Crónica de um protesto cidadão vigoroso com desfecho vitorioso

Foto: dpa/Christophe Gateau

  • A empresa energética alemã RWE estava determinada a destruir, nos próximos meses, o pouco que resta (10%) da floresta milenar de Hambach, situada perto de Colónia, a fim de expandir a sua mina de extracção de lignito – contando para isso com o apoio dos governos federal e regional e baseando-se numa autorização legal para a exploração, atribuída há décadas.
  • Para bloquear essa destruição e expansão, há já seis anos que activistas ambientais ocuparam essa área, construindo 60 cabanas no alto das árvores.
  • Há cerca de três semanas, a polícia começou a desalojar à força os activistas, enquanto os protestos ganhavam cada vez mais força, com manifestações em que a luta contra a destruição da floresta se tornou um símbolo da resistência contra a extracção de lignito e por um melhor clima.
  • Tragicamente, há duas semanas um jornalista morreu, ao passar de uma das cabanas para a outra. As acções de evacuação foram interrompidas, mas recomeçaram poucos dias depois, com a RWE a alegar que o desmatamento era imperioso para garantir a produção de energia – isto, enquanto a recém-criada pelo governo “Comissão do Carvão” inicia os trabalhos para definir as linhas de uma estratégia energética para o país.
  • O movimento cidadão, porém, não baixou os braços e anunciou uma concentração com dezenas de milhares de pessoas para hoje, sábado.
  • Há dois dias, a polícia comunicou que a manifestação seria proibida por não poder garantir a segurança dos acessos.
  • Ontem, sexta-feira, as boas notícias:

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Se puder, vá mesmo!

Foto de Paulete Matos

É conhecida a enorme dificuldade da sociedade civil portuguesa em articular-se de forma organizada. Interpretações das causas há várias; ocorre-me a recomendação da Carla para a análise em “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos”, lembro-me da de José Gil, em “Portugal, hoje – o medo de existir”. Elementos úteis para perceber esta carência de cidadania; e outros haverá. Tenho para mim que uma das causas é a aversão intrínseca dos portugueses à organização; organizar-se é abdicar de um pedacinho de individualismo por mor de uma causa cívica – uma cedência inadmissível para grande parte dos portugueses (sendo-lhes mais fácil tratando-se de uma causa caritativa). Poderia sugerir várias outras razões que contribuem para essa letargia cívica, mas vou directa ao assunto que aqui me traz:

Incitei aqui à participação numa manifestação por uma justa causa – e foi tão justa que foi noticiada a nível internacional. Incitei à participação nesta, porque era esta que se ía realizar nesse dia, como já incitei à participação noutras. Pois não faltaram comentadores a perguntar: então e contra a “irresponsabilidade que permite que morram mais de cem pessoas em incêndios?“; então e contra a corrupção? Isto para já não falar no carimbo de “manifestações idiotas”. [Read more…]

Cidadania ao vivo

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“O que posso eu, sozinho, fazer contra o TTIP/CETA? pergunta-se meio mundo a si próprio”,  lia-se no cartaz de uma manifestante, aquando dos protestos contra os tratados que no mês passado reuniram 90.000 pessoas em Hannover. E de facto, o argumento de que não adianta empenhar-se porque não se consegue nada, está amplamente difundido, roubando força à cidadania. É lamentável que, enquanto cidadãos de países como a Turquia ou Angola arriscam a vida pelo direito ao protesto, quem dele dispõe, tão levianamente abdique de o exercer.

Esse não é porém o caso de Marianne Grimmenstein, uma professora de música de 69 anos residente em Lüdenscheid, uma pequena cidade alemã de 80.000 habitantes.  [Read more…]

A degenerescência da República

É perigosíssimo o circuito fechado da partidocracia, que tende a criar uma espécie de Estado paralelo não sujeito à vigilância ou julgamento democráticos. Os construtores deste Estado totalitário e paralelo, em tudo idêntico a uma grande associação secreta, perdem totalmente a noção do que é o país, sequer que ele existe, e vivem uma narrativa fechada sobre si própria, cuja lógica funcional é a da conquista, partilha ou manutenção do poder.

