Merkel, a grande federalista

Um dos enigmas deste tempo de apertos, consiste no insólito facto de quase todos aqueles que se declaram de “federalistas”, serem invariavelmente, ferrenhos inimigos da Chanceler Merkel. Uma estupidez.

As declarações que esta proferiu há algumas horas, atacam os suspeitos fervores soberanos dos “indignados” do momento, sejam eles os do “contra-tudo” ou aqueles outros que almejam substituir a CDU num poder europeu cada vez mais concentrado no Reichstag de Berlim. Um contrasenso apenas ditado pelo costumeiro oportunismo de umas elites sem eira nem beira, esta é a verdade. Angela Merkel disse que os Estados que têm atentado contra a letra dos Tratados assinados, devem ser punidos e entre os castigos, lá está bem nítida, a questão da soberania. No fim de contas, esta nova febre soberana dos “indignados”, vai totalmente contra os entusiasmos “internacionalistas” de outras eras, eivados de “solidariedades e amores fraternais entre povos” tradicionalmente inimigos de morte. Enfim, a necessidade impôs novas regras e na esfera da “União Europeia”, o Euro – ao qual o regime se agarrou como um bezerro á teta da vaca – foi um dos argumentos mais poderosos para a homogeneização do pseudo continente. Merkel é acompanhada por quase todos os países do norte, centro e leste europeu e este é um incontornável facto que a muitos custará aceitar. Houve quem não cumprisse o acordado e entre os participantes, o regime português é um notório perdulário – para não dizermos vigarista – que há muito teria sofrido exemplar punição, caso a economia que ele próprio há décadas destruiu, não fosse um mero resquício de outros tempos.  Quem é federalista, não pode ser anti-Merkel.

Mas o que quis a Chanceler dizer quando falou de perda da soberania? Se com isso se refere à natural subordinação das políticas financeiras e económicas dos Estados prevaricadores, então teremos de reconhecer que está no seu pleno direito, por muito que isso custe a quem durante anos usou e abusou da sorte, forçando a uma rápida entrada no Euro, artifício que lhes garantia uma promessa de cofres alheios a abarrotarem de possibilidades. Mas o problema poderá ser outro e este decerto terá algo que ver com o próprio exercício de controlo sobre o território e áreas adjacentes. No caso da “República Portuguesa”, o novel Mapa Cor de Rosa, há muito conhecido por Zona Económica Exclusiva, dentro de algum tempo bem poderá ter uma denominação mais “ao passo”, como por exemplo, Zona Económica Europeia. Sabem o que isto quer dizer?

Aqui está o autêntico resultado de uma vergonhosa política de rebaixamento do orgulho nacional, malbaratado pela gente que tem mandado neste país ao longo dos últimos cento e tantos anos. Nada de portuguesismo, mas muitas e brilhantes luzes “a fazerem de conta” receber intelectual corrente eléctrica de Paris, Moscovo, Nova Iorque e outras paragens mais. Lembram-se dos yuppies do cavaquismo e dos “modernos” do socratismo?

Existe um outro caminho, mas esse será sempre um escolho às ambições pessoais dos parvenus que se sucedem nos cadeirões do pequeno poder de Lisboa. O futuro deste país reside precisamente no legado do seu passado e talvez não seja ainda demasiadamente tarde, para umas tantas visitas às capitais dos países que outrora foram parte do todo nacional.

E ainda se atrevem eles a falar de Alcácer Quibir? Que “lata”…

Comments


  1. “Angela Merkel disse que os Estados que têm atentado contra a letra dos Tratados assinados, devem ser punidos e entre os castigos, lá está bem nítida, a questão da soberania. ”
    Mas que soberania? A tal que nos obrigou a destruir as pescas, a agricultura, a Sorefame e restante indústria? A tal que nos obriga a adotar leis, algumas boas algumas más?
    E entre as punições, estas também são válidas para a França e a Alemanha? Servem para agravar o défice, que fica pequeno. (claro que são mais para obrigar a passar os tais tratados pouco democráticas como a EUCD, ACTA…)
    “Quem é federalista, não pode ser anti-Merkel.”
    Porque um eixo Franco-Alemão é federalista…
    “forçando a uma rápida entrada no Euro, ”
    Obviamente, foi Portugal e os portugueses que fizeram força…

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