
Guerra Fria 2.0
O Culpado

Um dia, a narrativa será “a culpa foi político X”.
E de facto foi.
Do político Donald Trump.
Mas não será do abusador corrupto, das suas tarifas, ameaças, ou da sua guerra idiota que estaremos a falar.
Será do “culpado”.
Quem?
O primeiro-ministro que estiver em funções quando a bolha rebentar. Seja Luís Montenegro ou quem lhe suceder. A culpa é sempre do tipo que administra, com as mãos atadas por Bruxelas, nunca do sindicato do crime económico internacional que fabrica crises financeiras, golpes de estado e guerras. E lucra com elas. Com juros da dívida pública de países expostos e em apuros, por exemplo.
Deixem a NATO em paz

A NATO não é o que Donald Trump quer que ela seja, dependendo de como acorda num determinado dia. E muito menos está ao serviço da sua oligarquia corrupta. Ou pelo menos não devia estar.
A NATO é uma aliança defensiva. Com regras bem definidas e plasmadas num tratado fundador. O objectivo primordial da NATO é garantir a defesa mútua dos seus membros. Não é atacar ninguém. E repare, caro leitor, que o que acabou de ler não é uma opinião minha. É o que está escrito no Tratado do Atlântico Norte, que deu origem à NATO e funciona como sua base legal. E foi exactamente com esses termos que os signatários concordaram e debaixo dos quais colocaram a sua assinatura.
Dito isto, o que aconteceu no Médio Oriente, por muito que abominemos o regime iraniano, e eu abomino-o com todas as forças, foi um ataque dos EUA e de Israel contra o Irão, não o contrário. Os Estados Unidos não foram atacados, o que significa que não existe enquadramento legal para envolver a NATO em mais um conflito provocado no Golfo Pérsico para encher os bolsos aos suspeitos do costume. E a Vladimir Putin, que é, literalmente, o grande vencedor desta guerra.
Sorri, foste assaltado pela extrema-direita. Outra vez.

O preço dos combustíveis voltou a subir.
Nunca é demais reforçar o factual: nenhuma gasolineira sobe os preços por necessidade ou por risco de falência. Os combustíveis que estão a vender foram comprados há vários meses, a preços bem mais baixos do que valor de referência à data de hoje. O que as gasolineiras estão a fazer é aproveitar-se da instabilidade causada pela guerra e de um monopólio controlado por meia-dúzia de empresas para aumentar os seus lucros.
O argumento dos impostos é falacioso. O problema não está nos impostos, mesmo que concordemos – e eu concordo – que são excessivos. Mas não foram os impostos que aumentaram. Foram os preços. Artificialmente. [Read more…]
O Evangelho segundo Quentin Tarantino
Nada disto surpreende. Até porque a religião, para um extremista, raramente é convicção. Regra geral, é um meio para atingir um fim. E, no caso dos nacional-populistas americanos, é evidente que personagens sinistras como Trump, Thiel, Bannon ou Miller são a absoluta negação dos valores do Cristianismo. De todas as formas possíveis.
Mas não deixa de ser mais uma prova factual do quão vazio, mal encenado e patético tudo isto é, ver Pete Hegseth, o troll fundamentalista que dirige o Pentágono, usar o monólogo do Samuel L. Jackson na cena do apartamento do Pulp Fiction, durante uma oração do próprio perante militares e familiares do soldado resgatado no Irão, como se de uma passagem bíblica se tratasse.
Spoiler alert: não é Ezequiel 25-17. É Quentin Tarantino.
O Anticristo

Kim
Ontem, por volta desta hora, tivemos Kim Gordon, no regresso a Bruxelas (Noha Khaldi fez um bom apanhado da noite e em flamengo, comme il faut).

KG, AB, 15/04/2026, FMV
A baixista dos maravilhosos Sonic Youth e autora de Girl in a Band apresentou-nos PLAY ME. No final da lista deste disco, chegados a BYEBYE — uma despedida diferente da BYE BYE do anterior The Collective — ouviu-se uma enxurrada de referências aparentemente proibidas pela actual administração dos EUA, palavras/conceitos cuja menção justificará a anulação de propostas, de subsídios, lá se vai a investigação fundamental, lá se vão as bolsas, lá se vai a América. Pois, a AB insinua que sim.
Ei-la, uma enxurrada (e no original, porque soa melhor):
- Mental health
- Electric vehicle
- Gulf of Mexico
- Energy conversion
- Gay
- Bird flu
- Advocate
- Pregnant person
- Immigrants
- Intersex
- Victim
- Male dominated
- Care
- Diversity
- Tribal
- Transgender
- Hispanic
- Green
- Fluoride
- Female
- Hate
- Injustice
- Opportunity
- Dietary guidelines
- Housing for the future
Viktor Orbán e derrota da oligarquia nacional-populista

