Crónicas do Rochedo XXV – E é isto que o PSD tem para apresentar?

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Depois do resultado do PSD no Porto e em Lisboa, Pedro Passos Coelho apresentou a demissão e foram marcadas eleições directas para escolher um novo líder. Na lógica própria destas coisas, Rui Rio apresentou-se como candidato. Cumpre a lógica da coisa. Foram vários anos em que uma parte do PSD espreitou através do nevoeiro a ver se vinha Rio, qual D. Sebastião, para resgatar a virtude e os bons costumes. Finalmente, o homem enfrenta os seus medos e avança.

Perante esta candidatura, seria normal que a outra parte do PSD fosse a jogo com um candidato. Ou mais do que um. Seria lógico o avançar de Montenegro cobrindo a ala passista. Seria lógico o avançar de Rangel, cobrindo a parte mais “centro-direita/direita” do PSD, assim como a elite “intelectual”. Seria lógico o avanço de Marco António Costa como expoente máximo do aparelho (ler: distritais, principais concelhias e os grandes caciques locais). Seria lógico avançar alguém diferente no papel de renovação do partido (e aqui renovação não significa, necessariamente e apenas, uma questão de idade/geração, mas ideias e projecto). Tudo isto seria lógico. Não fosse o PSD um partido onde, muitas vezes, a lógica é uma batata. Tal como o seu irmão gémeo, o PS.

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E Marcelo disse…

MARCELO REBELO DE SOUSA 2012“Abrir um novo ciclo obrigará o Governo a ponderar o quê, quem, quando e como melhor serve este ciclo” – Professor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República.

O Presidente da República disse aquilo que qualquer um de nós queria dizer. E isso significa que Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, está dotado de algo cada vez mais raro na nossa política: bom senso.

 

Crónicas do Rochedo XIV – Uma direita musculada numa Espanha dividida

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O referendo da Catalunha veio provar que em Espanha ainda existe uma direita “musculada”, profundamente saudosista dos tempos de Franco. Uma direita que está desejosa de dar uns sopapos, de tirar a poeira ao revólver guardado na escrivaninha e disposta a empurrar Rajoy para o colo da ala dura do PP. “Empurrar” é simpatia minha, pois não me parece que D. Rajoy se sinta muito incomodado com a possibilidade.

Esta direita cohabita com uma esquerda ainda mais folclórica que o nosso Bloco. Um misto de saudosistas da cortina de ferro, anarquistas de cubata na mão (mas de Havana 7, que Bacardi é coisa de meninos) e deslumbrados do anticapitalismo internacional. No fundo, estão bem uns para os outros.

E depois temos a confusão: temos os independentistas da Catalunha, os independentistas da Galiza, os Independentistas do País Basco, os Independentistas da Andaluzia, os Independentistas das Baleares (sim, das Baleares que não são catalães e gostam tanto destes como dos de Madrid). Depois temos as Asturias, Castela, Leão e Estremadura sem esquecer as Canárias. Com excepção dos primeiros, os restantes até nem se importam de ficar juntos. Uma enorme salgalhada. E ainda me deve faltar aqui um ou outro movimento independentista mais discreto. Já para não falar nos casos de Ceuta e Melilla…

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Crónicas do Rochedo XXIII – Catalunha: É onde dói mais…

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No fundo ainda sou um ingénuo. Muito ingénuo. E porquê? Porque pensei que as empresas que nasceram na Catalunha, que a ela muito devem a força e pujança de hoje, iriam resistir. E que seriam elas a mola impulsionadora do diálogo entre as partes em confronto. Sou um ingénuo.

