António Costa ou a cobardia na luta contra os poderosos

Não me custa admitir que António Costa nasceu para governar. Ali é que ele se sente bem. Todos nos lembramos quão desastrosa foi a sua prestação como líder da Oposição, ao ponto de conseguir perder as eleições para um Governo miserável que vinha de 4 anos de Troika.
A constatação deste facto não me leva a sentir maior simpatia por ele. Pelo contrário. Não gosto de António Costa e gosto ainda menos do PS, um Partido que desde o início traiu a sua matriz ideológica. O facto de estar neste momento aliado à Esquerda é puramente circunstancial. Era a única forma que o primeiro-ministro tinha de chegar ao poder e salvar a sua carreira política. Da próxima vez, se necessário for, aliar-se-á ao CDS com o mesmo à-vontade e com o mesmo sorriso cínico de sempre.
Apesar de tudo, ao votar no Bloco, contribuí para a actual solução governativa. Não me arrependo porque, no fim de contas, a alternativa passista seria bem pior. Mas não escondo que esperava muito mais de um Governo que se ancora nos Partidos de Esquerda e que precisa deles para desenvolver as suas políticas.
A política energética e as rendas excessivas da EDP são um bom exemplo. Como é que não se consegue cortar um cêntimo que seja nestas rendas escandalosas? Foi o PS que as criou, é o PS que tem rectificar o erro e acabar com elas. Ou a coragem de lutar contra os poderosos e os grandes grupos económicos esgotou-se toda com a questão dos colégios privados? [Read more…]

Cristas contra o tacho sindical

No encerramento das jornadas parlamentares do CDS-PP, Assunção Cristas anunciou que vai convocar o ministro do Trabalho e da Segurança Social ao Parlamento, para lhe pedir explicações acerca da portaria sobre a integração dos precários no Estado, que permite que os sindicatos sinalizem situações de precariedade. Segundo Cristas, estamos perante “a institucionalização da cunha pelos sindicatos“:

Hoje fomos surpreendidos com a notícia de que o Governo vai dar voz aos sindicatos para ajudar, não quero dizer selecionar, mas pelo menos para meter uma cunha.

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Raul Vaz mentiu

Quando se fala de sindicatos e de educação a FENPROF é a referência que todos têm e isso, num universo sindical completamente pulverizado, nomeadamente por quadros de direita (PSD) que, nos tempos do Cavaco Primeiro, se distribuíram por amostras de sindicatos. Ontem, ao fim da tarde, quando ouvia, no carro, o programa de debate da Antena 1, Contraditório, o Vaz dizia, ali pelo minuto doze, que o líder da FENPROF, Mário Nogueira, tem esse papel há décadas.

Ora, creio, poder escrever com toda a FORÇA que as palavras podem ter: Raul Vaz mentiu porque, Mário Nogueira não é o líder da FENPROF há décadas.  Poderá o senhor comentador visitar um texto escrito há uns tempos com algumas perguntas sobre o mundo sindical docente. Talvez aí encontre alguma informação que ignora. Ou não!

Repare, caro leitor, há um ano, a FNE (laranja) assinou um acordo com os patrões do privado que levou milhares de professores do privado ao desemprego e outros tantos ao desespero. Pois agora, junta-se ao coro dos patrões. Coerências! Mas, sobre isto, o Comentador não tem nada a dizer…

TAP uma sociedade a 50% em que ninguém manda

foto@expresso

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O Estado, conforme o negócio político feito entre o PS, BE e PCP que sustenta o actual governo, voltou a ter 50 por cento da TAP, sendo que a gestão da empresa vai continuar a ser efectuada pelo consórcio Atlantic Gateway.

Esta reversão do negócio polémico feito pelo anterior governo, no final da legislatura, vai custar agora quase dois milhões de euros .

Mas este negócio pode vir a tornar-se ruinoso porque a factura a pagar nos próximos anos pode vir a ser muito pesada, podendo vir a custar muitos milhões de euros ao País.

A isto acresce ainda que estamos agora numa sociedade a 50% em ninguém manda!

O BE, mas sobretudo o PCP, não aprovam o negócio por razões político/ideológicas, que pode vir a ter repercussões ao nível da CGTP. Por outro lado Passos Coelho pede esclarecimentos.

Agora a palavra é de António Costa e do seu governo.

Uma coligação exigente

É disto que eu gosto no Aventar – nunca temos o presente como o futuro que queremos ter.

Somos exigentes e queremos sempre muito mais.