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Concessões obscuras para esburacar e contaminar o Algarve

algarve petróleoAs negociatas para maximizar a entrada de receitas resultantes da venda de bens públicos nos cofres não se têm detido, já há vários anos, em detalhes como a transparência perante cidadãos e até mesmo perante autarcas municipais. Foi isso o que aconteceu no caso das concessões para prospecção de petróleo e gás natural. Segundo Elvira Martins do movimento Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP) “estão assinados quinze contratos em todo o país e as áreas que estão ainda para concessionar são enormes, quatro ou cinco vezes a área de Portugal Continental“. [Read more…]

A política no ” grau zero “.

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Virgílio Macedo tomou hoje posse como secretário de estado da administração interna do novo governo. Talvez seja uma boa desculpa para mais um ” golpe palaciano ” na Distrital do PSD do Porto.

Há cerca de 10 anos que nenhum presidente da distrital do PSD do Porto completa o seu mandato. Foi assim com Agostinho Branquinho, Marco António Costa e Virgílio Macedo. Esta é sempre uma forma de apanhar desprevenidos os seus antagonistas, não permitindo que haja tempo necessário para que possa aparecer uma alternativa política com tempo efectivo para apresentar uma candidatura credível e para fazer uma campanha séria e verdadeira junto dos 30.000 militantes do PSD no distrito do Porto.

Defendo, por várias razões, que o financiamento dos partidos deve ser exclusivamente público. Este é um passo importante para o fim da corrupção. Até agora só ganha eleições internas quem tem recursos financeiros para pagar as quotas aos ” seus ” militantes. E este dinheiro para pagar quotas de militantes de onde vem? De alguma árvore das patacas ou aparece após um toque de midas? Está provado que não se ganham eleições internas por mérito, mas ganha quem tem dinheiro. Por isso os dirigentes políticos são aqueles que conhecemos. Não se discutem ideias ou projectos, apenas prometem-se e oferecem-se ” tachos “.

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E que tal enchermos as urnas?

O evento que faltava. Não vos parece uma boa ideia? As tropas do regime não irão vacilar.

O voto electrónico

resolvia o problema de quem quer votar e está emigrado. Tanto “choque tecnológico” e ainda andamos nisto. Lamento quem nada faz para alterar isto. [Público]

Aventar – uma nova viagem na blogosfera

Começo, em primeiro lugar, por cumprimentar tod@s os companheir@s e leitor@s do AVENTAR.

A partir de hoje início uma nova viagem na blogosfera. Despois de uma anterior experiência, agora regresso para escrever no AVENTAR um dos espaços de opinião de referência no universo dos mais importantes blogues portugueses.

É, pois, uma honra escrever  sobre o nosso País e o Mundo para um universo maior de leitores e ao lado dos mais importantes bloggers portugueses.

Entendo que escrever, partilhar e debater livremente com os nossos concidadãos é uma das mais importantes formas de cidadania. É, por isso, que aqui estou na busca constante de um Portugal e de um Mundo melhor, muito melhor.

Quando é que desistimos de ser idealistas?

André Serpa Soares

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Não sei se é fenómeno nacional ou global mas, pelo menos em Portugal, é certo que não temos cultura de exigência.
Tendemos a relativizar as falhas dos poderosos, assim como desvalorizamos as dos que nos são mais próximos, desde aqueles com quem convivemos na nossa actividade profissional, até aos nossos familiares e amigos. Provavelmente, até acabamos por ser mais exigentes com estes últimos do que com os outros.
Isto nota-se em quase tudo, desde a larga tolerância à falta de pontualidade – confesso que é algo que me encanita – até à forma como aceitamos, de forma mais ou menos passiva, os erros e omissões daqueles que pregam o rigor e têm a obrigação de ser um exemplo.
Na política, por exemplo, em nome de um putativo pragmatismo e defendendo a escolha do “mal menor”, deixámos de acreditar e pouco exigimos. São já clássicos da nossa cultura política frases como “rouba mas faz”, “é mau, mas os outros são piores” ou, ainda mais triste e habitual, “são todos uns ladrões mentirosos”. [Read more…]

AvançAR

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Ao contrário do que afirma Ana Drago nesta entrevista recente à SIC Notícias, a chamada plataforma cidadã Tempo de Avançar não é, infelizmente, uma coisa nova. E não é nova porque lhe falta massa cidadã, justamente, isto é, uma participação inequivocamente emanada dos cidadãos, e dos cidadãos indistintamente considerados, ou seja, cidadãos não-afectos ao Bloco de Esquerda, por exemplo sob a forma de simpatizantes (e basta consultar a lista de primeiros aderentes – entretanto organizados em Conselho de candidatos efectivos – para ver a que ponto ela está capturada por esses simpatizantes e amigos mais ou menos próximos do BE).

