Carta do Canadá: Os Mastronços

cara de grao de bico

Imagem: Sadi Tekin em “mr. chickpea & friends

Tenho andado a pensar numas coisas que vi pela RTP/Internacional por me parecerem bons indicadores do que vai pelo rectângulo à beira mar plantado.  Deixo já claro que  não me sobra a paciência para debates, concursos, comentários e para o zelo com que a estação estadual nos impinge humoristas sem graça, às catadupas, num esforço digno de registo para nos pôr a rir. Sou mal agradecida. Penso sempre o mesmo dos vários programas destinados aos emigrantes: já vi este filme, e não acabou bem. É que nasci e fiz-me gente em Angola, aprendi a ler e a escrever com professores que iam de Portugal. Falavam de azeitonas, de uvas, de pêssegos, de pêras, e também de brócolos e grelos, que nós nunca tínhamos visto. Não falavam dos frutos e vegetais que nós tratávamos por tu dia a dia. Encasquetaram-nos na cabeça os rios portugueses com todos os afluentes, mesmo os mais insignificantes. E também as linhas férreas, com estações e apeadeiros.  Foi uma grande chatice. E geral, para as colónias todas. Para quê? Evitaram a guerra colonial? Evitaram o sentimento de profunda maçada que nos provocaram pessoas que não faziam a mínima ideia do que era a nossa terra?  Isto tem um nome: colonialismo.  Que, pelos vistos, é como o vírus desse mosquito  que anda para aí. Para quê tantas sentenças à roda dos emigrantes se não há a decência mínima de eleger um deputado por cada país onde há comunidades portuguesas em número substancial, de modo a constituírem um grupo de independentes, não partidários, no parlamento? Têm medo? Andam a brincar ao nacional porreirismo como outrora com as escolas das colónias?

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