Entretanto…

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O Discurso.

Sons do Aventar

O discurso.

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Esta madrugada a actriz Meryl Streep, nos Globos de Ouro, foi ao palco receber o seu mais que justo prémio de carreira e fez um discurso brilhante. Podem ver e ouvir neste link.

 

Uma parte da nossa História

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Vou recuar a 1986 para falar de Mário Soares. Nessa altura Portugal vivia uma das suas mais dramáticas eleições. De um lado, Freitas do Amaral e com ele a direita e o centro direita; do lado oposto, Mário Soares e com ele a esquerda e o centro esquerda. Tudo isto de uma forma simplista, sublinho desde já.

Uma divisão enorme na sociedade portuguesa. Duas concepções diferentes de Portugal. Para que a geração dos meus sobrinhos ou mesmo da minha filha possam perceber, era uma divisão que nalguns casos, muitos, se vivia dentro das próprias famílias. Recordo que na minha ficaram, durante alguns anos, algumas feridas. Maioritariamente o nosso apoio era para Freitas do Amaral e o movimento “Prá Frente Portugal”. Alguns familiares, poucos, apoiavam Mário Soares (“Soares é Fixe”, era o lema) e isso criou atritos e amargos de boca entre as partes. Na segunda volta, em Fevereiro de 1986, Mário Soares ganha por uma diferença mínima (o equivalente a um Estádio da Luz como se dizia na altura). Para mim, um adolescente à época que viveu intensamente a campanha eleitoral, foi um enorme balde de água fria. Estava convencido que Freitas do Amaral ganharia as eleições. No fundo, em casa, estávamos todos convencidos de tal.

A verdade foi outra. Mário Soares ganhou e teve a superior inteligência de criar a figura do “Presidente de todos os portugueses”. E foi-o como poucos. Melhor dito, como nenhum antes e como nenhum outro depois. E tinha de o ser para dessa forma acabar com a enorme divisão existente na nossa sociedade. Estou convencido que foram dois os factores que acabaram com essa divisão fracturante no Portugal dos anos oitenta: a forma como Mário Soares soube exercer o seu cargo de forma unificadora e a maioria absoluta do PSD em 1987, ano e meio depois das eleições presidenciais.

Ou seja, Mário Soares foi fundamental como garante da democracia nos anos setenta. Foi a sua acção directa e indirecta que acabou (ou pelo menos atenuou) a clivagem política  na nossa sociedade nos anos oitenta. Em dois períodos diferentes e fundamentais da nossa história recente, Mário Soares foi um verdadeiro estadista. E ficou na história do século XX português.

Não foi perfeito e como qualquer ser humano cometeu erros. Não esteve isento de crítica e aqui permitam-me um parêntesis: aquilo a que se assistiu por parte de muitos portugueses, muitos mais do que aquilo que seria de esperar, nas redes sociais e caixas de comentários dos sites de muito órgãos de comunicação social portugueses nos últimos tempos sobre a pessoa de Mário Soares foi vergonhoso. Mais, demonstrou que continua a existir um número demasiado elevado de pessoas mal formadas, com instintos primários e que nos devem encher de vergonha a todos. Não foi nem é apenas repugnante, é assustador. Que não gostem de Mário Soares, que exista contra ele motivações superiores, é natural e normal mas destilar ódio, desejar-lhe a morte e outras coisas do género a que todos assistimos publicamente é indecoroso e, repito, assustador na forma como nos mostra o seu carácter. Escrevo-o com a liberdade de nunca o ter apoiado nem tão pouco nele votado em toda a minha vida e em todas as hipóteses que para tal tive. Com a liberdade de ter sido crítico de algumas das suas decisões e até de coisas que ele disse ou fez. Aliás, sobre o seu papel na descolonização a história se encarregará de esclarecer a verdade, de elucidar as gerações futuras sobre o que se passou e como se passou. Nem a minha geração está suficientemente distante para o fazer com o devido rigor histórico. E esse é o ponto que mais me divide sobre a personalidade de Mário Soares.

Não vou escrever muito mais sobre Mário Soares. Apenas aconselho, a quem o desejar, a leitura deste fabuloso texto de Miguel Esteves Cardoso, insuspeito ideologicamente, sobre Mário Soares. Está ali quase tudo o que penso sobre Mário Soares. Estou convencido que perdemos hoje um dos nossos maiores.

Dakar – A Aventura Continua

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Desde miúdo que o Rally Dakar me fascina. Todos os anos acompanho a aventura através da televisão, sobretudo via Eurosport e agora pelo online. Em três diferentes alturas tive a sorte de ver ao vivo etapas do Dakar e o sonho de nele participar um dia ainda não desapareceu.

