A fábrica de povo

A Escola não serve para preparar os que nela andam a aprender, mas para assegurar a continuidade do poder, geração atrás de geração. Como não existe poder sem que haja quem se lhe submeta, cabe precisamente à Escola disseminar o princípio da obediência e da submissão, plasmados em dogmas cada vez mais alienantes e cuja necessidade de justificação social se dilui na indiferença geral, com crescente eficácia entre a multidão de súbditos.

O que na verdade a Instrução trouxe foi um aumento exponencial do grau de dependência do indivíduo face ao mesmo poder que lhe ministrou essa instrução, extraindo do seu corpo – e do seu espírito – como numa amputação doce, a vocação natural e inata para se libertar de qualquer jugo e evoluir no mundo como senhor da sua própria vontade.

A escadaria social com que se ornamentou a ilusão do saber e a habilidade técnica e operativa em ofícios úteis à perpetuação de todo o sistema de conhecimento que cabe ao poder validar, despertou no indivíduo o desejo inferior de suplantar o seu próximo, garantindo a predação entre seres constituintes de um mesmo corpo espiritual e estabelecendo entre eles a divisão. É este mecanismo que permite ao poder assegurar que mais do que buscar a sua própria liberdade, o indivíduo tentará suster ou eliminar a do outro. Nisso mesmo consiste a competitividade e semelhantes neologismos de feição sociologicamente inocente mas essência diabólica, nos quais se funda a doutrina da ordem vigente. O brilhantismo deste processo é notável na sofisticação com que reconverteu a escravatura através da sua reabilitação simbólica e a fez parecer a mais primordial e autêntica das vocações humanas.

Injustiça no Concurso de Professores

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Miguel Teixeira

Este estudo, que compreende unicamente os 12 primeiros grupos de recrutamento de professores , sobre a graduação e antiguidade dos docentes concorrentes ao recente concurso de mobilidade interna, é revelador do grau de injustiça que marcou o referido concurso, verificando-se que há colegas com 34 anos de serviço (que só puderam concorrer em 3a prioridade) que foram ultrapassados por outros…com apenas 3 a 5 anos de serviço profissional (que puderam concorrer em 2a prioridade). A consequência lógica para muitos docentes com mais de duas dezenas de anos de serviço e em alguns casos com mais de 30 anos de serviço (alguns já avós com 55 e 60 anos de idade), que normalmente ficavam colocados próximo da sua residência, foi ficarem colocados em escolas a centenas de quilómetros de casa.

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Provas de aferição 2017

Alguns alunos do ensino básico fizeram hoje as provas de aferição que, em boa hora, o Ministério da Educação colocou no lugar dos exames salazarentos da 4ª classe.

Os alunos do 5º ano fizeram a prova de História e Geografia de Portugal (prova + critérios de correcção).

Os do 8º fizeram uma prova com matéria de Ciências Naturais e Físico-Química (prova + critérios de correcção).

Na próxima segunda-feira, dia 12, os mesmos alunos irão realizar a prova de matemática e ciências naturais (5ºano) e de português (8ºano).

O fim dos exames trouxe mais tranquilidade às escolas que assim deixaram de ser apenas um centro de treino para esses dias e as provas de aferição serão instrumentos interessantes para recolher informação sobre as aprendizagens dos alunos. Poderiam ser feitas por amostragem o que tornaria tudo mais simples e será muito importante que a máquina do Ministério deixe de colocar areias (pedregulhos) aos políticos. Uma parte importante dos problemas que estão a acontecer são de natureza técnica e passam, por exemplo, pela forma absurda como está a ser calendarizada a recolha de provas para classificação.

O futuro

visto por David Pontes

Falta o banco

Mas não é para a prova. É mesmo para as aulas.

A pós-verdade do grande negociador?

Santana Castilho*

Se o problema fosse escolher um par, preferia Costa e Tiago a Passos e Crato. Se a questão se resumisse ao mal menor, este Governo ganhava. Mas se sairmos do preto e branco e nos libertarmos do quadro maniqueísta que por aí tem dificultado o reconhecimento do óbvio, porque o Governo é de esquerda, a conclusão é evidente: o importante não se fez e no mais são os erros que dão o tom.

Sobre esse problema primeiro e maior que é a indisciplina na Escola (de que todos evitam falar para não se exporem ao julgamento sumário das redes sociais e ao risco da má imagem mediática), sobre os alunos que chegam à Escola sem a educação mínima que os pais não puderam ou não souberam dar-lhes, a resposta foi a demagogia dos tutores, que já existiam, mas que agora atendem dez com os meios que antes tinham para quatro.

