Conversas vadias 11

Os vadiolas voltaram a reunir-se, munidos de telemóveis e computadores, para a vadiagem semanal. Fernando Moreira de Sá, António Fernando Nabais, António de Almeida, Orlando Sousa, Francisco Miguel Valada, José Mário Teixeira e João Mendes reuniram-se para discutir os seguintes temas: Carlos Moedas, política maiata, Sporting Clube de Portugal, Pedro Pinho, Café Ceuta, CarboSidral, Café Imperial, McDonald’s, framboesas, salsichas de aves, Bruno Nogueira, aliás, perdão, Bruno de Carvalho, gravidezes, desconfinamentos, confinamentos e até houve tempo para a expressão alemã Jemandem Honig um den Bart schmieren. Enfim, a conversa vadia do costume. A vadiagem terminou com sugestões de livros (Rui Correia, Marco Neves), músicas (Rui Reininho), comidinha da boa (o nosso Orlando é uma enciclopédia) e vinho maduro tinto do Douro. Até para a semana.

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Conversas vadias 11
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Fala que eu escuto

Foto: Supercalli

Gosto daquela ideia do café para solitários, ali entre a Carson McCullers e o Tom Waits, balada do café triste encontra o coração de sábado à noite, qualquer coisa por essas redondezas. Cafés com um monólogo em cada mesa, e nos quais nasce – é esse o milagre dessas peculiares igrejas que são os cafés – num arrebato da polifonia, um diálogo, improvável diálogo entre muitas almas que vão falando consigo mesmas. De uma mesa para outra pode lançar-se uma ponte, alinhavar conspirações, começar namoros, descobrir parentescos desconhecidos, qualquer coisa. Para a conversa acabar, é só levantar-se, deixar a moeda sobre o tampo e ir embora, sem mais remorso.

Antigamente, qualquer um podia ir ao café pôr a cabeça em ordem, ver gente, meter conversa, comentar as notícias, confessar mágoas, embebedar-se ou curar a ressaca. Sentavas-te sozinho e acabavas a ouvir os poemas do Rui, a preencher o IRS da velhota que se tinha esquecido dos óculos em casa, ou a meter água na fervura de uma discussão conjugal, a ajudar a jovem mãe a dar o iogurte ao catraio, ou simplesmente a ouvir a história da pessoa do lado, sem preâmbulos nem porquês. [Read more…]