Isto não é Portugal

Imagina seres um emigrante português em Genebra, na Suíça.
Nem precisas de ser um daqueles imigrantes que fugiu à ditadura. Imagina que foste um dos que emigrou para lá durante a crise financeira da década passada.
Mas não és assim tão diferente dos emigrantes dos anos 60 e 70.
Também tu foste para lá com uma mão à frente e outra atrás, fazer o trabalho que os suíços já não queriam fazer. E continuam a não querer. Na agricultura, na construção, a limpar hotéis ou a descarregar contentores. Sempre de forma honesta e empenhada.
Apesar de trabalhares no duro, de pagares os teus impostos e de teres uma postura irrepreensível, levaste com propaganda da extrema-direita suíça, que te retrata como uma ovelha negra e quer que “voltes para a tua terra”.
(Soa-te familiar?)

Seguiste, de cabeça erguida, porque sabes quem és, mas não és imune ao ódio gratuito. Ser comparado a uma ovelha negra, com a tua conduta à prova de bala, é duro e injusto. Sem o teu trabalho, e o trabalho dos mais de 2 milhões de imigrantes que lá vivem, a Suíça pára.
Agora imagina que um dia destes vais na rua, e dás de cara com um outdoor gigante que diz “Isto não é Portugal”.
Tu, que nunca desrespeitaste os usos e costumes suíços, cometeste o pecado de manter vivos os teus, quando tomas um café e comes um pastel de nata no Chez Martins, ou jantas com os teus amigos n’O Viriato, ou vais ao Migros comprar atum Bom Petisco e azeite Oliveira da Serra, ou te reúnes com outros portugueses numa das dezenas de associações destinadas a promover a cultura, a música, o desporto ou as tradições que levamos para aquele país.
Que mal fizeste tu àquelas pessoas?
Tu, que foste para lá fazer os trabalhos que eles não queriam?
Não fizeste nada.
Poderá haver meia-dúzia de maçãs podres entre os mais de 250 mil portugueses a viver na Suíça (mais do que o dobro de todos os imigrantes do subcontinente indiano a viver em Portugal, num país com uma população inferior à nossa), mas a maioria foi para lá levar uma vida digna.
E tu, como a maioria, não fizeste nada de mal.
Pelo contrário.
Mas eles, os extremistas com pele de cristão, precisam de um inimigo comum.
Vem nos livros.
Precisam de um inimigo comum para canalizar o ódio que os alimenta.
E enquanto se distraem os tolos com inimigos e bolos, eles sobem a escada do poder, levados ao colo pelo dinheiro do sistema que dizem combater. E enquanto nos perdemos nesta e noutras guerras culturais, não discutimos o real problema que nos trouxe até aqui.
A desigualdade.
O açambarcamento das nações pela mesma elite que paga os outdoors que nos mantém entretidos, aqui e na Suíça. A mesma elite que almoça com os neosalazaristas, em quintas de luxo e nos grandes salões dos derrotados do 25 de Abril.
Felizmente, e por enquanto, eles não são Portugal.
São saudosistas da quadrilha que assaltou este país durante 48 anos, condenando a maioria ao silêncio, à miséria e a diferentes formas de brutalidade.
E, se não nos pusermos finos, passarão.

Comments

  1. francis says:

    Eles são todos trabalhadores bem integrados e maravilhosos, como se pode ver pelo que se passa na França, Belgica, UK, Dinamarca, Suécia, Alemanha, Irlanda, Espanha………tudo malta bem integrada que não provoca problemas sociais e até já vêm com padrões de comportamento social muito superiores aos europeus. Tanto que há manifestações diarias de europeus a implorar que deixem entrar mais benditos imigrantes. Eu diria que cabe cá toda a população pobre da Asia, Africa e America do Sul

    • lamecus says:

      Mais um gringo chegano

      • francis says:

        vai chamar gringo chega á que te pariu. E sim, voto Chega, ou queres que vote nestas associações de bandidos que nos desgovernam e roubam há 50 anos ? Guarda lá a tua sabedoria politica para ti e opina sobre o post e não sobre a opinião dos outros ó lambe cús

        • POIS! says:

          Pois palavras para quê?

          Educado desde que deu os primeiros passos nos nossos melhores salões, onde privou com a elite e a nata da nata da nossa melhor sociedade, eis que “francis” se revela em todo o seu sapiente esplendor.

          Desde muito cedo devoto fervoroso do Quarto Pastorinho e da Virgem Matias, a ponto de o demonstrar através do uso ostensivo e permanente de uma azinheira na lapela, nunca tentou ocultar a sua paixão pelo Venturoso, a ponto de ter pendurado no quarto um poster gigante do recente momento do mesmo, de cócoras, aos papéis na Assembleia da República.

          A suave ironia, a lúcida argúcia, a perspicaz perspicácia, o fino trato, o respeito pelos opósitos, tudo conflui nesse maravilhoso ser que dá pelo “petit nom” de “francis”.

          Que o Quarto Pastorinho o proteja de todo o mal que venha do estrangeiro e o ilumine no caminho traçado pela Virgem Matias.

          Ámen!

          • Amen!

          • Lamecus says:

            Pois é

            As vezes não são precisas muitas palavras para os “tirar das tábuas”.
            Esses não são os mais perigosos, dizem logo ao que veem.