Não vejo nenhum problema em ser-se simpatizante ou amigo do BE, era o que mais faltava. Já votei no BE – ah pois foi. Mas já vejo um problema em verificar a que ponto se está disposto a lançar mão de exemplos bem sucedidos ocorridos noutros países (o Syriza, o Podemos) para tentar construir, com evidente artificialidade, o que em Portugal não há (ainda): a emergência de um movimento de cidadãos ou de uma coligação de pequenos partidos reunidos em torno de um programa anti-austeridade, de defesa dos interesses democráticos e nacionais, e aptos (i.e., prontos e preparados) para governar – o povo do País e junto da UE. E essa demagogia, enunciada ainda no adro, entristece quem, como eu, está atento à marcha da procissão dos aflitos e descontentes com os partidos, e muito especialmente os da Esquerda.

Levado pela mão de figuras todas elas emanadas do Bloco de Esquerda – dissidentes de dissidências várias, como são os casos de Rui Tavares, Ana Drago e Daniel Oliveira –, o movimento Tempo de Avançar não parece, assim, ser substantivamente diferente do que ainda há semanas foi tentado por uma outra dupla de também dissidentes do BE: Joana Amaral Dias e Nuno Ramos de Almeida, fundadores do Juntos Podemos, ao que se sabe entretanto já dissolvido por novas (ou renovadas) dissidências. [Read more…]

Um Marinho incomoda muito mais

Isto da análise política feita por militantes partidários, tem coisas engraçadas.
Muito se fala em cidadania, da participação de cidadãos na política livres de militâncias e coisa e tal.
Mas, do rescaldo das eleições europeias, conclui-se com facilidade: se um cidadão incomoda muita gente, um Marinho incomoda muito mais…

Pobres, parvos e de mãos atadas

Os manifestantes que irritaram a presidente actualmente em funções na Assembleia da República, Assunção Esteves, não passavam de agitadores para ali enviados pelo PCP, dizem-me vários. É provável. Em qualquer caso, o sindicalista Mário Nogueira andava por lá, e aquilo terá porventura sido uma acção combinada (os jornalistas das têvês referiram os olhares suspeitos que esses elementos presentes nas galerias ditas do povo da AR trocaram entre si antes da performance propriamente dita), e não uma reacção espontânea vinda de cidadãos ali reunidos de forma não-organizada.

No entanto, vale a pena observar a que ponto a indignação os tomou, como de resto tem tomado muitos mais que se têm manifestado desde que a vida em Portugal se tornou um verdadeiro inferno para a maioria – que são os que pagam a austeridade deste Governo, o IVA a 23% nas facturas dos fornecedores domésticos, as propinas imorais (no caso dos que ainda conseguem manter os filhos e netos a estudar), os cortes nas funções sociais do Estado (o aumento das taxas moderadoras nas consultas e urgências hopsitalares, por exemplo), e também a reforma dourada de Assunção Esteves. Comunistas ou não, as suas vidas (sejam eles trabalhadores, desempregados, aposentados ou pensionistas) estão transformadas numa luta pela sobrevivência que os indigna. [Read more…]

Global?

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Mais um movimento anti-partidos a defender (em acordês) a ideia de um mundo global de governação cidadã. Um movimento de anónimos, em prol da democracia participativa. Será por aí, menos a parte global.

Estamos lixados

Sim, o governo detesta os portugueses, que retribuem o desamor desde há muito. Mas os divórcios, creio eu, não dependem regra-geral dessas paixões, bastando que uma da partes tenha interesses importantes para si a defender para que a outra fique amarrada. Havendo comunhão de bens e terceiros interessados, então é um problema do diacho. Entretanto, António José Seguro é aplaudido freneticamente pelas bases do PS, glorificado por Deus sabe o quê, enquanto discursa em pose de guerreiro. Se ainda fosse Quixote… De um lado o regresso aos mercados, do outro a demagogia mentirosa e ainda por cima socialista. A propaganda partidária na sua versão decadente, no Portugal imortal sempre anacrónico, no exacto momento em que a democracia participativa entra nas agendas, por não mais ser possível nalguns outros países da UE ignorar a força transformadora da participação cidadã e da decisão política esclarecida. Estamos lixados. Sai-nos realmente caro tanto subdesenvolvimento. Sai-nos ao preço do sangue e da fome. É preciso desenvolver a partir de baixo, a partir do começo de cada vida humana – a partir da Educação e da Cultura, a partir do valores que verdadeiramente fazem evoluir as sociedades, com verdade, e coração, com homens e mulheres rectos, livres, íntegros, capazes de representar os outros, ambicionando conquistas duradouras que servirão outros que não eles, e não casas, carros, reformas douradas e outras glórias ridículas que lhes sobreviverão, eternizando as injustiças.

