Como tramar hipócritas, homofóbicos e palermas, por Adolfo Mesquita Nunes

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Fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens@JN

À parte do mau estar que a revelação causou entre a ala salazarista e ultraconservadora do CDS-PP, para não falar nos seus aliados naturais como a Igreja Católica ou a Opus Dei, a saída do armário de Adolfo Mesquita Nunes, um dos mais promissores e competentes quadros dos democratas-cristãos, deixou uma série de conhecidos hipócritas, homofóbicos e palermas muito atrapalhados. E isso é sempre bonito de se ver.

Quem se lembra da entrevista da secretária de Estado Graça Fonseca, que em Agosto passado assumiu a sua homossexualidade numa entrevista ao Diário de Notícias? Lembram-se das reacções reaccionárias dos paladinos da moral, dos bons costumes e do conservadorismo labrego? Não? Pesquisem no Google, visitem os blogues e os pseudo-jornais da nossa alt-right ou procurem na sarjeta do neofascismo lusitano e rapidamente encontrarão a resposta. [Read more…]

O futuro

visto por David Pontes

O ícone gay da extrema-direita

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Estão a ver aquele velho mito, tão comum entre os anticomunistas primários e as franjas mais parolas e retrógadas do conservadorismo, segundo os quais tudo o que é homossexual (e já agora pedófilo) é de esquerda? É mesmo estúpido, não é? Mas não faz mal. De hoje em diante, sempre que algum idiota vos brindar com tamanha imbecilidade, apresentem-lhes Milo Yiannopoulos, a nova coqueluche gay da extrema-direita norte-americana e mundial.

Ui! Pára tudo: um homossexual que é um ícone da extrema-direita norte-americana? Mas a extrema-direita norte-americana não costumava combater esses hereges? Que é feito dos supremacistas brancos e das seitas apocalípticas que perseguiam estes desvios esquerdalhos-caviar? O mundo enlouqueceu de vez. Agora até um azeiteiro com ar de quem se entupiu de pastilhas num concerto de Scooter serve de referência para a extrema-direita. Os tipos do PNR que descubram. [Read more…]

José Rodrigues dos Santos e o lobo

Entre o episódio dos paralíticos gregos e o da possível brincadeira à volta da sexualidade de Alexandre Quintanilha, há uma diferença: desta vez, José Rodrigues dos Santos (JRS) pediu desculpa. Justiça lhe seja feita.

Convém, de qualquer modo, lembrar a persistência das dúvidas de Alexandre Quintanilha e ler o texto de Ferreira Fernandes. Além disso, se é certo que este problema não se colocaria se Quintanilha não fosse homossexual, é igualmente certo, na minha opinião, que, com outro jornalista, a polémica dificilmente atingiria as proporções que atingiu.

Basta ver, mesmo fazendo justiça a JRS, que, no meio das desculpas, não consegue deixar de enviar alguns remoques: que está tudo louco e que as críticas resultam de invejas. Nada que espante em alguém que está demasiado cheio de si. Junte-se a este caldo que é, no mínimo, estranho que um jornalista não saiba nem queira saber que Alexandre Quintanilha é homossexual ou a por que partido foi eleito, não por pura coscuvilhice, mas pelo eventual interesse jornalístico que isso possa ter.

Digamos, portanto, que, tendo em conta as pantominices e os disparates que JRS tem produzido ao longo dos anos, não ficaria admirado que lhe passasse pela cabeça fazer uma piada sobre a homossexualidade de uma figura pública. Acrescento, a propósito, que não tenho nada contra piadas sobre qualquer assunto, mas deixaria isso para humoristas ou, na pior das hipóteses, para gente que escreve em blogues. [Read more…]

Richard Cohen, o curandeiro de homossexuais

Cohen

Este é Richard Cohen, um gay healer (curador, curandeiro, otário, o que preferirem) que viveu um passado de vergonha e dor por ter sido contaminado por esse flagelo contemporâneo que é a homossexualidade, essa terrível doença que podemos contrair através da utilização de sanitas públicas, sexo com almofadas anteriormente utilizadas por outros homossexuais ou mesmo através do contacto com outros infectados por esta maleita do demo. E se existem autoridades mundiais no que a este assunto diz respeito, poucos chegarão ao brilhantismo de Cohen que, para além da experiência como psicoterapeuta e educador (foda-se!!!), é também um orgulhoso ex-gay capaz de ajudar qualquer ser vivo a realizar todos os seus sonhos heterossexuais. Hip Hip Hurray for Ex-Gays!

