A Lista

Lóbi dos Estados Unidos da América na União Europeia.

Ide ler sobre as maravilhas do artigo 13.

Direitos de autor no YouTube arruínam vídeos de educação musical. É só fumaça, diziam.

Ganhou o lobby das editoras. Os tótós dos autores acham que foram eles que ganharam.

Quando vir um autor mostrar a fortuna, ou uns trocos, até, com a nova lei da rolha, garanto que como um chapéu (*).

Directiva dos direitos de autor é aprovada numa vitória para as indústrias de conteúdos

Como votaram os eurodeputados portugueses na nova directiva dos direitos de autor? Um enganou-se

Por exemplo, com a nova lei, para publicar os links em cima, o Aventar teria que pagar uma comissão ao Público. O que vai acontecer? Aqui no blogue não temos receitas, isto é mantido por carolice, pelo que se chegar a vias de pagamentos, bye-bye links (é a minha opinião e não a do Aventar – ainda não discutimos o assunto). Quanto aos gigantes, como Google e Facebook, farão, muito provavelmente, aquilo que o Google já fez em situações semelhantes. Adeuzinho hiperligações.

Quanto aos tais filtros, quem já tentou contactar o Youtube ou o Facebook sabe perfeitamente que do outro lado não há ninguém.

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Engenharia e evasão fiscal: a receita para o sucesso do eterno aumento da desigualdade

G2

Imagem via The National Business Review

Os lucros actualmente obtidos por gigantes como a Google ou o Facebook, que vivem essencialmente daquilo que quase todos, directa ou indirectamente, lhes damos voluntariamente, colocam estas empresas, a par de outras tecnológicas como a Amazon ou a Alibaba, entre as entidades mais poderosas do mundo. Não existem, nos dias que correm, muitos chefes de Estado ou de governo com poder efectivo comparável ao de pessoas como Larry Page, Jeff Bezos ou Mark Zuckerberg, apenas para citar alguns nomes da nova oligarquia mundial.

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Cenas chocantes de brutalidade policial sobre manifestantes pacíficos na Venezuela

Ninguém escapa. Há mulheres a voar pelas escadas abaixo, idosos agredidos no chão, vai tudo à frente. Bastonadas e pontapés na cabeça, pessoas levadas pelos cabelos, o cúmulo da violência policial só possível nas mais violentas ditaduras.

Esperem lá: eu disse Venezuela? Enganei-me, queria dizer Espanha.

Ufa, por momentos pensaram que era motivo de forte indignação, não foi?

A Venezuela e o ultimato europeu

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Com a Rússia e a China na rectaguarda, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela esteve ontem na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, muito seguro de si, e tinha uma mensagem muito particular para os Estados europeus:

A Europa dá-nos oito dias de quê? De onde tiraram a ideia que nos podem fazer ultimatos?

A intenção até podia ser boa, mas, numa próxima ocasião, caros Estados europeus, fica a sugestão: e que tal demonstrar o mesmo músculo com, sei lá, uma Arábia Saudita, daquelas mesmo totalitárias, que encomendam esquartejamentos de jornalistas em embaixadas de outros países? Começavam por não lhes vender mais armamento, seguido de um embargozito, e depois, quando os supermercados estivessem mesmo vazios, a população revoltada e um potencial líder da oposição posicionado, exigiam-lhes eleições livres, coisa que de resto nunca acontece por essas bandas. Assim, quando quisessem fazer ultimatos às Venezuelas desta vida, sempre tinham outro arcaboiço moral para o fazer.

