Meia-dúzia de cambalhotas e tudo pior

A CGTP reuniu hoje o seu Conselho nacional e não descarta o agendamento de uma nova Greve Geral, a par de outras formas de luta. Obviamente que, com o circo que o país viveu durante 21 dias, com o morto em passeio com as cagarras, coitadinhas, exige-se uma resposta dos trabalhadores e do povo. Depois de 21 dias, duas demissões, uma irrevogável, mais duas que estavam prontas a ser entregues e ficaram na gaveta, um Portas sem espinha e um Passos invertebrado, é imprescindível que o povo volte a ter a palavra. O morto não nos dá as urnas, nós damos-lhe com as ruas. [Read more…]

Instruções para o ano novo: o manual do perfeito grevista

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A greve é, só por si, um abuso, tal como o protesto, no fundo. A democracia e produtos derivados, aliás, devem permanecer num recanto da consciência e não devem ser exibidos em público, a fim de evitar atentados ao pudor.

O único grevista bom é, então, um grevista despedido, de preferência antes de chegar a pensar em fazer greve, porque isso já é, no fundo, uma heresia, um ataque à infalibilidade do governo e um desrespeito pelos nossos proprietários que só nos querem bem. E se o caminho for o empobrecimento de cada um de nós, há que aceitar, porque ínvios são os caminhos dos senhores e não nos cabe a nós alcançar os segredos da dívida interna.

Se, ainda assim, alguém sentir um impulso incontrolável por protestar ou por fazer greve, que saiba manter essa tara num recanto escondido do lar, longe na rua, longe, até, do cônjuge ou dos filhos. O cidadão responsável deverá fazer greve às escondidas, como deverá ser às escondidas que se dedicará às reprováveis práticas do onanismo. Aliás, num mundo ideal, em circunstâncias extremas, deveria ser normal a mulher bater à porta da casa de banho e perguntar, indignada, ao homem solitário: “Estás outra vez a fazer greve, grande porco?”

O grevista é, por definição, um milionário que ignora possuir uma fortuna. Assim, o grevista ganha sempre mais do que aquilo que é lícito e tem sempre mais direitos do que deveria ter, pela simples razão de que há sempre alguém que ganha menos, está desempregado ou teve papeira já na maioridade.

A greve deveria ser, no máximo, um direito reservado aos sem-abrigo, na condição de que estejam tão subnutridos que não tenham força sequer para balbuciar. O facto de não terem emprego faz deles, ainda, os grevistas ideais.

Felizmente, o nosso governo tem sabido contornar as maçadorias provindas de uma Lei cada vez menos Fundamental e antevê-se um mundo privatizado em que, por exemplo, os estivadores tenham medo de fazer greve. Já não faltará muito para que Portugal seja um paraíso semelhante à Coreia do Norte, graças à firmeza dos nossos queridos líderes.

Da série ai aguenta, aguenta (6)

Indemnizações por despedimento baixam para 12 dias

 

Greve do Pessoal dos Recursos Humanos das Empresas com Trabalhadores em Greve

RECURSOS HUMANOS 2FIXE, FIXE, ERA UMA GREVE DESTA GENTE

Fixe, fixe, era que o pessoal dos Recursos Humanos das empresas cujos trabalhadores estão em greve, parcial, às horas extraordinárias, ou total, e que dessa greve resultassem prejuízos para os outros trabalhadores que necessitam dessas empresas a laborar para eles mesmos trabalharem (Soflusa, Transtejo, Carris, Metro, CP, STCP, TAP, etc., etc., etc.), ou cujos prejuízos para a economia nacional fossem por demais evidentes (estivadores dos portos Nacionais), também fizessem greve, nem que fosse por solidariedade.

Era ver se as greves grassavam da mesma forma por esse País fora.
Para quem não sabe ou anda distraído, algumas das funções dos Recursos Humanos são:
– Preparar os dados para o processamento informático dos vencimentos;
– Processar os documentos relativos às horas extraordinárias, despesas de deslocação e ajudas de custo;

Pampilar não é só papel

Ontem ao jantar ouvi falar desta empresa de produção de artigos de papel para consumo doméstico (Vila Nova de Gaia): a Pampilar, nome difícil de fixar. Mas fica na memória a sua filosofia empresarial. Pensam nas pessoas, nos funcionários. É feita de gente que lhe dá as cores.

