
Na Coreia do Sul, algo raro aconteceu que merece a nossa atenção.
O caso passou despercebido por cá, e percebe-se porquê. Porque, numa decisão sem precedentes, a Samsung decidiu distribuir cerca de 23 mil milhões de euros pelos seus funcionários.
Sim, leste bem: 23 mil milhões de euros.
Não foi na ordem dos milhões.
Foi na ordem dos mil milhões.
A decisão resulta de uma ameaça de paralisação total por parte dos sindicatos. A greve teria um custo muito elevado que a empresa não quis pagar.
A distribuição não será igual para todos. E esse é um dos focos de tensão entre trabalhadores e sindicatos. Os 28 mil trabalhadores da divisão de semicondutores e chips para IA vão receber uma média de 350 mil euros de bónus. Os mais de 70 mil da divisão de bens de consumo poderão não ir além dos 5 mil euros. Pelo meio existem outras divisões com trabalhadores a receber entre 100 e 300 mil euros.
Ainda assim, é um marco histórico que revela a força e importância dos sindicatos e da negociação colectiva. A Samsung registou um crescimento notável nos últimos anos, os lucros relacionados com a inteligência artificial estão a explodir, e os trabalhadores exigiram a sua parte. E não será por isso que a empresa ficará mais pobre. Pelo contrário. Trabalhadores felizes tendem a produzir mais e melhor.
E repara que isto acontece num país que alterna entre o AD e o CH no poder. Não há o mínimo de resquício partidário de esquerda naquele país. E, ainda assim, os sindicatos são essenciais e bastante úteis aos seus associados, como se viu neste caso.
Muitos portugueses, contudo, foram convencidos pela propaganda financiada pelos insuspeitos do costume, de que pertencer a um sindicato ou lutar por mais e melhores direitos laborais é um crime de lesa-pátria que nos conduzirá a uma situação que estará ali entre a União Soviética e o regime cubano. É natural que a oligarquia invista no ataque aos sindicatos. Se as pessoas começam a descobrir como se conseguem os salários elevados do norte da Europa, a exploração que temos por cá poderá ter os dias contados.








Não só alterna entre a direita e a direita, como qualquer bom país ocidental, como o país conhecido como República da Samsung por ser basicamente 3 grandes empresas tem proibição à defesa do comunismo pela potência militarmente ocupante.
Sindicatos que sabem fazer contas não são problema para as empresas.
Já os do choradinho da ‘doutrina dos coitadinhos’ são praga que a ninguém aproveitam
Pois! E será que a Vosselência já tocou alguma coisinha das contas bem feitas? Não? Nããão?
Sindicalistas contadores, isto não se faz! Coitadinho do Menos!
Já os coitadinhos que falham sempre as promessas de crescimento, foram traídos, claro.
O Sindicalismo e alguma nótulas sobre a “extrema-direita”, a Terceira Posição e a Era pós-ideológica:
https://joaojhnobre.blogspot.com/2026/09/o-sindicalismo-e-alguma-notulas-sobre.html