Os europeus fogem da Europa sem saber para onde

Abandonados pelo poder na União Europeia, os cidadãos compreenderam que a sua voz e vontade deixaram de encontrar nos partidos dominantes do sistema qualquer eco ou respaldo na tomada de decisões para a sua construção, sentindo-se defraudados nos nobilíssimos ideais que lhes venderam sobre uma “Europa dos Cidadãos”. De costas voltadas para os cidadãos, os políticos do Partido Popular e do Partido Socialista Europeus, aplicam há quase duas décadas os ditames da alta-finança internacional sem nome nem rosto, impondo políticas de empobrecimento da classe média e dos mais desprotegidos, seja em nome da manutenção de uma moeda forte, seja em nome da dívida soberana, seja em nome do que entenderem dizer.

orban

A verdade é que a Europa deixou de interessar aos investimentos da alta-finança desde que escancararam as portas à livre circulação global do capital, [Read more…]

Um dia destes, acordamos em 1984

Cartoon via Madrid me Mata

Pensava eu que Espanha era um Estado laico, e não uma daquelas tiranias teocratas onde o comum cidadão pode ser preso por satirizar figuras religiosas, cuja simples existência não reúne sequer unanimidade. Anda a Europa às aranhas com Orbáns e quejados, e eis que um cidadão espanhol, o actor Willy Toledo, se vê na situação de ter que responder perante um juiz por, alegadamente, ridicularizar Deus e a Virgem Maria. Não sei bem porquê, mas vem-me imediatamente à cabeça imagens de fundamentalistas islâmicos a pedir a cabeça de cartoonistas que ousam ridicularizar o profeta Maomé e outros símbolos do Islão. [Read more…]

A União Europeia e a Internet, novamente

Isto cansa e o exército dos eurocratas ao serviço do lobby da indústria do entretenimento, camufladalo de defesa dos autores, acabará por ganhar por exaustão.

Amanhã, irá a votos a segunda versão da estratégia de censura da Internet, agora limada mas mantendo o tom.

Já tudo foi dito. Sobra a cada um informar-se sobre os novos desenvolvimentos e agir:

https://pt.saveyourinternet.eu

Entretanto, é de ler este post “Nova resposta de @marinhopintoeu a @ruitavares no jornal @Publico é surreal #SaveYourInternet #FixCopyright #SaveUsFromOurMEPs“. A estupidez é ilimitada.

A UE prepara censura automática na Internet e taxa sobre os links – contacte António Marinho e Pinto para impedir este absurdo!

Enquanto a mais recente proposta de direitos de autor na UE chega a uma votação crítica no dia 20 de Junho – próxima quarta-feira, mais de 70 dinossauros da Internet e da computação manifestaram-se contra uma cláusula perigosa, o Artigo 13, que exigirá que as plataformas da Internet filtrem automaticamente o conteúdo carregado. O grupo, que inclui o pioneiro da Internet Vint Cerf, o inventor da World Wide Web Tim Berners-Lee, o co-fundador da Wikipedia Jimmy Wales, o co-fundador do Projecto Mozilla Mitchell Baker, o fundador do Internet Archive Brewster Kahle, o especialista em criptografia Bruce Schneier, e o especialista em neutralidade de rede Tim Wu, escreveram em uma carta conjunta que foi divulgada há dias:

Ao exigir que as plataformas da Internet executem a filtragem automática de todo o conteúdo que os seus utilizadores carreguem, o Artigo 13 dá um passo sem precedentes para a transformação da Internet, de uma plataforma aberta para partilha e inovação, numa ferramenta para a vigilância e controlo automatizados de seus sites.

(Texto supra adaptado daqui)

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A diplomacia portuguesa está de parabéns!

Fotografia: Gil Cohen-Magan/AFP@Middle East Eye

Hoje é um daqueles dias em que me sinto verdadeiramente orgulhoso por ser português e europeu . No dia em que os EUA trumpizados exibem ao mundo a sua mais recente canalhice pirómana, a União Europeia em peso não se fará representar na inauguração da embaixada americana em Jerusalém. Só mesmo alguma tralha fascista que por cá temos, residual e pouco representativa dos valores fundadores da União, marcará presença neste momento de radicalismo populista e incitação à violência. O KKK europeu a ser igual a si próprio.

Ainda que simbólico, este acto de rebeldia agrada-me. Como me agrada que os signatários europeus do acordo nuclear com o Irão não tenham cedido à chantagem do Adolfo nazi de cabelo laranja. Não sou antissemita, não embarco no radicalismo de culpar todos os israelitas pelos erros e abusos dos políticos corruptos e dos banqueiros terroristas que efectivamente mandam em Israel (e nos EUA), mas estarei sempre do lado do boicote a governos fascistas, belicistas, fanáticos e racistas, que não respeitam direitos humanos e que usam a tortura e o sofrimento de inocentes para impor a sua agenda política.

