Vai demorar muito, América?

and lock that thug up!

A democracia ganhou, mas não se livrou do trumpismo

Quando penso naquilo que me move, politicamente falando, a resposta é tão simples quanto a genial Sophia a colocou: movem-me os dias iniciais inteiros e limpos. Dias que fazem renascer a esperança na construção de um mundo e de um futuro um bocadinho melhor. Dias como estes. Dias em que abrimos a janela e sentimos aquela brisa boa da democracia a bater-nos nas trombas, entretanto transformadas em caras felizes, aliviadas pelo ponto final que os Estados Unidos da América decidiram colocaram na era sombria do neofascismo trumpista. Já temos problemas que cheguem no Ocidente, não precisamos de mais quatro anos desse idoso trafulha, com idade mental insuficiente para frequentar um jardim de infância.
A queda de Donald Trump é um balão de oxigénio para o mundo democrático, e isso explica, a meu ver, a forma como, por todo o mundo, mulheres e homens de esquerda e de direita, liberais e conservadores, festejaram a eleição de um candidato de centro-direita, que a narrativa mais fundamentalista acusava de ser um socialista, termo que, nos EUA, ainda significa, para milhões de pessoas, União Soviética (uma espécie de Venezuela, versão old school). Houve mesmo quem afirmasse que Biden tinha um programa comunista, só para termos a noção do patamar de absurdo em que nos situamos. A risota que não terá sido em Wall Street.

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Actos de Trump ultrapassaram fatos do Acordo Ortográfico de 1990

Forcing the factors to be orthogonal often allows extraction of factors that represent only a small number of variables, with each variable loading highly onto one factor or a small number of factors (Abdi & Williams, 2010).
— Ainsworth et al. (2019)

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Efectivamente, neste preciso momento, “this claim about election fraud is disputed” tem mais ocorrências do que “o candidato declara serem verdadeiros os fatos constantes da candidatura“.

No entanto, até 3 de Novembro de 2020, de facto, ainda não era assim (cf. pdf, p. 7).

Continuação de uma óptima semana.

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Fascismo Cultural

A democracia não é nem pode ser neutra. A democracia tem valores e princípios sobre a qual foi construída, e deve defendê-los com todos os recursos à sua disposição. Não poderia ser de outra maneira.

A sua natureza plural, contudo, encerra um perigo, que é o de permitir que os seus inimigos, aqueles que a querem destruir, possam ter uma palavra a dizer na sua condução. Alguns deles estão, estiveram e têm perspectivas de chegar ao poder, mas o seu líder acaba de cair. E o espectáculo não está a ser bonito de se ver.

Com Trump em modo meltdown conspiracy, os Proud Boys standing back and by, focos de contestação organizada à porta de estações de contagem de votos nos Estados que ainda continuam por fechar, o Bin Laden da extrema-direita internacional mostrou ao que vinha e acabou banido do Twitter. No seu canal, Steve Bannon, estratega da vitória de Trump em 2016, deixou um recado ao ainda presidente: despedir Fauci e Christopher Wray, director do FBI, mas só porque o “presidente é bondoso”. Se fosse ele, a coisa piava de outra forma:

Eu gostava de voltar atrás e estar nos bons velhos tempos da Inglaterra durante a dinastia Tudor e pôr a cabeça deles em estacas” e colocá-las de “cada lado da Casa Branca como um aviso aos burocratas federais

A democracia não é nem pode ser neutra. A democracia tem limites, linhas vermelhas, e uma delas é não tolerar métodos medievais de terror. Mas é essa, a alternativa que a extrema-direita tem para oferecer. Chamemos-lhes fascismo cultural. E os democratas a procrastinar, armados em Chamberlains, fiados na virgem e no wishful thinking.

Biden não será a alternativa óptima, mas é o analgésico possível para uma América em carne viva. A democracia está estilhaçada, mas sobreviverá para viver mais um dia. Caberá aos democratas decidir se estão verdadeiramente dispostos a lutar por ela, contra a pandemia do nacional-trumpismo.

Entretanto, na América em ebulição

Quase 24 horas depois do fecho das últimas urnas nos EUA, ainda não sabemos quem será o próximo presidente da nação que dita as regras do jogo internacional. E é possível que ainda não fique tudo fechado hoje, para não falar na mais que provável tentativa de impugnação que se seguirá, caso Biden leve a melhor, e que Donald Trump vem ensaiando desde o segundo debate.