A queda de um autocrata é sempre motivo de celebração. Melhor ainda quando cai por dentro, sem derramamento de sangue. Sem violência policial ou tentativas de golpe de Estado. Sem terrorismo, vá.
Mas não foi só Orbán que perdeu.
Perdeu Putin, que ficou sem o seu cavalo de Tróia no Conselho Europeu.
Perdeu Trump, que viu cair o aliado mais importante em solo europeu, após se ter envolvido directamente na campanha e ter enviado Rubio e Vance a Budapeste.
Perdeu Netanyahu, que tinha em Orbán um defensor do genocídio em Gaza e da colonização da Cisjordânia.
Até Xi Jinping, que tem privilegiado a relação com a Hungria, pode sair a perder desta eleição.
Ganhou a democracia.
Viktor Orbán: o corrupto favorito de André Ventura

Sim, eu sei: quem é que quer saber da Hungria? A menos que Portugal vá lá jogar – e até foi, em Setembro, fazer uma bela partida, que vencemos por 2-3, com aquele golaço do Cancelo – ninguém quer saber da Hungria.
Acontece que a Hungria dos anos 20 deste século, mais do que o culto da Seita dos Trumps dos Últimos Dias, é o farol de propaganda e o laboratório de ideias que cria a jurisprudência da internacional iliberal.
“Iliberal” é um eufemismo muito bem sacado.
Para uma oligarquia com um nível de corrupção idêntica à russa, uma colonização quase total dos tribunais, da administração pública, dos grandes negócios do Estado e da comunicação social, que distorceu o sistema eleitoral em seu benefício, enquanto enriquece os homens do presidente, “iliberal” soa muito fofinho. Mais ainda se tivermos em conta o alinhamento fraterno com Moscovo e Mar-a-Lago, ou a honra que lhe foi concedida por Pequim, que incluiu a Hungria no périplo de Xi pela Europa, em 2024, parte de uma lista restrita de apenas três países: Hungria, Sérvia e França.
Celebrar a morte como um cristão

Não sei quanto a vós, mas eu ainda estou recordado dos dias após a morte de Charlie Kirk, e da onda de indignação contra aqueles que celebraram a tragédia.
Na altura, muitos foram aqueles que, lá como cá, escreveram longos textos sobre a esquerda degenerada que celebra a morte de adversários políticos, e que, por essa razão, não tem lugar na sociedade, devendo ser perseguida, cancelada e presa.
E reparem que era toda a esquerda, não apenas aqueles que foram para as redes dizer o homem foi bem morto, porque tinha uma retórica violenta e colheu o que semeou. A culpa era colectiva. Como convém aos puros populistas, que a usam sempre que convém, para justificar intervenções divinas como o genocídio em Gaza às mãos da “única democracia do Médio Oriente”.
Pois bem, ainda não se leu ou ouviu um único destes puros sobre o tweet que Trump usou para celebrar, com todas as letras, a morte de Robert Mueller. Mueller que era odiado à direita (apesar de ser republicano) como Kirk a esquerda, não pela retórica agressiva ou pelo incentivo à violência, mas por ter liderado a investigação à interferência russa nas eleições de 2016.
Em princípio estamos perante uma celebração da morte do bem. Parece-me plausível. Seguramente inspirada por Jesus, que de resto foi quem nos enviou Trump. E se Jesus nos enviou Trump, a investigação de Mueller só podia ser obra do anticristo. Deve ser isso.
Extrema-Inflação

Não é culpa dos impostos.
Não é culpa dos wokes.
Não é culpa do Estado.
Ou da comunicação social.
Também não é culpa do socialismo, que para alguns académicos da Ventura School of Palermonics é tudo o que não seja a direita mais radical ou extrema.
Mas sim, a inflação que dispara tem dedos no gatilho.
Os dedos de Donald Trump, de Benjamin Netanyahu e de todos os líderes internacionais que apoiam mais um acto de terrorismo de Estado, que se está nas tintas para libertar quem quer que seja, como se viu na Venezuela. Terrorismo esse que, incapaz de derrubar o regime iraniano, derruba as condições de vida, as finanças e a segurança do cidadão comum.
Na guerra de Trump e Netanyahu, o vencedor é Vladimir Putin