Quando o grupo Banc Sabadell, o grupo Caixa Bank (agora donos do BPI) ou a seguradora Catalana Occidente decidiram desertar atiraram um tiro no “meio dos olhos” da economia da Catalunha. Foi onde dói mais. A força do poder económico catalão era, para mim, a última esperança para colocar as coisas nos eixos, ou seja, obrigar as partes a ceder neste braço de ferro: por um lado, obrigar Castela/Madrid a aceitar a realização de um verdadeiro referendo na Catalunha e, pelo outro lado, obrigar Puigdemont e os seus aliados a aceitar não levar a cabo a DUI (Declaração Unilateral de Independência). Só o poder económico e a Igreja podem conseguir obrigar as partes a negociar. Se a Igreja está, discretamente, a fazer o seu papel de mediador, já o poder económico catalão escolheu um lado, o do velho pragmatismo capitalista sem pátria.

Ironia do destino: um dos mais importantes empregadores e contribuintes para a força do PIB da Catalunha (e de Espanha), os alemães da SEAT (Grupo VW), já desmentiram qualquer tipo de fuga da Catalunha.

Crónicas do Rochedo XXII – Pedro Passos Coelho

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Quem pensa que a vida política de Pedro Passos Coelho terminou a 1 de Outubro de 2017 está enganado.

Para o PSD profundo, Pedro Passos Coelho é o líder que nunca perdeu umas eleições legislativas. Que ganhou a Sócrates e que, depois de quatro anos a governar com uma política de austeridade violenta, ganhou as legislativas a António Costa. E isso, como já se vê nas redes sociais nas opiniões desse PSD, é algo que não será esquecido. Daí o verdadeiro “tiro ao alvo” diário a Rui Rio, Morais Sarmento e Manuela Ferreira Leite.

Para a maioria dos militantes do PSD, Pedro Passos Coelho é um resistente e um vencedor, alguém a quem a história um dia fará justiça. E quando assim é, está a narrativa do mito em toda a sua força. A mesma que será resgatada após a derrota previsível do PSD nas próximas legislativas. E porquê essa derrota? Porque se o PSD escolher Rui Rio, o eleitorado vai olhar para ele como uma espécie de cópia de Costa na versão sisuda e cinzenta. E entre a cópia e o original… Se, por hipótese verosímil (pois o aparelho manda e muito) Luís Montenegro for o próximo presidente do PSD perde, porque entre o original (PPC) e a cópia a preto e branco em fotocopiadora chinesa de má qualidade, o eleitorado não hesita. O problema do PSD é mais profundo.

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Crónicas do Rochedo – XXI :: Referendo da Catalunha, E se D. Afonso Henriques…

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Aos olhos de alguns, muitos, que analisam o problema da “legalidade” do referendo da Catalunha imagino o que passou D. Afonso Henriques…
 
Aos 14 anos, armou-se a si próprio cavaleiro (uma ilegalidade, tendo em conta as regras da época). Não satisfeito, luta contra a sua mãe e vence em 1128 a famosa Batalha de S. Mamede e declara o Reino Portucalense como independente (sem referendo, coisa que à época não era costume), contrariando todas as leis vigentes (de Castela, diga-se). Em 1139 vence a Batalha de Ourique e afirma-se como Rei de Portugal, contrariando as leis da época – podemos considerar as batalhas como uma espécie de “referendos” de hoje? Só mais tarde, em 1143 é que Castela aceita a independência (Tratado de Zamora) e só em 1179 a Santa Sé reconhece o Reino de Portugal. Ou seja, se a coisa dependesse do cumprimento das leis soberanas de Castela (e Leão) ainda hoje andava a malta a discutir a realização de um referendo cumpridor da Constituição de Espanha, para que, cada um dos habitantes deste pedaço de terra, chamado Portugal, fosse um país soberano e independente. É isto, em resumo, que defendem os actuais legalistas, certo?
 
A escolha dos habitantes da Catalunha só pode ser feita através de um referendo (as batalhas caíram em desuso). Um referendo livre e democrático. Se votam a favor da independência ou contra ela é uma decisão de cada um dos eleitores do respectivo território, a Catalunha . Querer fazer depender disso o cumprimento integral do disposto na Constituição de Espanha é uma aberração política. O mesmo se aplica, obviamente, a outros povos na mesma situação (dentro e fora de Espanha).
 
