O Porto é uma nação? Independência da Região Norte de Portugal (Memória descritiva)

Mapa da Gallaecia.

A primeira vez que fui ao Porto, viajei com os meus pais, pois era um miúdo pequeno, com seis ou sete anos. Chegámos num sábado, numa manhã de Primavera, fria, mas luminosa. Saímos do comboio na Estação de São Bento e logo fiquei maravilhado com as diferenças – o empedrado das ruas, os eléctricos acastanhados e (pareceram-me) mais largos do que os de Lisboa, os prédios escuros… Via muito cinema e a Baixa do Porto, pareceu-me um cenário londrino. Tudo era diferente.

O meu pai era o único que conhecia a cidade e, orgulhosamente, servia de cicerone. Mas não a conhecia tão bem como dizia e no dia seguinte, um domingo, andámos muito a pé e quando quisemos regressar à pensão ou pequeno hotel da Avenida dos Aliados tivemos de apanhar um táxi. E foi ao taxista que, quando o meu pai se queixou de que a cidade estava muito grande, usou uma expressão que iria ouvir pelos tempos fora (com registos diferentes): «O Porto é uma nação!».

Quando, dias atrás, falei na necessidade de debater um assunto que me parece mal resolvido – o das queixas que a Norte, particularmente na cidade do Porto, se ouvem relativamente ao poder central – não imaginava que houvesse um movimento propondo clara e abertamente a secessão. Circulam documentos nesse sentido, existem sites e blogues, os comentários (alguns) são arrepiantes de ódio e asco ao Sul. Tinha lido um desabafo separatista de um amigo do Aventar, mas atribuí ao facto de ele estar num mau dia. Não supunha que a questão fosse tão grave. [Read more…]