Pelo segundo ano consecutivo o piloto português Paulo Gonçalves (motas) teve uma atitude fantástica: parou a sua corrida para ajudar outros pilotos. Ontem foi a vez de parar para ajudar o vencedor do ano passado, Toby Price, que estava ferido fruto de uma queda que o levou a desistir. O Paulo Gonçalves ficou ao seu lado aguardando a chegada do helicóptero de assistência médica. Esta sua atitude levou a organização, a exemplo do ano passado, a descontar o tempo perdido no apoio a um companheiro e com isso o nosso piloto subiu de 11º para o 6º lugar.

Já escrevi no Aventar várias vezes sobre esta mítica prova do desporto automóvel. Ainda hoje tenho atravessada na garganta duas decisões da organização: o cancelamento do Lisboa-Dakar em 2008 e terem levado a prova para a América do Sul. Mesmo assim, continuo a seguir religiosamente a prova e todos os anos a acreditar que é desta que um português a vence. Este último sonho está a ficar como o outro que tenho de participar: cada vez mais difícil…

Das opções editoriais…

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Nos últimos dias foi notícia e fonte de vasta polémica nas redes sociais (como costume) a saída de Alberto Gonçalves do Diário de Notícias e de José Vítor Malheiros do Público. No segundo caso deixo a análise para outro aventador que quer escrever sobre o tema. Fico-me pelo Alberto Gonçalves.

Sou um leitor atento das crónicas do Alberto Gonçalves na Sábado. Normalmente é a primeira coisa que faço quando compro a revista. No caso do DN faço-o na net, em especial através da página de facebook do autor já que há muito deixei de ser cliente do Diário de Notícias. Um breve nota: fui durante anos leitor diário do DN, hábito adquirido na universidade e recordo, mais tarde, que num dos principais quiosques da Maia me comentou a proprietária que só tinha dois clientes do jornal, eu e um advogado. Passado uns tempos o DN entrou numa rota descendente, por motivos já uma vez explicados no Aventar e também eu me passei para a concorrência.

Voltando ao tema, nem sempre concordo com os escritos do Alberto Gonçalves. Porém, a qualidade da escrita e a sua manifesta frontalidade sempre me fascinaram. Além disso, na imprensa escrita, não existe mais ninguém dito de “direita” a escrever assim, sem medo das palavras, sem pinga de politicamente correcto. Sempre me espantou como era possível este Diário de Notícias o permitir. Daí não ter ficado admirado quando li na sua página no facebook que por decisão da direcção do DN, tinha terminado a sua colaboração com este jornal. Estava mesmo a ver que isto ía acontecer.

Por questões de falta de independência da actual direcção? Por pressões do actual poder político? Não e não. Não existe esse luxo chamado “independência” como estamos todos fartinhos de saber mesmo antes desta notícia que descreve as escutas do caso Marquês. Nem tão pouco o poder político se vai incomodar com os escritos de um só comentador. É verdade que o Alberto Gonçalves atira a matar ao actual Governo e ao actual Presidente da República mas é o único e por isso não chega a incomodar e até poderia servir para dar como exemplo da “pluralidade”. O problema é outro. Os escritos de Alberto Gonçalves irritam fortemente uma certa clique que vive (sempre viveu) à volta dos media lisboetas, que deles se alimenta e a eles alimenta. Das viúvas de Sócrates (que vieram festejar rapidamente para o twitter e facebook) passando por alguns senhores dos salões do poder e dos media da capital. Eram esses os principais incomodados com os escritos de Alberto Gonçalves. E se na Sábado lhes era impossível chegar, já no DN a coisa muda de figura. No fundo até tenho pena do Paulo Baldaia, o que deve ter aturado, imagino as fúrias das meninas e dos meninos. Deus nos livre de tal sofrimento.

O que mais os incomoda nos escritos do Alberto Gonçalves é o facto de saberem que ele toca onde dói mais. Pior, que entrar em polémica com ele é arriscarem a passar por enxovalho. Ainda por cima, enxovalho intelectual. Sim, é que o Alberto Gonçalves, coisa muito típica e genuína aqui em cima, é daqueles que não tem papas na língua. Não manda dizer, diz mesmo. Além disso, não frequenta os salões nem os bares e restaurantes da moda de Lisboa. Para eles é uma espécie de labrego do Norte letrado e indomável. Ou seja, um verdadeiro problema que tinha de ser rapidamente resolvido. Obviamente que quando o dinheiro é dos outros (ou fácil) a coisa é simples.

O problema é que o DN continua a definhar em termos de audiências. No tal quiosque que vos falei já nem um só comprador. Segundo dados recentemente tornados públicos as vendas rondam os 10 mil exemplares. Mesmo assim continua cantando e rindo ao sabor das conveniências de uma clique que apenas se alimenta de uma imagem histórica hoje perfeitamente deslocada da realidade. É por estas e outras do género que o DN está como está. Quanto ao Alberto Gonçalves, cheira-me que é para o lado que dorme melhor. Ao contrário das viúvas de Sócrates, não precisa do DN para viver, ou no caso delas, sobreviver.

