Já não se fazem palestinianos como antigamente

Longe vão os tempos em que tudo o que era americano era para abater. Ontem, Donald Trump conseguiu a proeza de ter uma tarja de boas-vindas à entrada da Cisjordânia, a referir-se ao troglodita como um homem de paz. Está tudo doido.

Foto: Mandel Ngan/AFP

Francisco não merecia

Parece uma família a caminho de um funeral, que leva consigo um pateta alegre, e sem querer acaba no Vaticano. Na verdade é uma família de trafulhas, Nepotismo é o seu nome do meio, e representam grande parte daquilo que este Papa vem combatendo. Francisco é boa pessoa e não merecia isto. A cara dele diz tudo.

Quando os papéis se invertem

via Uma Página Numa Rede Social

Para acabar o dia, e a propósito da troca de presentes entre o Papa Francisco e Trump.
Durante séculos, a Igreja foi considerada um dos maiores entraves à evolução da Ciência. Há mesmo quem diga que o estado actual da ciência poderia estar cerca de cem anos mais avançado, se não tivesse existido a repressão que a Igreja Católica aplicou, na Idade Média, sobre cientistas cujas descobertas contestavam os dogmas teológicos.
Pois bem, avançamos até ao presente e estamos no século XXI. Hoje, vimos a Igreja a posicionar-se ao lado da ciência, quando o Papa Francisco entregou a Trump uma carta de consciencialização para as alterações climáticas resultantes da poluição humana.
Reparem bem no insólito: o líder de um dos países mais avançados do planeta Terra, uma pessoa que deveria ter a capacidade intelectual para compreender a importância deste tema e que tem ao seu dispor recursos científicos quase infinitos, este homem teve de ser chamado à razão por um líder religioso, precisamente, num tema de natureza exclusivamente científica.
Hoje, um sacerdote indicou a um governante que a nossa existência neste planeta está em risco, não por intervenção divina, mas por irresponsabilidade grosseira e ignorância humana.
Dá que pensar, não dá?

Imagem via Osservatore Romano/Handout/Reuters@Exame.com

Say ‘cheese!’

© Evan Vucci / AFP – Getty Images

O eixo do mal

Não confundir com o (excelente) Eixo do Mal da SIC Notícias. Este é literalmente um eixo do mal. Até uma espécie de bola de cristal os gajos têm. Aposto que a seguir foram dar umas chicotadas juntos, para celebrar a assinatura de mais um contrato de armamento, desta feita no valor de 110 mil milhões de dólares. Os carniceiros não são todos iguais e alguns a malta vai tolerando. Pelo menos enquanto houver petróleo, e estes têm que se fartam.

America first, Saudi Arabia second. It’s gonna be huuuuuge.

Façam as vossas apostas!

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Trump vai ou fica?
As chances são 50-50!

Uma verdade inconveniente

Um homem dá por si a actualizar-se sobre o que se passa no mundo, e descobre que Ivanka Trump, a filha do presidente norte-americano cujos produtos foram ilegalmente promovidos pela alucinada conselheira Conway, com o selo e a bandeira dos Estados Unidos como pano de fundo, foi escolhida pelo pai para liderar um painel de especialistas que irá rever a posição dos EUA nos vários acordos aos quais está vinculado, nomeadamente o Acordo de Paris, no âmbito do combate às alterações climáticas.

Escusado será dizer que a filha do troglodita tem literalmente zero experiência na área que vai agora liderar. Claro que, depois da nomeação de um negacionista das alterações climáticas com ligações à indústria petrolífera para a pasta da Energia, entre outras que me fazem por vezes duvidar se tudo isto é real ou uma spin-off do House of Cards, já pouco me surpreende. O fundamentalismo neoliberal está preparado para arruinar definitivamente o ambiente, quiçá na expectativa de no futuro facturar milhões com oxigénio e derivados. [Read more…]

Breaking news

Donald Trump passou um dia inteiro a dizer coisas parvas e sem sentido. Again.

