Ajustes directos à lupa – Porto

Como nos municípios anteriores, baseámos este estudo na análise do site base.gov. Relativamente à Câmara Municipal do Porto, foram feitos quase 1800 ajustes directos desde o início do mandato de Rui Moreira, num total de quase 45 milhões de euros.
Comecemos pelos escritórios de advogados. Em 3 anos e meio, a Câmara liderada por Rui Moreira entregou 9 contratos por ajuste directo à Cuatrecasas. O mais polémico é provavelmente o caderno de encargos do concurso de concessão do Pavilhão Rosa Mota. A Cuatrecasas no Porto, recorde-se, era à época liderada por Paulo Rangel, dirigente da Associação Comercial Portuense durante o mandato de Rui Moreira. E o advogado da sociedade que ficou com o contrato da Porto Lazer foi Filipe Avides Moreira, hoje o director da sociedade no Porto, actual director da Associação Comercial Portuense e marido de uma assessora jurídica da Câmara do Porto. No total, os contratos ajustados directamente à Cuatrecasas, em conjunto, ultrapassaram os 400 mil euros + IVA.
Já que estamos a falar de advogados, a Câmara Municipal ajustou directamente por 3 vezes com uma outra sociedade, a de Paulo Samagaio. No total, foram 167 500 euros + IVA. O que volta a ser curioso. É que Paulo Samagaio era o advogado que, à data da tomada de posse de Rui Moreira, defendia os interesses da Selminho contra a Câmara do Porto. Dois anos depois, estava a representar o Município. Tinha passado de um lado para o outro… ou esteve, afinal, sempre do mesmo lado?
José Pedro Correia Caimoto, Filipe de Lacerda Machado Barbot Costa, João Manuel de Amaral Regadas, Fernanda Paula Marques de Oliveira, Santos Pinto & Associados, Albuquerque & Associados, Miguel Veiga, Neiva Santos e Associados, Raposo, Sá, Miranda & Associados, Campos Pereira, Pedro Alhinho, Leopoldo Carvalhaes, Candida Mesquita & Associados, JPAB-José Pedro Aguiar-Branco & Associados, TELLES DE ABREU E ASSOCIADOS SOCIEDADE DE ADVOGADOS, Marco Almeida & Associado, Saraiva Lima e Associados, Garrigues Portugal e Sofia Nogueira Pinto (ufa!) foram outros dos advogados/sociedades de advogados que receberam ajustes directos. Mais 24 contratos e mais 545 mil euros.
No total, a Câmara de Rui Moreira gastou com advogados, em ajustes directos, mais de 1 milhão de euros – 1 114 833 euros, se quisermos ser precisos. + IVA. É caso para perguntar o que está a fazer o verdadeiro batalhão de advogados que trabalha na Câmara se, para tudo e mais alguma coisa, é preciso recorrer a ajustes directos ao exterior?

O Mandatário para a Juventude

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