Acorda Porto!

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Podemos falar no desnorte da SAD do FCPorto nos últimos tempos? Claro que sim e eu já escrevi sobre isso. Podemos falar na falta de “unhas” do treinador do FCPorto? Obviamente e eu também já escrevi sobre o tema. Podemos falar sobre a qualidade do plantel? Então não! Embora o FCPorto tenha um bom plantel no que ao nosso campeonato diz respeito. Já para a CL é outra conversa, considero-o curto mas é a realidade do nosso futebol que não consegue competir com as centenas de milhões de Inglaterra ou Espanha embora até se consiga fazer uns brilharetes. Posto isto, e de arbitragens?
 

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Está assim o Porto. Vivo.

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(Santa Catarina, Porto, hoje de tarde)

Já não me lembrava de ver o Porto assim. Tanta e tanta gente que nem se consegue estacionar o carro para passear pelo centro da cidade. Foi assim desde que regressei no início de dezembro e acreditei que depois do Natal já seria possível passear com mais calma. Não se consegue. É um incómodo? É. Antes assim. Prefiro o “meu” Porto vivo que aquele outro, do passado recente, moribundo, vazio, degradado e sem pessoas.

Que bom que é ver este Porto ainda mais pujante que aquele dos anos oitenta, antes dos grandes centros comerciais e dos “Continente”. Esse Porto que conheci com o meu pai e a minha mãe, ele com as suas constantes idas ao alfaiate na 31 de Janeiro ou comprar o “seu” Le Figaro na Bertrand. Ela naquele “seu” Porto das bolas de Berlim e das amêndoas de chocolate na Páscoa na Confeitaria Cunha, da estafa de deixar o carro estacionado no Silo-Auto e fazer todo o centro, toda a baixa a pé. Sem esquecer a fruta na “Bananeira”, o queijo da Serra na loja do senhor do gato à Trindade (e cujo nome não me recordo). Ou do terror de ter a minha mãe a entrar no Silo-Auto no seu peugeot 205 pela saída. Era um Porto vivo, com pessoas e poucos turistas. Hoje é mais que vivo, é pujante e a nós juntaram-se os turistas e a todos une um enorme encanto por esta cidade renascida.

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Passageiros? Em fuga…

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Como gosto muito de ficção científica e não fiz o trabalho de casa, fui ver o filme “Passageiros”. Meus amigos/as, salvo melhor opinião, é de fugir! Que grande barrete. E é muito bem feito, quem me manda a mim ir ver um filme sem primeiro dar uma vista de olhos ao resumo e às críticas sérias de quem sabe da poda?

Fica o aviso aos leitores do Aventar.

Sangue – Por Clara Ferreira Alves, Expresso

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Existem artigos que deviam estar públicos nos respectivos sites dos jornais. Para que possam ser partilhados por todos e para todos até à exaustão. Porque são de leitura obrigatória. Como este não está, tive de andar a fazer “truques” meios foleiros para o conseguir partilhar aqui no blogue e dessa forma os leitores deste nosso e vosso espaço terem a possibilidade de o lerem. Aqui fica:

Crónicas do Rochedo XII – Alguma coisa deve estar errada…

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De Valência (Espanha) à Maia são pouco mais de 900 quilómetros. No caso em apreço, de Valência a Chaves são cerca de 800 quilómetros. Sem utilizar qualquer alternativa às auto-estradas espanholas, o valor pago em portagens neste percurso até chaves são €12,30 (podendo ser zero evitando o túnel de Guadarrama nos arredores de Madrid). Por sua vez, de Chaves à Maia são cerca de 140 quilómetros e €11,25 de portagens (classe 1).

Em Espanha o gasóleo varia entre os €0,98 e €1,08. Aqui, a coisa anda entre os €1,27 nas auto-estradas e os €1,17 nos postos mais baratos. Uma botija de gás custa em Espanha, em média, metade do que custa em Portugal. Os produtos de supermercado, salvo raras excepções, são praticamente todos iguais ou ligeiramente inferiores. Bens de primeira necessidade como água, pão ou leite equiparam-se nos preços. Porém, os salários são bem diferentes: O salário médio bruto em Espanha anda nos €1.640 mensais para uma carga fiscal de 21,5%  (contra os €986 em Portugal e uma carga fiscal de 28,3%).