Biden leva uma vantagem confortável, que, à hora que escrevo, é de 39 grandes eleitores. Está a 17 do número mágico dos 270 e é já o candidato presidencial mais votado de sempre em presidenciais nos EUA, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 70 milhões de votos. Para ser mais preciso, Joe Biden leva neste momento 71,5 milhões de votos, contra os 68 milhões de Donald Trump. O candidato mais votado de sempre era Obama, com 69,5 milhões. Em 2016, Trump ganhou com quase 63 milhões contra Hilary, que conseguiu quase 66. Só para colocarmos as coisas em perspectiva. [Read more…]

GOP elege congressista QAnon

Sim, leram bem: os republicanos meteram uma chalupa no Congresso que acredita que Trump está em guerra com um lobby pedófilo que quer dominar o mundo. RIP, GOP.

The Handmaid’s Trump

Em 2016, a 10 meses do final do seu mandato, a maioria republicana no Senado impediu Barack Obama de substituir o falecido juiz Antonin, do Supremo Tribunal. O líder dos republicanos, Mitch McConnell, justificava a decisão com o argumento de que os eleitores teriam uma palavra a dizer, pelo que a substituição do juiz do Supremo só deveria ocorrer após o acto eleitoral marcado para o final desse ano.

Quatro anos volvidos, Donald Trump nomeou Amy Coney Barrett, na sequência do falecimento da icónica Ruth Bader Ginsberg, a menos de um mês das presidenciais. O ainda líder dos republicanos, Mitch McConnell, bem como a bancada republicana no Senado estado-unidense, nada tiveram a opor. Os eleitores, esses, nada puderam ou tiveram a dizer.

Desta forma, cumpriu-se a vontade de Donald Trump, que nomeu o seu terceiro magistrado vitalício na mais alta instância jurídica dos EUA, ampliando a maioria republicana no Supremo. Uma maioria com a qual o presidente conta para invalidar uma possível vitória de Joe Biden na secretaria, plano em marcha há várias semanas, assente na narrativa da fraude eleitoral.

O cerco está montado. Mesmo que Biden vença as eleições, o Supremo Tribunal dos EUA será uma força de bloqueio à governação do novo presidente. E com três juízes nomeados por Trump, a última das quais uma ultraconservadora membro da People of Praise, uma organização fundamentalista católica que advoga, por exemplo, que as mulheres se devem submeter à vontade dos seus maridos, o cenário não é nada animador. Após vários episódios verídicos de Black Mirror, a realidade parece apostada em reproduzir The Handmaid’s Tale.

Trump & Melania

Tonight, @FLOTUS and I tested positive for COVID-19.
Donald Trump

Nathan Muir: Correct. Dinner Out is a go.
Dr. William Byars: “Dinner out is a go”? Hell of a way to speak to your wife.
Vincent Vy Ngo: Why do you think they keep dumping him?
Spy Game

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Hoje de manhã, ao ligar o computador, recebi esta notícia do The Guardian.

Fui tomar um café duplo e ouvir um bocadinho de Liszt.

No regresso ao computador, verifiquei que alguém do The Guardian repetira a notícia, mas com aspecto ligeiramente distinto.

Descubra as diferenças.

Mudando de assunto:

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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QAnon: o pináculo da demência neofascista

Entretanto, numa manifestação de teóricos da conspiração contra o uso de máscaras, seguidores da seita QAnon clamam pela dupla Putin-Trump, que os salvará do deep state, das vacinas contra o sarampo, do marxismo cultural e, claro, de Satanás. São chanfrados? Sim, são chanfrados. E isso torna-os ainda mais perigosos. Já tínhamos os mujahedines, os telecurandeiros do dízimo e agora estes. Em princípio, é desta que o mundo acaba.

Segundo estas raríssimas espécies, “A Tempestade” está para breve. E o que é “A Tempestade”, perguntam vocês? É o dia em que o exército tomará o país de assalto, durante o qual milhares de membros da cabala mundial de pedófilos adoradores de Satanás serão presos e sumariamente executados, e a Terra será salva. Não é um Nineteen Eighty-Four, mas dava um bom argumento para uma série televisiva. A Netflix que abra a pestana. [Read more…]

Cocaína na Convenção Republicana

Entretanto, na Convenção Republicana, dominada por Trump, pelos filhos de Trump e pelas namoradas e namorados dos filhos de Trump, o stock de cocaína parece ter chegado ao fim. Vivem-se tempos perigosos e alarmantes, na Land of the free.