Por tudo isto, que não é pouco, quero endereçar os meus sentidos parabéns à diplomacia portuguesa, por, uma vez mais, optar por não fazer fretes a tiranetes.

A utopia terá que esperar

A última tentativa levada a cabo para influenciar, a partir do interior, as políticas da União Europeia, no que se refere ao seu modelo financeiro, social e económico conhecido por TINA (There Is No Alternative), foi feita pela Grécia, quando era seu Ministro das Finanças Yanis Varoufakis.

Essa tentativa falhou redondamente.

Varoufakis tinha a ciência, a coragem e a legitimidade democrática para provocar no seio da União Europeia, e na sua linha de pensamento único, um abalo com potencial suficiente para se estender a outros países, nomeadamente do sul, conferindo-lhes um poder negocial muito superior ao que hoje detêm, com o apoio, eventualmente, do bloco dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Mas, como é sabido, num momento crítico da sua estratégia, para a qual estava mandatado pelo seu Primeiro-Ministro, Varoufakis perdeu o apoio de Tsypras e foi demitido. Não se sabe o que terá levado o Primeiro-Ministro grego a assumir a derrota, mas é possível que não tenha garantido o apoio internacional necessário ao sucesso da sua “rebelião”, ou que esse apoio tivesse custos superiores aos de uma capitulação ante o Eurogrupo.

Sabe-se que em Portugal se passou algo semelhante. Numa visita relâmpago que fez ao nosso país, antes do pedido de resgate financeiro, o Presidente da República Popular da China propôs-se pagar toda a dívida pública portuguesa, sendo provável que tenha pedido em troca nada menos que toda a economia. A sua proposta foi recusada.

Vivemos, assim, no fio da navalha, entre a espada e a parede. Somos obrigados a uma estratégia de política externa que não é muito diferente daquela que seguimos ao longo da História, principalmente após a morte do Rei D. Sebastião. Somos uma nação postiça, um povo sem nervo, uma pasta civilizacional que vive de pequenos arranjos diplomáticos, cujo fim é, mais do que favorecer a posição do país e o ânimo do seu povo, alimentar a estrutura burocrática que os representa politicamente. Isso não é desígnio digno da nossa História.

A derrota de Varoufakis não foi apenas a derrota da Grécia. Foi a derrota de uma linha de pensamento político que se opõe à Ordem global vigente, esta da degradação cavalgante dos direitos sociais, dos valores fundamentais da Democracia e do primado da pessoa humana. Com a derrota da Grécia perderam todos os países que vivem sob o jugo da dívida e ambicionavam alcançar, no concerto das nações, condições justas de desenvolvimento. Essa utopia terá que esperar.

Para que te quero, União Europeia

Não é para defesa dos consumidores. Não é para defesa do ambiente. Não é para equilíbrio de poder neste mundo globalizado. É para pagar bem a quadros, eleitos e não eleitos, que decidem em desfavor daqueles que lhes pagam os salários. Não é novidade, mas vai-se confirmando a teoria.

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Não passarão

Neste dia especial, uma palavra também especial para os cidadãos da União Europeia, esse espaço civilizacional de Progresso, que, apesar de eleitos em eleições livres, estão presos ou exilados:

⁃ Não passarão.

O auge da hipocrisia: A “lista negra” de paraísos fiscais

Foto: dpa

Existirá maior desplante do que apontarmos a alguém o dedo por algo que nós próprios praticamos sem qualquer pejo? Pois a UE prova novamente que é basta detentora de tal capacidade de descaramento hipócrita, exigindo aos outros o que não cumpre.

Assim: O intransparente Grupo Código de Conduta (Fiscalidade das Empresas) do Conselho Europeu decidiu colocar 17 países numa “lista negra” com carimbo de “paraísos fiscais” por não cooperarem no cumprimento dos critérios por ela estabelecidos e outros 47 numa “lista cinzenta” de países que não os cumprem, mas dão sinal de que poderão vir a fazê-lo.