Como compreender estas diferenças? Alguma coisa deve estar errada…

Crónica do Rochedo XI – A morte de Rita Barberá

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Há uns dias vi uma reportagem do canal televisivo espanhol Antena 3 sobre Rita Barberá. Nesse momento decidi que tinha de escrever sobre a reportagem em causa. A preguiça foi adiando a empreitada. Até que ontem, Rita Barberá foi encontrada morta num quarto de hotel em Madrid.  Sofreu um enfarte, segundo o que se pode ler nos jornais espanhóis.

Vamos por partes. Quem foi Rita Barberá? Foi a presidente da Câmara de Valência (Alcaldesa como se diz por aqui) durante 24 anos, pelo Partido Popular (PP) e grande obreira das vitórias do seu partido na “Comunidad Valenciana”. Adaptando à nossa realidade, foi um dinossauro político e daqueles bem grandes – a ela muito deve o PP de Aznar e ainda mais o de Rajoy, de quem era amiga pessoal. Enquanto autarca revolucionou Valência (para o bem ou para o mal dependendo das opiniões e dos alinhamentos partidários de cada um). Uma coisa é certa, existe um antes e um depois de Barberá em Valência. E só isso já é relevante. Até que…

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Crónicas do Rochedo X – Trump e Europa

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Escrevo este texto num computador americano. O meu telemóvel é americano. O meu carro é americano (e alguns dos meus carros de sonho são americanos). Compro música (sim, ainda sou dos que compra música) num site americano e muita da minha música é americana (a minha banda de música preferida não sendo americana tem um álbum, o seu melhor até hoje, feito e inspirado nos EUA). As minhas calças preferidas são de uma marca americana. Assim como as minhas botas. Um dos meus escritores preferidos é americano. E por aí fora. Os EUA fascinam-me. Desde miúdo.

É um país excepcional. Como todos os outros, a começar pelo nosso, com virtudes e defeitos. É o expoente máximo da liberdade e, até por isso, no seu seio podemos encontrar desde o mais retinto racista aos mais perigoso fanático religioso passando pelo mais básico dos básicos. Sendo um verdadeiro “país continente” nele se encontra de tudo. E em doses à imagem e semelhança do seu tamanho. O que o torna ainda mais fascinante.

Ora, os americanos decidiram, através do voto, escolher Donald Trump para seu Presidente. Se é verdade, a mais pura verdade, que ainda estou em choque com a escolha, também o é que não falta muito para me obrigarem a defender o homem. Quando ouço o Presidente francês comentar como o fez (tanto no tom como no conteúdo) o resultado das eleições americanas; quando ouço as últimas declarações de Junker fico pasmado com a lata.

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Crónica do Rochedo IX – De Maria Leal a Umberto Eco

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Um dos humoristas que mais aprecio é o Rui Unas. O seu último projecto chama-se “Maluco Beleza”. Sempre que posso passo pelo seu canal na net ou pelo facebook para assistir às entrevistas (gostei especialmente da entrevista ao Luís Franco Basto). Ontem, tropecei na da Maria Leal.

Obviamente, vi no facebook a sua famosa actuação no programa do Goucha e da Cristina. Como muitos outros, fui invadido pelo mais puro espanto, seguida da mais franca sessão de gargalhadas e terminando num genuíno sentimento de vergonha alheia. E por aqui me fiquei. Fui assistindo, já sem grande espanto e com a possível saudável distância ao histerismo das redes sobre o tema. Até ontem.

O ódio destilado sem qualquer freio por boa parte dos internautas que participavam em directo nas redes ao programa é inenarrável. Desde insultos, passando por desejos que a senhora morra e terminando em tentativas de enxovalho pelo facto da senhora dar calinadas de português ao mesmo tempo que esses mesmos escreviam num português de fugir. Porquê? A sério, porquê?

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JJC, não foste tu, certo?

Então é assim João, tu foste para outras paragens e nunca mais o mundo foi o mesmo.

Os “bifes” deram uma de anarquistas e “brexitaram-se” numa só penada. Já a tua esquerda alçou-se ao poder e a Mariana até já lança impostos. Nos “States” o Trump arrisca-se a ganhar e estamos todos, os minimamente lúcidos, que não nos cabe um feijão no cagueiro. Isso e o Erdogan ensandeceu, o Putin não toma os medicamentos e a banca alemã está de tal ordem que a nossa até parece de gente séria. Isso e hoje um taxista baralhou-se na TV e denunciou-se como um reles violador.

Fui levado a pensar que toda esta anarquia teria dedo teu e que estavas por aí a divertir-te à grande soltando o teu riso de eterna criança traquina. Contudo, uma luz fez-me ver que afinal não é coisa tua. É que o nosso Porto, o FCP, está como o mundo, de pernas para o ar. E isso eu sei que nunca seria coisa tua. Sabes que te digo? Foda-se, que saudades pá.

Mas…olha lá, toda esta confusão não é coisa tua, pois não???