 

A insustentável leveza da falsa equivalência

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Jacob Blake, cidadão americano, negro, desarmado, foi baleado por agentes da polícia de Kenosha, Wisconsin, com sete tiros, em frente aos seus três filhos. Está no hospital, paraplégico, a lutar pela vida.

Kyle Rittenhouse, cidadão americano, branco, armado com uma semiautomática AR-15, assassinou dois manifestantes que protestavam contra a brutalidade policial que vitimou Jacob Blake, dirigindo-se posteriormente na direcção da equipa SWAT no local, que não disparou qualquer tiro ou prendeu o criminoso, permitindo que o mesmo regressasse ao Estado vizinho do Illinois. [Read more…]

André Ventura ARRASA LIBERDADE DE EXPRESSÃO e PROMETE CENSURA nas redes sociais

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Se for eleito, André Ventura promete acabar com a “bandalheira” que é o Twitter. Uma bandalheira onde Ventura chafurda diariamente, como tantos porcos fascistas, e que o deputado de extrema-direita pretende monitorizar a censurar, caso vença as próximas Legislativas. Está ficar crescido, este aspirante a Estaline. Será que já começou a apagar os dissidentes das fotos?

Sem surpresas, André Ventura continua a imitar as piores práticas de Donald Trump, referência máxima dos neofascistas portugueses, a par de Salazar, Bolsonaro e Hitler. Apesar de inexistente no panorama político internacional, Ventura sonha já com o fact checker do Twitter, a sinalizar as fake news que debita diariamente, no processo contínuo de tratar os chegófilos como otários acéfalos, o que, em bom rigor, não anda muito longe da verdade. [Read more…]

O tom de Trump

Novoselic escreve direct, mas a Blitz traduz direto. Como diria Cobain, “I don’t know why“. É directo. Lembrai-vos dos One *Diretion.

Donald Trump, o wannabe Xi Jinping, arraçado de ayatollah

Especado em frente a uma igreja como um espantalho, o devasso presidente norte-americano segura na mão uma Bíblia, logo após ter ameaçado colocar o exército nas ruas para conter os “terroristas”, termo que, por estes dias, serve para classificar manifestantes pacíficos e grunhos infiltrados, ou pouco à imagem daquilo que a China está a fazer com quem se atreve a protestar em Hong Kong. Donald Trump é um aspirante a Xi Jinping, que usa uma Bíblia em vez do livro vermelho do Mao. Um arraçado de ayatollah, portanto.

Depois do «¿Por qué no te callas?»

do rei de Espanha, eis o “keep your mouth shut” do chefe Acevedo. Eis Trump a fazer de Chávez.

Em inglês, a diferença entre 19 e 90 é mínima

Mas isso é em inglês. Em português, a diferença entre 19 e 90, como diria o outro, é huge!

Semiautomaticamente correcto

MI

Foto: Jeff Kowalsky@Vanity Fair

À porta do capitólio de Lansing, capital do Michigan, um dos Estados mais atingidos pela pandemia, um grupo de manifestantes pró-Trump protesta contra as medidas de confinamento, empunhando armas semiautomáticas que, aqui pelo Velho Continente, apenas vemos nos filmes, normalmente norte-americanos. Ou no serviço militar, se decidirmos fazê-lo. Ou no covil do quadrilha, se optarmos por uma carreira no crime organizado.

Alguns destes manifestantes, que gritavam “Os tiranos devem ser enforcados”, referindo-se aos legisladores estaduais, e que comparavam a governadora democrata Gretchen Whitmer a Adolf Hitler, exigindo a sua prisão, devido às medidas de confinamento impostas naquele Estado, onde vários hospitais entraram já em ruptura, invadiram as galerias do parlamento do Michigan, com as suas AR-15 e AK-47. [Read more…]

Stop the madness!

trump

[Marco Faria]

Trump não era apenas um ignorante, um arrogante e um irresponsável à frente da maior potência mundial. Passou a ser um caso extremo de saúde pública…e de insanidade mental.
A Sala Oval tem um homem das cavernas a gerir uma crise, que já matou mais de 51 mil americanos. O Aprendiz parece um Nero dos tempos modernos. Não sabe tocar harpa, mas o monstro come pipocas, enquanto espera que o fogo apague com lixívia. Só o Brasil roça o absurdo com o seu covid-evangelista.
A pandemia virou manicómio.
Stop the madness!

