
A NATO não é o que Donald Trump quer que ela seja, dependendo de como acorda num determinado dia. E muito menos está ao serviço da sua oligarquia corrupta. Ou pelo menos não devia estar.
A NATO é uma aliança defensiva. Com regras bem definidas e plasmadas num tratado fundador. O objectivo primordial da NATO é garantir a defesa mútua dos seus membros. Não é atacar ninguém. E repare, caro leitor, que o que acabou de ler não é uma opinião minha. É o que está escrito no Tratado do Atlântico Norte, que deu origem à NATO e funciona como sua base legal. E foi exactamente com esses termos que os signatários concordaram e debaixo dos quais colocaram a sua assinatura.
Dito isto, o que aconteceu no Médio Oriente, por muito que abominemos o regime iraniano, e eu abomino-o com todas as forças, foi um ataque dos EUA e de Israel contra o Irão, não o contrário. Os Estados Unidos não foram atacados, o que significa que não existe enquadramento legal para envolver a NATO em mais um conflito provocado no Golfo Pérsico para encher os bolsos aos suspeitos do costume. E a Vladimir Putin, que é, literalmente, o grande vencedor desta guerra.
Por essa razão, e porque nenhum aliado europeu foi consultado, tido ou achado, os membros da NATO não têm qualquer obrigação de intervir, ou sequer de disponibilizar bases da NATO em território europeu. E foi o que fez gente tão diferente como Emmanuel Macron, Pedro Sánchez ou Giorgia Meloni. Porque esta não é uma questão ideológica. É uma questão de lógica, bom senso e racionalidade. Para aprendizagem futura, já nos chegaram os desastres no Iraque e no Afeganistão. Para mais desses não nos convidem. Convidem Durão Barroso, José María Aznar e Tony Blair.
E sim, é verdade que já nos deixamos arrastar para guerras imperalistas no passado. Mas tivemos sempre um pretexto, melhor ou pior (regra geral péssimo, é certo) para justificar uma intervenção. Aqui não houve sequer a habitual encenação formal. O próprio Trump garantiu ter obliterado o programa nuclear iraniano, de maneira que a ameaça da bomba atómica também não cola. Trump iniciou uma guerra porque um criminoso de guerra – e um corrupto, já agora – chamado Benjamin Netanyahu o convenceu a atacar o Irão. É com eles. A Europa não tem nada a ver com isso.
Luís Montenegro, quiçá com os olhos numa carreira à la Durão Barroso, decidiu seguir-lhe as pisadas e abriu as portas da Base das Lajes à guerra israelo-americana contra o Irão. Se os delinquentes da Guarda Revolucionária do Irão decidirem retaliar contra nós, através, por exemplo, de um atentado terrorista, o sangue das vítimas estará, também, nas mãos do primeiro-ministro, que decidiu envolver Portugal numa guerra com a qual não temos nada a ver.
Que isto fique muito claro: Montenegro tinhas duas opções. A primeira consistia em seguir as pisadas dos governos espanhol, italiano, francês ou suíço e afastar-se categoricamente desta guerra. A segunda era fazer o papel de lacaio da administração Trump. Montenegro escolheu a segunda opção e arrastou-nos a todos com ele.
Aparentemente, não aprendemos nada com a Guerra do Iraque. Aliás, o PSD não aprendeu nada com a Guerra do Iraque. Já Espanha, França, Itália e até a Suíça, entre outros, terão aprendido qualquer coisa. Se Montenegro, a sua entourage do PSD, os seus spinmasters e os seus aliados do CH querem ir para a guerra, que se ofereçam como voluntários e nos deixem em paz.
Só não nos venham encher a cabeça com o argumento da NATO. A NATO não tem qualquer tipo de obrigação no âmbito deste conflito. Nada, nicles, zero. Cabe a Trump e à sua corja de corruptos, bandidos e criminosos de guerra resolver a porcaria que fizeram e deixar-nos em paz.