Crónicas do Rochedo VIII – Nós não somos alemães.

Tenho para mim que Pedro Passos Coelho é um homem sério e um político que acredita piamente no seu conceito do que deve ser Portugal. O problema pode estar no “seu” conceito.

Olho para a sua entrevista mais recente com a devida distância de quem não estando muito longe também não está perto. Como não sou nem bruxo nem adivinho não sei nem faço a mínima ideia se ele está certo. Penso saber que está a falar com toda a convicção, de quem acredita que o caminho é aquele. O futuro dirá se a razão está do seu lado. Eu não o posso dizer. Por desconhecimento do futuro. O que sei é outra coisa. Nós não somos alemães. Para o bem e para o mal.

Hoje lido diariamente com alemães. E o que vejo é diferente daquilo que deles pensava, daquilo que deles nos é dado pela comunicação social e pelas “ideias feitas”. Trabalham mais que nós, portugueses? Não. São mais produtivos que nós? Não. Quando muito serão mais focados, mais pragmáticos e mais cumpridores do “by the book”. Neles não encontro o “desenrasca”. Não encontro o improviso. Nesse ponto são diferentes de nós. Mas… a realidade mostra que os alemães com forte poder financeiro gostam do nosso estilo de vida. Gostam do clima de Maiorca, do sul de Espanha, de Itália, da Grécia, do Algarve, de certas zonas de sul de França. Aqui em Maiorca chega-se ao ponto de serem donos de quase tudo na ilha – supermercados, restaurantes, bares, lojas, dos espaços de animação cultural, casas, hotéis médios e pequenos, jornais e rádios, entre inúmeros negócios. E fogem ao fisco. Que latinos que eles são…

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Crónicas do Rochedo VII – Europa

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Chovem pedras na vidraria

Estava aqui a olhar para esta vista e a pensar que ando a falhar ao treinos do Aventar. E a distância não é desculpa bastante. Entretanto um aventador casou e resmas de outros fizeram anos. E por estes dias o mundo, pelo menos aquele que nos é mais próximo, mudou e muito.

Em terras de Sua Majestade o povo falou. Escolheu seguir outro caminho. Tenho lido e ouvido muitas opiniões sobre este referendo. Que votaram sem saber bem o quê (tenho que tal até pode ser verdade no caso de uma pequena maioria mas não façam do povo estúpido), que a culpa é de Bruxelas e dos seus burocratas (lá ajudar, ajudou), e eu sei lá que mais culpados e razões encontraram. Uma coisa tenho como certa: independentemente do resultado, aplaudo o facto de terem feito um referendo. Assim ninguém vai ao engano.

O resultado só veio confirmar a enorme, gigantesca crise europeia. E não estou a falar de economia. Estou a falar de valores, de civilização. Em praticamente todos os países europeus cresce o extremismo. Tanto o de direita como o de esquerda. Fico espantado ao ver que até em Inglaterra se verifica uma clivagem perigosa entre gerações. Os mais novos dizem que foram os mais velhos que escolheram o caminho da saída. Os mais velhos afirmam que o problema é o desconhecimento e a falta de experiência dos mais novos. Vi, li e ouvi discursos inflamados de uns e outros, o mesmo género de palavreado que ouvi em Portugal sobre as reformas e a crise, a dívida e o futuro para as novas gerações. Cá como lá, uma divisão geracional destrutiva e estúpida. Estamos a assistir a um espectáculo dantesco: chovem pedras entre telhados de vidro.

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Crónicas do Rochedo VI – Música

Crónicas do Rochedo V – Pinto da Costa, O Político.

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Uma das características dos políticos é a sua durabilidade. São assim como o coelho das pilhas duracell, “e duram, e duram, duram, duram…”. Não fosse a lei de limitação de mandatos nas autarquias locais (porquê só nas autarquias locais???) e Portugal seria o verdadeiro paraíso jurássico da Europa.

Estarei a exagerar? Não me parece. Ora reparem: António Costa, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, Jerónimo Sousa. Isto apenas para referir as primeiras linhas. Caso contrário, teria de recordar Soares, Cavaco, Jorge Coelho, Jaime Gama, Marques Mendes, Durão Barroso, Santana Lopes, Telmo Correia, Francisco Louçã, etc., etc., etc. Desde os anos 80/90 que estão na primeira linha. Será que é só na política? Bem, nos sindicatos é a mesma coisa. Nas ordens profissionais onde não existe regra de limitação de mandatos idem. E nas grandes empresas? Aspas, aspas.

Isto é tudo muito bonito, são todos muito democratas e tal e coisa mas largar o lugar é que nem pensar. Se é assim em tudo porque raio teria de ser diferente no futebol? Pois.