A hora do Sul

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Um novo livro do politólogo e especialista em relações internacionais Bertrand Badie (n.1950) e do jornalista Dominique Vidal (n.1950) ajuda a pensar o nosso mundo em ruptura. La cassure (editora La découverte, colecção L’état du monde, dirigida pelos dois) defende a salvação daquilo a que chamam “o soldado político”. Quem é este novo recruta? Não é novo, mas tem andado a dormir na forma, enquanto o modelo norte-americano dava cabo do contrato social na Europa, elevando o marketing e as ciências da gestão (designações mentirosas para o que nunca passou de comércio) ao estatuto de religião monoteísta dos Estados. [Read more…]

O devir histórico (4)

Continuando.

A lógica da política palaciana, do clientelismo, tomou conta dos partidos políticos desde os primeiros passos do parlamentarismo, enraizando-se com a República, e bolorizando com o Estado Novo. E, infelizmente, a Revolução de Abril nada fez nesta matéria. Aliás, o clientelismo e as lógicas de interesses absolutamente estranhos ao interesse nacional, adquiriram elevados graus de sofisticação em plena democracia. Ao ponto de termos uma classe política cada vez mais descredibilizada. Não sendo estranho, por isso, que as manifestações populares de descontentamento agreguem mais gente não quando são convocadas pelos partidos políticos ou por centrais sindicais, mas sim pelas redes sociais. Por entre radicalizados discursos do “não pagamos” e “que se lixe a troika” e outros tantos que, alucinadamente, fazem da austeridade a solução e o ponto de partida para o crescimento económico, vai-se percebendo que a verdade estará algures no meio onde ainda nenhum partido foi nem será capaz de chegar. E não irá chegar porque há muito que a luta partidária, perdeu o interesse nacional como sua referência. Seja por dogmatismo ideológico ou por capitulação a interesses privados. A verbalização do combate político entre partidos, soa cada vez mais estranha aos ouvidos do povo, porque se reconduzem, sempre e tanto, à lógica da conquista do poder. O que nos deixa apenas a cidadania como solução. E para isso as instituições de representação política têm de se abrir ao cidadão, e libertarem-se do monopólio partidário. Da mesma forma que se deverá assegurar que quem lá está, prossegue o interesse público e não qualquer outro. Desde logo é tempo de alterar o regime electivo e funcional do Parlamento, permitindo candidaturas independentes, e obrigando à absoluta exclusividade dos deputados, não se podendo estar com um pé a defender o interesse público, e outro pé a defender interesses privados em actividades paralelas. Acabar com assessorias, motoristas e demais mordomias. Aproximar os representantes políticos, das condições reais em que os representados vivem. É urgente acabar com o monopólio dos partidos políticos. É urgente abrir a política à cidadania, a candidaturas independentes. Talvez a “ concorrência” sirva para trazer os partidos de volta ao povo. Ao fim de tanto tempo, já vai sendo hora.

A Alemanha tem um Fraquinho por nós

Confesso as minhas dificuldades para farejar caninamente um rumo para os tempos históricos que vivemos, mas esforço-me com ganas — a espaços com muitas ganas e caralhadas a mais — armado em perdigueiro pelo menos da nossa realidade política viciosa. Enquanto espécie e civilização, coleccionamos não pequenos exemplos de cegueira para o cenário macro, pois os pequenos acontecimentos que nos afectam pessoalmente retiram-nos a atenção para o que de mais crítico suceda no plano geral. Sorrateiramente, a Alemanha voltou a ditar as regras na Europa. Goste-se ou não, está numa posição de força. De novo. As coisas são o que são. Antes e para além das declarações de amor e irredutibilidade em nossa defesa por parte de Wolfgang Schäuble, coisa significativa, Pedro Passos Coelho e o seu Mastermind Mentor Gaspar tomaram partido, em nome por ventura de um tipo de prudência, jogo pelo seguro, segundo o nosso velho e ambíguo modo de defender interesses entre forças contraditórias superiores à nossa e sobretudo dada a nossa actual posição negocial vulnerável. Ambiguidade diplomática que muitos descreveriam como unívoca, Alemanha, Alemanha, Alemanha. Não o poderemos descortinar agora. Negociar bem e preservando um bem maior, não o fizéramos já nos anos quarenta do século XX?! Na altura resultou. Volfrâmio e conservas para uns, volfrâmio e palmadinhas nas costas para outros. Seguro é todo por uma esperança francesa radicada nas falinhas mansas de Hollande, ele próprio afinal a braços com medidas duras, drásticas, impopulares, e com a França por alguma razão já sob o fogo de artilharia agenciária. Não sabemos a que grau evoluirá esse bombardeamento e se recrudescerá. [Read more…]

