A psicanálise da homossexualidade

divã de Freud

O divã de Freud

Após lançar rascunhos sobre a psicanálise, o que era dito pelo cientista em questão sobre a homossexualidade? Bem sabia ele quais eram as suas preferências. Era casado com a sua mulher Marta, com a qual tinham já quatro filhos. Ela já não queria mais e solicitou separar quartos.

Como judeu, o Talmude proibia a masturbação e o amor entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, como diz na sua auto análise, sentia uma certa paixão pelo seu cunhado, casado com a irmã da sua mulher. O livro de Didier-Ansieu, de 1959, L’Auto-analysede Freud, Payot, Paris, traduzido ao luso-brasileiro em 1990, confirma esta asserção. Ninguém diz que Freud teve opções pelo mesmo sexo, mas o seu celibato obrigatório, levava-o a procurar sentimentos de acolhimento, por causa da sua mulher o ter mandado ao quarto vizinho. Como analisava no texto sobre resiliência, todo o ser humano precisa de afectividade e Freud tinha apenas a sabedoria dos seus discípulos e as queixas dos seus doentes e a [Read more…]

saber- camadas de ideias heterogéneas

parte de um livro meu.. que em estes dias trabalho…

Steven Stoer (1991 e 1998), Luiza Cortesão(1995 e 1988)), Luís Souta (1997), de entre os meus próximos na pesquisa, ficavam encantados com uma situação de objecto científico como esta. Encantados, porque é uma situação multicultural, á qual eu acrescentava, multitemporal. Porque a multicultura, não é apenas a etnia diferente. É também o tempo diferente, as gerações diferentes dentro do mesmo tempo, e, mais ainda, o saber diferente. Victoria, Pilar, Anabela, estão a retirar o seu saber para avaliar, das camadas de ideias que, um dia, ficaram todas coladas. Coladas pela sua sedimentação no tempo, pelo sincretismo que a população teve que organizar, para juntar normativas condutoras do comportamento, provenientes de outras épocas. Bem como, de outros Continentes. E de outras terras do mesmo Continente. E de outras experiências conjunturalmente mutáveis. E de outros costumes, credos e leis. Embora, sintetizadas de forma subsumida, á época actual. Subsumida á Historia, á sua interpretação, á cronologia que vou referir  mais em frente, como tempo. Dentro de um conjunto heterogéneo de experiências comportamentais. Onde, como diriam Goody (1986) e  Scribner & Cole(1981 e Gough(1981) e Locke (1690), a escrita abafou á oralidade. Uma oralidade que fez os mitos(Levi-Strauss(1962b),Godelier(1984), Freud(1913), lembrados apenas nos factos da troca reprodutiva, na orientação da afectividade,  nos santos, e nas festas. De facto, para Victoria é normal que um homem tenha muitas mulheres. Um homem sem muitas mulheres, acaba por não ser do género masculino. O papel do homem é coordenar o trabalho reprodutivo, quer do conhecimento tecnológico, quer do trabalho das pessoas, quer ainda, do tempo. [Read more…]