Medo

 

Não é só a comparação que assusta. É ver o porta-voz do governo mais poderoso do mundo agir como um pirómano amador, engasgado na sua própria ignorância, perante o olhar incrédulo dos jornalistas e do mundo. É perceber que nos governam tipos como Donald Trump, coadjuvados por personagens como a senhora dos factos alternativos, e que a paz podre que reina na quase totalidade do mundo poderá em breve ser substituída por sabe-se lá o quê. É o mundo que é hoje um lugar mais perigoso, e a procissão não passou sequer o adro da igreja. São muros no México, porta-aviões na Coreia do Norte, misseis na Síria, que o gajo confunde com o Iraque, e o planeta em suspenso enquanto o lunático se entretém a fazer disto o seu próprio reality show, com os botões nucleares mesmo ali à mão. E somos nós que parecemos pouco preocupados com tudo isto. E isto não está para brincadeiras.

video via Uma Página Numa Rede Social

The Donald Trump show

via Uma Página Numa Rede Social

Zangam-se as comadres (o pior é que têm armas nucleares)

Quando a amizade entre dois facínoras se quebra sabemos que o pior dos cenários passa a ser possível. Desde a eleição de Donald Trump, a grande amizade com Putin era a vertente mais perigosa do delirante programa de Trump. O potencial de ocorrer um diferendo entre os dois era imenso, a começar pela delicada questão do levantamento das sanções à Rússia. O primeiro diferendo ocorreu mais celeremente que previsto. A Rússia já condenou o ataque dos EUA à base síria do regime de Assad. Quem está ao corrente do percurso de Putin conhece a sua irredutibilidade. A vingança ao ataque de Trump virá mais cedo ou mais tarde, mais patética ou mais violenta a vingança ocorrerá. Por exemplo, não surpreenderia que o video do chichi em que Trump se diverte com prostitutas em Moscovo fosse divulgado nos próximos dias.

Tudo isto não seria muito grave se esta dupla de irresponsáveis não tivesse armas nucleares à sua disposição…

De Dave Granlund.
http://www.davegranlund.com

O Tempo das hienas

Há uns anos, apareceu na Europa um movimento – chamemos-lhe assim – com o nome de Zeitgeist, uma palavra da língua alemã que pode ser traduzida por Espírito do Tempo. O principal instrumento de comunicação deste movimento foi um documentário, um filme, com o mesmo nome, produzido por Peter Joseph, que abordava, na mesma linha argumentativa, temas como a História do Cristianismo, os ataques de 11 de Setembro, a Federal Reserve, a Guerra e aquilo que ficou conhecido por NWO, a sigla inglesa da Nova Ordem Mundial.

O filme teve um impacto muito significativo em certos meios internacionais e ajudou, de algum modo, a estabelecer e promover uma leitura da História que não era comum encontrar-se nos ambientes ortodoxos do mainstream que, normalmente, veiculam uma narrativa histórica estabelecida de acordo com padrões ideológicos pré-definidos, que servem de cimento psico-político e psico-social à mais poderosa estrutura de poder instalada no mundo, que é, de facto, uma Religião que dá pelo nome de Protestantismo, e cujo Deus, o seu instrumento mágico, espiritual e operativo fundamental, é o Dinheiro.

A verdade é que, sob a aparência de uma sociedade laica, totalmente dessacralizada, com Instituições “profanas” depositárias do Poder terreno e corporizadas num Estado que se afirma separado das Igrejas e dos cultos confessionais, aquilo a que realmente assistimos é uma exímia e poderosíssima expansão global do poder Protestante, que soube, como nenhuma outra religião, adoptar as transfigurações simbólicas e mitológicas adequadas no sentido de conferir aparência secular e profana a estruturas que, na verdade, assentam em rituais, símbolos e arquétipos religiosos, alguns dos quais mágicos, cuja origem se estabeleceu in illo tempore.

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Mike Pence a fazer figura de Trump

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A exactidão e o estendal

Como outros passeiam os cães de companhia, ela traz à rua o seu estendal.

— Carla Romualdo

Nun, was >Tatsache< hier meint, ist nicht die Tatsãchlichkeit der fremden Tatsachen, mit denen man fertig werden muß, indem man sie sich erklãren lernt.

Hans-Georg Gadamer

J’ai passionnément désiré être aimé d’une femme mélancolique, maigre et actrice.

— Stendhal, 30/3/1806

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Eis como alguém na RTP decidiu traduzir para português europeu o remate do «We’re just not going to sit back and let, you know, false narratives, false stories, inaccurate facts get out there» de Sean Spicer.

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Agora, aproveitando este intervalo dado quer à frase nuclear, na perspectiva de Grevisse e de Goosse, quer aos sintagmas nominais do Antoine de La Sale, regresso ao Krugman (que percebe imenso de factos) e ao meu espanto por ver o Searle (um velho conhecido do Aventar) mencionado por aquelas bandas.

Continuação de um óptimo fim-de-semana.

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Ein Volk, ein Reich, ein Führer!