Jornal, café, sonho e cidadania

Neste tempo em que até o jornalismo entrou em crise, com greves e despedimentos colectivos como no PÚBLICO, há que fazer a sua justíssima defesa.
Precisamos do bom jornalismo que nos traz as diárias notícias da austeridade e afins, mas também das outras sobre um mundo que «pula e avança» apesar de tudo, do não obstante, do contudo.
Procuramos e necessitamos da verdade, como do pão para a boca e do café pela manhã antes de começar o dia (seja ele como for)! E da verdade não apenas da realidade, mas também a dos sonhos de cada um. Não serão eles mais reais? Os sonhos são o futuro – deviam contar mais. E o país tem que os ter e se não os tem, que os tenhamos nós, individualmente. Sonhos pequeninos, não faz mal, mas que todos juntos constroem algo grande. ( Já estou a divagar. É o que dá fumar um post…)
Faço hoje o meu post com um texto do geógrafo João Seixas (PÚBLICO, 28/10) defensor dos jornais e que subscrevo totalmente: [Read more…]

Democracia e Capitalismo são compatíveis?

Portugal vive há uns tempos sob a tutela estrangeira e com mais ou menos mentiras de quem nos governa, todos os indicadores mostram que o caminho escolhido não serve.

Dizem-nos que é muito difícil ser deputado da maioria, imagino que tal reflexão, deste boy, surge num contexto solidário em que o senhor deputado vai ficar a viver com os 377 euros do subsídio de desemprego. Só pode!

E se o caminho não serve, podemos procurar encontrar outros, ainda que concorde com o Ricardo Araújo Pereira que na Visão aponta uma coisa óbvia – não tem que haver alternativa no caso em que algo é manifestamente mau. Se a receita que está a ser aplicada não serve, para que acabe não é preciso haver alternativa. Basta que pare!

E são cada vez mais as vozes que procuram caminhos alternativos.

O Fórum “Cidadania pelo Estado Social” é uma dessas iniciativas e hoje, em Braga, na Universidade do Minho, aconteceu mais um debate, onde a Educação Pública esteve em cima da mesa. [Read more…]

Constituição islandesa feita pelos cidadãos

Salta-me à vista esta notícia, «vinda» da Islândia: “A futura Constituição islandesa poderá ser a primeira no mundo a incluir propostas redigidas por cidadãos (…) 25 pessoas de diferentes áreas eleitas em 2010 e que ao longo de 2011 pediram ideias a todos os islandeses através da Internet, obtendo 3600 comentários e 370 sugestões. (…)  As reivindicações para a que a nova Constituição fosse redigida por cidadãos seguem-se à crise de 2008, quando o sistema bancário do país entrou em colapso.”

O povo a escrever a sua Constituição!

Que se copiem os bons exemplos. Será que conseguimos? Eu acredito que sim!

(Não estará na altura certa?)

E por falar na Islândia… Sabia que o desemprego neste país desceu de 12%, em maio de 2010, para os 5%, em setembro deste ano?

Eles estão a trabalhar bem!

Clube dos Pensadores com Maria de Belém Roseira

O Clube dos Pensadores é uma boa ideia.

Ou antes foi uma boa ideia. Hoje é uma EXCELENTE realidade. A norte, do lado sul do Rio Douro há gente que teima em fazer o que nunca foi feito, há gente que desafia outra gente a pensar.

O Mário Nogueira foi o Senhor da última edição. Maria de Belém é o Senhor que se segue. Na próxima 2ª feira, dia 22 às 21h30 no hotel Holiday Inn, em Gaia.

