Apesar da palhaçada que é isto dos rankings das escolas, porque o incomparável nunca pode ser comparado, é sempre bom ver que as públicas, neste ano, estão em maioria no top-20: 15 contra 5 privadas.
O ranking da superação, levado a cabo pelo Público e pela Católica do Porto, não é perfeito. Mas ao introduzir critérios como o contexto socioeconómico das famílias, a escolaridade dos pais, a idade média dos alunos ou a percentagem de alunos com apoio da Acção Social Escolar, repõe alguma justiça e alguma verdade.
Um exemplo. Olhando apenas para os números absolutos, a Escola Secundária de Pinhel está em 72.°, mas no ranking da superação está em 6.°lugar, praticamente empatado com o Colégio do Rosário do Porto.
Já o Rosário desce do 2.° lugar em termos absolutos para o 5.° no ranking da superação. Atendendo a que entra ali mais de 1 milhão de euros por mês só em propinas, e o que valor global chega aos 2,5 milhões, talvez fosse de contar que os seus estudantes se superassem mais.
Como é possível querer comparar as duas escolas tendo em conta apenas os dados absolutos?
O Colégio do Rosário está numa das zonas mais ricas do Porto, a av. da Boavista. Faz parte da freguesia de Ramalde, mas na fronteira com Aldoar, Foz e Nevogilde. A maior parte dos seus alunos é destas freguesias. Pinhel é um concelho deprimido do distrito da Guarda.
O poder de compra per capita no Porto é de 162,2 (e muito mais naquelas freguesias), o 2.° do país. O de Pinhel é 70,8 – o 243.° do país.
O rendimento mediano por pessoa no Porto é €17397. Em Pinhel é €10062.
O salário médio no Porto é de €1555. O de Pinhel é €888. O valor patrimonial da famílias do Porto, em média, também é o dobro das de Pinhel. No caso das famílias de Aldoar, Foz e Nevogilde, não será o dobro, mas o quíntuplo.
Por último, a Escola Secundária de Pinhel não selecciona. Entram todos e ninguém fica para trás. No Colégio do Rosário, como nas boas escolas privadas, a malha da selecção é tão apertada que, há uns anos, até o filho do mais famoso guarda-redes da história do FC Porto foi convidado a bazar no final do 9. ano. Parece que o seu desempenho escolar era tão bom como o do pai fora de campo e, claro, as suas notas não podiam pôr em causa os sacrossantos rankings.
Nada do que se publica por estes dias é, pois, para se levar a sério. Na maior parte dos casos, aberrações. Os textos e quem os leva a sério.






E sendo a palhaçada que , por que continuam com isto? Claro que interessa aos privados, mas isto é uma distorção da realidade. Também podem dar-lhe outro nome, tipo “ranking das escolas com notas mais altas”, ou “ranking das escolas com maior inflação”
cá no burgo há um colégio provado muito afamado por matricular alunos que eram uns marretas no ensino publico e saiam de lá com excelentes notas de acesso ao ensino superior. Ficavam bons alunos por acção da varinha mágica…..
Nada a opor à multiplicidade de critérios de aferição.
Mas a mensagem subjacente de que se és pobre ou filho de ignorante já está dispensado da excelência, é pilar da doutrina dos coitadinhos e só lhes promove a existência.
mais um belo comentário do sr menos.
gostava que ele comentasse isto:
https://www.cmjornal.pt/vidas/ultimas/detalhe/candidato-do-chega-surpreende-em-sessao-erotica-com-outro-homem
e isto:
https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/ex-candidato-do-chega-diz-querer-ter-sexo-com-a-namorada-e-a-filha-desta
Ora pois, mas…
…não deixa de ser impressionante a excelência que brota de forma explosiva nos colégios com mensalidades superiores a 600 €…
Não faz mal, a mensagem subjacente de que a nota académica, ainda para mais do ensino básico, define a excelência é o pilar da mediocridade e estagnação.