Sobre a monstruosidade dos mega-agrupamentos e a falácia da autonomia das escolas, tudo como dantes enquanto avança, de modo sub-reptício e com coniventes silêncios, a municipalização da educação, que há pouco se combatia porque vinha da direita e agora se deixa passar, porque sopra da esquerda. [Read more…]

Ritalina ou a lobotomização química preventiva

Um aumento exponencial do consumo de Metilfenidato (Ritalina) entre as crianças, com custos a rondar os 8 milhões de euros, a ser verdadeira a informação prestada pelo Infarmed, ainda assim extremamente lacónica. Já os esclarecimentos prestados pelo presidente do Conselho Nacional de Educação não são apenas lacónicos, mas denotam, numa visão benigna, preocupante falta de informação.

O Professor hoje e os desafios de amanhã (ii)

A segunda parte da intervenção de António Sampaio da Nóvoa, no seminário organizado pela FENPROF, em Coimbra, por ocasião do Dia Mundial dos Professores.

O Professor hoje e os desafios de amanhã

A FENPROF organizou na passada sexta-feira um encontro em Coimbra onde a Educação esteve no centro da reflexão. Trago, neste dia especial para o Aventar. Neste dia em que um de Nós partiu. Neste dia em que um de Coimbra partiu. Neste dia em que um Professor partiu, nada melhor do que celebrar  a sua memória, trazendo até si, caro leitor, as intervenções de António Sampaio da Nóvoa, de Licínio Lima e de David Rodrigues.

Contigo sempre junto de Nós, amigo JJC, vamos continuar, porque nada substitui um bom professor!

Ano lectivo abriu

E não ia ser uma trapalhada por causa dos alunos que tinham saído dos colégios?

Incêndios: o que tu podes fazer?

Aqui há anos – tantos que nem os sete dias da box me valem – havia uma piada entre os estudantes da Academia. A ideia era simples. Num primeiro momento, quando a malta se cruzava com Engenheiros, dizia:

– Os engenheiros são nossos amigos.

Ao que se seguia uma música:

– Vamos fazer amigos entre os animais, que amigos destes não são demais na vida … lá … lá…

Desculpem lá a franqueza, mas é sempre disto que me lembro quando vejo  a paixão sazonal que os tugas e as tugas sentem pelos nossos bombeiros e pela floresta do nosso país. E, apetece-me gritar bem alto, vão todos para …, mas acho que o momento é o que é e já que aqui estamos, vamos ao debate.

Perante um problema desta dimensão, a frase feita do Presidente faz todo o sentido: o que podemos, cada um de Nós, fazer para ajudar a resolver isto?

Do ponto de vista da Escola, creio que a questão se pode colocar a dois níveis:

  • na formação dos mais novos,
  • na dinamização de projectos de intervenção local.

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O que deve mudar na Escola

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Para explicar o que está mal no ensino da Matemática, o apresentador do telejornal da TVI mostra um exemplo do que seria estar bem: uma criança chinesa a resolver o Cubo de Rubik em menos de 50 segundos.

Este tipo de apologia da habilidade, do talento circense para decorar fórmulas, frases mecânicas, conceitos que não se compreendem mas que se automatizam, é não só o que está mal no ensino da Matemática, mas o que está mal no ensino de tudo.
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Pela Escola Pública de todas as cores

Vamos para Lisboa de comboio.

Antigamente

Antigamente, sim. Antigamente havia sossego e cada um sabia muito bem o papel que lhe cabia no todo social. Havia respeito, havia pessoas trabalhadoras que não estavam sempre a queixar-se dos seus senhores. Não era esta pouca vergonha.

#escoladetodasascores

escolatodasascores

dia 18 de junho, em Lisboa

Escola Pública: Faça a sua parte, assine!

Há momentos em que tudo se torna mais simples e, ainda que a vida seja feita de muitos tons, a verdade é que há situações em que a realidade nos apresenta duas partes. De um lado os amarelos, do outro, os defensores da Escola Pública. Já fez a sua opção? Assine!

Diretor dos Diretores

Está errado. Até poderia dar jeito ficar no meio da ponte, mas não é possível. Ou estás com a NOSSA Escola Pública ou estás com a Escola (deles) Privada.