Em tempo de crise é um exemplo que chama a atenção, sem dúvida: divide os lucros anuais com os trabalhadores. Em média, a Pampilar oferece por ano até 5 mil euros aos funcionários.

“A empresa está a funcionar bem e pondera até contratar mais 20 pessoas.”

Queremos isto para todos os trabalhadores: o reconhecimento do seu trabalho; considerá-los como peças fundamentais do sucesso das empresas; um tratamento humano e justo, no fim de contas.

Disse um dos funcionários mais velhos da Pampilar: “esta é a minha segunda casa”.

Trabalhar tem que ser bom (ou suportável). Não pode ser um castigo, um inferno, «uma merda», uma prisão… Ninguém ganha com isso.

Trabalhadores satisfeitos, resultados alcançados.

Da próxima vez que fôr às compras, procuro a marca Pampilar!!

O fracasso do governo de Allende

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Não passa um dia dos inúmeros anos da minha vida, em que não me lembre do Presidente do Chile, o médico Socialista Salvador Allende Gossens. Morava calmamente com a minha pequena família na Universidade da Cambridge da Grã-Bretanha. Soubemos que o Senador por Valparaíso Salvador Allende corria pela quarta vez para as eleições presidenciais da nação chilena e corremos ao Chile para votar por ele. Receávamos que fosse a perder a eleição, mais uma vez. A sua primeira corrida, em 1952, perdeu por uma estreita margem de votos para o candidato Carlos Ibáñez del Campo, um homem pouco popular, que já tinha presidido a República nos anos 30. A segunda tentativa, em 1958 foi contra o empresário e engenheiro Jorge Alessandri Rodríguez, quem ganhou por uma larga maioria.

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As Nossas Idiossincrasias Positivas

«A outra idiossincrasia que está a funcionar bem é aquilo a que o governador do Banco de Portugal chamou na sexta-feira no Parlamento de flexibilidade tácita do mercado de trabalho. Muitas empresas exportadoras estão a ser mais competitivas por causa daquilo de que os trabalhadores abdicam. Ao contrário do que acontece nas grandes empresas e no Estado, há muitas PME cuja competitividade está a ser financiada pelos trabalhadores, que interiorizam as dificuldades de sobrevivências das próprias empresas – e nivelam as suas condições à conjuntura. O caso mais radical são os salários em atraso: os trabalhadores preferem tentar preservar o seu posto de trabalho a recorrer a um tribunal e fazer valer os seus direitos. Este é o caso máximo de partilha de risco. E muitas empresas estão a safar-se à custa disso. Um exemplo claro: os trabalhadores dos Estaleiros de Viana do Castelo acabam de fechar um acordo em que trocam as férias de Agosto para poderem terminar a construção de asfalteiros para a Venezuela.» Pedro Santos Guerreiro

Extinção de freguesias

O que a fusão de freguesias pode causar aos Trabalhadores da Administração Local?

Leis laborais: carga parlamentar

A discussão sobre a revisão das leis laborais na Assembleia da República, em boa verdade, não precisa de cobertura jornalística: a direita continua a fazer tudo para retirar direitos aos trabalhadores, agradecendo o apoio da troika; o PS continuará a abster-se violentamente, como partido que se considera “responsável”, projectando um timbre de esquerda que soa a uma voz de direita; a esquerda afirma que os trabalhadores continuam a perder direitos. [Read more…]

O contraditório ao jornalismo de retrete

O caso do artigo que Francisco Almeida Leite escreveu em papel higiénico preto, passe a publicidade, e que tem a lata de defender perante Oscar Mascarenhas armando-se em sénior (tem uma longa carreira como moço de fretes do situacionismo passista, isso é verdade) com o mirabolante argumento de que não era preciso exercer o contraditório, ou seja fazer jornalismo, porque se tratava de um argumentário do governo, tem dado muito comentário. Eui vou-lhe dar o contraditório, a partir de caixas de comentários à notícia espalhada online com pequenas correcções linguísticas, o estilo não será o melhor, mas a verdade não precisa de literatura:

FAL: “Descanso na CP para cada trabalhador é de 30 dias/ano. No metro de Lisboa, se gozados fora do período “normal”, pode também chegar aos 30 dias.”

