A gente vai continuar, Jorge

25 de Abril: Jorge Palma e a música como memória e liberdade

Tive a sorte de ver ao vivo muitas vezes. Entre festivais, Enterros da Gata e umas quantas queimas das fitas, sem falar em festas populares e outros concertos por esse país abaixo, Jorge Palma estava em todo o lado. E todos gostavam dele. Miúdos, gente de meia idade e velhas glórias, todos o conheciam, todos o ouviram cantar e tocar, e todos conheciam e sabiam cantarolar muitas das suas músicas. Ou pelo menos os refrões, vá. Menos aqueles fachos mais fachos, que não suportam o cheiro dos cravos. E mesmo esses não eram imunes ao seu talento.
Jorge Palma era um músico completo. Um dos melhores que pisou este nosso Rectângulo. Escrevia, compunha e cantava, sempre para cima de genial. Não era um produto da “influência” ou da curadoria de imagem digital. Era o resultado de esforço, trabalho e talento puro. Todos o temos no disco da banda sonora das nossas vidas. Todos sabemos de cor frases como “Está noite estou tão frágil”, “deixa-me rir”, “encosta-te a mim” ou “enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar”. E todos ficamos, esta noite, imensamente mais pobres. Mas herdamos o legado de um artista ímpar que marcou para sempre a música, a cultura e a história deste país.
Descansa em paz, Palma. Obrigado por tantas décadas de boa música, sempre do lado certo da luta 🌷

Comments

  1. lmpt says:

    Ainda ninguém o conhecia e já eu seguia o Jorge Palma. Um homem livre, um poeta.

  2. Foi-se um grande artista, um amante da liberdade (a verdadeira) e um gajo porreiro. O legado fica.

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