Mais é sempre menos

Discutir Educação é sempre uma causa tão apaixonante que, muitas vezes se torna numa espécie de Benfica – Sporting. Com mais ou menos Ciências da Educação todos percebem que são múltiplas as condicionantes do sucesso dos alunos, isto é, há uma imensidão de variáveis que interferem na forma como os alunos aprendem. Claro que também há muitas condicionantes nos processos como os Professores ensinam o que, acaba sempre por condicionar também os alunos.

Nos últimos dias temos vindo a discutir a questão do número de alunos por turma. O Conselho Nacional de Educação publicou um estudo com alguns dados sobre o assunto: no 1º ciclo as turmas têm em média 20,7 alunos, sendo que, destas, 32% têm mais que um ano dentro da sala. Sim, isso mesmo – dentro da sala estão, por exemplo, alunos do 1º e do 4º anos. No 2º ciclo (5º e 6º) o número média é de 22,1 e 22,4 no 3º ciclo (7º, 8º e 9º).

A 14 de abril último, o Ministério da Educação publicou um Despacho Normativo que vem regular esta matéria para o próximo ano lectivo. E, infelizmente, deixa tudo na mesma, para não dizer pior. [Read more…]

As grandes insubmissões

Ruy Belo (1933-1978) foi um poeta português que ergueu uma obra importante. Celebra-se daqui a dois dias o aniversário do seu nascimento.
O texto que se segue é como um fado triste que por vezes apetece cantar. Fica como homenagem aos descontentes, aos insatisfeitos, aos insubmissos.

“As grandes insubmissões

As grandes insubmissões sempre foram para mim as pequenas. Na minha vida, lembro duas.
Começava um ano lectivo. Andaria no segundo ano do liceu. Era a época da feira da piedade. Cheguei de férias na minha terra e vi o vítor a andar de carrocel. Esperava que a volta acabasse para o abraçar. Fui esperando, ele nunca mais descia. Uma volta, mais outra, outra ainda. Fui contando: vinte. O vítor tinha vinte escudos. Eu já o respeitava, porque era muito alto. Passei a respeitá-lo mais. O Vítor era capaz de gastar vinte escudos no carrocel.

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Escola a mais, pais a menos

Santana Castilho*

Três meses volvidos sobre o início de funções do Governo, temos, na Educação, um Orçamento de Estado pior que o último de Passos Coelho e umas Grandes Opções do Plano para 2016-2019 (Proposta de Lei n.º 11/XIII) que não são melhores. Se não é claro quem manda no ministério da Educação, é já claro quem não manda, apesar de algumas tiradas fanfarronas e pouco respeito por quem pensa diferente. Decididamente, António Costa menosprezou a Educação e resolveu-a protegendo a impreparação do ministro com a sombra tutelar de Maria de Lurdes Rodrigues. Cruzando o orçamento com as opções, resultam projectadas para a legislatura (se o Governo a concluir) medidas sem dinheiro para as pagar e persistência em bandeiras erradas do PS de outros tempos. Um bom exemplo é o alargamento da “Escola a Tempo Inteiro” (permanência na escola das 08.30 às 19.30) a todos os alunos do ensino básico, que já estava no programa do Governo e é reafirmado nas Grandes Opções do Plano (pág. 110). [Read more…]

Crato foi um zero

Meu Caro Paulo,

Tenho da vida uma visão muito humilde e procuro, em cada momento, pensar sobre a informação que me vai chegando. Obviamente, li os teus textos e, claro, condiciono a minha escrita à tua posição, na medida em que a considero. Mas, considerar, não significa concordar. E, pelo que já percebi discordo e muito sobre a tua defesa (posso também usar a palavra branqueamento?) da legislatura de Nuno Crato.

Eu, pelo contrário, não tenho dúvidas. Aliás, nunca tive.

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Obviamente, Maria de Lurdes Rodrigues chegou antes de Nuno Crato e isso é um facto histórico e indesmentível (digo eu, que percebo muito pouco disto): naquele tempo, o PS tinha condições para fazer o que fez porque tinha a concordância da direita, isto é, nunca o PSD poderia ter feito o que fez MLR porque o PS estaria contra. Lembro que em 2005 o PS só via “apoio” quando se virava para a direita, ou seja, o ataque de MLR à profissão foi do agrado do PSD e por isso foi possível de concretizar. E, quanto ao ataque de MLR aos Professores, já escrevi no post anterior.

