O porco e a lama

Uma das maneiras mais claras de ser desonesto consiste em fazer generalizações. Uma pessoa quer dar a sua opinião sobre um assunto, franze um sobrolho experiente e descarrega a sua generalização: os pretos, as mulheres, os ciganos, os homens, os professores, os médicos, os adolescentes, as enfermeiras, as crianças, os jovens de hoje em dia. Dessa descarga nascem injustiças, racismos vários e xenofobias laborais (porque há muita gente com certezas absolutas sobre profissões que nunca exerceu).

Macário Correia afirma que a maioria dos desempregados no Algarve não quer trabalhar. Por uma razão muito simples: Macário Correia conhece todos os desempregados algarvios, o que lhe permite chegar à conclusão de que a maioria não quer trabalhar.

Se Macário Correia não conhecesse todos os desempregados do Algarve, estaria a ser um porco que, ao refocilar na televisão, espalharia lama sobre milhares de algarvios, o que seria inaceitável. Macário Correia não quereria decerto estar ao nível de um católico como Pedro Mota Soares ou de um holandês que reduz tudo a gajas e vinho ou de um alegado jornalista.

De qualquer modo, quero que fique claro: os porcos não são todos iguais.

O Libório na cidade dos 3 P’s

Como dizia um parvalhão qualquer numa rádio de Braga, a corrida do porco Libório foi a recuperação de uma tradição medieval. E todos sabemos como eram suaves as tradições medievais…
Ao Libório, o porco, empurraram-no, puxaram-lhe o rabo e as orelhas e arrastaram-no durante 500 metros aos pontapés.
São corajosas, as pessoas que vivem na cidade dos 3 P´s. Enfrentam o porco!
E se esses P’s todos que lá vivem fossem brincar com o caralhinho? Sabemos que gostam, todos eles sem excepção. Era boa ideia, porque porcos já eles são.

Subir na cadeia alimentar

a integridade física de um porco pode valer mais de 4.000€. Isto é, quatro vezes mais do que a de um arrumador e duas vezes mais do que a de uma mulher.

A ler, as contas do Rui Rocha.