Republican presidential candidate, businessman Donald Trump speaks during the Fox Business Network Republican presidential debate at the North Charleston Coliseum, Thursday, Jan. 14, 2016, in North Charleston, S.C. (AP Photo/Chuck Burton)

E o impensável expectável aconteceu: na conferência de imprensa de ontem na Casa Branca, alguns órgãos de comunicação social, entre eles a CNN, a BBC ou o The New York Times, foram impedidos de assistir ao briefing diário do porta-voz da Casa Branca. Claro Sean Spicer não ficou a falar para o boneco, e a imprensa amiga, como a Fox ou o site de extrema-direita Breitbart News (ia linkar o site mas não consegui, é nojento demais), onde fez carreira Steve Bannon, o Goebbels do admirável regime novo de Donald Trump, foram devidamente autorizados a assistir à dose diária de factos alternativos produzidos pelo Ministério da Verdade norte-americano. [Read more…]

Hiroshima

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Hoje é como que dia 6 de Agosto de 1945.

O ícone gay da extrema-direita

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Estão a ver aquele velho mito, tão comum entre os anticomunistas primários e as franjas mais parolas e retrógadas do conservadorismo, segundo os quais tudo o que é homossexual (e já agora pedófilo) é de esquerda? É mesmo estúpido, não é? Mas não faz mal. De hoje em diante, sempre que algum idiota vos brindar com tamanha imbecilidade, apresentem-lhes Milo Yiannopoulos, a nova coqueluche gay da extrema-direita norte-americana e mundial.

Ui! Pára tudo: um homossexual que é um ícone da extrema-direita norte-americana? Mas a extrema-direita norte-americana não costumava combater esses hereges? Que é feito dos supremacistas brancos e das seitas apocalípticas que perseguiam estes desvios esquerdalhos-caviar? O mundo enlouqueceu de vez. Agora até um azeiteiro com ar de quem se entupiu de pastilhas num concerto de Scooter serve de referência para a extrema-direita. Os tipos do PNR que descubram. [Read more…]

Ainda a Suécia

E depois temos o John Oliver

E era isto.

Inventar?

Ficou claro que a partir de hoje, para Donald Trump, inventar acontecimentos, tornou-se uma questão de sobrevivência.

Nepotismo americano

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Podia ser uma grande produção hollywoodesca mas não é. Está mesmo a acontecer. O discurso incendiário, o muro, a confrontação, o insano do Bannon, a sucessão de tweets, o Putin, o fecho selectivo de fronteiras, o inimigo árabe, com o devido regime excepcional para a Arábia Saudita, o Brexit, a Le Pen. De um momento para o outro, o mundo está virado de pernas para o ar. Em Bucareste há quem tente liberalizar a corrupção. Em Moscovo legaliza-se a violência doméstica. Vale tudo. Até arrancar olhos.

Na nova América de Trump, há algo de José Eduardo dos Santos no ar. O genro de Donald, Jared Kushner de seu nome, é um tipo que pelos vistos faz bons negócios e casou com a filha do homem mais poderoso do mundo, era ele ainda apenas um dos homens mais poderosos do mundo. Agora é conselheiro da administração norte-americana. Só pode ter sido por mérito. [Read more…]

That`s why Donald is a Trap

A eleição de Donald Trump é, até pela extensão do significado que tem além fronteiras dos EUA, matéria para todos os receios.

Todavia, convém não esquecer que Trump foi eleito e pelo mesmo sistema eleitoral que antes elegera Obama e, antes deste, Bush Jr., e antes deste, Bill Clinton, etc.

Continuo convencido que a eleição de Trump também se deveu, e muito, a uma  má escolha chamada Hillary Clinton. Fosse o adversário Bernie Sanders, e estou em crer que Trump não estaria na Casa Branca.

Mas foi como foi, e deu no que deu. E Trump o que está a fazer é nada mais do que tentar cumprir o que prometeu. E espero que continue a tentar (mas sem conseguir). Pela simples razão que quanto mais tentar cumprir o que prometeu, mais norte-americanos perceberão o erro que foi elegê-lo. E nestes incluo empresários e banqueiros, que não querem arriscar o fim do multilateralismo comercial e financeiro de que depende fortemente a economia norte-americana e o próprio dólar. Para não falar do mal-estar das relações entre os EUA e seus aliados e parceiros económicos, como é o caso do México e da Austrália, que só prejudica os negócios. Bem como com um dos seus maiores credores internacionais: a China. [Read more…]

Perguntar não ofende

A disrupção cognitiva do CEO da América:

Quando Trump diz a verdade

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É caso para se lhe tirar o chapéu. Em entrevista à Fox News, e após ter afirmado que respeitava Vladimir Putin, Donald Trump foi confrontado por Bill O’Reilly com o facto do presidente russo ser um assassino. A resposta do presidente dos EUA, que gerou forte indignação, inclusive no seio do Partido Republicano, não podia ser mais honesta. Sim, honesta:

Há muitos assassinos por aí, nós também temos muitos assassinos. Acha que o nosso país é assim tão inocente?