Muitos, no Aventar (no país?), há anos que sonhavam ou antes, desejavam, um governo de esquerda. Os escritos da ala esquerda aqui do corner, sempre sublinharam o que nos unia, muito mais do que aquilo que nos separava. Sistema Nacional de Saúde? Escola Pública? Segurança Social? Podemos ou não encontrar pontes entre nós?

Era para mim tão óbvio o sim, que só pensava no dia em que toda a gente conseguisse ver o que me parecia evidente. Claro que também para mim, especialmente com José Sócrates, o PS se encostou, em algumas áreas, excessivamente à direita. Mas, faço minhas as palavras de Ana Benavente:

“Por mim, celebro o diálogo à esquerda. Rompeu-se um tabu. Viva a liberdade. Sempre estive muito mais perto do PCP e do BE do que do PSD ou do PP. Na acção, na vida, nas propostas e nas lutas.”

E, podemos e devemos, continuar a ser exigentes. Não imagino sequer, por exemplo, que a CGTP se transforme na UGT, estando para o Governo de Esquerda como a UGT esteve para os radicais de direita. Na educação, não tenho dúvidas que nunca o militante comunista Mário Nogueira se vergará a um Ministro da Educação como o militante laranja João Dias da Silva se vergava perante Nuno Crato. Aí, estamos todos de acordo.

Estaremos na rua sempre que se justifique e não deixaremos de apresentar sempre aquilo que são as nossas exigências. [Read more…]

A utilidade de um sindicato

Nos últimos tempos o papel dos sindicatos na nossa sociedade foi equacionado por tudo e todos. À boleia da Greve na TAP os sindicatos voltaram a aparecer no espaço mediático, quase sempre com o rótulo do “mau da fita”. E, como ponto prévio, importa realçar esta dupla realidade – os sindicatos são mais visíveis em situações de conflito e de tensão com o poder (central, executivo, patronal, etc…) e não têm do seu lado a comunicação social, precisamente porque esta pertence ao poder. Logo e mesmo que este seja um tópico fora deste texto, parece-me que a comunicação sindical é, nos dias que correm, uma dimensão crucial para a sua existência.

Aos sindicatos cabe um papel duplo – o de defender os seus associados e o de participar activamente na vida social, tomando posição a agindo em prol de uma sociedade melhor, não só para os seus sócios, mas para todos em geral. É esse o motor que move os trabalhadores da TAP na luta pela manutenção da Empresa na esfera pública. É, também, por exemplo, [Read more…]

Professores e a desORDEM

Lugares comuns há muitos e são sempre um ponto de vista respeitável até porque, por definição, são vistos a partir de um ponto. Entendo a existência de imensos lugares comuns entre os  professores porque, numa classe com cem mil pessoas, há sempre uns mais esclarecidos que outros.

E um dos lugares mais comuns é o da necessidade de existir uma Ordem Profissional para que a classe se possa mostrar mais unida. É um argumento que, por inexistência de prova, pode ser apresentado, mas a classe, sem Ordem, já deu vários sinais de unidade nos últimos anos. A greve aos Exames o ano passado foi o mais recente.

Ora, neste lugar comum da ordem, parece-me que os professores se esquecem de duas coisas: [Read more…]

Quem percebe de Educação? Os gestores, claro!

empreendedorNo actual paradigma empresarialês, a única opinião legítima é a do gestor-economista-empreendedor-consultor, porque, já se sabe, não há nenhuma actividade que possa ser analisada sem o recurso a instrumentos e conceitos da Economia, da Gestão ou da Contabilidade.

É certo que há elementos de outras profissões que também têm direito a emitir opiniões, desde que recorram unicamente aos instrumentos e conceitos utilizados pelos gestores-economistas-empreendedores-consultores. É por isso que os profissionais de qualquer ofício não podem exprimir-se, pelo menos em público, sem falar em “contenção de custos”, “empreendedorismo”, “competitividade” ou timing.

É claro que a Educação não poderia ficar imune a este movimento. Aliás, a Educação, à semelhança do futebol, sempre foi um tema sobre o qual todos discorrem com grande segurança e à-vontade.

Carlos Guimarães Pinto é um dos autores do livro “O Economista Insurgente” e resolveu brindar-nos com a introdução do capítulo dedicado à Educação, tendo escolhido para título do seu texto “Porque é que os professores estão sempre a protestar?”. Ricardo Gonçalves Francisco e Miguel Botelho Moniz são os outros autores. Se consultarem as hiperligações, descobrirão que estamos na presença de lídimos representantes da classe do gestor-economista-empreendedor-consultor, ou seja, do especialista em tudo, de uma maneira geral, e em Educação, mais especificamente. [Read more…]

Praxado com vodka

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Crato acha que na URSS os sindicatos eram oposição. Segue-se uma grande ressaca.