Sim, sim, a logística para os bombardeamentos indiscriminados defensivos deixou mesmo de passar, tal como as armas à colónia. Resta saber a parte defensiva do golpe à Ucrânia e ameaças e subornos para não se desviar do caminho, quase repetido na Geórgia, das sanções ao Irão por os Estados Unidos abandonarem o tratado, a pirataria de navios Russos, as sanções a Cuba, o fechamento à tecnologia chinesa que já envolve roube de empresas, tudo muito defensivo e humanitário, não fosse o actual testa de ferro do Novo Século Americano(tm).
A Europa que arma a colónia, censura e sanciona jornalistas, proíbe protestos, violenta manifestantes, segue todas as sanções do paizinho e defende-o nas instituições internacionais não tem nada a ver com isto. Só porque os antecessores muito nossos aliados de Trump já tinham feito questão de que nunca seriamos ameaça ou alternativa a coisa nenhuma, deixando os chihuahuas impopulares do centro e leste europeu a serem, felizmente, nada que nasceram para ser. Tal como naquela ilha do norte europeu que já teve grandes armadas.
Não se apoquentem os atlantistas, a eurolândia continuará chefiada, muito democraticamente – e ainda não está arrumada a chatice da unanimidade, pelas mui competentes der Leyens e Kallas a garantir que seremos capachos da NATO a mostrar-se incapaz de defender o que quer que seja até ao colapso.
O Sr. João Mendes não leve a mal, mas parece ignorar o que é a NATO: um clube de venda de armas onde os membros se comprometem a juntar-se às guerras uns dos outros. E quem começa ou instiga essas guerras são sempre os Estados Unidos.
A NATO nunca entrou em guerra para defender os seus membros. Foi sempre a agressora: no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, até na Jugoslávia onde bombardeou e matou civis à revelia das Nações Unidas e da “comunidade internacional” que diz representar.
A NATO não é nem promove a democracia. Os Estados Unidos decidem tudo e quem discorda é ameaçado, vetado ou subornado. A última imposição é aumentar para níveis ainda mais absurdos o “investimento” em armas, que é a razão essencial do clube.
Não é preciso ser apoiante da Rússia, outra agressora, nem da China nem de ninguém para perceber quão nociva e hipócrita é e sempre foi a NATO. Basta não ter palas americanas a tapar-nos os olhos.
Não raro a questão do armamento da Europa ignora evidências essenciais:
– Se a Rússia e o Irão privilegiassem o bem-estar dos seus povos, haveria duas guerras em curso?
– A multipolaridade em processo não significa pura e simplesmente que os poderes se definam na ignorância de valores universais?
– Sem valores universais as fronteiras voltam ao seu papel de sempre, limites suportados por poder militar na contensão de forças externas.
Pois realmente… Vosselência tem muita razão!
O armamento da Europa é muito ignorante. Antigamente, os misseis da MBDA tocavam piano e falavam Francês. Agora é tudo uma javardice pegada, onde pousam destroem tudo! Ignoram completamente os valores universais!
É uma tristeza!
Se não fosse política imperial abertamente publicada nos mais variados think tanks e assumida em conferências que não passam nos média o cerco físico e financeiro à Rússia e ao Irão tinha apoio popular a repressão e o foco na defesa? E, mesmo assim…
Não, e sempre houve vários que eram impostos e nunca cumpridos. A diferença é que agora assumem, e boa parte da propaganda sobre os adversários é facilmente desmentida pelas malvadas redes sociais.
Sempre o caso para a maioria do mundo desde o início do colonialismo, mesmo trocando parte das fronteiras físicas pelas financeiras. O que mudou foi o custo, o retorno, e o quanto os vassalos podiam financiar.
«Se não fosse política imperial»
Invadir a Ucrânia,
Manter Hesbollah e congéneres, mísseis e plutónio,
haveria «cerco físico e financeiro à Rússia e ao Irão»?
Pois, e direi mais! Recordo o célebre Fado Oriental, cantado pelo célebre Godofredo Pixeleiro:
Se a Rússia não existisse,
Nem existisse o Irão,
Haveria cerco financeiro,
Ou talvez sim, talvez não?
Sim, há décadas, e não está propriamente escondido.
E porque é que o Irão não tem direito a “plutónio”?