Uma das consequências mais interessantes da guerra lançada por Israel e EUA contra o Irão teve lugar mais a leste. Na relação de forças entre dois aliados de ocasião, com longo historial de escaramuças entre si, mas que, perante um poder maior, perceberam ser do interesse de ambos ter boas relações. Pelo menos por agora. Depois logo se vê.
Até há poucas semanas, a Rússia encontrava-se numa situação de maior dependência em relação à China. Algo que se arrastava desde o início da invasão em 2022. Moscovo viu as vendas de energia para a UE cair abruptamente, foi alvo de sanções e a sua economia foi atacada em várias frentes pelo bloco ocidental. Virou-se para oriente.
Para termos a noção do desequilíbrio de forças, a China é hoje o maior parceiro comercial da Rússia. Só nos primeiros meses de 2026, as suas compras de energia russa representaram 50% do total exportado pelo país. No total, a China é o destino de mais de 30% do comércio internacional russo. Já a Rússia representa apenas 3% das exportações chinesas. O maior parceiro comercial da China, ironicamente, são os EUA. Não menos irónico, o maior dos EUA é o México. Adiante.
MAGA Civil War

Há algo inédito a acontecer. Começou com o genocídio em Gaza e intensificou-se com o ataque ao Irão. E um dos culpados para que tenha ganho tracção, ironicamente, foi Donald Trump, que construiu o movimento MAGA em cima de uma visão isolacionista do mundo. America First. E o que está a acontecer, em Gaza e no Irão, é Israel First. Melhor: Zionism First. Porque nem o regime Netanyahu é aclamado pela população, parte significativa da qual protesta frequentemente nas ruas contra ele, nem o que se está a passar é no interesse da generalidade dos israelitas, sob fogo iraniano e prestes a sofrer as mesmas consequências económicas que vamos sofrer aqui.
O que está a acontecer é que figuras com impacto global, de uma direita que apoiou Donald Trump em ambas as corridas, reconhecidas e respeitadas por uma parte muito considerável do eleitorado republicano e muito em particular do movimento MAGA, estão a expor a fraude. Marjorie Taylor Green, Tucker Carlson, Candace Owens, Andrew Schulz ou Piers Morgan são os mais sonantes. O próprio Charlie Kirk foi muito crítico do regime Netanyahu, nos últimos vídeos que publicou antes de ser assassinado. E isso levantou questões sobre a morte de Kirk, sobretudo entre a direita ultraconservadora e pouco adepta da relação clientelar entre Washington e Telavive.
Sociopatas no comando

Giorgia Meloni, esquerdalha antisemita

Quando Pedro Sanchéz constatou o óbvio e recusou envolver Espanha na guerra ilegal que Israel decidiu lançar contra o Irão, coadjuvado pelo cão laranja de Netanyahu, os marretas do costume vieram para a praça rasgar as vestes e acusar toda a esquerda de ser anti-semita/iPhone/vuvuzela, de gelado devidamente espetado na testa.
Agora, que a sua heroína Meloni constata o mesmo, e recusa envolver Itália numa guerra que tem vários objectivos, nenhum do quais libertar o povo iraniano, dos marretas nem um pio.
Nada que surpreenda. De idiotas úteis não se pode esperar pensamento crítico. É aí que reside a sua utilidade.
Alguém disse “Orwell”?

Com o mundo de olhos postos no Irão, Trump e a sua quadrilha deram mais uma machadada na democracia americana e na livre iniciativa privada, trave-mestra do capitalismo do qual os EUA (ainda) são o poder-director.
Segundo Pete Hegseth, o alcoólico comentador da Fox News que Trump promoveu a ministro da guerra e líder do Pentágono, a Anthropic é uma ameaça à segurança nacional dos EUA.
Para quem não está familiarizado com a Anthropic, trata-se de uma tecnológica do sector da inteligência artificial, conhecida pelo seu LLM Claude, concorrente directo do ChapGPT da empresa OpenAI.
A Anthropic era fornecedora do Pentágono, e aceitou todos os termos impostos por esta administração, excepto dois: recusou que a sua tecnologia fosse usada para vigilância em massa dos norte-americanos ou aplicada ao desenvolvimento de armas autónomas.
TACO = Trump always chickens out
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Prémio Nobel da Cinologia

