As contradições de Rangel

Francamente, não consigo compreender a natureza humana.

Tenho o Paulo Rangel em conta de pessoa inteligente. Um homem da universidade, com experiência política e com vida para além desta. Ou seja, não consigo compreender estes últimos tiros no pé. Vejamos:

Primeiro jurou que era apenas e só candidato a Deputado Europeu, ao contrário de alguns dos seus adversários de circunstância. Mais tarde, informou que não seria candidato à liderança do PSD. Pelo caminho não se lembrava da sua eventual militância anterior no CDS-PP, como se tal facto fosse crime. Depois cometeu um erro de principiante com aquela sua intervenção despropositada no Parlamento Europeu. Já por esta altura, e confiando em pessoa que tenho por boa fonte, aparentou estar de pedra e cal com José Pedro Aguiar Branco, seu amigo. De repente, avisando por SMS alguns dos seus companheiros, apresenta-se como candidato à liderança do PSD. Não contente com tantas contradições, revelou em entrevista que viveu intensamente o 25 de Abril quando, pasme-se, tinha seis anos de idade (como jocosamente reparou CBO aqui).

Por último, como já a mesma fonte me tinha garantido, provou-se que foi militante do CDS-PP entre 96 e 99 – hoje, com piada, Ricardo Araújo Pereira na TSF destacava o facto de não se lembrar de entrar mas saber perfeitamente quando sair – e eu pergunto: qual o temor de Rangel? Por acaso é crime ter sido militante do CDS-PP?

Espanta-me esta sucessão de contradições. Assusta-me esta facilidade para a mentira. Pode, depois de tudo isto, ser candidato a Presidente do PSD? Pode, até Sócrates chegou a Primeiro-ministro…