Quem te mandou aceitar o Nobel da Paz, Maria Corina Machado?

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Existe uma diferença entre ordenar um golpe de Estado para instalar um fantoche, como os EUA fizerem várias, sobretudo ao longo da segunda metade do século XX, e o que se passou na noite de Sexta para Sábado, que foi uma operação rápida e tremendamente eficaz de sequestro do presidente venezuelano, seguido do anúncio de Trump de que os EUA irão governar a Venezuela e gerir os seus recursos. Uma espécie de colonização-relâmpago.

Maria Corina Machado, que todos esperávamos ver receber o poder das mãos de Trump, e que muito inteligentemente garantiu que mudaria a embaixada venezuelana em Israel para Jerusalém, algo que acrescenta zero à vida dos venezuelanos, mas que demonstra claramente que Corina Machado sabe onde reside o poder real e que está na disposição de se submeter, foi, ainda assim, prontamente descartada por Trump:

“Não tem o apoio nem o respeito do país.”

Não sei se Corina Machado tem ou não o apoio e o respeito do país, ou se ter ficado com o Nobel que Trump julgava seu por direito divino terá sido factor de exclusão, mas a verdade é que nem Corina Machado, que nos foi vendida como líder heroica da oposição a Maduro, nem Edmundo González, que terá vencido as eleições de 2024, são opções válidas para o regime trumpista. Realpolitik check.

Isto vem reforçar ainda mais o óbvio: que Trump não está minimamente interessado em promover uma mudança de regime, mesmo que isso signifique algo tão fácil de vender como entregar o poder a quem já jurou fidelidade. Corina Machado e González são dois peões e são tratados como tal. Oferecidos em sacrifício por um propósito maior: o triunfo do Kremlin americano.

A vantagem de ser Trump, e não um Bush ou um LBJ, é que Trump já nem tenta disfarçar. Ele acha que o petróleo venezuelano é dele e vai lá buscá-lo. Pela democracia já se percebeu que não foi. Se fosse pelo narcotráfico, ia buscar Cláudia Sheinbaum à Cidade do México. É mesmo pelo petróleo. E pelos imensos recursos naturais que o país tem. No fundo, é mais do mesmo, mas desta vez sem a habitual encenação sobre democracia e direitos humanos.

Comments

  1. Ora bem, é o mesmo de sempre, mas mais transparente, como quando o neocon Lindsey Graham afirmou que estão na Ucrânia para fazer um grande negócio militar.

    • Ou quando a “Diretora Sénior para a Europa no Conselho de Segurança Nacional dos EUA e política de liderança sobre a região para o presidente Joe Biden” foi apanhada a dizer que não forçar a Ucrânia na NATO tinha evitado a farsa toda. São o que são, e os palhaços que nos lideram são os vassalos que temos.

  2. JgMenos says:

    A cambada que andou oitenta anos a propagandear o desarmamento e a promover a assistência social, agora que o corrupto poder imperial de leste é reproduzido no semi-hemisfério americano, vêm condenar quem não tem meios de se impor.
    À Europa só resta constituir-se como potência económica e militar e para isso a doutrina dos coitadinhos tem que levar rumo armamentista.
    Serviço militar obrigatório, ainda que limitado em tempo e modo, seria o sinal adequado e, óbviamente, respeitando a igualdade de género, cambada!

    • Tem, diz que não e vira-se para a energia Russa e indústria Chinesa com a maciça base de consumidores educados e empresas modernas desesperadas, que isto de ocupar quem resiste custa muito dinheiro e muitas vidas de quem não está para isso – e por isso nunca tomará a Venezuela. Mas esta gente não andou nas universidades americanas e a preparar a carreira no conselho atlântico, mckinsey e outras que tais para apoiar a soberania.

      • JgMenos says:

        Aguarda-se tradução a todo o momento…

        • Eu explico-te em termos que percebes: a pilinha da Rússia e da China é mais pequena, e mandaram o império dar uma volta. O México tem que levar com a ameaça de bullying todos os dias e não cedeu quase coisa nenhuma. O Iémen tem meio país colonizado e mesmo assim convenceu-os que não valia o custo.
          A eurolândia diz que sim porque ser assim dá muito dinheiro à ellite submissa.

        • Ou ainda de outra maneira, nem é preciso esperar que a América desligue as armas, antes sequer de planear uma reunião, já ameaçaram toda a família através do software e hardware do qual lhes oferecemos o monopólio.

    • POIS! says:

      Ora pois!

      Segue-se uma tradução livre do significado oculto do comentário de JgMenos por Manel Legionário Soviético, conhecido Jgmenólogo:

      “Deram cabo de tudo! A NATO era uma coisa tão bonita, tão perfeitinha, e agora vêm uns Trampas e…

      Não é justo! Levamos nós salazarescos direitrolhas tantos anos a apontar o dedo aos que diziam “Fim à NATO!”, para tudo acabar assim!

      Resta-nos que a Europa se torne uma potência, já que os direitrolhas europeus são gente muito santa, muito ponderada, não há cá Trampeiros de Filhos da Putin, é tudo uma beleza tão linda que até os canhões reluzem de outra maneira!

      Nessa altura, vamos ao Kremlin buscar o gajo e julga-mo-lo em Bruxelas segundo o Código Penal do Burkina Faso por conspiração para pesca ilegal e prática de desportos de combate não federados!

      Mas, ai dos europeiros que nos enganem mais uma vez! Nem sei o que nos passará pela cabeça! A guilhotina terá de voltar a funcionar!

      A culpa disto tudo é da esquerdaria! Malvados!”

  3. balio says:

    María Corina está em posição de fora-de-jogo. Ela bem tenta desculpar-se perante o árbitro, mas a falta está assinalada. De nada lhe vale tentar pôr-se em jogo outra vez.
    Coitadinha dela, e de quem a apoia.

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