Vou lá estar porque gostaria de perguntar a Maria de Belém o que ela pensa sobre o quando ou o quê.

Literacia não é para nós

Hoje no DN, a comissária europeia da Educação e Cultura, Androulla Vassiliou e Petra Laurentien (princesa dos Países Baixos), escrevem em conjunto sobre a Literacia (“precisamos de ser mais ambiciosos“).

Transcrevo parte do texto:

A literacia é essencial na vida moderna. Nas sociedades dominadas pela palavra escrita, é um requisito fundamental para os cidadãos de todas as idades. É crucial para a parentalidade, para conseguir e manter um emprego, ser um consumidor ativo, gerir a saúde e tirar partido do mundo digital.

Porém, quase 75 milhões de adultos não dispõem das competências básicas necessárias para funcionar plenamente em sociedade. A próxima geração não está em vias de melhorar esta situação.

(…) A situação em Portugal, embora seja melhor do que em muitos outros países da UE, não deve deixar margem para complacência.

(…) Os dados estatísticos atuais são maus augúrios para o futuro. As pessoas com um nível insuficiente de literacia têm menos probabilidades de completar os estudos, mais probabilidades de ficar desempregadas e de sofrer de problemas de saúde. As crianças cujos progenitores têm competências reduzidas nesse domínio são mais suscetíveis de ter dificuldades a nível da leitura.

(…) O investimento em serviços de educação de elevada qualidade é um dos melhores investimentos que os países podem efetuar.

(…) É necessário colmatar o fosso socioeconómico, causa principal dos problemas de literacia, garantindo serviços de educação de elevada qualidade a todos.

(…) Se existe uma mensagem importante a dirigir aos governos europeus é a de que precisamos de elevar as nossas aspirações. (…)

Isto não é para nós… não temos governos que invistam em educação como se tem visto; vivemos uma grave crise económica; e os nossos governos não aspiram a valores elevados.

O Meu Movimento

O governo já deu início à 2ª edição de O Meu Movimento. Qualquer cidadão pode criar um movimento, baseado numa causa que considere popular. O mais votado será recebido por sua excelência o Primeiro-Ministro.

Reparo que no Top 5 estão movimentos pró-animais. Em cinco, 4 estão associados aos animais. E mais uma vez as touradas vêm à baila… Um apenas está preocupado com as PESSOAS (defende a limitação do número de alunos por turma), e está muito bem.

Crie o seu movimento. É muito fácil, eu própria o fiz na 1ª edição (mas não deu em nada, claro). Se defender as pessoas e os seus direitos, tem o meu voto!

E já agora, o que é uma causa popular para si? Que o levasse a criar um movimento «de jeito»?

A múmia seca de uma democracia

O jornalista José Vitor Malheiros já nos habituou aos bons textos e às pertinentes perguntas. Hoje, no Público, sublinho o que escreveu, que é quase:

1- O exercício da cidadania numa democracia não se esgota na prática do voto durante as eleições;

2- Espera-se de um cidadão responsável que, na medida das suas possibilidades e interesses, aja politicamente;

3- que participe nos debates políticos onde estão em causa os princípios que moldam a vida pública e as normas da vida em sociedade;

4- que tome posição;

5- que defenda os seus pontos de vista e os seus interesses usando os meios à sua disposição, da discussão pública no café ou no Facebook ao uso dos meios de comunicação clássicos e de outros fóruns;

6- que interpele os poderes;

7- que participe nas organizações profissionais e sindicais que lhe dizem respeito; que lute por condições que garantam maior equidade, justiça e bem-estar para si, para os seus camaradas de trabalho e para a sociedade em geral. [Read more…]

Público e privado

Vai longa a discussão sobre a manifestação junto de políticos em férias ou, num sentido mais amplo, a confusão entre o cidadão e o político.

E se acho irónico que a direita procure colocar em causa a liberdade de um cidadão se manifestar e de mobilizar outros só porque pertence a um partido ou a um sindicato, concordo com os que criticam o ataque à dimensão privada de um político.

Digo, por brincadeira, que as manifestações são o meu desporto favorito, mas nunca o faria junto de uma pessoa no plano pessoal, tal como sempre me recusei a participar em manifestações junto de momentos partidários, fossem elas no PS de Sócrates ou no PSD de Passos Coelho.

Entendo no entanto, que o actual governo está a brincar com o fogo e por isso será cada vez mais complicado gerir estas margens de cidadania.