A decisão sobre a inclusão ou não na lista – com o objectivo de pressionar outros estados a praticarem uma maior transparência fiscal e troca de dados – é tomada, em princípio, segundo critérios de verificação de países terceiros, nomeadamente, transparência fiscal, justiça fiscal e implementação das normas mínimas anti-BEPS da OCDE (erosão da base tributária e transferência de lucros). [Read more…]

Prestígio não paga dívidas

Fotografia: Francois Lenoir/Reuters@Dinheiro Vivo

A cada vez mais provável escolha de Mário Centeno para liderar o Eurogrupo tem coisas fantásticas, entre elas a oportunidade de expor o ridículo absoluto a que desceu a propaganda bafienta da direita PàF, desta feita protagonizada pelo jornalismo desonesto e faccioso de pasquins como o Sol, que no final de 2016 noticiou a saída de Centeno do governo no início do ano que agora chega ao fim, por opiniões que contam quando se é adepto da degustação de gelados com a parte da cara compreendida entre os olhos e a raiz dos cabelos e pelo Fórum para a Profetização de Desgraças e Invocação de Demónios. [Read more…]

Presidência Portuguesa do Eurogrupo

A candidatura de Mário Centeno à Presidência do Eurogrupo tem suscitado diversas interrogações, manifestações de apoio e algumas de repúdio. Apartando-me dos apoios e repúdios de famílias partidárias por pouco interessantes, detenho-me sobre algumas interrogações que me parecem estranhas.
Desde logo, a de saber se Centeno terá ou não tempo para assumir essa presidência e continuar a assegurar as suas funções como Ministro das Finanças de Portugal. Não sei como não haveria de ter tempo para desempenhar, em simultâneo, as funções que outros assumiram antes, para mais com a equipa de qualidade que Centeno diz ter constituído no seu Ministério.
eurogrupo
Outros questionam-se se Mário Centeno estará habilitado com a experiência necessária para o cargo a que se candidata. Parece-me uma questão que não faz sentido, uma vez que se trata de alguém academicamente habilitado e com a experiência que estes dois anos de governação e negociação com o Eurogrupo e Bruxelas lhe granjearam, sempre com sucesso.
As interrogações [Read more…]

Ainda sobre ultimatos

a União Europeia fez um aos fascistas que governam a Polónia.

Trumpete

Há-de haver quem tenha reparado na súbita generosidade do directório europeu para com Portugal. Parece ter-se diluído, de um momento para o outro, o velho discurso das imperiosas reformas estruturais, da necessidade de manter o rumo, a ameaça do congelamento de fundos e outras sanções, que chegaram a obrigar o primeiro ministro António Costa a evocar o Tribunal de Justiça da União Europeia, afirmando que a ele recorreria se tais castigos viessem a ser levados à prática.

Hoje o cenário está bastante diferente, ao ponto de, sem desprimor, como aqui já foi escrito, para o Ministro dos Negócios Estrangeiros e o meritório trabalho diplomático que vem realizando, nos terem permitido ganhar um Festival da Eurovisão com uma canção cantada na língua impronunciável de Camões.

O Sr. Schäuble comparou o Ministro das Finanças, Mário Centeno, a Cristiano Ronaldo – parece querer vê-lo na liderança do Eurogrupo – e até a própria senhora Angela Merkel, um Mao Tsé Tung a cores, e que, não há muito, se se referia a Portugal era para passar raspanetes avisados e oferecer lições maternais sobre a arte de bem governar um país do sul em processo de empobrecimento, parece agora rendida ao discurso da coesão, afirmando, em tom dramático, que a União Europeia tem de tomar o seu destino nas suas próprias mãos e não pode depender inteiramente dos EUA e do Reino Unido, países com os quais parece ter sido aberto um conflito político e estratégico.