Trump, o fascista malvado

O título foi escolhido por mim, mas podia muito bem ter sido criado pela redação da SIC ou qualquer outra televisão generalista. Tal como tem sido hábito desde a eleição do atual Presidente dos EUA, a comunicação social sempre se apresentou bastante parcial quando o assunto era Donald Trump. Desde a forma que apresenta as notícias que nos chegam da América até aos espaços de opinião. Este tom que se tornou normal afetou a forma de pensar das pessoas e fez com que estas, na sua maioria, se colocassem contra Trump, mesmo não conhecendo nenhuma das suas medidas. Estes mesmos são aqueles que se colocam a favor de Obama e fazem deste um revolucionário. Mas este é um dos resultados da comunicação social doutrinada que temos. Só em Portugal se acha normal que um pivô de informação como Rodrigo Guedes de Carvalho diga em direto “que, ideologicamente, as liberdades não são tão queridas à direita”. Por vezes, uma pessoa já não entende se o telejornal é para informar ou se é um chorrilho de lições de moral daquela vizinha que anda cá há mais tempo do que vocês. [Read more…]

Vírus de direita

Alt-Covid

Três palermas sem escrúpulos, três desastres no combate ao coronavírus, três negligentes que colocaram milhões em risco. Seja a fascista terraplanista, a troglodita egomaníaca ou a populista de tablóide, a direita que domina a cena internacional representa um perigo maior para a saúde pública que o próprio coronavírus. Uma curva exponencial de estupidez sem fim.

O choque de ventiladores

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Primeiro foram os chineses, que, “tendo o problema controlado” (so they say), começaram a enviar ajuda para países europeus. Depois vieram os cubanos, com os seus médicos comunistas, infectados até ao tutano de perigosíssimo marxismo cultural, seguindo-se os russos, que enviaram ajuda médica para Itália.

Perante a multiplicação dos gestos de “solidariedade”, que se estenderam também aos EUA, pela mão do amigo Vladimir, Donald Trump ter-se-á apercebido do seu atraso na corrida pela instrumentalização oportunista da solidariedade da treta, e lá foi ele, esbaforido, a correr atrás do prejuízo. [Read more…]

O capitalismo em tempos de corona

DTJB

Foto: EPA (via Rádio Renascença)

Os Estados Unidos conseguiram a proeza de eleger Donald Trump presidente. Desde então, as proezas sucedem-se. De Trump já vimos quase tudo aquilo que não esperamos de alguém que dirige uma democracia ocidental. O racismo, a normalização do racismo e o elogio dos racistas. A xenofobia, a demonização do emigrante e o muro. A ignorância, a negação da ciência e as notícias falsas. A boçalidade, a falta de escrúpulos e ausência de uma espinha dorsal. A chantagem, a trafulhice empresarial e a corrupção. Nenhum dos seus antecessores ousou ir tão longe. [Read more…]

O espectro político norte-americano: percepção VS realidade

O IVA da electricidade e o IVA da eletricidade

DOROTHY
Toto, I have a feeling we’re not in Kansas anymore.
The Wizard of Oz

Wovoka had a vision, his words went far and wide.
Death Cult

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A decisão sobre o IVA da electricidade foi um dos grandes temas desta semana. Todavia, a pergunta impõe-se: aquilo que os deputados votaram foi o IVA da electricidade ou o IVA da eletricidade? Sim, porque, não são exactamente a mesma coisa e, se bem vos lembrais, ambas aparecem no Orçamento do Estado para 2020. Tendo em conta alguma tradição (“não responde“, “não responde“, “não responde“), ficaremos provavelmente sem saber se é electicidade ou eletricidade.

© psdesign1 / Fotolia [http://bit.ly/2veNZQq]

No fim de contas, importa é mostrar que os actos são dinâmicos — às vezes, até há música — e dar tempo de antena a despropositadas vaidades. Aquilo que está em causa é vender o produto e a imagem dos autores do produto: a péssima qualidade do produto efectivamente não interessa.

