Privatizar a RTP? deixa-me rir

Anda a direita lírica em pulgas para privatizar a RTP. Nem me dou ao trabalho de discutir os seus argumentos, limito-me a constatar a realidade: privatizada a RTP, teríamos três canais absolutamente comerciais a concorrer, em sinal aberto. Ora não há mercado publicitário para encher o bandulho a tanta gente, coisa bem sabida para os lados da TVI e do tio Balsemão. O que estes canais queriam era outra coisa: RTP1 sem anúncios, integralmente sustentada pelo estado.

Em vésperas de chegar ao mundo real o governo conta com a originalidade de ter um secretário de estado que já não o é e, mais complicado do que o costume,  nunca o foi: o administrador da TVI Bernardo Bairrão apresentou-se a defender a casa onde trabalhava, alguém se lembrou dos fretes que fizera ao socretinismo, despediu-se e ficou desempregado.

Para ter os canais privados do seu lado qualquer governo que pretenda sobreviver terá de se sujeitar às leis do mercado. Como é sabido leis do mercado em português quer dizer: aí do estado que se me atravesse no caminho. Resta a hipótese de muito simplesmente fechar a RTP, mas essas não são contas do meu rosário.

Bem vindos à realidade: se a RTP fosse privatizável há muito que o teria sido. Agora se o PSD decide ser mesmo coerente, a coisa promete: ter a imprensa à perna ainda o santo não saltou do altar para o andor, é obra. Linda procissão em perspectiva.