Merkel, a grande federalista

Um dos enigmas deste tempo de apertos, consiste no insólito facto de quase todos aqueles que se declaram de “federalistas”, serem invariavelmente, ferrenhos inimigos da Chanceler Merkel. Uma estupidez.

As declarações que esta proferiu há algumas horas, atacam os suspeitos fervores soberanos dos “indignados” do momento, sejam eles os do “contra-tudo” ou aqueles outros que almejam substituir a CDU num poder europeu cada vez mais concentrado no Reichstag de Berlim. Um contrasenso apenas ditado pelo costumeiro oportunismo de umas elites sem eira nem beira, esta é a verdade. Angela Merkel disse que os Estados que têm atentado contra a letra dos Tratados assinados, devem ser punidos e entre os castigos, lá está bem nítida, a questão da soberania. No fim de contas, esta nova febre soberana dos “indignados”, vai totalmente contra os entusiasmos “internacionalistas” de outras eras, eivados de “solidariedades e amores fraternais entre povos” tradicionalmente inimigos de morte. Enfim, a necessidade impôs novas regras e na esfera da “União Europeia”, o Euro – ao qual o regime se agarrou como um bezerro á teta da vaca – foi um dos argumentos mais poderosos para a homogeneização do pseudo continente. Merkel é acompanhada por quase todos os países do norte, centro e leste europeu e este é um incontornável facto que a muitos custará aceitar. Houve quem não cumprisse o acordado e entre os participantes, o regime português é um notório perdulário – para não dizermos vigarista – que há muito teria sofrido exemplar punição, caso a economia que ele próprio há décadas destruiu, não fosse um mero resquício de outros tempos.  Quem é federalista, não pode ser anti-Merkel. [Read more…]

O pódio mundial do PIB sem Europa

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Com uma evolução de 10,3% do PIB em 2010, a China desalojou o Japão do 2.º lugar da economia mundial – 4,47 biliões de euros é o valor atingido pela economia chinesa, contra os 4,20 biliões do Japão (3,9% de crescimento). Na frente, continuam os EUA com 10,97 biliões.

EUA, China e Japão, e agora por esta ordem, afirmam-se como as três principais economias mundiais, prevendo alguns analistas que, dentro de 10 anos, os chineses venham a arrebatar o 1.º lugar aos norte-americanos.

No pódio do PIB mundial, de Europa nem um leve cheiro. Envelhecido, com um conjunto de economias fragilizadas e socialmente doente, o ‘Velho Continente’ vai-se arrastando penosamente em múltiplas crises. A UE está sujeita às ordens da Sra. Merkel, coadjuvada por Sarkozy; e salpicada, aqui e acolá, pelas aventuras de Berlusconi (o eterno ‘sex symbol’).

Sem estratégia e líderes à altura dos desafios que enfrenta, a Europa está condenada ao fracasso como potência social, cultural e económica. Afasta-se gradual e intensamente do estatuto e papel que já teve no mundo.