Mas, se me permites, vou buscar alguns dos teus argumentos para subscrever a minha tese de que, para a Escola Pública, Nuno Crato teve uma prática muito menos progressista e onde o investimento na escola pública não existiu, antes pelo contrário. Ou seja, MLR teve uma prática diversa da minha (MUITO!), mas investiu na Escola Pública. NC tem uma prática oposta à minha (TOTALMENTE!) e desinvestiu na Escola Pública. Vamos aos factos: [Read more…]

Professores: O Luto (parte 2)

O que suspeitava aconteceu e a pancada começou a cair.

Não tenho qualquer intenção de branquear nada, como poderás ver neste post. Procuro, antes, colocar alguns factos em cima da mesa que ajudam a fazer uma reflexão. Queria ir para lá do sentimento, queria ir para lá do lugares comuns. Posso falhar, o que provavelmente acontecerá, mas vamos lá continuar.

Numa coisa, MLR foi absolutamente incomparável. Na forma como se relacionou com os Professores.

Não me esqueço do que eu disse no Cinema Batalha, no Porto, onde foi proposta a Manifestação de 2008. Mas, também não me esqueço que estive na rua, uma primeira vez, a 5 de Outubro de 2006 onde 25 mil pessoas me pareciam a maior possível. Na altura, em que o ECD estava para cair, “poucos” quiseram saber – não acordei com a avaliação.

Invoco essa manifestação porque me lembro de que nesse dia, Walter Lemos, ter divulgado um “estudo” que falava em milhões de faltas. Confesso que, nessa altura, estava ainda muito longe de perceber o que estava para vir.

Se estive EM TODAS de alma e coração, tenho hoje a certeza, por testemunhos vários que houve partidos a convocar militantes para as manifestações –naqueles momentos desconhecia isso. Quem estava por dentro das máquinas partidárias sabia, mas eu, apenas ligado ao sindicalismo, desconhecia. Ter menos de 35 anos também ajudava…

E, só percebi isso, quando, já com Crato foi preciso fazer as lutas duras, aquelas que custam: Greve aos Exames, PACC…

Ora, nesses dias, a malta do PSD colocou-se [Read more…]

conselho de Escolas para quê?

IMG_1644Maria de Lurdes Rodrigues não teve qualquer problema em o assumir – o Conselho de Escolas foi um instrumento criado para compensar a dificuldade negocial que, à época, encontrava junto dos sindicatos de professores.

O Conselho de Escolas é um órgão consultivo do Ministério da Educação onde estão representados Directores de Escolas. Segundo a sua página oficial, a sua missão será representar, “junto do MEC, os estabelecimentos de educação da rede pública no tocante à definição das políticas pertinentes para a educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário“.

Ora, depois do que foi revelado pela ex-Ministra da Educação, qualquer capacidade de representação desta gente caiu por terra – tenho imensas dúvidas sobre se representam os seus pares, quanto mais as escolas. Estarão, não tenho disso dúvidas, mais perto de representar os partidos que, em muitos casos os colocam à frente das respectivas Escolas.

E, até por isso, não me surpreendeu o silêncio desta não-existência durante o miserável reinado cratiano. Assistiram, quase em silêncio, à destruição da alma da Escola Pública e isso, não pode passar em branco. Se queriam ter o direito a representar as escolas, era nessa altura que a vossa voz fazia algum sentido.

Agora, o Vosso ruído, mais não é do eco para um pasquim como o observador, nada mais. E, a dureza das palavras escolhidas para este post vão mesmo na Direcção dos Directores que se demitem de o ser, preferindo o caminho fácil da incompetência. Percebo, que no Vosso caso, seja mais fácil culpar os professores e as famílias pelo insucesso que cresceu nos últimos anos. E, para isso, nada melhor que um exame. Chegam as notas, apontam o dedo e limpam as mãos, como qualquer Direcção de um clube que despede um treinador. [Read more…]

Escola a tempo inteiro

IMG_20150108_083900Aí está o debate e, se a economia foi trocada pela política, também agora, no que à Educação diz respeito, fala-se de Escola, de Alunos e de Educação. Mérito, mais uma vez de António Costa.

Vamos então ao debate.

Segundo algumas informações que hoje vieram a público, o governo quer ampliar a oferta de Escola a tempo inteiro, permitindo que todos os alunos possam ter um espaço público de educação entre as 7h30 e as 19h30.