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Crónicas do Penedo IV – Não vale a pena explicar, Hugo

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Foi algures na década passada que a propósito de uma calúnia de que fui alvo um velho amigo, lendo um texto meu, me mandou uma mensagem com a seguinte frase: “Não expliques. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam”. A partir daí, sempre que fui alvo de uma calúnia segui essa velha máxima. Ainda há dias, mesmo estando relativamente longe, um velho companheiro de muitas lutas ligou-me para me informar de uma outra que corria. Depois de termos trocado umas boas gargalhadas recordei-o dessa velha máxima. Hoje, deambulando pelas redes sociais, dei de caras com uma grave calúnia que atingia um grande amigo, o deputado Hugo Pires do Partido Socialista. [Read more…]

Crónicas do Penedo III – The West Wing vs The House of Cards e a vida são dois dias…

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De “Os Homens do Presidente” a “House of Cards” passando pela comunicação política sem esquecer a tal entrevista à Visão.

Está quase a chegar mais uma temporada  da série “House of Cards”. Enquanto esperava o regresso de Frank underwood aproveitei para rever a compilação da série “Os Homens do Presidente” (“The West Wing” no original) e reflectir sobre as suas diferenças e a realidade actual.

É um engano julgar que estas duas séries são mera ficção. Só o são para quem nunca teve de lidar com a comunicação política, mesma a mais pequenina ou básica. Existem muitos pontos comuns, muitos momentos/actos/factos cuja correspondência com o real é de tal forma que até assusta, mesmo à distância de um oceano.

Vamos por partes.

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Crónicas do Penedo II – Pere de Portugal

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Enquanto tomava um café (chamar a esta sopa de água tingida café…) e fumava o meu primeiro cigarro do dia descubro que o governo das Baleares investiu a módica quantia de 55 mil euros para adquirir duas moedas mandadas cunhar por Pere de Portugal (Coimbra, 1187 – Maiorca,1258) personagem que governou as Baleares e que mesmo sem autorização do Rei decidiu cunhar moeda própria (1232-1244) tendo numa das faces as armas portuguesas e na outra as da Catalunha. A notícia foi lida no diário Ultima Hora (página 61).

Fiquei curioso. Pere de Portugal? Esta coisa dos nossos vizinhos terem várias línguas conforme o seu território deixa qualquer um confuso. Qual Pere qual quê! Estamos a falar de Pedro Sanches de Portugal, segundo filho do nosso Rei Sancho I e de Dulce de Aragão. Um tipo que andou sempre metido em várias confusões. Reza a história que começou por tomar partido das irmãs mal Sancho I, seu pai, faleceu contra o seu irmão mais velho, o Rei Afonso II. A coisa correu mal e zarpou para Leão. Mais tarde seguiu para Aragão (1229) para ajudar o Rei Jaime I de Aragão e casou com a Condessa de Urgel. No ano seguinte ajudou o Bispo de Tarragona a conquistar Ibiza aos Mouros (os mesmos que anos antes ajudara) e em 1231 o Rei Jaime I de Aragão entrega-lhe o domínio feudal do Reino de Maiorca (Maiorca, Ibiza, Menorca e Formentera) tornando-o Senhor das Baleares até à sua morte em 1258. Isto de forma muito resumida e tendo sempre presente que boa parte das fontes foram colhidas na internet, com todas as limitações e riscos que se conhecem. Já agora, para que não se confundam com as datas, ele foi Senhor das Baleares entre 1231 e a sua morte em 1250 e governou as ilhas só entre 1232 e 1244. Está feita a advertência.

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Um prodígio com 10 anos e 200 golos

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Chama-se Afonso Moreira e aos 10 anos de idade já leva 200 golos marcados, como nos conta o Diário de Viseu. Isto tudo acompanhado de excelentes notas na escola. Uma bela história.

 

Crónicas do Penedo I – A antena

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No tempo em que não existia TV Cabo e a televisão a cores era uma realidade um pouco recente, o meu pai decidiu comprar uma antena parabólica para termos alternativa ao elevado número de canais televisivos que a pátria oferecia: RTP 1 e RTP 2…

Na altura foi um acontecimento. De repente passei a ter, vejam lá, um canal de música (já não me lembro do nome a não ser que era qualquer coisa “europa”). Isso e alguns que durante a madrugada passavam umas coisas interessantes para maiores de 18. Nalguns casos, como diziam um amigo meu, era mesmo para maiores de 40… Depois veio a TV Cabo e nunca mais se utilizou a antena. Continua lá no alto do telhado sobrevivendo a custo a alguns temporais de inverno.

