Se um vencimento corresponde à justa remuneração por um trabalho, será justo alguém prescindir do seu vencimento? Cavaco fá-lo e pretenderá ter um gesto pedagógico e generoso para com um País cuja economia está deprimida. No entanto, não posso deixar de me perguntar: não foi alguém parecido com Cavaco que, há pouco tempo, criticou os cortes dos salários na Função Pública? Pergunto ainda mais: não será o Presidente da República uma espécie de funcionário público, o topo mesmo da Função Pública? Se admitirmos que sim, não estará Cavaco a cometer uma injustiça relativamente a Silva?
Entretanto, a partir do início deste ano, já não será possível acumular pensões com vencimentos de Estado. Cavaco Silva não é, portanto, abrangido por essa obrigação, uma vez que a lei nem sempre pode ter efeitos retroactivos. Mas, e se um homem sério, preocupado em dar um exemplo à classe política, resolvesse, mesmo sem ser obrigado, prescindir das pensões, enquanto receber um vencimento, antecipando o cumprimento de uma norma que contribuiu para aprovar? Era bonito, não era?
Adenda: Graças ao comentário pertinente e informado do leitor Marco Gomes, sou obrigado a corrigir o tiro. Na realidade, a nova lei obrigou Cavaco Silva a escolher: pensões ou vencimento. Optou pela fatia maior: as pensões. Afinal, não foi uma questão de generosidade.






Recent Comments