 É verdade que os motoristas de carris têm 30 dias de férias enquanto os restantes têm 25 , só que nós motoristas temos dias corridos e não dias úteis, se eu tirar 30 dias de férias as minhas folgas contam como dia de férias e se fosse no regime dias úteis os fins de semana (folgas) não contam como dias de férias, então agora façam as contas para ver quem é que tem mais dias de férias , os que têm 25 dias uteis ou 30 dias seguidos. [Read more…]

As «regalias» dos trabalhadores das empresas de transportes e o Secretário de Estado: O Patinho Feio

Por HENRIQUE OLIVEIRA

Ontem uma das notícias do dia foi a “denúncia” das regalias dos trabalhadores das empresas de transporte por parte do Governo.

O senhor Secretário de Estado dos Transportes Sergio Monteiro está a revelar-se um verdadeiro populista, do mais baixo que há. Ao mesmo tempo que o governante saía de uma reunião com os sindicatos deste setor e afirmava que estas empresas “passaram de patinho feio para cisne”, libertava para a imprensa uma lista de regalias dos trabalhadores destas empresas.

Esta sórdida forma de fazer política, aliás muito utilizada quando não existem argumentos sólidos para explicar as medidas, está de volta e em força.

O senhor secretário de estado dos transportes está a comportar-se como um verdadeiro pistoleiro ao criticar estas empresas e as suas dívidas acumuladas, não querendo perceber que a responsabilidade maior está no comportamento de três décadas do Estado e dos seus governantes e não percebendo nada acerca das externalidades. [Read more…]

Cante-se o Hino!

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Como é ilustrado pela imagem, o CM anuncia que militares reservistas – ao fim e ao cabo, os  reformados ou pensionistas das Forças Armadas – vão receber subsídios de férias. O DN confirma, adiantando que o Ministério da Defesa (MD) “justifica a atribuição dos subsídios respeitantes a férias vencidas a mais de 500 militares que passaram à reserva fora da efectividade de serviço, até final de 2011”.

A justificação e a decisão do Ministério da Defesa merecem-me, à partida, as seguintes observações:

  1. Para todos os funcionários públicos, reformados da f.p., trabalhadores e pensionistas do sector privado; em suma, todos os trabalhadores civis e ainda militares e membros de órgãos de soberania remunerados pelo Estado, os Subsídios de Férias, reportados à anuidade anterior, vencem-se a 1 de Janeiro de cada ano.
  2. A justificação dada pelo MD, ao invocar tratamento de excepção, ilude, portanto, um princípio elementar e legal do tempo de vencimento do subsídio de férias, o que  agrava o caso de discriminação na aplicação do OGE de 2012 que, natural e racionalmente, os Sindicatos da Função contestam.

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Sicasal, um ponto de reflexão

Isabel G.

Usamos o Aventar para reclamar, para criticar, às vezes até para lançar veneno. É bom, sabe bem, desopila-nos os fígados. Mas raramente, e corrijam-me se estiver errada, o usamos para elogiar. A verdadeira mudança de paradigmas, de mentalidades, reside, precisamente, e na grande maioria dos casos, muito mais no louvor do que no repúdio.

E porque é assim que penso, não quis deixar passar em branco o grande elogio, que deveríamos até considerar como importante ponto de reflexão, que deve ser tecido à Sicasal. Nem sequer decorei o nome do proprietário, mas isso também não é importante. O que é importante e digno de nota, isso sim, é que esse senhor, talvez com a sua atitude no decorrer da vida, foi capaz, sem aparente esforço falseado, pelo menos que seja notório, de transmitir atitudes geradoras de energia, de solidariedade, de cooperação.

Está patente na Sicasal, segundo o que a comunicação social difunde, o espírito de entreajuda que deveria ser a atitude intrínseca do ser humano. Ali não há patrão versus empregados e vice-versa. Ali há a sensata consciência de que o trabalho conjunto, na abundância e na provação, é a única via possível para que cada um prossiga da melhor forma com a sua vida.

Ali não há antagonismo. Ali não há um contra muitos nem muitos contra um. Ali há o senso comum que deveria pautar as vidas de todos os seres humanos.

