.

A situação do Chega e PSD nos Açores é um dos momentos em que há ruptura. Alguns tentam comparar esta gerinçonça de direita com a geringonça do PS/PCP/BE. Mas são situações completamente distintas. O PSD tem toda a legitimidade para conseguir uma maioria no parlamento, mesmo que não tenha ganho a eleição. Já aliar-se a um partido de extrema-direita, defensor de ignomínias sem igual no PCP ou BE, faz toda a diferença.

Não faltará muito para se falar de Chega de PSD.

Sá Carneiro deve estar orgulhoso

Foto: João Miguel Rodrigues@Jornal de Negócios

Foi Rui Rio quem, no início do ano, assumiu abertura para dialogar com a extrema-direita, caso esta se moderasse, impossibilidade que decorre da sua natureza extremista. Rui Rio sabia com quem lidava, ou pelo menos tinha a obrigação de saber, porque não anda nisto há dois dias, como o próprio não se cansa de dizer. Tal não o impediu, contudo, de se comprometer e de fragilizar a sua posição, bem como a do partido que lidera.

Aliás, se recuarmos até Setembro de 2018, verificamos que a narrativa que está na base da criação do Chega aponta precisamente para a necessidade de fazer cair a direcção de Rui Rio. Na altura, e ainda na condição de militante do PSD, André Ventura cria o Chega como um movimento que visava reunir assinaturas suficientes para convocar um congresso extraordinário do PSD, com o qual pretendia derrubar a direcção Rio. [Read more…]

Ninguém pode negar coerência a André Ventura

O amish de Famalicão marcha para Lisboa

Há um amish em Famalicão que, enquanto encarregado de educação, tomou uma decisão radical: não deixar os seus educandos frequentar uma disciplina OBRIGATÓRIA do ensino básico.
Acho muito bem. Tão bem que decidi seguir-lhe o exemplo. Há uns dias, apanhei uma multa por circular a 130 km/hora na auto-estrada. Não vou pagar a multa. Porque acho que 130 km/hora numa auto-estrada é perfeitamente razoável. E tal como no caso do amish de Famalicão, sou eu que faço a lei e cumpro-a se quiser.
Inicialmente, não percebi o que o incomodava na disciplina de Educação para a Cidadania: É a igualdade de género? É a interculturalidade? É a sexualidade? É a participação democrática? É o bem-estar animal e o ambiente?
Acabei por perceber quando li sobre o assunto. Afinal, este católico radical, membro da Associação Portugueses das Famílias Numerosas, já em 2009 andava a lutar contra a educação sexual nas escolas; pouco depois, andou a recolher asinaturas contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo; tem como advogado João Pacheco de Amorim, do Partido Pró-Vida (hoje integrado no Chega), cabeça de lista do Chega nas Legislativas e irmão de Diogo Pacheco de Amorim, ideólogo desse mesmo Chega; esteve recentemente a manifestar-se na Assembleia da República contra um eventual referendo à morte medicamente assistida; faz parte da Plataforma Resistência Nacional (o nome diz tudo). [Read more…]

André Ventura combate o elitismo e o sistema na Quinta do Lago

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O último comício do Chega, o partido que afirma combater as elites e o sistema, realizou-se neste cenário nada elitista e absolutamente anti-sistema do Medusis Club, na popularucha Quinta do Lago. Um cenário exótico e sofisticado que tresanda a povo. O tal que André Ventura quer a pagar os impostos dos clientes habituais do club da Quinta.

O meu corrupto é melhor que o teu…

Steve Bannon é uma referência para André Ventura. E corrupto sabe-se agora, facto que o líder do Chega já se apressou a desvalorizar. Pablo Iglesias, também é visado num alegado esquema de corrupção. Não ouvimos uma palavra sobre o assunto às manas Mortagua nem à Dª Catarina, líder da agremiação política irmã do Podemos…

Racismo estrutural

Combater o racismo ou qualquer forma de discriminação negativa é obrigatório. Discutir com reaccionários ruidosos se o racismo é estrutural é perder tempo.

O Chega e a glorificação da criminalidade violenta

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Esta manchete é de 2018

Se Portugal fosse um país racista, segregacionista, as manifestações de homenagem a Bruno Candé corriam sérios riscos de serem abalroadas por contramanifestações de neofascistas e neonazis violentos. Felizmente, ainda não chegamos a esse ponto. O racismo existe, está impregnado no nosso tecido social, das mais variadas formas, mas os portugueses, é minha convicção, não são um povo estruturalmente racista.

