Estive na última edição da FITUR – feira internacional de turismo de Madrid -, onde Portugal, mais uma vez foi vencedor entre os expositores. Pelo desenho do pavilhão e creio que pelos “produtos” apresentados. Pode parecer que tudo está bem, mas não. Olhando com atenção para cada um desses produtos em promoção e em particular para uma conhecida rota de património, reparei que a mesma integrava um conjunto europeu de itinerários culturais. O folheto publicitário era atractivo: da Saxónia à Sérvia, de Itália a Espanha, cada uma das instituições destes países e regiões promoviam actividades paralelas ao âmbito cultural da visita: termalismo, pedestrianismo, rafting, escalada, passeios a cavalo, esqui e ciclismo, entre outras. Portugal, promovia o folclore e um prato de bacalhau assado com batatas.
E depois ficam eriçados com a marca Salazar de Santa Comba Dão? Promover ditadores, ou facínoras (que de resto a maioria dos países já faz) é bem mais original que tentar vender o tradicional ranchinho folclórico ou uma bacalhoada.
Além disso, se há coisa com que os autarcas deste país podiam fazer dinheiro é com o ar decadente e demodé das suas vilas e cidades cheias de rotundas, chafarizes e obras por acabar. Lembro-me que nos anos 80 os estrangeiros vinham a Portugal à procura de pobreza e de todos os estigmas associados. Visitar um país em ruínas, cheio de torres eólicas com estradões em terra mal amanhados, lojas fechadas, desemprego e mendicidade parece-me uma boa aposta turística.
E deixemo-nos de coisas, há mais salazares em nós que numa garrafa de vinho – caso contrário não passaríamos o tempo a bebê-lo acompanhando um dos mil pratos de bacalhau com que atraímos os turistas.






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