E a cor das ceroulas?

Sou todo a favor da transparência fiscal. Juro! Até porque como trabalhador por conta de outrem não tenho possibilidades de fugir ao fisco, nem que quisesse.

Também defendo uma fiscalização efectiva de quem usufruiu de subsídios e apoios do Estado. Mas, como em tudo, o que é demais, é moléstia.

Hoje, o Jornal de Negócios diz-me que os reformados que recebem pensões sociais ou pensões mínimas (cerca de um milhão de pessoas) “vão ser obrigados a provar que não têm outras fontes de rendimento para continuarem a ter direito ao apoio do Estado”.

De que forma? Serão obrigados a “mostrar documentos comprovativos dos seus rendimentos, como é o caso de extractos das contras bancárias, cadernetas prediais, declarações de IRS, contratos de compra e venda de património, entre outros”.

Logo, mais uma vez, a obrigação de provar que não recebe outros rendimentos que a miserável reforma cai sobre o pensionista. Não tarda nada, os reformados serão obrigados a provar que não têm malas Gucci no armário, que não andam com Rolex no pulso ou até mesmo a cor das ceroulas.