E a cor das ceroulas?

Sou todo a favor da transparência fiscal. Juro! Até porque como trabalhador por conta de outrem não tenho possibilidades de fugir ao fisco, nem que quisesse.

Também defendo uma fiscalização efectiva de quem usufruiu de subsídios e apoios do Estado. Mas, como em tudo, o que é demais, é moléstia.

Hoje, o Jornal de Negócios diz-me que os reformados que recebem pensões sociais ou pensões mínimas (cerca de um milhão de pessoas) “vão ser obrigados a provar que não têm outras fontes de rendimento para continuarem a ter direito ao apoio do Estado”.

De que forma? Serão obrigados a “mostrar documentos comprovativos dos seus rendimentos, como é o caso de extractos das contras bancárias, cadernetas prediais, declarações de IRS, contratos de compra e venda de património, entre outros”.

Logo, mais uma vez, a obrigação de provar que não recebe outros rendimentos que a miserável reforma cai sobre o pensionista. Não tarda nada, os reformados serão obrigados a provar que não têm malas Gucci no armário, que não andam com Rolex no pulso ou até mesmo a cor das ceroulas.

Comments

  1. carla romualdo says:

    e, enquanto isso, ainda não há notícias de cortes nos salários absurdamente altos dos senhores do costume, nem da equiparação da taxa de IRC das entidades bancárias àquela que pagam, por exemplo, as PMEs. Até agora, só há notícia de aperto para os desempregados, os beneficiários do RSI e agora para estes que são os mais pobres entre os reformados. Tudo gente a viver à grande e à francesa, claro

  2. maria monteiro says:

    não cantavam de galo a pedir comprovativos se fossem ao mercado e vissem a ginástica que aquela gente faz de banca em banca procurando o que é mais barato, depois mais caminhada para a farmácia, merceeiro onde vão levando fiado

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