É verdade, Trump. O vosso país não é inocente. O vosso país anda há décadas a patrocinar golpes de Estado, do Irão ao Chile, a invadir estados soberanos no Médio Oriente, a treinar e a equipar terroristas, a bombardear hospitais e escolas, a apoiar o terrorismo de Estado de Israel e a alimentar guerras um pouco por toda a parte. A comparação com a Rússia não poderia ser mais certeira e já era tempo de alguém o admitir.

A primeira derrota de Trump

A CNN avança que o juiz Federal James Robart (estado de Washington) deferiu o pedido de dois procuradores estaduais para suspender (temporariamente) a ordem do presidente relativa à entrada de muçulmanos e refugiados no país. A ordem judicial produz efeitos federais.

Vigiar e punir

 

“O meu verdadeiro adversário é o mundo da Finança!”
François Hollande, 22 de Janeiro de 2012

Hollande viria a ser eleito Presidente da República francesa a 6 de Maio de 2012, trazendo à França, e aos povos da Europa do sul em geral, uma renovada esperança na capacidade da social-democracia, e da esquerda em particular, para fazer frente às políticas de austeridade, ultra-liberais e de predação política, económica, financeira e cultural impostas pelo directório liderado pela Alemanha e pelos famigerados e invisíveis “mercados”.

François Hollande conquistou a confiança de milhões de franceses com um discurso de esperança e uma atitude que parecia ser determinada, fazendo uma campanha eleitoral baseada no património ideológico da esquerda democrática, evocando a justiça social como principal bandeira do seu projecto político e procurando afirmar-se como um líder europeu capaz de fazer frente à vertigem egocêntrica de Angela Merkel e Wolfgang Schäuble. Sobre os ombros de Hollande e do PS francês foi colocado o peso da responsabilidade – e da esperança – não só de corrigir o rumo da França, governada há dezassete anos consecutivos por conservadores – o último socialista foi Miterrand -, mas de ajudar a reabilitar o projecto europeu, procurando recuperar princípios de solidariedade e convergência entre Estados membros, assim como os valores tradicionalmente tidos como fundadores de uma Europa unida e com um desígnio civilizacional comum. Nada disso, contudo, aconteceu.

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Make America great again, ou o dia em que Trump levou com uma cerveja em cheio na cara

Uma salva de palmas para a equipa de marketing da cerveja Corona!

 

 

Donald Trump anuncia a sua escolha para o Supremo

Aqui, em directo, na página de facebook da CNN. O tal que supostamente julgará Hillary Clinton num sumário pouco ortodoxo. Meanwhile, Hillary is probably pressing “delete”.

Cerca de grandes muros quem te sonhas*

Demorou dois mil anos a construir e todas as suas pedras estão assinadas.
Acabou de ser feita no século XV e diz-se (embora a NASA negue) que é a única construção humana que se vê da Lua.

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*Fernando Pessoa

Texto editado às 20.29 de 31/1/17. A NASA nega que a Muralha se veja da Lua.

Convite

Finalmente, e após alguma hesitação – por, eventualmente, não acreditarem que tudo isto fosse possível – os dirigentes e quadros superiores de Silicon Valley – e alguns dos mais importantes são refugiados ou filhos de refugiados, como o era próprio Steve Jobs – perderam a cabeça com Trump, resolvendo enfrentar o energúmeno. Espero que tenham sucesso. Mas em caso de vos faltar a paciência, caros nerds, podem vir aqui para Coimbra, onde temos o Canas Valley e uns petiscos que vos vão agarrar cá à terra que nem carrapatos. E se já sois criativos alimentados a fast-food e coca-cola, com uma boa chanfana, um leitão à Bairrada e uma lampreia feita a preceito, com um pastelinho de Tentúgal de sobremesa – e tudo isto acompanhado de umas boas pingas da Bairrada – a vossa imaginação e criatividade levantará voo para alturas inimagináveis. [Read more…]

O anti-Trump

Justin Trudeau; Kathleen Wynne

A norte do reino de Donald Trump, uma nação próspera é administrada por um governo multicultural. As cartas que a saudosa Fernanda nos escrevia ilustravam bem essa realidade. Nessa nação, liderada por um liberal pouco dado à selvajaria daqueles que usam a designação para justificar o totalitarismo dos mercados e a exploração contemporânea, existe espaço para todos, independentemente da sua cor ou religião, o que nos permite, em certa medida, perceber o avançado estado civilizacional em que se encontra o Canadá. [Read more…]

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