Isso não significa que o racismo seja um fenómeno residual. Não é. E, a esse respeito, vivemos tempos perigosos, aqui e em todo o mundo democrático. Tempos de ressurgimento de forças que promovem o racismo e a xenofobia, não raras vezes com violência à mistura, e que dão voz à boa velha ilusão conspirativa da invasão árabe, que destruirá a tal democracia europeia que também eles querem destruir, e a submeterá a sharia qualquer. Tão útil que ela é, para contornar os princípios mais elementares que presidem às democracias liberais, e ir por aí fora, a atropelar direitos humanos e liberdades fundamentais, Tiananmen style. E dizem eles que não gostam dos chineses. Tomara eles, poder “governar” como os camaradas do PC Chinês (suspiro). [Read more…]

Democratas não negoceiam com fascistas. Combatem-nos

Portugal não é um país racista, mas o Ultramar pariu uns quantos trogloditas que anteciparam Abu Grahib umas três ou quatro décadas. Num Estado decente teriam sido presos. Mas o Estado Novo não era um Estado decente. Era um gangue de criminosos e fanáticos religiosos, corruptos e crueis, que posava com cabeças de negros empaladas e fazia porta-moedas com as suas orelhas. E é também por isso que a história não pode ser branqueada e que o ódio racial deve ser combatido, sem contemplações. E quem se põe a jeito de fazer cedências ao Chega, o único partido a ter dirigentes que saíram em defesa do homicida de Bruno Candé, está a fazer uma escolha política e civilizacional. Uma escolha sem retorno.

Um sapo para o Chega

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Eis o sapo que os adeptos do Chega se preparam para engolir, após terem lido a reportagem da Visão e descoberto que o seu herói anti-sistema e anti-elite se reúne com o sistema no nada elitista Hotel Palácio, no Estoril, de onde regressa cheio de dinheiro e apoios de banqueiros e empresários do sistema, alguns deles com passado ligado a instituições tão nobres como o BES.

Chega de quê?

Taxas e as taxinhas à direita

No hemiciclo, PSD, CDS e IL opuseram-se (o Chega optou pela abstenção, o que na prática vai dar ao mesmo) às propostas que determinaram o fim das comissões praticadas por alguns bancos nas transacções através da aplicação MB Way, para operações de baixo valor. E qual é a lição a reter deste episódio? Simples: que a direita portuguesa só é contra taxas e taxinhas quando as mesmas são colectadas pelo Estado, para garantir as suas funções essenciais. Se for para engrossar os lucros da banca, estarão, como sempre estão, do lado dos banqueiros. Uma luta comum de conservadores, ultraconservadores, liberais e extrema-direita. O cheiro até pode ser diferente, mas os donos daquilo tudo, com uma excepção ou outra, costumam ser os mesmos.

Fundamentalismo religioso e extrema-direita: a mesma luta

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O fundamentalismo religioso não é, nunca foi e dificilmente virá a ser um exclusivo dos muçulmanos. Basta, aliás, um olhar atento sobre o que se passa em países como o Brasil, onde seitas evangélicas cristãs manipulam milhões de fiéis com curandeirismos e fraudes como a teologia da prosperidade, e que do dízimo de milhões de pobres e remediados produzem uns quantos pastores milionários, que ascendem aos céus de helicóptero.

A publicação em cima, da autoria de Manuel Matias, assessor do Chega, é, toda ela, uma ode ao fundamentalismo religioso. Tão óbvia, tão desprovida de racionalidade, ética ou moral, que qualquer explicação sobre a mesma se torna redundante. E não causa surpresa, ou não fosse o evangelismo radical um dos pilares que sustenta a ascensão do partido de extrema-direita, quer pela via do financiamento, quer pelo arrebanhamento das mentes frágeis que se submetem ao jihadismo evangélico. [Read more…]

Inês de Sousa Real ARRASA André Ventura

Com muita elevação, Inês de Sousa Real reduziu André Ventura à sua insignificância. E tocou no ponto central da inutilidade do Chega: não apresenta propostas, não traz nada de novo, não tem nada para oferecer. Só discursos fáceis e populistas, desenhados para alimentar a máquina demagógica e fundamentalista do partido unipessoal deste político sem escrúpulos, que deixou a espinha dorsal na universidade e está disponível para vender a alma ao diabo que pagar mais. O Chega é inútil, excepto no que a agenda pessoal de André Ventura diz respeito. Um mero meio para atingir um fim.