Ver tantos portugueses a referir-se ao referendo da Catalunha como uma violação dos preceitos jurídicos de Castela (desculpem, de Espanha) é, no mínimo, de ir às lágrimas…

Quando Portugal Ardeu ou Uma Comédia Portuguesa – Crónicas do Rochedo XX

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O automóvel que explodiu foi armadilhado aqui em casa. A minha sogra pedia-nos sempre para não matarmos ninguém, “Por favor, não entrem nesse campo, eu não quero cá ninguém assim”. Eles levavam o carro já armadilhado, com o material todo, só faltava colocar os detonadores. Mas iam estragando tudo. À ida pararam na Mealhada, nos leitões. O Ramiro pediu a conta e o homem demorou a trazê-la. E ele disse: “Bem, se não vem já a conta vou-me já embora e depois, olhe, meta na conta deste senhor”. O Ramiro tinha um porta-chaves com a imagem do Salazar num porta-chaves” – Silva Santos em entrevista a Miguel Carvalho no livro “Quando Portugal Ardeu” do jornalista e escritor Miguel Carvalho.

Este episódio, como outros do género que se podem ler na obra do Miguel Carvalho dizem muito sobre Portugal. Vamos ali a Lisboa colocar uma bomba mas antes, claro, toca a aviar um leitão na Mealhada… Eu, por exemplo, se me pedirem para ir ali a Vigo colocar uma bomba tinha de desviar a Viana para comer uma bola de berlim no Natário, obviamente.

Quando terminei de ler o livro fiquei na dúvida se toda esta história é cómica ou trágica. Depois de uma noite de sono a minha conclusão é outra: nem tragédia nem comédia, apenas Portugal. Uns bombistas com bons sentimentos, arrependidos por terem assassinado uma inocente em S. Martinho do Campo, que para todas as missões não dispensavam uma refeição opípara (seja leitão ou marisco) nem o conforto de um hotel de luxo, uns financiadores pretensamente ricaços que se esqueciam de pagar os serviços e, tão português, uns espertalhaços que desviavam os fundos para a causa directamente para o seu bolso e, cereja no topo do bolo, nem falta o empresário bronco que aproveita a onda terrorista para um ajuste de contas pessoal com um seu antigo funcionário. Sem esquecer uma dúzia de gabarolas, a santa igreja católica, autarcas, polícias e juízes corruptos, militares sinistros, prostitutas e uma boa dúzia de tontos. Se isto não é Portugal no seu melhor…

No final de tudo isto ficou uma conclusão que me arrepia, escrita pelo autor da obra: “Oradores exaltados, habituados a atear almas e comícios, recolhiam-se agora em poltronas e gabinetes alcatifados. Conspiradores de outras safras tinham sido reciclados para o conforto dos cargos, das instituições e do poder político. Militares, vetustos juízes, certos polícias e uns quantos ladrões disputavam negócios e sinecuras, à luz do dia e com cobertura legal, mas tão na sombra como no passado. Todos queriam sossego, iniciativa privada, brandos costumes e democracia de estufa. E silêncio, por favor”.

Nada mudou. Só o trotil é que já não está na moda.

Aproveitem para ler esta obra do Miguel Carvalho. Retrata uma época de Portugal que é um espelho de todas as outras, até da nossa. E pode ser que compreendam o verdadeiro papel do General Ramalho Eanes em tudo isto. Pode ser. Eu fiquei com mais dúvidas que certezas. E reparem bem nalgumas das personalidades do Norte que surgem neste livro. Algumas ainda andam por cá. Outras foram, hoje, substituídas pelos filhos. E genros. E afilhados. E sobrinhos. Sem esquecer os primos. É que se Portugal é uma aldeia, o Norte é uma ruela…

Crónicas do Rochedo XIX – Coisas de homens

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Ontem, na estrada MA-19 que liga Campos a Santanyi (Maiorca) vi algo que me é familiar: um carro parado na berma da estrada com o capô aberto e um homem a olhar para o seu interior.