Todos aqueles que estão convictos de que este ou aquele partido, este ou aquele sindicato, esta ou aquela facção, esta ou aquela ideologia, são a solução para os profundos problemas que fustigam a nossa sociedade, deveriam pôr os olhos nesse exemplo onde, apesar de “cada macaco no seu galho”, cada um serve, da melhor maneira que pode, um bem comum. Isto sim é evolução, isto sim é construção e avanço. Isto sim é o ser melhor no seu melhor.

As críticas têm o seu lado positivo, é inegável, mas o exagero e a carga negativa e revoltadora com que por vezes são feitas engendram atitudes e acções que corrompem a intenção primeira, desviando-a. Os louvores, os elogios, o reconhecimento das atitudes positivas e geradoras de mudança, porém, estimulam o bem fazer e suscitam acções criativas e positivas.

Com o senhor da Sicasal, cujo nome desconheço, partilho o meu mais humano sentimento. Aos seus colaboradores, modestamente confesso que gostaria de ser assim, de ser capaz de tamanhos actos altruístas.

A protecção dos trabalhadores contra o fumo em segunda mão (fumadores passivos)

A ACOP exige revisão da lei antitabáquica.

Mercê da subversão das normas e da estranha opção que acabou por se sedimentar, os trabalhadores dos estabelecimentos de bebidas (cafés, snack bares e similares) “qualificados” como “azuis” (em que se fuma indiscriminadamente) não têm qualquer protecção.

Com a extrapolação da regra para os restaurantes, independentemente da área prevista por lei, fenómeno análogo se observa, vale dizer, durante o período laboral ficam expostos, sem remissão, ao fumo dos comensais fumadores, não se poupando aí sequer os menores que acompanhem os seus familiares.

Há locais de trabalho em que as zonas reservadas aos fumadores são contíguas (sem qualquer protecção acrescida) às que se consignam às tarefas laborais, o que subverte em absoluto o escopo da lei.

Não houve, por razões compreensíveis, qualquer investimento nas zonas de fumo das instalações laborais, o que causa natural incomodidade aos trabalhadores que fumam com as quebras sensíveis que se registam nos ritmos de trabalho e no rendimento específico de cada um e todos.

Situações de manifesta desigualdade e ausência de proporcionalidade entre os que fumam e os que resistem ao tabaco e aos produtos do tabaco.

Com a exposição dos trabalhadores, em situações climatéricas de ponta, às inclemências do tempo, as enfermidades disparam e o absentismo, ainda que não medido pelas estâncias do poder e as estruturas da saúde, cresce exponencialmente.

Referência ao facto de a OMS haver sustentado, desde sempre, que não há sistemas eficazes de extracção de fumos, mas o mais grave é que, por razões de economia, mesmo os precários sistemas implantados nos estabelecimentos de restauração, de bebidas, cafetaria e similares, só episodicamente funcionam com os efeitos negativos daí decorrentes.

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O Macário deu à costa…

https://i0.wp.com/jn.sapo.pt/Storage/ng1308826.jpgO Presidente da Câmara de Faro, não está com aquelas, há aí uns meninos e umas meninas, funcionários, que abusam no tempo a tomar a bica. É uma espécie de recreio prolongado. Acabou! A partir de agora quem abusar pode levar com faltas injustificadas.

“Temos que respeitar os cidadãos, que às vezes estão ali em fila, à espera, e há alguem que está no café em vez de estar a trabalhar”. Dos 1030 funcionários a “maioria cumpre mas há umas dezenas que não o fazem”. A partir de agora deixa de haver pausa para tomar o café após as 10 horas e na parte da tarde não há direito a pausas.

Haja esperança, devagar, devagarinho quem cumpre começa a ver o mérito do seu trabalho reconhecido. E a disponibilidade! Entretanto, o delegado sindical, quer ouvir os trabalhadores para saber o que pensam das novas medidas e se o Presidente tem provas dos abusos!

Pois! Ainda pensei que era para dar uma medalha a quem defende “a maioria ” dos trabalhadores, mas não, é para manter o cafèzinho” e o recreio “à minoria” !

Unidade é uma valor importante, mas não é o único

O movimento unitário de trabalhadores, representado em Portugal pela CGTP – Intersindical Nacional, é um movimento fundamental da sociedade Portuguesa.