Até que um dia Espanha nos chama e lá vamos nós em trabalho por uns tempos valentes. De repente decides que vais ter uma parabólica pois não estás para fazer um contrato de fidelização de televisão por cabo e pagar uma fortuna todos os meses para levares com as melhores series americanas dobradas em castelhano…Ouvir Frank Underwood em castelhano é quase tão pornográfico como o “xiii cariño, xiiii” dos anos oitenta.

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Televisão: Ao fim e ao Cabo

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(suplemento Ver da revista Evasões/JN/DN, 8/1/2016)

Num dos últimos encontros do Aventar falou-se de audiências e dos canais da cabo. Uma vez mais, estranhei a surpresa dos presentes (pelo menos de boa parte) perante os números. Curiosamente, é algo que sempre acontece quando falo sobre isso com terceiros. Ora vamos aos números.

Segundo a publicação “Ver” da revista Evasões (JN e DN) desta semana (página 24, 8/1/2016) a média de espectadores dos 10 canais mais vistos nesse período foi a seguinte:

Em 1º o Canal Hollywood com 48.900; em 2º temos a SIC Notícias com 44.800 e em terceiro o AXN com 37.200. Já agora, nos 10 primeiros temos quatro canais para crianças (Disney Channel, Disney Junior, Panda e Cartoon Network) e em 10º lugar a CMTV (Correio da Manhã TV) com 20.200 espectadores (os mesmos da RTP3). Permitam-me que destaque um pormenor importante:

A CMTV da Cofina (Correio da Manhã, Sábado, Record) estar em 10º lugar é muito bom pois ainda só está na MEO. A partir de meados deste mês (penso que dia 16) chega à NOS e assim passa a estar disponível em 85% dos clientes de televisão por cabo em Portugal. Ou seja, a CMTV consegue estando apenas na MEO ter a mesma audiência da RTP3 que está em todas e cerca de metade da audiência da SIC Notícias (que também está em todas). Daí não estranhar que os seus responsáveis apontem à liderança da cabo em Portugal até ao final do ano. Surpreendente, tendo em conta os actuais números, era não o conseguir.

Ou seja, as audiências dos principais canais da cabo não são idênticas ao que sobre elas se pensa. Para quase todos os meus amigos e conhecidos, estes são valores muito abaixo daquilo que julgavam. Se é verdade que a cabo lidera as audiências em Portugal, os hábitos de consumo de televisão continuam a ser os mesmos de um passado recente (TVI, SIC, RTP1). A grande diferença está na forma como uma parte dos espectadores se dispersa pelos vários canais. Uma parte. Não todos nem tão pouco a maioria.

FCP: O Complexo Basco

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(Este post foi originalmente escrito numa página de grupo privada de adeptos do FCP nas redes sociais depois da derrota com o SCP. Não era para ser publicado no Aventar mas a pedido de muitos decidi colocar aqui a minha opinião. Actualizada fruto dos últimos acontecimentos)

Para muitos este é um post sobre futebol. Para alguns é um pouco mais do que apenas um post sobre futebol.

Mesmo fazendo um enorme esforço não me lembro do momento exacto em que me tornei portista. A influência do meu pai foi fundamental. Recordo-me do velho rádio onde ouvia os relatos (o Quadrante Norte), das disputas na primária com outros miúdos que eram adeptos do Benfica. E depois, a promessa do meu pai de que aos 10 anos me faria sócio do Porto. E assim foi. Mais tarde vieram os primeiros jogos em que fui autorizado a ir sozinho para o Estádio das Antas, depois com os amigos. As alegrias, as tristezas. E 1987. O ano de Viena, do calcanhar do Madjer, as fintas intermináveis do Futre, do eterno capitão João Pinto agarrado à Taça dos Campeões, da cidade do Porto virado do avesso sem esquecer a loucura vivida em pleno cruzamento da Areosa. Os anos oitenta foram intensos. Não estávamos habituados a tantas vitórias. Já os anos noventa foram de vitórias atrás de vitórias. O início deste século foi um verdadeiro regalo: Taça UEFA, Liga dos Campeões, Liga Europa, domínio absoluto a nível nacional, Mourinho, Deco, André Villas-Boas, etc, etc, etc.

Ao longo destes anos o Porto conquistou títulos, lançou jogadores e fez milhões com receitas de todo o género e feitio. Em todo este percurso iniciado no final dos anos setenta passaram por aqui inúmeros jogadores e vários treinadores. Mas existe algo que fez a diferença: Jorge Nuno Pinto da Costa. Liderou o FCPorto e fez uma autêntica revolução. O clube e todos os seus adeptos devem-lhe muito. Ele personifica o FCP vencedor.

Foram poucos, muito poucos, os pontos onde falhou.