Quem nunca o fez que atire a primeira pedra. Homem que é homem sempre que o carro avaria abre o capô e olha para o interior com ar de entendido. Eu, por exemplo, faço-o sempre. O bicho resolve parar sem avisar e imediatamente abro o capô e fico a olhar para o motor, a bateria e aquele emaranhado de cabos. Sim, é a única coisa que sei identificar entre as várias vísceras do bicharoco. Isso e aquela coisa a que chamam filtro de ar. E depois fica aquele olhar para o infinito, um misto de ignorância apavorante disfarçada de douta sabedoria destas coisas da mecânica. Juro que nunca entendi porque faço isto (eu e muitos outros). Não percebo nada de mecânica e mesmo assim abro o capô e olho as entranhas. Para quê? Não sei. Faz parte.

Porém, facilmente se reconhecem iguais. Sim, aquele homem na MA-19 a olhar para o animal de quatro rodas estava com o mesma expressão, o mesmo olhar para o infinito, a mesma angústia disfarçada. “Brothers in Arms”, é o que é…

Crónicas do Rochedo XVIII – Incêndios, uma tragédia portuguesa

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No dia em que Portugal assistiu a uma das suas maiores tragédias colectivas escrevi, na minha página no facebook: “Nesta hora triste da nossa história colectiva aqueles que, como eu, não são “especialistas” devem remeter-se ao silêncio. E deixar quem sabe fazer o seu trabalho. É a melhor forma de respeitar quem está no terreno a trabalhar e quem está a ser vítima desta calamidade nacional“.

Já passou o tempo suficiente para o silêncio. Agora, mais a frio, vamos procurar uma análise política. Melhor dito, ao comportamento político dos agentes da dita.

Deve a Ministra demitir-se? O Governo de António Costa é culpado? De quem é, politicamente, a culpa?

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Crónicas do Rochedo XVII – É só uma canção?

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Nem sei precisar o número de anos sem um simples “deitar o olho” a um festival de canção. Este ano foi diferente por um mero acaso: ter visto/ouvido a canção do Salvador Sobral nas redes sociais e a sua prestação nas meias finais. Ficou aquela sensação de: “será que uma música destas ganha o festival da canção?”. Ganhou para enorme surpresa minha. E depois foi o: “será que consegue o milagre de ganhar em Kiev?”.

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E porque não?

Vou pedir aos leitores uma coisa simples: a leitura de um artigo de opinião sobre a possibilidade de uma taxa de IVA de 50%. Primeiro tentem ler sem complexos, sem ideias feitas e depois tirem as vossas conclusões.

Será esta a solução? Não sei. Existe melhor? Não sei. Responda quem saiba.

Crónicas do Rochedo XVI – O algodão não engana…

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Ontem escrevi um post sobre o facto de Rui Moreira se ter divorciado do PS. Um dos comentários com que fui brindado no facebook foi:

O problema do teu post, Fernando, é que partes dos princípio que o Rui Moreira funciona segundo os cânones da política partidária. Rui Moreira sempre deixou claro que contava com Pizarro por uma questão de lealdade política, por ter sido um bom parceiro durante o mandato, e que aceitava o apoio do PS nesse pressuposto. Traçou linhas vermelhas na sua relação com os partidos, aceitando o apoio de quem subcrevesse as regras. Violadas as regras, de forma reiterada, assumiu as consequências. Não há nem manha nem calculismo” – Rodrigo Adão da Fonseca.

Ora então, passadas 24 horas, o que temos?

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Crónicas do Rochedo XV – De uma decisão há muito tomada…

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Rui Moreira não precisou do PS para ganhar as eleições autárquicas no Porto em 2013. Só precisou no dia seguinte. Para ter uma maioria estável e governar na paz do Senhor durante os quatro anos do seu mandato. Será que precisa para ganhar as eleições deste ano?

Obviamente que não. Nem do PS nem do PSD e muito menos do Bloco ou da CDU. Para ganhar não precisa. Mesmo para governar tenho dúvidas pois estou convencido que, sozinho, consegue os 44% mínimos para ter maioria absoluta. Mas já estive mais convencido disso há uns meses do que hoje por um motivo muito simples: a abstenção fruto do “já ganhou”.