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Ameaça de morte

A ameaça fascista, que se ergue em vários pontos da Europa, tem a sua expressão maior na presidenciável Marine Le Pen. Trump é fixe, Putin gosta dela e os Wilders, Orbáns e Coelhos (os Pintos, não os Passos) desta vida têm todos um poster da aspirante a ditadora na parede do quarto, mesmo ao lado da tarja com suástica e a frase O trabalho liberta. Será que a França consegue a proeza de a eleger? Depois do que aconteceu nos Estados Unidos, não seria de admirar. É bom que os tipos lá do sítio que se dizem democratas façam um bom cordão sanitário à volta desta frau. [Read more…]

Le Pen: em nome do pai

 

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Por João Branco e Natascha Figueiredo

Marine não é Jean-Marie; é muito mais que Jean Marie. E é esse o facto que a torna mais perigosa que o pai. Marine herdou alguns dos traços político-identitários da liderança do pai mas soube também afastar-se da sua imagem tóxica de simpatizante nazi, promovendo um nacionalismo populista (iniciado pelo pai) que vai de encontro ao que o eleitorado francês neste momento quer ouvir. A verdade é porém, que todas as circunstâncias e problemas que enevoam o espectro político francês actual com o espectro político francês pré-eleitoral em 2002 não são os mesmos. Marine beneficia de um peculiar caos no país para colher benefícios. Em 2002, Jean-Marie levou a cabo uma campanha marcadamente ideológica, campanha que naturalmente o afastou da vitória na 2ª volta das presidenciais desse ano, muito por culpa do chamado “voto útil” em Jacques Chirac. O que efectivamente pode não acontecer no presente ano nas eleições que se avizinham com Marine.

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O leão desdentado

Theresa May – a antiga moderada hesitante quanto ao Brexit – atirou-se que nem uma leoa à União Europeia, honrando a heráldica da velha Albion. Mas o leão da Albion está desdentado e a fúria da primeira-ministra britânica é mais fruto de uma agressividade nascida da frustração que um sinal de força e firmeza.

Em resumo, o que a zangada senhora disse foi: queremos sair da UE, queremos manter todas as vantagens e dispensar todas as obrigações e desvantagens, ou nos dão o que queremos ou a vingança – quiçá traduzida num mega-paraíso fiscal – será terrível; mandem-nos os vossos quadros mais qualificados que os outros nos encarregamos nós de devolver. [Read more…]

À atenção do Bloco e do PCP

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A Ana Moreno, no seu esforço hercúleo e permanente para alertar e denunciar os perigos do CETA e do TTIP, voltou ontem à carga:

Qual será a percentagem de portugueses que ouviram falar desse acordo que já foi assinado e será votado no Parlamento Europeu no próximo mês de Fevereiro? 1%? Não faço ideia, mas quando se pergunta aleatoriamente a alguém, mesmo na capital, ninguém conhece sequer a sigla.

Já dizia o outro: não te preocupes, está tudo bem. Que interesse têm dois tratados aborrecidíssimos, para os quais nos estamos nas tintas, e sobre os quais ninguém fala? Não devem ser assim tão importantes. Se fossem haveria mais debate, mais alertas. Mas alguma vez uma multinacional poderá processar um Estado pelas perdas de lucros geradas por algo tão simples como o aumento do salário mínimo nacional? Isso são disparates de teóricos da conspiração.  [Read more…]

Cumpriu-se a profecia e o precipício chegou, aleluia, aleluia!

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Espero ainda ir a tempo de me arrepender e conseguir a salvação da minha alma esquerdalha e pecadora, passe-se a redundância. Passos Coelho tinha razão e, pelo menos desta vez, a profecia da desgraça estava certa: os reis magos chegaram mesmo em Janeiro. São as décimas que faltavam para os juros da dívida ultrapassarem a fasquia mágica dos 4%, valor a partir do qual os fanáticos da Igreja do Neoliberalismo da Catástrofe dos Últimos Dias podem erguer as mãos aos céus e agradecer a Deus pela chegada do apocalipse anunciado, que lhes permitirá governar sobre os escombros, cortando e vendendo tudo o que ainda houver para cortar e vender. Já não se fazem seitas suicidas como antigamente. [Read more…]

