Escola autónoma tem pés para andar

Há muito, há mais de dois anos que eu atesanava a cabeça ao Ricardo falando-lhe na autonomia para a escola. Sempre tive a convicção que não é possível ter um fato feito que sirva a milhares de escolas todas diferentes, cobrindo todo o país. Que a distância da escola para quem realmente manda, fechados nos seus gabinetes, sejam sindicalistas, sejam burocratas, que não estão no terreno, que não enfrentam os problemas, não permite a tomada de decisão atempada, nem a compreensão dos problemas, todos diferentes e diários.

Os sindicalistas e os burocratas do ministério não tratam da escola, tratam de si mesmos. Se a escola tiver autonomia suficiente e, principalmente, funcionar bem, todos ganham menos os burocratas. Co-governam a educação há 36 anos, parece que andam às turras mas não andam, chegam sempre a uma solução má para quem está no terreno. Passado algum tempo, os desavindos aí estão com novos problemas que ninguém sente a não ser eles. Sem inventar problemas não sobrevivem.

Mas começam a aparecer vozes, aqui e ali, a denunciar esta vergonha e este prejuízo para os país e para as escolas. A descentralização é dado adquirido para termos uma escola capaz, a gestão escolar entregue a Directores e gestores profissionais, a abertura às instituições locais, todas profundas conhecedoras do ambiente local em que está mergulhada a escola, a capacidade de resolver os problemas localmente e no momento .