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Inimigo Público? Não…TVI24

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(Via página de facebook de Miguel A. Pinto)

Crónicas do Rochedo #XIV :: A ousadia dos tontos

O comentador de direita(???) que a esquerda mais gosta, João Miguel Tavares, escreveu no Público um artigo em que procura explicar porque não pode um maçon ser Primeiro-ministro em Portugal.

Aguardo pelos próximos artigos onde o autor vai explicar que não pode um membro da Opus Dei ser Primeiro-ministro em Portugal nem uma Testemunha de Jeová e menos ainda um clérigo da Igreja Adventista resvalando nas semanas seguintes para a proibição aos Judeus, seguido do mais que lógico impedimento a qualquer criatura que seja adepta do FC Porto. O mais difícil é começar e JMT já começou.

Porém, uma leitura mais atenta ao seu artigo permite perceber melhor quem quer ele atingir. A maçonaria? Não, este é daqueles que é forte com os fracos e fraco com os fortes. Não. Todo aquele relambório tinha como único objectivo açoitar dois protagonistas da direita portuguesa. E como a esquerda gosta destes fretes! As desculpas e as voltas que o autor deu para chegar a Luís Montenegro e Pedro Duarte. Parece que os dois são da maçonaria. Segundo as fontes do JMT. Porque os visados não desmentiram as referidas fontes/notícias conclui o comentador de direita adorado pela esquerda caviar que eles são da maçonaria. Não sei. Desconfio é que sejam ambos do FC Porto e isso sim, para o JMT e os seus companheiros de luta, isso devia ser criminalizado. O que eu gostava de saber é se qualquer um deles é competente para o suposto cargo. Dispenso, deve ser mania minha, saber se são da maçonaria, da opus ou testemunhas de Jeová ou qual a sua orientação sexual. Mas devo ser eu que estou errado.

Não conheço o Luís Montenegro, penso que me cruzei com ele uma ou duas vezes em cerimónias públicas. Já o Pedro Duarte conheço. E do que conheço considero-o competente para o cargo. Só não sei é se ele o deseja. Se não o deseja, não terá de se preocupar com este tipo de tonto. Se o deseja, então muito cuidado. O ideal é começar, desde já, a usar na manga da camisa uma fita identificadora. Seja ela um triângulo com um olho no meio ou uma estrela de David ou mesmo uma bola de basquetebol azul com um Dragão na parte superior.

É que a ousadia dos tontos é muito perigosa. Mesmo.

O Portugal dos afectos ainda não chegou às redes sociais

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No passado Dia Internacional da Mulher, o vereador da Cultura da Câmara Municipal da Maia, Mário Nuno Neves, escreveu um post na sua página de facebook onde, entre outras coisas, disse o seguinte:

Na maioria das retóricas sobre o Dia da Mulher não consigo deixar de perceber um paternalismo camuflado. Nada que me espante. O que me faz pasmar é o ar de felicidade bovina da maioria das mulheres quando escutam estas baboseiras. Filha minha dava-lhes com a cadeira na cabeça.

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Quando um truque matou “Os Truques da Imprensa Portuguesa”

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Já uma vez escrevi no Aventar sobre a página “Os truques da imprensa portuguesa” e o serviço que a mesma estava (e ainda está) a prestar ao jornalismo português. Agora, por culpa de uma entrevista que os seus autores deram ao Expresso e que levou à violação do sigilo profissional por parte do Ricardo Costa, a página vai acabar por fechar. Será uma questão de tempo. Aqui fica o post que os autores da página escreveram sobre a questão da entrevista:

Dizer que a culpa é do pessoal dos Truques porque ao aceitarem a entrevista estavam mesmo a pedi-las é o mesmo que dizer que a culpa das violações é das adolescentes porque ao usarem mini-saias muito curtas e estão mesmo a pedi-las. Nós confiámos no jornalismo porque achamos que não há democracia sem confiança no jornalismo.
A nossa decisão não foi precipitada. Foi tomada em consciência, após uma longa discussão que pesou vários argumentos, e foi alvo de uma grande reflexão.
Se as nossas identidades caírem pela mão de terceiros, que caiam à custa de um truque. E que esse truque fique tão visível para todos, que ninguém possa ter dúvidas sobre como as coisas funcionam.