Crato e os Sindicatos

Para Ministro da Educação os Sindicatos fazem “uma oposição sindical quase soviética”
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Contratados

Aqui têm uma excelente questão!

Alterações ao Despacho de organização do ano lectivo

O Ministério da Educação e os Sindicatos assinaram uma acta depois de uma das lutas mais intensas que os professores desenvolveram no nosso país.

Dando sequência a esse acordo, foi hoje publicado em Diário da República, um Despacho (pdf) que procura enquadrar formalmente o seu conteúdo (trata-se no fundo de uma alteração a um outro publicado há um mês)

Confesso que a primeira leitura me deixou algumas dúvidas: não vi nada sobre o horário de trabalho, sobre a organização da componente lectiva (o que é lectivo e o que não é), mas sendo um documento tão desejado, fica desde já disponível a todos os leitores do Aventar, em especial aos docentes que nos acompanham.

Negociações com o Ministério da Educação

Enquanto decorrem as negociações entre o Ministério da Educação e os Sindicatos, há algumas preocupações nas redes sociais.

Anda a circular a notícia de que os professores do quadro que venham a ser sujeitos à mobilidade especial não possam ser colocados a mais de 60 quilómetros da sua escola. Há quem pergunte por que razão os professores de quadro de zona pedagógica e os professores contratados não estão abrangidos pela mesma regra.

O alargamento do horário semanal de trabalho para 40 horas será considerado inaceitável, a não ser que recaia exclusivamente sobre o tempo individual de trabalho.

Para além disso, a promessa de que o referido alargamento não incidirá sobre a componente lectiva dos professores já está posta em causa a partir do momento em que o tempo reservado para a direcção de turma deixe de estar integrada nessa componente.

Uma outra preocupação mais ou menos silenciosa reside, no entanto, no facto de estarmos a lidar com um governo que está sempre disposto a cometer ilegalidades e a quebrar promessas.

Um sono tranquilo

Ser sindicalista é, nos tempos que correm, uma ocupação da moda. Isto, considerando o regresso à escrita de tantos Aventadores, antes entregues ao silêncio cúmplice dos jotinhas que nos governam. Quando o alfa e o omega da luta política lusa se destina a combater o Mário Nogueira, então poderei ir dormir tranquilo – o nosso trabalho está a ser bem feito.

Nos tempos de Sócrates fomos eleitos os inimigos públicos da Governação e agora, o PSD segue o mesmo trilho, com o mesmo tipo de linguagem, de argumentos e de provocações.

Voltaram os comunistas e as criancinhas ao pequeno-almoço… Só para complementar a informação, será que podem ajudar a clarificar tudo, apontando aqui o nome dos dirigentes sindicais (aqueles que assinam tudo!) militantes do PSD?

O poder foca a sua atenção nos sindicatos, esquecendo-se de governar – está tudo a funcionar bem do lado do contra-poder, aquele em que devem estar os sindicatos. E, ao contrário, tudo funciona mal do lado de quem dirige.

Quanto aos meninos que vivem à custa dos nossos impostos no parlamento, deixo uma sugestão simples: troco todo o dinheiro que o Governo transfere para os sindicatos pelo dinheiro que é transferido para  a JSD ou então, a décima parte do dinheiro que é transferido para as agências de comunicação que, um dia atrás do outro, nos tentam enganar com as mentiras do sistema.

 

Contributo para um Memorando de Entendimento entre Governo e Sindicatos – Uma proposta de comunicado

«Após análise da complexa situação que a escola pública está a viver e da necessidade de preservar os alunos e a preparação do próximo ano lectivo, a Plataforma de Sindicatos dos Professores decidiu cancelar a greve às avaliações, com efeitos a partir do dia de amanhã.
O Governo e a Plataforma Sindical de Professores decidiram que:
– o horário de trabalho dos professores passará para 40 horas semanais, incidindo esse aumento de horário apenas na componente não-lectiva. A componente lectiva continuará a ser de 22 horas.
– o cargo de Direcção de Turma continuará a fazer parte da componente lectiva e corresponderá a 2 tempos semanais.
– a mobilidade geográfica a que os professores estarão obrigados terá um raio máximo de 60 quilómetros.
– o processo de Requalificação dos professores [Mobilidade] irá prosseguir conforme planeado. Nesse sentido, será constituída em data a anunciar uma Comissão Permanente de Acompanhamento do Processo de Requalificação, da qual farão parte, em igual número, representantes do Ministério da Educação e dos Sindicatos de Professores. Esta Comissão Permanente será a responsável pela elaboração de um relatório sobre todo o processo de Requalificação e terá uma duração de 36 meses a partir da data da sua constituição. Qualquer uma das partes poderá solicitar o prolongamento dos trabalhos por mais 12 meses. Após a recepção deste relatório, que não será vinculativo, o Governo tomará a sua decisão relativamente ao Processo em causa. O Governo compromete-se a não tomar qualquer decisão antes da recepção deste relatório.»
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A JSSD e os sindicatos