A unidade é importante na medida em que é instrumental, é necessária para o desenvolvimento da luta dos trabalhadores.
Mas, a Unidade não pode ser um valor em si mesmo e por isso não assino por baixo o sindicalismo de outros tempos. A ruptura e a divergência na reflexão são cruciais, podem ou não acontecer nos momentos da acção, mas, não podemos, nem devemos faltar ao respeito a quem concorda ou a quem não concorda.
Não aceito, nos momentos em que discordo, vir a público apelar à não luta.
É precisamente isto que os movimentos de professores estão a fazer.
Não representam nada nem ninguém a não ser os seus próprios mentores – são seres virtuais (só existem na web, nas redes sociais e nos mails), sem qualquer ligação às escolas e aos seus trabalhadores, os Professores. Acusam as direcções dos sindicatos de terem avançado com uma greve sem terem ouvido os trabalhadores – pergunto: e os movimentos, quem ouviram? Onde? Quando? Como?
Depois, desvalorizam as questões salariais – eu, trabalhador, não tenho problema nenhum em assumir que só trabalho por dinheiro! Mas, há algum problema nisso? Penso que a dignidade da minha essência está no respeito que tenho pela profissão que exerço porque é graças a ela que consigo existir. Mas, não tenho qualquer dúvida – só trabalho por dinheiro e por isso as questões salariais são MUITO importantes. Se calhar, os professores dos movimentos não precisam tanto de trabalhar como eu.
E para concluir poderia dizer que se estivessem atentos poderiam ver que nas escolas a grande questão do momento é a aposentação e as suas alterações previstas no Orçamento de Estado.
Em síntese, poderíamos dizer cada Professor é livre de fazer o que entender, aderir ou não à Greve. Olhar para os motivos e ver se concordam com eles. Depois, em função dessa resposta, decidir se o Dia de Greve é ou não uma arma para usar.
O que não podemos usar é o nosso sentimento anti-sindical para vir a Público dizer que se demarcam e que não vão fazer nada e tal… Mas, alguém vos pediu alguma coisa? Será que os Professores vos mandataram para alguma coisa? Quem vos elegeu?

Laurinda Freitas: um depoimento

Neste pobre país é proibido ser bom trabalhador mas honesto, isto desde o escriturário ao administrador.

Trabalhei como 1ª escriturária durante 35 anos numa empresa do ramo automóvel, pertencente a um Grupo Económico deste País. Neste espaço de tempo exerci algumas funções onde fui muito bem sucedida, mas por inveja dos meus chefes e porque à empresa não interessava trabalhadores que não lhes mereciam confiança para exercerem manobras contabilísticas /  corrupção, nunca me deram a oportunidade de subir na carreira.

Nos últimos dez anos que trabalhei na empresa procuraram todos os meios possíveis para me desgastarem, para que eu tomasse a decisão de sair da empresa, pois fui marginalizada, realizavam-se reuniões com os trabalhadores dos sectores a que eu pertencia e eu era proibida de participar.

Excluída, todos os trabalhadores tinham formação de informática e eu não, eram colegas que me explicavam depois o mínimo necessário para eu trabalhar. Era a única trabalhadora que não tinha impressora, pois tinha de me deslocar a gabinetes de colegas, para retirar os documentos que punha a sair nas impressoras delas.

Humilhada, enquanto os restantes trabalhadores tinham um gabinete digno, o meu mais parecia uma entulhada de papeladas, com caixotes cheios de papéis acima da superfície e pastas de arquivo no chão.

Torturada, trabalhava num gabinete onde estava uma máquina de grandes dimensões que alimentava todo o sistema informático das empresas do Grupo de toda a Região Norte; essa máquina trabalhando normalmente já fazia um ruído incomodativo, como eu me queixava desse ruído resolveram pôr a máquina a fazer um ruído insuportável, a porta da máquina trepidava por causa do mesmo. Estive assim durante uma semana, nesses dias quando à noite ia dormir parecia-me ouvir esse ruído, só colocaram a máquina com o ruído normal, quando um dos meus filhos foi lá para ver a minha situação.

Resisti a todo o desgaste psicológico que os corruptos me aplicaram, mas em Dezembro de 2008 fui despedida, porque a lei de trabalho em vigor favorece os corruptos que só estavam interessados em trabalhadores do sistema.