André Ventura e o Chega são inimigos do Estado laico

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Um dos pilares de qualquer democracia consolidada é a laicidade do Estado. Foi uma conquista arrancada a ferros, depois de séculos de domínio do Vaticano sobre reis e imperadores, feito das mais variadas formas de opressão, cruzadas e “hereges” a arder em fogueiras. Em Portugal, as ligações estreitas entre o Estado Novo e o topo da hierarquia de Igreja Católica são conhecidas, sombrias e a total negação dos ensinamentos de Jesus Cristo. E sim, ainda existem por aí uns quantos abades com sangue inocente debaixo das unhas. E não, não foi assim há tanto tempo.

Não é preciso ir muito longe para perceber o quão nociva é a captura de Estados por instituições religiosas. Basta olhar para o Médio Oriente para perceber isso mesmo. Ou até para o papel dos fundamentalistas evangélicos em governos como o de Bolsonaro, onde a pastora evangélica e ministra Damares Alves exigiu recentemente a prisão imediata de todos os juízes do Supremo, por estes não se vergarem as exigências do presidente. A separação de poderes, tal como a laicidade, é, para os fanáticos religiosos, um alvo a abater. [Read more…]

André Ventura ARRASA André Ventura

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Com este tweet, André Ventura admitiu duas coisas. Que foi feita uma investigação profunda aos seus segredos político-partidários, admitindo a sua existência, e que está ligado a manobras pouco respeitáveis, por oposição às do irmão de Marcelo Rebelo de Sousa. O método Trump tem esta desvantagem: perante factos que o colocam em xeque, a reacção imediata e intempestiva, para consumo instantâneo nas redes, corre quase sempre mal. Só que Ventura não é Trump, e nós não somos tão assim tão ignorantes. [Read more…]

Precário para canhão

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Dificilmente seria possível encontrar uma imagem que melhor ilustrasse a ignorância que alimenta André Ventura, o Chega e o neofascismo em geral. Um estafeta de uma Uber Eats desta vida, precário e explorado, faz publicidade gratuita a um partido que advoga o aprofundamento da precarização e a desregulamentação do mercado de trabalho, sem falar nas borlas fiscais que defende para milionários. Se não é ignorância, é masoquismo. Ou, como li por aí algures, mais um “cão de guarda” da elite, que ladra para a proteger mas continua a comer restos e a dormir na rua. É triste. E é também por isso que combater a extrema-direita e a sua narrativa, todos os dias, é cada vez mais um imperativo moral.

André Ventura assume a sua desonestidade em directo

Se for eleito deputado vou dar o exemplo comigo próprio, mantendo a exclusividade no parlamento. Mesmo perdendo dinheiro! Sim, eu vou estar em exclusividade e vou assumir unicamente o meu lugar na Assembleia da República. Tenho de dar o exemplo. Não pode ser só falar.

O vídeo, gravado poucos dias antes de ser eleito deputado, fala por si. Cinco meses depois, André Ventura continua a ser comentador da CMTV e não existe registo que tenha abdicado da sua posição de consultor na empresa Finpartner. Os embustes de André Ventura sucedem-se, e só se deixa enganar quem quer. Porque só um palerma não percebe a fraude que a sua narrativa populista e demagógica é.

André Ventura e a arte de gozar com a cara do eleitorado do Chega

Podem os chegófilos negar a realidade e encher a caixa de comentários de idiotices fanáticas, como é seu hábito, mas a verdade é que este é apenas mais um dos inúmeros exercícios de desonestidade de André Ventura, o contorcionista político. Em campanha, defende apaixonadamente a obrigatoriedade do exercício do mandato de deputado em regime de exclusividade, afirmando mesmo que nunca acumularia funções, porque tinha que dar o exemplo. Uma vez eleito, manteve intocável a sua relação com o grupo Cofina, bem como as suas funções de consultoria na empresa Finpartner. Para quem se assume como alguém que vem para mudar a política, para a dignificar e para acabar com a “mama”, André Ventura não passa de um embuste. Só um ignorante, ou alguém totalmente alheado da realidade não percebe isto. Um embuste, leia-se, que não se cansa de gozar com a cara do seu eleitorado, o que diz muito sobre o mesmo.

