Cratinice, o neologismo da moda

A nomeação de Nuno Crato como Ministro da Educação chegou a ser saudada por uma boa parte dos professores, por ser alguém que, durante muito tempo, deu voz a alguns tópicos considerados fundamentais, como a exigência, o rigor. Pela parte que me toca, confesso que senti alguma esperança de que a Educação voltasse a ser olhada por um prisma que, pelo menos, permitisse beneficiar os alunos, mesmo desconfiando de que a situação dos professores não iria melhorar.

Tal como Francisco José Viegas, Nuno Crato transformou-se, muito depressa, num político como os outros e é, agora, mais um fantoche que se limita a executar um programa de austeridade, fingindo que se preocupa com a Educação e desprezando qualquer espécie de coerência.

Hoje, mostrou uma absoluta insensibilidade relativamente à situação de muitos professores contratados, ao afirmar que não sabe quantos serão dispensados em consequência daquilo a que chama revisão curricular. Mesmo que fizesse sentido dispensar professores, num país subdesenvolvido, esta atitude revela a mesma desumanidade que pauta todo o comportamento dos maníacos do défice que fazem de conta que nos governam.

Como se isso não bastasse, e de acordo com declarações de Heloísa Apolónia no seu facebook, Nuno Crato, a propósito do aumento do número de alunos por turma, do fim do desdobramento em ciências e do fim do par pedagógico em EVT, terá dito que “um maior nº de alunos por turma cria melhores condições de aprendizagem!”, o que deve ter origem num estudo feito por alguém enquanto estava em coma alcoólico.

Nuno Crato, com o seu ar delicodoce, como se fosse uma Isabel Alçada inteligente, começa a acumular uma quantidade de afirmações cretinas que deverão passar a merecer uma classificação própria a meio caminho entre Crato e cretinice: cratinices.