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Olhó Narciso…

Presidente da Câmara de Pombal quer tratar a homossexualidade.
Narciso Mota, do PSD, apontou a homossexualidade como uma doença e uma causa de violência in Visão

Cassano recusa-se a apanhar o sabonete no balneário

Cassano espera não ter colegas homossexuais na selecção italiana

Deixem o paneleiro em paz

Aquele pobre diabo que, sendo burro como um calhau (perdoem-me, asnídeos), escrevendo mal e porcamente, não lhe sendo reconhecida nenhuma habilidade especial que o habilite a ser mais que moço de elevador num hotel onde a sua pilosidade facial fosse apreciada, chegou à profissão de director de jornais por razões que permanecem na neblina onde por vezes adormece a capital, vamos fingir que o bom nome familiar não teve nada que ver com o assunto, debitou mais uma das suas recorrentes tentativas de sair discretamente do armário.

Como de costume meio mundo e o outro caiu-lhe em cima. Deixem o gajo em paz, não lhe aparem o joguinho, não citem, não lhe respondam. O défice de atenção não se trata com atenção, o homem precisa é de tratamento, e de sair de vez do armário, é claro.

Tu queres ver?!

Ronaldo e Iniesta podem casar no mesmo dia

Uma leitura apressada de determinados títulos pode levar à ligeireza de insinuações, ainda para mais tendo em conta as loas que Cristiano Ronaldo teceu recentemente à sua própria beleza, numa atitude considerada pouco máscula em determinados círculos. Parece, aliás, que os responsáveis pela Liga Espanhola estão a pensar incluir passerelles no acesso ao relvado e não será estranho assistir à entrega do ceptro e da coroa ao nosso madeirense madrileno, que poderá chorar, ao mesmo tempo que louva a paz no mundo, atirando beijos com a mão enluvada de rendas brancas.

A leitura da notícia, cujo conteúdo é precioso para a vida de todos aqueles que prezam a informação útil, desmente qualquer maledicência ou dúvida forçada acerca da sexualidade dos dois craques rivais, mas não deixa de ser curioso imaginar que a legalização do casamento homossexual venha a juntar matrimonialmente dois jogadores de clubes inimigos que, uma vez em casa, poderão dedicar-se a entradas de pés juntos, dando um novo enquadramento ao conceito de violência doméstica ou conferindo um sabor diferente a uma relação sadomasoquista.

Ensaio sobre a sexualidade

homossexual

No mês de Maio de 2007, no Jornal A Página da Educação, escrevi um texto sobre a temática. Uma temática que tem preocupado o mundo desde que eu me lembro das minhas leituras, aprendizagem, os meus debates, observação participante em terreno e defesa da livre opção. [Read more…]

A psicanálise da homossexualidade

divã de Freud

O divã de Freud

Após lançar rascunhos sobre a psicanálise, o que era dito pelo cientista em questão sobre a homossexualidade? Bem sabia ele quais eram as suas preferências. Era casado com a sua mulher Marta, com a qual tinham já quatro filhos. Ela já não queria mais e solicitou separar quartos.

Como judeu, o Talmude proibia a masturbação e o amor entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, como diz na sua auto análise, sentia uma certa paixão pelo seu cunhado, casado com a irmã da sua mulher. O livro de Didier-Ansieu, de 1959, L’Auto-analysede Freud, Payot, Paris, traduzido ao luso-brasileiro em 1990, confirma esta asserção. Ninguém diz que Freud teve opções pelo mesmo sexo, mas o seu celibato obrigatório, levava-o a procurar sentimentos de acolhimento, por causa da sua mulher o ter mandado ao quarto vizinho. Como analisava no texto sobre resiliência, todo o ser humano precisa de afectividade e Freud tinha apenas a sabedoria dos seus discípulos e as queixas dos seus doentes e a [Read more…]

Homossexuais e bestas…

E existe um psiquiatra que é uma besta, excepto se me conseguir demonstrar que a homossexualidade afecta a capacidade de tomada de decisão do líder político a quem se refere. Espero que ao fazer tal informação, o psiquiatra não tenha violado qualquer sigilo profissional, porque aí, passaria de besta a canalha…

Ser homossexual é pecado

A entrevista da qual retiro estes excertos saiu no caderno 2 do Público há umas semanas atrás. Os entrevistados são dois jovens cristãos, um adventista e um baptista. Sobre o casamento «gay» e a homossexualidade em geral, têm as opiniões que se seguem:

«O termo casamento pode ser desnecessário».

«Biblicamente, [a homossexualidade] é um pecado, como a hipocrisia e a gula. Não há pecados maiores e menores. E se ouvir dizer que não é pecado saio da Igreja.»

«Estou de acordo com as regras. Claro que não há uma Igreja perfeita. Perfeito é Deus. [E a homossexualidade] é abominável aos olhos de Deus.»

«Não podemos ir tão longe [ter pastores homossexuais]. Porque é um exemplo para a sociedade.

