O grande deambulador

Diz-me o dicionário que não existe a palavra “deambulador”. Nem sequer “deambulante”, embora admita o galicismo tão baudelairiano “flanador”.

Começo por esta constatação para que não me cobrem o uso, como verão frequente, de uma palavra que o dicionário não consagra. Proponho-vos que, entre o título de lá de cima e o ponto que há-de pôr fim a estas linhas, exista, só para nós, a palavra “deambulador” e exista até, enquanto conceito também muito nosso, a figura do «grande deambulador».

O deambulador é, coisa óbvia, aquele que deambula. Quer dizer, aquele que caminha pelas ruas sem rumo certo, porque o seu percurso não é apenas pelo empedrado, pelo asfalto, pelo passeio (deambular é tão citadino, não é?), mas é, sobretudo, um caminho interior, porque, em verdade vos digo, não há rua que trilhemos que não corresponda a um caminho feito também por dentro. [Read more…]