        • lamecus says:

          E oleeeee….
          Ha uns que basta um trapo vermelho, outros nem isso é preciso…..

          Nojento nazi

        • Ora bem, se é para roubar, que nem as malas escapem!

        • Tuga says:

          Francis

          Porque berras tanto ?

    • POIS! says:

      Ora pois…

      “Padrões de comportamento social europeu” é matéria que temos em abundância.

      Falta-nos é população, mão-de-obra e descontos para a Segurança Social.

      Que chatice!

  2. balio says:

    Excelente post. (A parte final era dispensável.)

  3. JgMenos says:

    Tadinhos… lá por vestirem diferente, falarem diferente, rezarem diferente, viverem diferente… dizem-nos diferentes!
    Tal injustiça só pode ser dos que diziam Portugal do Minho a Timor, esses fascistas, racistas, xenófobos e o mais que que a cambada de cretinos sempre diz.

    …e quais as condições de acesso à nacionalidade suiça?

    • balio says:

      quais as condições de acesso à nacionalidade suiça?

      Dependem de cantão para cantão. Um nacional suíço é um nacional de um dos cantões. Não existe nacionalidade suíça independente da nacionalidade dos cantões.

    • POIS! says:

      Pois claro, Portugal do Minho a Timor! Que saudosas saudades!

      Lembro-me bem, era eu pequeno, de ter visto um batuque monumental nas festas de Santa Luzia, ao mesmo tempo que passavam um filme do rancho Folclórico de Díli a dançar magistralmente a chula, com tamancos e tudo!

      E que sublime era ouvir um balanta a cantar o “Fado Bissaulário”, ao mesmo tempo que dragões de papel serpenteavam em Quelimane ao som da “Morna de Cascais”, ao mesmo tempo que se devoravam “tripas à moda de Cabinda” acompanhadas de tinto da Região Demarcada de Damão!

      Eram outros tempos…

    • Todas as gerações dizem o mesmo dos jovens, e sobrevivemos, numa pequena província europeia onde os costumes dos nativos não são propriamente unificados.
      Mas, sim, o lusotropicalismo seria radicalismo para os fasços da loja de euro.

    • Tuga says:

      Estimado Salazarento menor

      “dos que diziam Portugal do Minho a Timor”

      Que saudades dessas frases que se ouviam na maravilhosa escola da PIDE em Sete Rios, não era ?

      A bem da Nação

  4. Whale project says:

    Portugal do Minho a Timor com as populações autóctones a ser tratadas três graus abaixo de cão, muitos tão mal tratados como os escravos das plantações da América e Brasil.
    Ate os brancos que lá viviam eram considerados brancos de segunda classe.
    De resto estou me nas tintas para se a malta do Bangladesh que vem para cá fazer o que os tugas não querem e arriscar ser morta por um grunho que lhe assalta a loja ou rouba a bicicleta de trabalho veste isto ou aquilo, ou se reza de cu em popa, não se encharca em álcool e não come porco.
    E estou me nas tintas para se na Europa que nos acusa de gastar em vinho também se revolta contra os de pele escura que vao para lá fazer o que eles não querem. Se eles são racistas contra outros europeus como não serão contra os da malta de Ásia, África e por aí fora.
    Já agora, isto não e o Bangladesh mas na semana passada parecia. Inundações a sério. Parecia as monções.
    Já pensaram, já que se dizem tão cristãos, que podia ter sido castigo divino?
    Tenham cuidado, amigos cheganos.
    E vao ver se o mar da tubarão branco cheio de larica.

    • balio says:

      estou me nas tintas para se a malta do Bangladesh que vem para cá fazer o que os tugas não querem veste isto ou aquilo, ou se reza de cu em popa, não se encharca em álcool e não come porco.
      E estou me nas tintas para se na Europa que nos acusa de gastar em vinho também se revolta contra os de pele escura que vao para lá fazer o que eles não querem. Se eles são racistas contra outros europeus como não serão contra os da malta de Ásia, África e por aí fora.

      Excelentes frases. Estou 100% de acordo.

  5. Figueiredo says:

    Vou colocar de parte os emigrantes Portugueses que emigraram para outros Países ao longo do Século XIX e do Século XX (até 1974), porque uma parte deles realmente iam com uma mão à frente e outra atrás, praticamente sem nada.

    No que toca aos Portugueses que começaram a emigrar a partir de 1975, lamento dizer-lhe dr. João Mendes, mas você está a mentir, essas pessoas não são coitadinhos nem emigram com uma mão à frente e outra atrás, seja o dr., o eng., o trolha, ou qualquer outra profissão, por isso não os tentem associar ou comparar.

    Esses Portugueses que começaram a emigrar a partir de 1975 assim como aqueles que emigraram durante a «…crise financeira da década passada…», fazem-no porque têm a cunha de familiares, amigos, ou de uma seita política/religiosa, que os orienta e lhes dá todas as condições, trabalho, e casa, dão-lhes a papinha toda feita, vão para os outros Países fazer os mesmos trabalhos que se fazem em Portugal a única diferença é que ganham o dobro ou o triplo, vivem à grande e à francesa nos Países onde trabalham, e ainda aproveitam para passar umas férias.

    • Tuga says:

      Correto e afirmativo Sr Figueiredo
      os pontos nos iiiiii, quando oportuno

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