Maria Corina Machado prestou-se ao triste papel de se deslocar à Casa Branca para oferecer o Nobel da Paz a Donald Trump, o delinquente que lidera a Gestapo americana e que tudo tem feito para abafar o maior escândalo de pedofilia da história moderna. Só por isto, já merecia que o prémio lhe fosse retirado. Mas, a julgar pela quantidade de delinquentes que já o receberam, conclui-se que foi business as usual.
Não sei o que Corina Machado esperava deste acto de vassalagem canina, para além do sabor dos sapatos de Trump na sua língua, mas nada mudou. Trump não declarou o seu apoio à senhora, não se comprometeu com eleições livres na Venezuela e vai continuar a trabalhar com o regime, que mantém o exacto mesmo poder interno que detinha antes do sequestro de Maduro. Além da remoção de Maduro, nada mudou. Rigorosamente nada.
Compreende-se este estado de coisas: um delinquente entende-se melhor com os seus pares, e a escumalha que lidera o regime venezuelano não é assim tão diferente da escumalha trumpista. É natural que Trump escolha falar e negociar com os autocratas de Caracas. Ou será que já nos esquecemos que este é mesmo Trump que ataca as democracias ocidentais, ameaça invadir o Canadá e a Dinamarca, e estende a passadeira vermelha a Putin, MBS e Netanyahu?
Qual é a dúvida?
O triunfo do bordel neofascista

Trump foi, de facto, a melhor coisa que aconteceu a Putin. Aliás, foi revelado esta semana que o Kremlin foi alertado pelos amigos de Mar-a-Lago sobre o que acabaria por acontecer na Venezuela no passado fim-de-semana, e mandou retirar todos os seus diplomatas e respectivas famílias do país.
E se o sequestro de Maduro foi um convite a abdução de Zelensky (ou de Cho Jung-tai), a ameaça de invasão e ocupação do território dinamarquês da Gronelândia é para levar muito a sério. E vai acontecer. Será o fim da NATO, ou pelo menos da encenação multilateral, e um convite à entrada dos exércitos russos pela Europa de Leste adentro. Seremos um quintal com dois donos.
Importa sublinhar que quem defende esta a nova estratégia de Trump está, a partir de agora, na mesma barricada que Putin, Lukashenko e Ali Khamenei, por muito que se esforce por provar o contrário. É, aliás, um traidor no contexto nacional e europeu. Claro que tal não irá afectar minimamente os trumpistas. Os membros de um culto fundamentalista nunca foram conhecidos por valorizar a lógica ou a razão. São fanáticos, idiotas úteis, à espera de migalhas. O mais certo é terem destino idêntico ao do marido da cantora cubana pró-Trump que actuou num dos seus comícios, detido pelo ICE para deportação. [Read more…]
Quem te mandou aceitar o Nobel da Paz, Maria Corina Machado?

Existe uma diferença entre ordenar um golpe de Estado para instalar um fantoche, como os EUA fizerem várias, sobretudo ao longo da segunda metade do século XX, e o que se passou na noite de Sexta para Sábado, que foi uma operação rápida e tremendamente eficaz de sequestro do presidente venezuelano, seguido do anúncio de Trump de que os EUA irão governar a Venezuela e gerir os seus recursos. Uma espécie de colonização-relâmpago.
Maria Corina Machado, que todos esperávamos ver receber o poder das mãos de Trump, e que muito inteligentemente garantiu que mudaria a embaixada venezuelana em Israel para Jerusalém, algo que acrescenta zero à vida dos venezuelanos, mas que demonstra claramente que Corina Machado sabe onde reside o poder real e que está na disposição de se submeter, foi, ainda assim, prontamente descartada por Trump:
“Não tem o apoio nem o respeito do país.”
Isto não é Portugal