Portugal jamais poderá prosperar enquanto as empresas agirem como aquela aonde trabalhei, pois preferem ter trabalhadores medíocres, mas que cooperem com a corrupção. Os bons trabalhadores, mas honestos que podem ajudar as empresas e o País a prosperar são tramados.

Downsizing, dizem eles

É uma triste realidade aquela em que pequenos e médios empresários tentam obter, junto da banca, liquidez para salvarem as suas empresas, depois de já lhes ter sido sugado todo o património e mais algum para garantia dos financiamentos.

Mendigam apoios àqueles a quem eu, eles, e todo o povo português, avalizou os seus financiamentos externos. Pois convém lembrar que a banca portuguesa foi pedir dinheiro lá fora com o aval do Estado português, ou seja com o nosso aval. E a nenhum de nós algum banco deu de garantia o que quer que fosse pelo aval que o povo lhes deu.

Esse dinheiro que veio de fora á custa do nosso aval está a chegar a conta-gotas às empresas, atrofiando-as em termos de liquidez. E quando o empresário chega à banca, como eu já assisti, para pedir ajuda, volta-meia-volta lá vem a lógica do “downsizing”, ou seja, a diminuição da estrutura da empresa para melhorar a sua viabilidade. Que é o mesmo que dizer mandar trabalhadores para a rua para se gastar menos em salários. [Read more…]

Estrondosa Vitória dos Trabalhadores Portugueses

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O GOVERNO NÃO CEDEU AO PATRONATO
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Hoje é um dia histórico para os trabalhadores Portugueses. Apesar das tentativas do patronato, que não queria um aumento tão grande do salário mínimo nacional, o governo, grande amigo e defensor dos trabalhadores insistiu e garantiu uma vida melhor para milhões de pessoas.
Com o valor agora imposto pelo governo de Sócrates II O Dialogador, a classe trabalhadora Portuguesa pode, por fim, viver ao nível das suas congéneres europeias. Os patrões bem podem chorar, bem podem protestar e dizer que assim não conseguem aguentar, mas o que interessa aqui, é a subida do nível de vida dos Portugueses.
Doravante, ninguém mais se queixará de viver mal e com salários baixos. O salário mínimo nacional subiu para uns fabulosos quatrocentos e setenta e cinco euros, com uma subida recorde de vinte e cinco euros por pessoa e por mês. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ups…..
devo ter-me enganado… 475?, por mês?, subiu 25?…. desculpem sim? Esqueçam o que eu disse antes. Ai que vergonha. E eu a dizer bem disto, do que o governo fez e do valor do aumento.
Apaguem, sim? Não publiquem isto, por favor. Amanhã, volto a escrever alguma coisa sobre a subida do salário mínimo. Dessa vez a falar a sério.
Que vergonha…. boa noite e desculpem.

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1º de Maio:

No dia dos trabalhadores, fazendo uma pausa no trabalho, não posso deixar de escrever sobre o tema.
Não vou falar sobre os trabalhadores que as centrais sindicais arrebanham para a Avenida da Liberdade nem para o folclore mediático onde aproveitam um dia com toda esta simbologia para praguejar contra o governo, a direita, os capitalistas e outros perigosos fascistas.
Nem vou falar daqueles trabalhadores que, nas palavras de João Paulo Silva, “trabalhem na preparação das comemorações dos queques caviar de direita que nos levaram ao ponto em que estamos”.
Não, eu prefiro falar naqueles trabalhadores que nascidos noutras paragens escolheram Portugal como porto de abrigo, a exemplo de mais de um milhão de compatriotas nossos que foram para fora procurar uma vida melhor. É desses que me lembro neste dia, sobretudo depois de ouvir ontem, na TSF, o inenarrável “Paulinho das feiras” a defender o fecho das nossas fronteiras aos trabalhadores estrangeiros, querendo travestir-se de “Paulinho das feras”. Seguindo a linha de pensamento recentemente adoptada por certos sectores do PSD que, infelizmente, andam a navegar à vista e a ser muito mal aconselhados.
Quem defende a Liberdade não pode, por maioria de razão, alinhar neste tipo de populismo barato. Um país com mais de um milhão de trabalhadores espalhados pelo Mundo, não pode dar-se ao luxo de bramir contra os trabalhadores estrangeiros.
É deles que me lembro hoje, no dia do Trabalhador.

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