Crónica de um protesto cidadão vigoroso com desfecho vitorioso

Foto: dpa/Christophe Gateau

  • A empresa energética alemã RWE estava determinada a destruir, nos próximos meses, o pouco que resta (10%) da floresta milenar de Hambach, situada perto de Colónia, a fim de expandir a sua mina de extracção de lignito – contando para isso com o apoio dos governos federal e regional e baseando-se numa autorização legal para a exploração, atribuída há décadas.
  • Para bloquear essa destruição e expansão, há já seis anos que activistas ambientais ocuparam essa área, construindo 60 cabanas no alto das árvores.
  • Há cerca de três semanas, a polícia começou a desalojar à força os activistas, enquanto os protestos ganhavam cada vez mais força, com manifestações em que a luta contra a destruição da floresta se tornou um símbolo da resistência contra a extracção de lignito e por um melhor clima.
  • Tragicamente, há duas semanas um jornalista morreu, ao passar de uma das cabanas para a outra. As acções de evacuação foram interrompidas, mas recomeçaram poucos dias depois, com a RWE a alegar que o desmatamento era imperioso para garantir a produção de energia – isto, enquanto a recém-criada pelo governo “Comissão do Carvão” inicia os trabalhos para definir as linhas de uma estratégia energética para o país.
  • O movimento cidadão, porém, não baixou os braços e anunciou uma concentração com dezenas de milhares de pessoas para hoje, sábado.
  • Há dois dias, a polícia comunicou que a manifestação seria proibida por não poder garantir a segurança dos acessos.
  • Ontem, sexta-feira, as boas notícias:

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Amanhã há Marcha Mundial do Clima

Como é sabido, Trump nega as mudanças climáticas; os governos europeus não negam, mas estão a léguas de praticarem aquilo que declaram fazer em prol do clima – os interesses do capital sobrepõe-se às preocupações com o planeta. O governo português demonstra ao vivo essa hipócrita contradição persistindo nos projectos de petróleo frente a Aljezur ou de gás em Aljubarrota. Além de absurdo sob o ponto de vista ambiental, é bom saber Quem ganha com os contratos de exploração de petróleo em Portugal.

A Marcha Mundial do Clima é uma iniciativa a nível internacional que exige “um mundo livre de combustíveis fósseis, em que as pessoas e a justiça social estejam acima dos lucros”.

Lisboa, Porto e Faro juntam-se à Marcha, que se realiza já amanhã, 8 de Setembro. A partida é às 17 horas, respectivamente, do Cais do Sodré, da Praça da Liberdade e do Largo da Sé.

Uniram-se a esta iniciativa 47 organizações portuguesas, para exigir uma transição justa e rápida para as energias renováveis e para travar novos projectos de exploração de combustíveis fósseis em Portugal. Todos os municípios algarvios se opõem à realização do furo em Aljezur, que o governo teima em permitir à Eni-GALP, dispensando até uma Avaliação de Impacto Ambiental antes da autorização da realização da prospeção.

Não deixe de ir marchar, TERRA há só uma!

Presidente da República vai reflectir

 sobre as 42 mil objeções ao furo ao largo de Aljezur . Pois que medite, pondere, raciocine, cogite, analise e conclua: FURO, NÃO!