Salazar vive!

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Eu já não sou do tempo em que, no Minho, famílias inteiras sobreviviam única e exclusivamente daquilo que a terra dava.

Nos tempos do outro senhor, dizem-me, os caseiros habitavam umas casas rodeadas de muita terra arável. Tinham como posses algumas juntas de bois, algumas vacas leiteiras e muitos filhos – uma benção, porque alguém tinha que trabalhar as terras e os filhos não regateiam salário e outros luxos. Deixá-los ir para a escola era perder de amealhar umas arrobas de batata e milho, uns carros de pão. Dócil o gado e os filhos assim educados para o trabalho.
No final de cada temporada, o servo da gleba entregava ao senhor metade ou dois terços da produção da terra. Batata, cereal, vinho. Era dele para comerciar o restante.
Noutros contratos de sobrevivência, o caseiro comprometia-se entregar ao senhor dadas quantidades de produtos agrícolas. Havia anos maus, com uma produção abaixo do estipulado e havia senhores que não perdoavam os seus servos. A miséria perpetuava-se.
A miséria e a subserviência medievais duraram para lá de muito. No Minho, somos todos filhos ou já netos desse tempo.
No Minho isto é passado. No Alentejo, parece que ainda dura o regime do trabalho em troca da luz do dia seguinte.
Atente-se no anúncio da Associação de Defesa do Património de Mértola. [Read more…]