Entretanto, a página do Expresso no facebook já está a ser alvo da fúria dos seus seguidores, uma repetição do que aconteceu à do Turismo de Portugal. O Ricardo Costa não deu apenas um tiro no pé. Deu um tiro de bazuca no jornalismo português.

Os Truques e o Digital

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Nos últimos meses e graças ao Aventar descobri a página “Os truques da imprensa portuguesa” no facebook. A página está muito bem feita e nota-se que é alimentada por gente do meio, conhecedora da matéria. Na minha opinião, as chefias dos diversos meios de comunicação social deviam estar menos preocupados em desacreditar a página e bem mais atentos às denúncias que a mesma faz, procurando corrigir os constantes erros.

É que todos ou quase todos os dias temos exemplos de mau jornalismo. Um jornalismo que está, a médio prazo, a prejudicar seriamente a credibilidade dos meios de comunicação. Reparem nos exemplos mais recentes: Afirmações do Papa Francisco truncadas; a história dos jovens “nem-nem” que vão receber um subsídio mensal; a história da Rua da Bica como a mais bonita do mundo; etc. etc. etc.

Como é costume em Portugal, em vez de se preocuparem com a mensagem preferem tentar matar o mensageiro. E depois acontece uma coisa muito simples, no meu caso, agora sempre que vejo uma notícia no digital fico de pé atrás e já começo a nem clicar para ler por achar que deve ser mais uma notícia falsa.

 

Maia: Em nome do Pai

Nas próximas eleições autárquicas o município da Maia enfrenta um desafio absolutamente fora do normal no nosso país.

Para que se perceba: O Professor José Vieira de Carvalho foi nomeado presidente da Câmara Municipal da Maia em 1970 e a ela presidiu até 1974. Depois da revolução voltou a ser candidato em 1979 e venceu. Foi presidente da Câmara Municipal da Maia até ao seu falecimento em 2002. Sucessivamente eleito com maioria apoiado pelo PSD e CDS. Foi um dos fundadores do CDS (tendo sido Secretário-geral e vice-Presidente) e mais tarde, com o cavaquismo, aderiu ao PSD, partido onde militou até ao seu falecimento. Sempre se definiu como um Democrata-Cristão.

Após o seu falecimento em 2002 foi substituído pelo seu vice-Presidente, António Bragança Fernandes que venceu, igualmente, todas as eleições seguintes até 2013. Agora, por força da Lei de limitação dos mandatos, Bragança Fernandes não se pode recandidatar. Em suma, o PSD sozinho ou em coligação com o CDS governa a câmara da Maia desde 1979. Até aqui, nada de muito diferente do que acontece noutros concelhos. Para estas eleições de 2017, o PSD entendeu candidatar o actual vice-Presidente da Câmara, Domingos da Silva Tiago (que já era vereador no tempo do Professor Vieira de Carvalho). Nada que não seja habitual. Só que…

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Assim vai a bola no Sapo

Uma pessoa vai ao Sapo para saber como está o jogo entre o Braga e o Benfica. Clica no link e dá de caras com os comentários ao decorrer do jogo. É o fim do mundo. Um ninho de pérolas como a que aqui vos trago

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O Benfica está indignado – IV

O Benfica está indignado – III

+Verdades | A diferença surreal no discurso de Pepa from +FCPorto on Vimeo.

O Benfica está indignado – II

O Benfica está indignado.

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Da Capela à Adega

Tudo começou na esplanada da “Capela Incomum” entre conversas e copos de vinho (o Evel Branco estava muito bom), o ponto de encontro para mais um jantar do Aventar onde o Porto foi repetente.