Cláudio Nunes Valente, cidadão português com autorização de residência nos EUA, que entrou no país em 2000 para estudar na prestigiada Brown University, era o principal suspeito pelo homicídio do físico e professor do MIT, Nuno Loureiro. Suicidou-se pouco antes de ser detido.
Não vim aqui em modo crónica criminal, deixo isso para os populistas profissionais da imprensa sensacionalista, mas quero falar-te sobre o outro lado deste caso escabroso. Sobre o facto de, na sequência do sucedido, Donald Trump ter mandado suspender o programa de vistos DV-1.
Agora repara: por causa de um criminoso, todas as pessoas que se candidataram e entraram nos EUA com um visto DV-1 são agora colocadas em causa. Incluindo outros portugueses, trabalhadores e honestos, sem manchas no currículo. Como se a maioria fosse culpada pelos crimes de uma pequena minoria.
Nada disto surpreende. É a extrema-direita a ser extrema-direita. A extrema-direita que generaliza de forma abusiva para criar medo e alarme, e poder apresentar-se como a solução que não é. E não é muito diferente daquilo que André Ventura, o CH e os incels da quadrilha do palerma que odeia mulheres defendem para Portugal: se um imigrante cometer um crime, sobretudo se for pobre e do subcontinente indiano, a culpa é colectiva.
A grande diferença, parece-me, é que, desta vez, quem vai pagar as favas, nos EUA, serão, também, emigrantes decentes que decidiram deixar o nosso país para procurar uma vida melhor do outro lado do oceano. Emigrantes que muita dessa gente diz defender e representar, pese embora prefira agradar ao corrupto que lidera o culto MAGA, porque o seu nacionalismo está ao nível do de um nazi latino que acredita na superioridade da raça ariana.
Outra diferença é que não há um único registo de um imigrante do subcontinente indiano que tenha assassinado um português em solo nacional. Mas Gurpreet Singh foi assassinado por dois portugueses em Setúbal. É por estas e por outras que a generalização deve ser manuseada com cautela. Nunca sabemos quando nos pode rebentar nas mãos.
Prémio Nobel da Paz da Wish 2026

Com muita pena minha, não fiquei minimamente surpreendido com o prémio da “paz” criado pela FIFA com o objectivo bajular Donald Trump e cair nas suas boas graças.
Tem sido prática recorrente. Quem deseja o favor do presidente americano sabe como obtê-lo.
Outros ofereceram-lhe estátuas douradas, aviões de 400 milhões e generosos investimentos nos muitos negócios da família Trump, agora elevados à categoria de assunto de Estado.
Em troca receberam investimentos, perdões, reduções nas tarifas e deu-se até o caso insólito de Trump permitir a construção de uma base militar do Qatar em solo americano. Sim, uma base militar do Qatar em Idaho. Desse mesmo Qatar que serviu de porto seguro à liderança do Hamas e que comprou o favor de Trump com um avião.
Bajulação, suborno, corrupção.
Waste, fraud and abuse.
Cristiano Ronaldo e os seus amigos tiranos

Sim, eu sei que não se pode criticar Cristiano Ronaldo. Ronaldo, para muitas pessoas, é um semi-deus acima da crítica e do comum mortal. E quem o critica só o pode fazer por inveja, azia ou qualquer uma das justificações patéticas que quem não tem argumentos válidos costuma usar. Uma das melhores ilustrações, parece-me, do atraso do nosso país.
Não me recordo, confesso, de criticar Ronaldo. Nunca pedi a cabeça dele, nunca pedi o afastamento da selecção e sempre elogiei os seus feitos futebolísticos. Mesmo depois de se ter transformado numa espécie de embaixador de um dos regimes mais totalitários e assassinos do mundo, o saudita. Um regime que mata por apedrejamento e manda esquartejar opositores. Se quisesse, Ronaldo poderia trabalhar para Vladimir Putin, e elogiá-lo publicamente como faz com o assassino e financiador de terroristas, Mohammed bin Salman, e a maioria assobiaria para o lado. E, convenhamos, pouco distingue o carniceiro russo do “boss” de Cristiano Ronaldo.
Cessar-fogo em Gaza?

Parece que há acordo para um cessar-fogo imediato em Gaza. Trump está mesmo a dar tudo pelo Nobel da Paz.
E se for esse o preço a pagar para parar o genocídio, que seja.
Não seria o primeiro execrável a vencê-lo. Se um war monger como Henry Kissinger pode ganhar um prémio dedicado à paz, qualquer incendiário é elegível.
Mas o cessar-fogo não chega.
É preciso auxiliar milhares de pessoas.
É preciso reconstruir Gaza.
É preciso acabar com a fome.
É preciso libertar todos os reféns.
E é fundamental que o cessar-fogo dure para lá dessa libertação.
Também é preciso libertar a Palestina, não apenas Gaza, mas toda a Cisjordânia ocupada por colonatos ilegais. Libertar a Palestina de colonos terroristas e de terroristas do Hamas, e de outras organizações de fundamentalistas islâmicos que por ali andam. Deixar aquelas pessoas respirar e ter uma vida minimamente normal.
Será desta?
Espero que sim.
Mas, à cautela, vou festejar moderadamente. Com estes protagonistas, convém refrear as expectativas.
O diplomata Ventura