O alvo de uma luta deve e tem que ser o poder executivo e, ou o poder legislativo. O cidadão Passos Coelho ou o partido PSD não devem ser o alvo. Mas isto tem que valer para um lado e para o outro – não podem querer ser cidadãos e depois ignorar as lutas e os  protestos quando estes respeitam “as regras.”

Quando temos Ministros que se recusam a receber organizações, sindicatos e movimentos, estão mesmo a pedi-las…

Lutador dos sete ofícios

Portugal é um país muito pequeno, uma espécie de aldeia à escala planetária. Não me surpreende a presença duma pessoa em vários momentos da vida cívica até porque a cidadania lusa já teve melhores dias. A experiência vai-me mostrando que as pessoas que fazem as associações recreativas são as mesmas que estão no folclore, nas associações de pais, na igreja, nos clubes, nos partidos, nos sindicatos…

Alguma direita tem procurado apontar o dedo a quem aparece na rua a protestar contra algo, nomeadamente quando se trata de pessoas ligadas ao PCP e ao BE. Desta feita trata-se da luta contra as portagens no Algarve e o BE é o bombo da festa. Parece-me excessivo que um partido ou uma organização tenham que mandar nos seus membros, quando estes actuam numa outra condição. Parece-me estranho que alguma direita, sempre tão liberal, ache que o presidente do meu partido tenha que ter opinião sobre o que eu faço no clube de futebol da minha terra ou naquilo que faço na minha comunidade, por exemplo, como elemento de uma associação de pais.

Esta transparência e divisão de “tarefas” não é uma condição da democracia? O que sugere Helena Matos?

Que cada um dos cidadãos só possa ter um papel na sociedade? Ou que, no caso de ter mais do que um, tenha de fazer uma declaração de interesses? É isso que sugere? Que traga na lapela um pin de cada uma das suas funções?

Será que teremos este tipo de considerações para os cargos de chefias de empresas, na promiscuidade entre as empresas e o estado, entre os partidos e a comunicação social? Os de confiança

Fica a sugestão para o Blasfémias.

Professores: uma causa popular

O Governo já iniciou a 2ª edição da iniciativa O Meu Movimento. Todos os cidadãos podem criar o seu movimento. O mais votado será recebido pelo PM, o Dr. (ainda ninguém provou o contrário) Passos Coelho.

Enfim, parece que o Governo ainda não conhece as nossas preocupações. Precisa que lhe digam.

Na 1ª edição foram criados 1008 movimentos e o «vencedor» defende os direitos dos animais, nomeadamente, é pela abolição das touradas.

Espero que desta vez seja recebido um movimento pela defesa das pessoas. E, mais concretamente, um movimento que defende os professores e a sua valorização!

Deixo aqui uma sugestão ao João Paulo Silva: cria esse movimento. Votarei nele!

É desta Igreja que eu gosto!

Januário Torgal Ferreira diz que “se a Igreja não deve fazer política partidária, deve estar ao serviço da política como um bem comum e abrir voz à cidadania e aos direitos humanos em épocas de crise”. O bispo das Forças Armadas acusou o Governo de ser “profundamente corrupto“.

É isto que eu espero da «minha» Igreja! Denunciar o que está mal. Apontar o dedo.

Não faz nada de mais, mas felicito o bispo da Forças Armadas por ter a coragem, vamos dizer, de comentar publicamente que o Governo não só é corrupto como é profundamente corrupto.

Era bom que «eles» tivessem medo da Igreja.  

O Grillo que se faz ouvir em toda a Itália

Imaginar o blogue mais lido da Itália… Mais de 1000 comentários por post. Quantas visualizações…

O blog de Beppe Grillo é qualquer coisa. (O Aventar um dia lá chegará!!)

Grillo («o comediante despenteado») criou, além do seu blog há uns anos, o Movimento 5 Estrelas que acaba de conquistar 4 câmaras nas eleições municipais no seu país.

Grillo não vai à televisão. Defende a democracia direta e sonha com “cidadãos que se elegem entre si” através do seu movimento, “um instrumento ao serviço dos cidadãos para lhes permitir administrarem-se a si próprios”.

Segundo o Público, onde descobri o Grillo, “as suas listas juntam desempregados, estudantes ou professores. Gente normal com vontade de fazer política de outra forma. Gente jovem.” [Read more…]

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