Leitão Amaro, a Anita dos tempos modernos

Está para breve a colecção Leitão Amaro, concorrente da dos livros da Anita, que aprendia a nadar, que tomava conta de crianças, que ia à escola.

Aproveito para anunciar que já é possível publicar, pelo menos, quatro livros.

Poderíamos começar por Leitão Amaro proíbe a Legionella. Nesta aventura, o jovem suíno integra um grupo de super-heróis que consegue o milagre de proibir a acção de uma bactéria. A expressão Medicina Legal passa, assim, a designar um conceito completamente diferente e não será de estranhar que possamos assistir à condenação e prisão de doenças, que poderão sair em liberdade condicional desde que não infectem ninguém. Os investigadores de laboratório serão substituídos por investigadores da Polícia Judiciária e por juízes de instrução. Leitão irá mesmo lançar a campanha justiceira “Vamos tratar da saúde às doenças!”

Um outro volume terá como título Leitão Amaro e os maquinistas bêbedos, em que poderemos assistir ao lindíssimo espectáculo de um cerdo juvenil a divertir-se enquanto espalha lama sobre uma classe profissional inteira, algo que merecia uma visita furtiva de David Atenborough.

A greve de ontem permitirá a publicação da aventura Leitão Amaro aprende as percentagens. Podemos assistir a cruzamento espectacular: um pequeno reco adquire olhos de falcão e consegue, com uma margem de erro reduzidíssima, só ao alcance de quem vê de longe, afirmar que a greve geral teve uma adesão que irá dos 0 aos 10%. Note-se, aliás, que Leitão sabe disso antes de haver uma contabilização oficial, mas a presciência porcina vê mais longe. Poderá haver quem queira contrariá-lo, lembrando os milhares de pessoas que estiveram nas manifestações: Leitão diria que são grevistas profissionais – ora um grevista profissional, quando faz greve, está a trabalhar.

Finalmente, e para já, será ainda publicado Leitão Amaro arregaça as mangas. A capa do livro está encontrada: é a fotografia que o próprio Tó publicou no seu Facebook. Num preto-e-branco sensual, podemos ver o jovem a arregaçar as mangas, o que, como se sabe, em português de lei, significa que irá trabalhar. Como é evidente, embora valha a pena notar, as mangas que arregaça são as da camisa, que é assim que se trabalha, em mangas de camisa. Na edição cartonada, poderemos confirmar que, a seguir, tirou a gravata, descalçou-se e deitou mãos à obra, confirmando que faz parte dos zero por cento que fizeram greve.

Comments

  1. Figueiredo says:

    O Sr.º Ministro da Presidência, António Amaro, que jamais numa situação normal teria os empregos que teve e as habilitações que possui, nem tão pouco ocuparia o cargo que actualmente desempenha, afirmou recentemente «…O povo está sereno…», vejam bem, um medíocre e parolo/chulético/classe-baixa, mais um do lumpenproletariado, a dizer o «…povo…», quando ele nem a esse patamar consegue chegar.

    A parolada e mediocridade do bando do dr. Pedro Coelho.

  2. Ainda há pouco tempo, a culpa da destruição das condições laborais, do esvaziamento do estado, e de vender ao desbarato, era de uma tal de bancarrota que trouxe uma tal de Troika que os obrigou a assinar o que não queriam. Vê-se.

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