Vergonha, disse Ventura

São Ventura, que desceu à Terra para nos salvar do políticamente correcto, do marxismo cultural, da ideologia de género e do resto das fábulas do papão comunista, que o tio-avô salazarista nos contou em pequeninos para comermos a sopa toda, continua o seu percurso exemplar de dignificação da democracia. Ontem faltou a votações no âmbito da aprovação do OE20 na especialidade, incluindo votações de propostas do próprio Chega, do qual André Ventura é o único representante. Agora é que isto vai para a frente.

Nazis no Chega?

o polígrafo diz que sim.

Esclareça-nos, Dr. Rui Rio

ainda acha “um bocadinho exagerado classificar o Chega de fascista ou extrema-direita“?

Esta saiu mal a André Ventura…

Joacine Katar Moreira avançou com uma iniciativa que me parece descabida de razoabilidade, mas sendo uma proposta política, merece naturalmente a meu ver reprovação política. André Ventura na busca de protagonismo avançou com uma resposta parva e xenófoba, ao afirmar que a deputada eleita pelo Livre deveria ser deportada para a sua terra. Aguardo próximos deslizes do deputado eleito pelo Chega para perceber se além de xenófobo, também é racista. Não tenho qualquer dúvida que a sua tentativa de graçola saiu totalmente ao lado, acabando por funcionar como idiota útil para Joacine, que além de vítima neste episódio, ganhou força na disputa que o partido mantém com ela, tornando mais difícil que lhe seja retirada a confiança política.

Do país de origem aos testículos ou contributos para uma retórica reaccionária

Nem todos podemos ser pessoas civilizadas: uns não receberam educação em pequeninos, outros fundaram o Chega. Sendo pouca a esperança de que estes pobres desgraçados cheguem à civilização (nada que, ao longo da história, os tenha impedido de chegar ao governo), é nosso dever, cristãmente, deixar alguns contributos para que possam exercer ainda mais cabalmente a sua incivilidade, para que possam continuar a sonhar com o direito a acabarem com os direitos dos outros.

Joacine Katar Moreira defendeu que Portugal deveria devolver património às ex-colónias. André Ventura, por discordar, propôs que, em vez disso, Joacine fosse “devolvida ao país de origem”. É natural que André Ventura, sendo orgulhosamente reaccionário, não se aperceba verdadeiramente da desproporção entre o teor da proposta de Joacine e o conteúdo da sua crítica. Uma qualquer desconfiança ainda o levou a dizer que referência à deportação era ironia.

É claro que, para um reaccionário, país e origem são conceitos muito simples e, no caso em apreço, nem sequer é importante saber que Joacine é cidadã portuguesa ou que as nossas origens são tão incertas que nos arriscamos a ter antepassados africanos, nórdicos, asiáticos ou outros, numa provável mistura que faria vomitar um reaccionário, se perdesse algum tempo a pensar no assunto, deus nos livre e guarde e salazar nos proteja, sempre vigilante. [Read more…]

Espaço político não socialista…

Optei esperar pelo congresso do CDS/PP para escrever este post, sobre o espaço político não socialista. Se preferirem, espaço político à direita do PS, pessoalmente não me revejo na dicotomia esquerda/direita, fruto da revolução francesa, já lá vão mais de 2 séculos.
Após as últimas legislativas, que resultaram na vitória e reforço político do PS, liderado por António Costa, o panorama político português alterou-se de forma substancial. Se é para ficar ou foi mera conjuntura, veremos o que nos reservam eleições futuras. Para já o que temos é um governo liderado pelo PS, com maior ou menor grau de influência dos partidos à sua esquerda, sem alternativa política de governo. [Read more…]

Escândalo: 2,5 milhões em Ajustes Diretos à Global Media nos últimos três anos

Nesta o Ventura não vai pegar.

Pedro Passos Coelho, o Dr. Frankenstein de André Ventura

Quando se questionarem sobre quem foi o Dr. Frankenstein de André Ventura, façam um pequeno exercício mental e recuem até à campanha para as Autárquicas de 2017.

Vão ver os elogios que Passos Coelho e respectivos generais lhe fizeram. Os mesmos generais que agora se posicionam para depor Rui Rio e tomar o PSD de assalto.

Vão ler o contorcionismo daqueles que agora o renegam, quando há dois anos o defendiam com unhas e dentes e lhe elogiavam a coragem de ser xenófobo. [Read more…]