Querem mudar a constituição, só pode. Oito deputados de um partido social-democrata.

A última esperança

A luta que os Professores têm vindo a desenvolver no último mês tem sido exemplar em muitos aspectos, nomeadamente ao nível da mobilização da classe que atingiu, em GREVE, dimensões nunca antes atingidas.

Mas, se os professores estão a lutar de forma singular, os boys de serviço continuam a não entender o que está em cima da mesa e que Pacheco Pereira tão bem descreveu esta semana:

O que está em causa para o governo na greve dos professores   é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos sem direitos nem justificações, a aplicar ao sector. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.

No DN, Pedro Tadeu, coloca a questão no ponto certo

O direito à greve foi assim transformado numa inalienável hipocrisia constitucional: um grevista é sempre, a priori, acusado por esta gente de estar a fazer mal ao País. E em qualquer empresa privada quase ninguém faz greve pois arrisca, logo, o desemprego.

Este jogo que parece ter de um lado os Professores e do outro Nuno Crato é bem mais complexo do que a espuma dos dias parece mostrar e todos começam a ter essa percepção. Obviamente, todos (ou quase!) defendem o direito à GREVE, mas nunca aquela em concreto: ou porque é cedo e não é tarde, porque é nos comboios e deveria ser nos aviões, porque é com alunos e deveria ser com os doentes, ou o diabo a quatro[Read more…]

Greve às avaliações alargada até ao dia 28 de Junho

Desta vez, os sindicatos estão de parabéns! Em Junho não há notas para ninguém…

Zandinga post (2): os sindicalistas são uns malandros

Os boys pagos com o nosso dinheiro e que estão ao serviço do Governo vão aparecer a criticar os sindicatos, os sindicalistas, quem faz greve… É um excelente sinal! Preocupado ficaria se nos viessem aplaudir! Ou então, como no tempo da Maria de Lurdes, se viessem descer a Avenida no meio das nossas manifs

Zandinga post: Há greves marcadas

Devem estar a pintar posts contra as greves, os grevistas, os sindicatos e os sindicalistas. Era mesmo só isto – foi o momento Zandiga no Aventar.

Se há alguém que merecia isto era ele

Mais protestos contra o Governo…

Partir a espinha aos sindicatos

O título foi roubado ao António Ribeiro Ferreira, num editorial que escreveu no jornal i. Surgiu aqui republicada, recentemente, uma reportagem miserável, paternalista, preconceituosa e com todo o ar de encomenda sobre os sindicatos e os custos que estes têm para o Estado. Confesso que não pretendia dar antena a tal coisa. No entanto, depois de ler hoje o Mapa do II do Orçamento de rectificativo, vale a pena olhar para a questões sobre várias formas. [Read more…]

Os sindicatos

Em Abril deste ano publiquei um texto sobre a questão do financiamento dos sindicatos que tanta tinta fazia correr em Espanha. Agora, a RTP fez uma “investigação” sobre o tema em Portugal. Deixo aqui o vídeo do programa e uma breve nota: 6 milhões???????????

Greve dos Professores: modo de usar

Tem dúvidas? É descarregar o documento de perguntas e respostas elaborado pelos sindicatos:

Greves Junho 2013_FAQ (pdf)

Espanha: Os sindicatos e o capitalismo

Aqui ao lado, em Espanha, fruto de mais uma bronca com dinheiros públicos, os ERE – Expediente de Regulación de Empleo, envolvendo políticos, empresários e sindicalistas (UGT e CCOO) colocou na agenda a questão da transparência dos dinheiros dos sindicatos.

A UGT e a CCOO (a CGTP espanhola) receberam mais de 30 milhões de euros de dinheiros públicos sem terem realizado nenhum trabalho. Os números são incríveis: o governo da Andaluzia entregou aos sindicatos (a troco de garantir a paz social) mais de mil milhões de euros entre 2001 e 2010. As duas centrais sindicais receberam, só em 2011 e 2012, mais de 220 milhões de euros de dinheiros públicos sem qualquer controlo.

