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Desabafos de um português lisboeta
Se fosse o inverso, manifestaria igual repulsa. Preocupa-me a coerência.
Episodicamente mas de forma ofensiva do conceito de justiça, a mistificação de que Lisboa e naturalmente os naturais da capital dominam o País é mesmo isso, uma mistificação, de uso fácil ao utilitarismo populista e ao jeito de quem utiliza a vitimização como arma – de Pinto da Costa a Alberto João Jardim. Do futebol à política.
Há múltiplos exemplos histórico-políticos da falsidade do pressuposto: Salazar, de Santa Comba Dão, companheiro e amigo do Cardeal Cerejeira (Vila Nova de Famalicão), é uma das múltiplas e penosas provas: 48 anos é muito ano! Cavaco veio da algarvia Boliqueime e governou o País durante uma década. Depois veio o lisboeta de Santos-o-Velho Guterres, com genes da Cova da Beira (Donas), seguindo-se Barroso (Nascido em Lisboa) mas reclamando raízes transmontanas. Sócrates, que a seguir nos calhou em sina , nasceu no Porto, mas toma os afectos de Vilar da Maçada (Vila Real). Hoje temos um Coelho, conimbricense de origem, mas infante em Angola – Silva Porto e Luanda.
A máquina do tempo: David Mourão-Ferreira
David Mourão-Ferreira é um escritor muito conhecido, muito falado, com muitos estudos e numerosas teses académicas sobre a sua obra. Não faria muito sentido estar aqui a glorificar os seus livros, a sua poesia. Há um pormenor, que me leva a subir para a minha máquina, a voltar uns anos atrás e ir ao encontro da recordação que dele conservo – a amizade. Sempre me tratou com amizade e eu era muito amigo dele. Por isso, não tecerei elogios à sua obra – deles não precisa – outros o fizeram e o farão melhor e com maior autoridade. Falarei um pouco da sua grande amabilidade, da generosidade que era nele uma segunda natureza.
Embora tenha sido director do serviço da Fundação Gulbenkian em que trabalhei durante dez anos, não nos cruzámos ali, pois saí em 1971, quando o director era ainda Branquinho da Fonseca. Conhecera-o na Faculdade de Letras, estive com ele em reuniões da Associação Portuguesa de Escritores; era uma relação cordial, mas mais ou menos formal.






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