«A partir do momento em que o pecado entra no mundo há um desvio do plano de Deus. A homossexualidade tem de ser sempre um desvio do plano de Deus. Aceito e respeito que a Igreja não pode aceitar a homossexualidade, como não pode aceitar cobiça e roubo. A Igreja tem de ser o garante do normativo e não concebo que aceite qualquer um destes fenómenos.»

«Sei que não foi a vontade de Deus quando criou o homem que ele fosse homossexual.»

«Deus é perfeito, não falha. Deus cria e o homem vai degenerando.»

«Acreditamos que Jesus Cristo voltará para nos salvar do pecado. [Se Cristo vier a homossexualidade acaba], como todos os outros pecados.»

«Preferia que o termo fosse união de facto. Casamento não, porque é uma instituição divina.» [Read more…]

Padres, homossexuais e pedófilos

Quando a mais anti-científica das instituições, a Igreja Católica Apostotólica Romana (ICAR) invoca a ciência puxo logo da gargalhada.

O número dois da hierarquia da ICAR inventou um estudo segundo o qual a maioria dos pedófilos seria homossexual.  Da parte dos inventores de deus toda a imaginação é possível, tal como do lado dos que supostamente abdicam de viver a sua sexualidade todas as aberrações são expectáveis.

Como pode a ICAR criticar a homossexualidade, ela que começa por separar os menores à sua guarda em instituições diferentes conforme o sexo do petiz?

Aguardo agora um estudo científico sobre a incidência do abuso sexual de menores entre os padres homossexuais e as crianças confiadas à sua guarda. E já agora lembrem-se dos colégios de freiras, esses santuários de Safo que andam tão esquecidos.

Um desejo para 2010

Num país em que a população está num crescente processo de envelhecimento, pondo em perigo a continuação da própria nação; onde a dívida pública é galopante; onde o desconcerto das instituições, sejam públicas ou privadas, face às demandas da cidadania se enraíza cada vez mais, desrespeitando-se princípios básicos de legalidade com a maior das facilidades; e onde a República capitula às adversidades e usa a comunicação social para mascarar essa realidade, a preocupação que ronda o casamento homossexual, principalmente em sede de adopção, parece-me, uma vez mais, mais um exercício autismo lusitano.

Confesso que, a mim, a adopção de crianças por casais homossexuais faz-me enorme confusão, tal como o próprio casamento homossexual, enquadrando a questão na óptica do secular instituto do casamento e da génese deste. Mas faz-me ainda mais confusão que o actual processo de adopção seja tão estúpido, anacrónico e obstrutivo a quem quer dar uma vida melhor a crianças que se vão amontoando em instituições, sem afectos ou referências. É desumano tanto para as crianças que perduram nas instituições, como para quem quer tomar conta delas e ampliar as suas famílias.

Pior ainda, é que nada se tem feito de verdadeiramente válido para apoiar as famílias. Para apoiar o aumento da natalidade.

Somos, antes, uma país que fez do baixo custo da mão-de-obra uma bandeira de competitividade, sem nunca perceber que haveria um custo social terrível a pagar. E a factura aqui está: não há dinheiro para ter filhos, não há dinheiro para ter casa, não há dinheiro para ter carro. Excepto se for emprestado. E aqui temos um povo mal pago e endividado, a quem é dito que para vencer os desafios do futuro é preciso ser mais produtivo, apostar na qualidade e ser inovador.

Este não é um artigo a favor ou contra o casamento homossexual.

É um artigo contra a incapacidade da República em resolver os seus problemas e desviar as atenções daquilo que é essencial à sobrevivência futura da nação.

É um artigo a favor de que os assuntos com verdadeiro interesse para o futuro do país, passem a estar na ordem da agenda política e do debate nacional.

Quando se falou do aborto, falou-se de concepção, de liberdade, mas muito pouco se falou de família excepto para justificar a manutenção de uma dada estatuição penal, como se fosse esta a base programática de construção e de apoio à família.

Quando se fala de casamento entre homossexuais, agita-se o tema da adopção, mas não se aborda nem rumos civilizacionais nem a vergonha que é o actual sistema de adopção que protelam a entrega de crianças, à sombra sabe-se lá de que interesses institucionais.

É urgente debater a família, estabelecer prioridades sociais e de rendimento, passando por políticas de educação, de saúde, laborais e fiscais. É urgente cuidar do essencial, e deixar o acessório. Ou o problema não será que país vamos deixar aos vindouros, mas antes a que vindouros vamos deixar isto?

Desejo que em 2010, haja vontade de falar do futuro do país além do TGV, das escutas, de homossexualidade ou de aeroportos.

Desejo, mas não espero.

Entretanto: Feliz 2010!

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