A prisão de um sindicalista nos últimos dias, fez acordar a sociedade  civil espanhola para esta realidade. É caso para perguntar: e em Portugal, tudo normal???

Amanhã, às 15h

Para memória futura ficam as declarações de Nuno Crato:

“O Governo não está a discutir, o Ministério não está a discutir qualquer aumento do horário de Professores e muito menos de 35 para 40 horas. Isso não está em causa” (…) “Eu posso dar essas garantias para que as pessoas estejam tranquilas em relação a isso”

 

Estou tão tranquilo que amanhã, sábado, dia 16 de fevereiro volto à rua!

Laranjada

Eu percebo que os sindicalistas ao serviço do PSD tentem acalmar o povo, mas também não precisam exagerar. Fazer de conta que não se está a passar nada é um papel triste nos dias que correm.

Uns sabem, outros não

O Ministério da Privatização do Ensino Público, vulgo da Educação, decidiu centralizar os dados de carreira dos seus funcionários, operação com uns bons anos de atraso e que até poupa umas horas de trabalho a muita gente, incluindo os visados, os professores.

Claro que assim terá finalmente possibilidade de saber exactamente quem gere em termos de pessoal, o que se chama entrar na normalidade.

Vai daí mandou um mail a todos os professores, solicitando que via net colocassem os seus dados. Sucede que como a informática e o estado funcionam assim, um tolo mandou um endereço https ir parar a um endereço http.  Nada de estranho. Estamos em Portugal.

Anormal é o meu sindicato, da Fenprof, me spamar com um mail avisando que podia ser uma tentativa de phishing, o que é de infoburro para baixo, e sendo de senso comum nem vou perder tempo a explicar porquê.

Os professores, ao longo da última década, foram obrigados a tornarem-se infoincluídos, o que faz todo o sentido. O meu SPRC mesmo assim insiste em mandar-me o seu jornal em papel, a somar ao da Fenprof, em pdf não porque deve ficar muito caro. Podia contar mais estórias, a [Read more…]

A lição dos estivadores

Como se percebe da leitura do extenso trabalho que veio hoje a lume no Público, há sindicatos e sindicatos, e uns e outros distinguem-se pelos trabalhadores que têm e sua consciência.

Enquanto nuns portos os estivadores pagam uma quota elevada e beneficiam com isso da possibilidade de prolongar uma greve, o responsável do sindicato de Sines afirma não ter hipóteses de o fazer (embora saiba que uma greve de 8 dias faria ceder qualquer governo), o que até se compreende.  Uns ainda são trabalhadores, os outros estão no grau abaixo de zero do precariado e do salário pelo mínimo.

É essa a diferença, é para aí que governo e patronais pretendem empurrar os trabalhadores que sobram. Espancando para a ausência completa de direitos, para a reproletarização na versão clássica do esses que nada têm a perder porque nada têm, mas não ganharam ainda a consciência de terem tudo a ganhar. Esses a quem chamam em gozo de balofa hipocrisia colaboradores.

Têm azar: mais tarde ou mais cedo este filme também acaba assim:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=S6VBdu_ur48]

Há Lodo no Cais – On the Waterfront

Sindicatos de Professores – eleições directas para mesas negociais

O Sindicalismo em Portugal, como em muitos outros países europeus, vive momentos delicados.

Num contexto em que o papel dos Sindicatos é questionado em permanência, no meio deste tsunami social em que intencionalmente nos colocaram, os trabalhadores também sentem a importância do Sindicato, nem que seja como a última porta a bater depois de todas as outras se terem fechado.

No caso dos Professores há um problema de base que complica tudo – são mais de dez as estruturas sindicais que representam a classe. Existe a FENPROF, liderada por Mário Nogueira e que representa mais professores que todos os outros juntos, mas depois, entre os sindicatos mais pequenos contam-se mais de uma dezena de estruturas.

Maria de Lurdes Rodrigues  (página 11) for responsável pelo primeiro processo de aferição da representatividade sindical para distribuição dos tempos que poderiam ser usados pelos professores para a actividade sindical. Nessa altura, quando havia mais de 1200 dirigentes sindicais a tempo inteiro, a FENPROF tinha 15%. Quando o número foi reduzido para 450,  a FENPROF subiu para os 40% (180 dirigentes) e finalmente, em 2006, foram-lhe atribuídos 146 de 300.

A minha pergunta é simples: a quem interessa esta aparente divisão? [Read more…]