Em revisão: A Passage to India, E.M Forster

 

O livro (e o filme) colocam uma pretensa pergunta: o que aconteceu nas grutas de Marabar?

Publicado em 1924, nos últimos suspiros do Império britânico, e adaptado ao cinema por David Lean em 1984, A Passage to India expõe as fissuras e injustiças na sociedade colonial. Um jovem médico indiano é acusado de violar uma inglesa, branca, nas grutas de Marabar. O caso divide a sociedade entre os britânicos que acham que este crime é típico dos indianos e os indianos que vêem em Aziz mais uma vítima do preconceito e arbitrariedade colonial. Só um britânico defende Aziz: Cyril Fielding, um professor de liceu que, afastado da sua comunidade pelas visões pouco convencionais relativamente aos indianos, é agora completamente posto de parte em virtude da sua amizade com suposto violador.

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O ensino das humanidades e a democracia

Martha Nussbaum, Prémio Príncipe das Astúrias para as Ciências Sociais, em entrevista ao ABC: “A falta de estudos clássicos é um perigo para a democracia.” Leia-se, ainda, a crónica de Fernando Alves sobre essa entrevista.

Latim na Alemanha: a lição das raízes

Vale a pena ler esta reportagem sobre a importância que o estudo do Latim tem na Alemanha. Há quem confunda recomendações dessas com caturrices  ou interesses em encontrar um nicho de mercado para as próprias habilitações. A verdade é que há muitos e variados argumentos a favor do estudo do Latim.

Relembre-se que a língua alemã não é uma língua novilatina como o português. Portugal, ao contrário dos alemães, prefere continuar a cultivar o esquecimento, apagando as bases históricas que estão na origem da sua própria língua e, portanto, do próprio pensamento.

No fundo, é uma questão de coerência, pois seria estranho que agisse de outra maneira um país que atira sobre as escolas programas de Português que desprezam os clássicos da literatura, terminologias linguísticas mal concebidas e um acordo ortográfico desnecessário e prejudicial. Com tanta gente a encher a boca com o prestígio internacional da língua, a morte do Latim é mais um degrau descendente em direcção ao desprestígio nacional da língua.