E, começo por acrescentar, que, num debate maniqueísta, onde tivesse que escolher entre um sim e um não, responderia sim.

Sem conhecer a proposta do governo, escaldado que estou com a miserável campanha que tem vindo a ser feita pela comunicação social, escrevo agora no plano dos conceitos, procurando argumentar com o que me vai na alma.

Hoje, a nossa organização social e em especial do mundo do trabalho, são diferentes de ontem. Creio que são múltiplos os factos que comprovam esta convicção – mais mulheres a trabalhar; pais e avós em simultâneo no mundo do trabalho; desregulação dos horários de trabalho; precariedade, etc… [Read more…]

Exames para chumbar

Vais-me desculpar, mas a pergunta não é essa – os exames já eram bons se houvesse muita gente a reprovar?

Paulo Portas: Não gosta

mas também não põe na beira do prato.

Do problema sério que é o bullying

Eu pensei, ingenuamente claro, que das pessoas da blogosfera, o Rodrigo Moita de Deus fosse um dos que estivesse mais predisposto a simpatizar com o rapaz da Figueira da Foz. Afinal de contas, o Rodrigo há meses (anos?) anunciou publicamente no blog que ele e a família, nomeadamente os filhos, recebiam ameaças de morte por parte dos anónimos que vagueiam o 31. Portanto, não deixa de me espantar que o Rodrigo, face a receber este tipo de lixo que é apesar de tudo, uma forma de bullying psicológico porque nenhum pai devia ser posto perante uma situação de ameaça aos filhos mesmo que a ameaça seja anónima e online, não consiga encontrar em si uma reacção qualquer que não seja gozar com o rapaz. É uma pena.

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Não PETes!

Peta. Peta era um vocábulo usado há uns tempos entre os putos reguilas do grande Porto. É da palavra Peta que me lembro quando penso no PET, o famoso exame que o rigoroso Crato resolveu meter na Escola Pública. E, esta brincadeira, tem várias notas de interesse:

a) coloca empresas privadas a obter lucros das suas actividades na Escola Pública, paga com os nossos impostos;

b) promove um exame que não serve para nada, que custa 25€ e que daqui a dois anos é lixo;

c) suspende aulas, quer do ensino regular, quer do profissional, de muitas disciplinas que daqui a uns dias estarão verdadeiramente a exame;

E, para além disso, há aqui uma outra questão: não seria também muito interessante dispensar os professores de Educação Física e trocar por uma qualquer multinacional dos ginásios, uma coisa tipo Solinca ou Virgin? Ou, melhor ainda, acabar com as aulas de informática e colocar a Apple e a Microsoft à frente dessa área.

Ficam estes contributos que, estou certo, Nuno Crato irá subscrever.

Por mim, não PETo!

 

Exames daqui a uns dias – sim ou não?

Na terceira semana de maio vamos ter, mais uma vez, os exames nacionais dos 4º e 6º anos (poderá consultar todo o calendário em formato pdf).

Tal como tem acontecido nos últimos anos, esta atividade avaliativa, implica a paragem de todo o trabalho das escolas e, nesse sentido, uma vez que os professores estão envolvidos nas vigilâncias, boa parte dos alunos dos anos sem exames, tem uma semana de férias. Ao preparar o último trimestre de aulas, dei por mim a pensar nas vantagens e nas desvantagens dos exames. [Read more…]

Ritalina: hiperactividade, educação ou negócio?

Em democracia não há territórios sagrados, apesar de existirem algumas reservas, na sociedade não médica, à entrada na esfera clínica. Normalmente, quem arrisca, leva com uma bateria de batas brancas em cima que, com argumentos, quase sempre básicos, acaba por intimidar.

Aviso, portanto o leitor, de que não é minha intenção entrar na discussão médica sobre a Ritalina, até porque, ao ler parte da informação oficial disponível, fiquei suficientemente assustado, para nem tentar perceber o mecanismo da droga mais comum nas escolas, por estes dias. O meu olhar é o de Professor.

Nas nossas escolas a quantidade de crianças medicadas é absolutamente assustadora – quase não há turma em que dois ou três meninos não tome algum tipo de medicação para a hiperactividade. E, diz-me o senso comum, que não é possível que cerca de 10% das nossas crianças sejam portadoras desta “doença”. Não é possível.

E, parece-me que há três  factores que contribuem para este manifesto exagero da Ritalina nas escolas: [Read more…]