Em todos estes anos (mais de três décadas) de liderança ser um tremendo desafio encontrar falhas é algo verdadeiramente impressionante. Claro que existem. Todos as temos e ninguém é perfeito. Nem ninguém vive eternamente. Embora Jorge Nuno Pinto da Costa tenha conseguido com todo o mérito ficar eternamente na história do Futebol Clube do Porto. Só que o tempo é implacável. Para todos nós, sem excepção.

Nem tudo são rosas nos últimos 10 anos do FCPorto no que toca à situação financeira do clube. Em 2004 o passivo do clube rondava os 82,8 milhões de euros. Em 2013 atingia os 220 milhões. Contudo, nesse período, as vendas de jogadores e treinadores foram superiores a 320 milhões de euros. Em 2014/15 o passivo do FC Porto subia de 220 para 276 milhões.

Ao mesmo tempo, no mesmo período, o Porto batia todos os recordes de vendas de jogadores somando mais de 100 milhões em apenas uma época.

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A entrevista de José Sócrates: Pulha ou pulhice?

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Vamos por partes. Desde logo, para início de conversa, penso que quem conhece o que escrevi e escrevo no Aventar (e noutros espaços) há muitos anos certamente saberá que sou insuspeito nesta matéria. Nunca apoiei José Sócrates, fui crítico de boa parte das políticas dos seus governos e fui entusiasta da sua queda em 2011. Posto isto, vamos então falar sobre a entrevista.

Eu não faço a mínima ideia se José Sócrates é culpado ou inocente daquilo que o acusam. Não conheço o processo e, confesso, não sou leitor atento do Correio da Manhã – o que não evita tropeçar com as várias notícias e matérias produzidas pelo CM em relação a este caso em tudo quanto é blogue, programa televisivo e redes sociais. Quando este processo começou nas televisões (e começou nos directos televisivos da sua prisão) cheguei a escrever duas coisas sobre o tema: a arrepiante (negativamente falando) cobertura televisiva do processo nos primeiros dias; o meu espanto ao pensar que um Primeiro-ministro (no caso um “ex”) do meu país podia estar envolvido em semelhante e por isso ter, desde logo, demonstrado algumas reservas e considerar que se devia esperar pelo normal desenrolar do processo em vez de se começar logo a “sentenciar”.

Ontem e hoje fui um daqueles que viu a entrevista com toda a atenção possível, sem reservas mentais nem quanto ao canal nem tão pouco quanto ao jornalista (dos melhores que temos em televisão, na minha opinião). Já quanto ao entrevistado, por muito que não quisesse, existiam as reservas mentais de quem foi um opositor de boa parte das suas políticas e de quem nunca votou nele. Bem pelo contrário.

E o que vi? Vi um homem amargo, ressentido mas focado. Podemos não acreditar em nada do que ele disse? Podemos. Podemos acreditar em tudo o que ele disse? Podemos. Assim sendo, o que concluir?

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Ne me quitte pas

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Foi ao som de “Ne me quitte pas” de Jacques Brel que Bono Vox, ajoelhado,  fez a homenagem dos U2 a Paris e encerrou a iNNOCENCE Tour.

Ver Bono ajoelhado fez-me pensar na política francesa e europeia. Está quase a fazer um ano que regressei a Paris e voltei a ver/sentir o que já tinha visto e sentido poucos anos antes. Desconforto.

Desconforto de muitos franceses, portugueses, africanos ou asiáticos que se sentiam (e sentem) “abandonados” por um conjunto de políticas internas descuidadas que os atiram para os braços da Frente Nacional, uma espécie de “lado negro” da política francesa. E as últimas eleições em França (tanto as europeias como agora as regionais) são disso testemunha.

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Um Presidente diferente

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Que enorme diferença. Ver Marcelo Rebelo de Sousa a ser entrevistado enquanto candidato a Presidente da República na SIC e tentar comparar com a esmagadora maioria dos nossos políticos em situações do género.

O que costumam fazer os nossos políticos quando são entrevistados em televisão? Simples, responder com a máxima ambiguidade possível e até impossível. O que fez Marcelo? Respondeu a tudo de forma clara, directa e sem “rodriguinhos”. Sem procurar agradar a Deus e ao Diabo. Sem fugir a nenhuma pergunta. Sem atacar ninguém. Limitou-se a dizer o que pensa e com bom senso. De forma séria e ao mesmo tempo descontraída. Dominando perfeitamente o meio e sabendo utilizar o modo certo. Sem artificialismos.

E arriscando. Muito. Afirmar que não vai fazer uma campanha tradicional – não aceita donativos de nenhuma espécie, só vai ter uma sede de campanha (em Lisboa), não vai colocar cartazes nem outdoors nem nada é, mesmo nestes tempos e mesmo com a notoriedade que se lhe reconhece, um enorme risco.

É um candidato diferente. Estou convencido que se vencer, como espero, será um Presidente diferente. E como Portugal precisa de um PR diferente…