Quando André Ventura se indigna com o momento de clarividência de Marcelo, não são preocupações com a diplomacia que o movem. Caso contrário, não se teria comportado como um perfeito anormal quando Lula da Silva esteve no Parlamento. Goste-se ou não de Lula, ele é o chefe de Estado de um importante parceiro de Portugal e a diplomacia não pode andar ao sabor de histerismos ideológicos.
Na verdade, André Ventura está apenas a defender o seu corrupto preferido, que, de facto, se comporta como activo russo. Enriqueceu em parte à custa de oligarcas russos, o que equivale a dizer à custa do Kremlin, humilhou os serviços secretos americanos para dar razão a Putin, em Helsínquia, e recebeu o ditador russo com aplausos, sorrisos e palmadinhas nas costas, há dias no Alasca, enquanto destrata permanentemente os seus aliados da NATO.
Em cima disto há a humilhação de Zelensky na Casa Branca, a postura de vários oficiais da sua administração que se recusam a assumir que a invasão russa é, de facto, uma invasão, e, soubemos estes dias, que Trump recebeu bons conselhos de Putin sobre como conduzir eleições. Porque se há autoridade na gestão eleitoral transparente e democrática, esse alguém é, seguramente, Vladimir Putin. [Read more…]
Igreja Universal do Reino de Trump

Não tenho toda a informação que gostaria para ter uma opinião formada. À velocidade que hoje circula, já não dá para acompanhar porra nenhuma. A overdose de temas, polémicas, romances, notícias, tiktoks, cenas do futebol, cenas da CMTV, escândalos, dramas, tweets e duelos virtuais danificou irreparavelmente o meu foco.
Ainda assim, tenho a forte sensação de que o ICE se transformou numa espécie de Gestapo, com as suas máscaras e passa-montanhas, o seu equipamento táctico e o seu orçamento militar, a aterrorizar não apenas imigrantes ilegais, como residentes e cidadãos regularizados e documentados. Às ordens directas do pior dos presidentes.
Já se viram congressistas e senadores estaduais e nacionais detidos, um juiz algemado e ameaças de uma possível detenção e deportação de Zohran Mamdani, o socialista em ascensão no Partido Democrata, aparentemente o melhor posicionado para vencer as autárquicas em Nova Iorque. Chega a ser comovente, ver artistas de variedades sul-americanos e caribenhos, que cantaram e dançaram por “Mr. Trump”, agora detidos, deportados e indignados:
- Una injusticia!
Pois claro que é uma injusticia, Janet. Mas estavas à espera de quê? Não o ouviste dizer ao que vinha? Achavas que contigo ia ser diferente, se nem alguns cidadãos nascidos em solo americano estão a salvo?
A língua de Rutte no orifício de Trump

A imagem perfeita do novo quadro das relações internacionais: Mark Rutte, antigo primeiro-ministro holandês, agora secretário-geral da NATO, envia uma mensagem bajuladora a Trump, que responde sacando um print e publicando, sem edição, a totalidade do momento MAGA do liberal holandês.
Há quem defenda que Rutte está a ser um grande negociador, como quando, no outro dia, Costa deu a Trump uma camisola do Ronaldo, autografada pelo próprio CR7. Parecem-me coisas diferentes. Uma camisola, mesmo que autografada pelo melhor mundo, não é a mesma coisa que aquele lamber de botas até ao mais ínfimo orifício na sola. [Read more…]
KGB e Trump influenciam políticas de defesa 38 anos depois

O CH, a cruzada anticorrupção e os amigos corruptos do CH
Acho piada à malta que acredita religiosamente que o CH, se fosse governo, faria mais do que os outros partidos em matéria de corrupção.
Até porque o presidente-herói da maioria deles, Donald Trump, acaba de ser subornado pelo Qatar com um avião de 400 milhões de euros, e não se lhes ouviu um pio. Qatar que, recordem-se, é o albergue e financiador do Hamas. A matou centenas de pessoas na construção do Mundial.
Alguém se indignou?
Nem um.
Pelo caminho, ainda apertou a mão ao novo presidente da Síria, o antigo líder da Al-Qaeda lá do sítio, e prometeu levantar as sanções contra o país. Assim, do nada? Pelos vistos não. Parece que vai nascer uma Trump Tower em Damasco.
Alguém rasgou as vestes?
Claro que não. [Read more…]











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