O «spin» dos 10 mil milhões funcionou

Ninguém mais quis saber dos sms do Centeno (estão bem é uns para os outros).

Alguém viu passar dez mil milhões?

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As transferências de capital para paraísos fiscais, efectuadas entre 2011 e 2014, período em que até os dentes de ouro sairam do país, é coisa que talvez não se possa equiparar à facturação de um cabeleireiro de bairro, de um vendedor de pneus recauchutados ou ao volume total de IRS pago pelos operadores de call center a recibo verde.

Depois das várias versões do sucedido adiantadas pelo anterior Secretário de Estado que, compreensivelmente, tratando-se de operações financeiras de volume identificável a olho nu no PIB nacional, agiu sozinho, não reportando ao Ministro das Finanças, nem este ao Primeiro Ministro, nem este ao Presidente da República, nem este aos titulares das contas offshore, temos, finalmente, o tão esperado erro informático e complexas questões de Software a cujo cabal entendimento não poderá chegar-se sem uma exaustiva e independente auditoria. Em Março.

Será mesmo verdade que, ao longo de quatro infinitos anos, ninguém, no órgão de soberania com funções fiscalizadoras, deu pela falta dos 10 mil milhões?