Ser Europeu

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Pertencer à União Europeia, estar na Europa, Ser Europeu, foi uma das grandes novidades que nos trouxe este Portugal moderno saído dos finais do século XX e entrado pelo novo milénio adentro cheio de acrescentos identitários e “mais-valias” civilizacionais, oferecidas pela diversidade da Europa e dos povos que a habitam. Foi assim que aquilo que ameaçava transformar-se numa jangada de pedra, à deriva pela solidão do mundo pós-imperial, se transformou numa energia intra-solidária, comprometida com valores ancestrais que partilhamos com os nossos “parceiros” do velho continente.
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Durão Barroso e Goldman Sachs: uma relação de transparência

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O jornal Público divulgou ontem duas novas informações sobre a relação entre Durão Barroso e o Goldman Sachs. A primeira é que, ainda na qualidade de presidente da Comissão Europeia, Durão recebia, confidencialmente e com alguma frequência, “sugestões” de alterações a políticas comunitárias provenientes do banco norte-americano. A segunda diz respeito à inexistência de qualquer registo sobre uma visita de Barroso à sede do Goldman Sachs em 2013, algo que, para além falta de transparência, revela um regime de excepção, na medida em que não existe registo de outros contactos desta natureza que não tenham sido devidamente documentados. [Read more…]

A evasão fiscal e o fascismo de costas voltadas

“Luxemburgo sugere expulsar Hungria da União Europeia” [Público]

Inócuo

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A imprensa portuguesa está a dar grande destaque a uma carta enviada por Jean-Claude Juncker à Provedora de Justiça europeia, na qual o presidente da Comissão Europeia revela ter pedido explicações ao seu antecessor sobre as suas novas funções no poderoso Goldman Sachs, sem contudo deixar de referir o compromisso assumido por Durão Barroso para com um comportamento de integridade e descrição, duas especialidades do ex-primeiro-ministro que abandonou o país de tanga para exercer funções de mordomo em Bruxelas e no Clube Bilderberg. [Read more…]

Estratégias de médio prazo

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Em entrevista ao jornal Público, Luís Montenegro argumenta que tanto o presidente da República como a União Europeia têm sido “colaborantes” com o actual governo. Parece-me uma evolução digna de registo, quando comparamos a actual situação à anterior em que Belém era habitado por um elemento decorativo e enfadonho e a relação com a União Europeia era de absoluta submissão. [Read more…]

Valores limitados

Recep-Tayyip-ErdoganFoto: AP

A democracia é um comboio do qual se desce quando se chega ao destino”, Erdogan nunca deixou dúvidas quanto à sua convicção anti-democrática e, desde a fracassada tentativa de golpe, tem carta branca para a “caça às bruxas” que já levou à prisão mais de 40.000 pessoas – entre as quais militares, juízes, jornalistas, professores, polícias – e à suspensão de 80.000 funcionários públicos. As cadeias estão de tal modo sobrelotadas, que o governo anunciou que irá libertar 38.000 prisioneiros detidos antes do golpe, para arranjar lugar para todos os supostos simpatizantes do movimento Gülen, ao qual Erdogan achou por bem atribuir a tentativa de golpe. Segundo Erdogan, o golpe foi “um presente de Alá”, que o legitima a dar largas às ganas de liquidar tudo o que se lhe oponha, falando de expurgação, punição exemplar e de reintrodução da pena de morte. Para tudo isto Erdogan conta com o apoio ilimitado de uma substancial parte da população turca. No regresso a Istambul após a debelação do golpe, Erdogan foi recebido por milhares de pessoas no aeroporto, muitas das quais bradando “ordena-o e mataremos, ordena-o e morreremos”, e, sucessivamente, “Alá é grande!”. À gigantesca manifestação orquestrada pelo presidente três semanas depois do golpe, acorreram mais de um milhão de pessoas. Quem ainda se atreve a ter uma posição crítica, tem o destino marcado. A divisão de poderes foi desmantelada, a Turquia a caminho da ditadura.
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