Quanto ao dilema electricidade/eletricidade, convém igualmente recordar que a supressão do cê da sequência -ct- dá azo a erros em línguas estrangeiras (*fator, *diretion, *eletric). Será possível que um falante/escrevente de português europeu venha um dia a escrever

Development of Analyzing System for Power Fator and Harmonic Diretion in Eletric Power Distribution System using FA Computer,

em vez de

Development of Analyzing System for Power Factor and Harmonic Direction in Electric Power Distribution System using FA Computer?

Tendo em conta os “human fator issues“, os “One Diretion” e a “General Eletric“, sim, é possível.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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Era uma vez um Irão democrático

Uma das primeiras postas que rabisquei num blogue, há quase 10 anos, falava sobre Mohammed Mossadegh, o homem a quem é atribuída uma frase que diz muito sobre o homem que foi: “if I sit silently, I have sinned”.

Mossadegh foi primeiro-ministro do Irão entre 1951 e 1953. Tinha taxas de aprovação popular altíssimas e aproveitou-as, juntamente com o poder de PM, para lançar um programa de nacionalização da indústria petrolífera do seu país, ocupada pelo Reino Unido e outras potências ocidentais, que, quais sanguessugas, parasitaram os recursos do Irão durante décadas, com o beneplácito da elite local. [Read more…]

Então mas o Trump não era amigo do Bolsonaro?

E o Brasil não estava mais seguro, agora que os milicianos evangélicos chegaram ao poder?

E não é que Maria Luís Albuquerque quase passou despercebida?

Já lá vão algumas semanas e muito pouco se falou sobre o assunto. Lamentavelmente, porque vivemos num país onde a imprensa é totalmente controlada pela (extrema?) esquerda, estes actos de quase censura são uma constante. Só assim se compreende que um livro dedicado a glorificar a ascensão da extrema-direita possa ser apresentado por uma antiga ministra, sem que tal cause grande alarido ou dê origem a um título bombástico. Onde está o Correio da Manhã quando precisamos dele?

Num país onde a extrema-direita inunda diariamente as redes sociais com notícias falsas sobre tudo o que mexe à esquerda do espectro, o grande Satã socialista, é importante dizer ao país que Maria Luís Albuquerque se disponibilizou para apresentar um livro dedicado à nova extrema-direita, em particular a Donald Trump, Jair Bolsonaro e à “nova direita europeia”, ou “direita iliberal”, que é, actualmente, o termo oficial da novilíngua para “extrema-direita”. “Fachos”, para simplificar. Um livro onde não faltam elogios a Olavo de Carvalho, teórico da conspiração e ideólogo do regime de extrema-palermice que impera em Brasília, e Steve Bannon, guia espiritual e líder supremo do neofascismo. [Read more…]

Urânio embrutecido

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Na sequência do assassinato do general Soleimani, eis-nos perante a primeira consequência nefasta da estupidez unilateral de Donald Trump, com o Irão a anunciar ao mundo que se afastará ainda mais do acordo de 2015 e que deixará de respeitar os limites impostos ao enriquecimento de urânio. [Read more…]

Quão patético é Trump (e a sua extrema-direita)?

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Em 2011, Donald Trump fez um vídeo onde afirmou o seguinte:

O nosso presidente vai começar uma guerra contra o Irão, porque não tem capacidade de negociar. Ele é fraco e ineficiente (…) Temos um problema na Casa Branca. Assim sendo, eu acredito que ele vai atacar o Irão, algures antes das eleições, porque acredita que é a única forma de garantir a reeleição. Quão patético é ele?

Entretanto, Obama não só não atacou o Irão como assinou um acordo histórico com aquele país e um conjunto de países europeus, que permitiu controlar os avanços nucleares de Teerão e aproximar antigos rivais, acordo esse que Trump tratou de rasgar mal se sentou na Sala Oval. [Read more…]

Chega: a encenação anti-sistema do partido de André Ventura

Conhecemos André Ventura dos tempos em que foi o candidato apoiado por Pedro Passos Coelho à CM de Loures. Um candidato que, já em 2017, não escondida algum populismo e xenofobia, que hoje encontramos na narrativa do Chega. O discurso de André Ventura foi de tal forma polémico, que o CDS-PP se afastou e retirou o apoio ao candidato do PSD. E é bom recordar que falamos do CDS-PP, que conta nas suas fileiras e órgãos nacionais com elementos da TEM, uma tendência interna muito próxima do pensamento salazarista, liderada por Abel Matos Santos, candidato à liderança do partido. [Read more…]