E que melhor sítio do que uma capela para redimir os “pecados de escrita” destes bloggers que teimam em continuar livres e fieis à blogosfera. Nestes tempos em que os blogues vão finando, o Aventar continua a resistir. A romaria seguiu para a Adega do Carregal, não sem antes um dos presentes exigir a presença de uma televisão para assistir ao FCPorto-Tondela. A que não faltou o tiro certeiro do nosso Lucky Luke – “E a federação não faz nada?”. Nada, não fez nada e a Adega não tinha a SportTV. Mesmo assim, ouviram-se juras à veracidade da grande penalidade.

Da posta ao bacalhau passando pelos rojões, não ficou pedra sobre pedra numa noite onde se discutiu Guimarães, Sabrosa, Viseu, Viriato, Fernão de Magalhães, Sócrates, Cavaco, Marcelo, Costa, Geringonça, Turismo, futebol, cinema, literatura e não se esqueceu as referências às viúvas, Galamba e ao Abrantes. Venha o próximo repasto.

Turismo, novamente o Porto

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Hoje, na Visão, Ana Matos Fernandes (Rapper Capicua) escreveu um artigo sobre o Turismo e a cidade do Porto. Para a autora, a recente vitória da cidade do Porto (European Best Destination 2017) não a faz celebrar. E logo a ela, como refere na sua crónica, que: “sempre apregoei o Porto como a cidade mais linda”. Qual é então o medo de Capicua?

Segundo a própria, o medo que o turismo seja mais importante que a cidade. Que a Ribeira fique sem roupa a secar à janela ou o Bolhão sem tripeiras e que fachadas impecáveis de azulejo mas com uma cidade inteira que teve de ir morar para outro lado. E não celebra devido ao medo de perder o Porto para sempre, citando: “à medida que o Porto vai perdendo a sua gente e, com ela, a sua graça”.

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CGD – O Resumo

Após ler o que já se escreveu hoje (tanto no Aventar, como nos media e redes sociais) sobre a polémica “Caixa Geral de Depósitos” encontrei a fotografia que resume tudo. É de Marcos Borga, no Expresso. Boa noite.captura-de-ecra-2017-02-16-as-01-38-06

O novo Aeroporto do Bloco Central

A 21 de outubro de 2016, na minha página de facebook, escrevi isto:

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Hoje ficou a coisa devidamente decidida. Como mandam as regras. E no twitter Romeu Monteiro lembrou isto:

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O Bloco Central nunca falha. Melhor dito, o “Arco da Governação” nunca falha. Mesmo agora que foi alargado e para além do PS, PSD e CDS já conta com o BE e a CDU.

Jornalista ao poste, jornalismo ao lado…

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A história é simples: uma jornalista vai pela rua a tentar entrevistar Jorge Nuno Pinto da Costa. Este vai ao telefone e a ignorar a senhora. Ela, cumprindo a sua função, continua a fazer perguntas e mais perguntas. Até que um poste se atravessa no caminho e a senhora vai contra ele. E o que faz logo a seguir, em directo para o seu canal (CMTV), acusa Jorge Nuno Pinto da Costa de a ter empurrado/agredido…Sem se rir.

Por acaso toda a situação estava a ser filmada em directo. Por acaso todos vimos o que aconteceu. Por acaso a senhora foi contra o poste porque nem reparou que o dito estava ali, no meio do passeio. Se assim não fosse, estávamos todos a discutir os direitos dos jornalistas e a vergonha para o FC Porto de ter um presidente que agrediu uma jornalista.

Por acaso vários órgãos de comunicação social estão a dar a notícia de que Pinto da Costa insultou a jornalista sem se darem ao trabalho de colocar/explicar o que se passou segundos antes. Por acaso é com o FC Porto.

Por acaso eu não acredito em acasos. Porque é sempre assim. A diferença é que desta vez foi filmado. Todos vimos. Mesmo que alguns teimem em fazer de conta que não viram.

Realidade Alternativa

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