Regionalistas de bancada

Não gostam do Jamor!

Vigília pelo Serviço Público de Televisão

Os trabalhadores da RTP avançaram, mas o dever de participação é, fundamentalmente, um dever de cidadania. A RTP não é de quem lá trabalha. É de todos nós.rtp_porto

Não está aqui em causa o programa A ou B – a decisão de retirar a Praça da Alegria do centro de produção do Monte da Virgem é mais um prego que este Governo pretende colocar na RTP e em particular no serviço público de televisão que é feito a norte.

Até para mim, que sempre votei contra a regionalização e que não gosto nada do discurso careta dos pobres e explorados do Norte, começo a achar que é hora de dizer basta!

Já escrevi sobre a RTP e não me parece que neste momento seja necessário acrescentar seja o que for.

Fica apenas o convite – amanhã, 5ª feira, 19h apareça em frente à RTP, ali pertinho do Monte da Virgem.

Se vier de Metro, poderá sair em Santo Ovídio e caminhar 5 minutos. Se vier de carro, sugiro que siga, nas Auto-Estradas, as indicações para o Hospital de Gaia e depois de estar no hospital, mais uns metros e está na RTP.

5ª, às 19h!

Nota: a imagem é do Nuno Sousa.

Reforma Administrativa explicada:

Giraldo

Marvão. autor desconhecido

“O pérfido galego Ibn Arrik, senhor de Coimbra – o maldito de Deus! – conhecia bem a valentia do cão do Giraldo. O pensamento constante deste era tomar à traição as cidades e os castelos, só com a sua gente: ele tinha os muçulmanos da fronteira sob o terror. Este cão avançava, sem ser apercebido, na noite chuvosa, escura, tenebrosa e, insensível ao vento e à neve, ia contra as cidades. Para isso levava escadas de madeira de grande comprimento, de modo que com elas subisse acima das muralhas da cidade que procurava surpreender; e quando a vigia muçulmana dormia, encostava as escadas à muralha e era o primeiro a subir ao castelo. E empolgando a vigia dizia-lhe: – Grita como tens por costume de noite que não há novidade! – E então os seus homens de armas subiam acima dos muros da cidade, davam na sua língua um grito imenso e execrando, penetravam na cidade, matavam quantos encontravam, despojavam-nos, e levavam todos os cativos e presa que estavam nela.”

(Ibn Sahib As-Salat citado por COELHO, 1989, pág. 304-305)

[Read more…]

Mouros de Pazes

Duquela

Os campos da Duquela

As Praças-fortes portuguesas em Marrocos encontravam-se isoladas, rodeadas de inimigos, dependendo da metrópole ao nível dos abastecimentos. Portugal fazia esforços para celebrar acordos com os mouros que habitavam as áreas circundantes, garantindo-lhes protecção. Em troca, assegurava um clima de paz e cobrava tributos em espécie, não só em cereais e gado, vitais à sua sobrevivência, mas também assegurando a existência de um comércio por demais lucrativo. As tribos que aceitavam a vassalagem à coroa portuguesa eram chamadas de “Mouros de Pazes” ou “Mouros de Sinal”.

A ocupação da costa de Marrocos por Portugal divide-se em duas zonas distintas, uma a Norte e outra a Sul, que alguns cronistas chamam “Marrocos Verde” e “Marrocos Amarelo” (SANTOS, 2007, pág. 3), que se distinguem uma da outra não só pelo clima, geografia, tipo de culturas e criação de gado, como pelo próprio enquadramento político. Enquanto no Marrocos Verde o poder do Rei de Fez se faz sentir de forma centralizadora, no Marrocos Amarelo existe autonomia das tribos Berberes, que gerem de forma independente o seu território. Esta diferença nas características da administração do próprio território determina também o relacionamento entre a sociedade marroquina e o ocupante português. Enquanto no Marrocos Verde o clima de guerra “institucionalizada” é interrompido momentaneamente pelo estabelecimento do acordo de paz de 1471, com as devidas reservas que os seus termos levantavam (LOPES, 1989, pág. 26), no Marrocos Amarelo o relacionamento com os “mouros de pazes” faz-se, grosso modo, “tribo a tribo”, de forma instável, ganhando alguma estabilidade nos 6 anos da capitania do “nunca está quedo” Nuno Fernandes de Ataíde em Safim, que trouxe para o lado de Portugal um imenso território com milhares de quilómetros quadrados, que ficou conhecido como Protectorado da Duquela. [Read more…]

Cerveira (II)

A Imprensa Regional.

Para promover os desígnios pessoais e colectivos de certos edis e edilidades existe a imprensa regional. Longe dos tempos em que servia a quezília política e ideológica, anunciava abertura de novas mercearias ou publicitava as carreiras de vapor para o Brasil ou os comboios para França, o pequeno jornalismo serve hoje de bandeja o longo rol de obras paroquiais e municipais. A mentalidade ainda é semelhante à que imperava durante essa longa noite radiofónica chamada Estado Novo: o jornalista local é uma extensão do funcionalismo , agora munido de gabinetes de comunicação que preparam as notícias. Estas não diferem muito, em teor e assuntos, do tempo da Segunda República (1926-1974), quando os senhores dos velhos municípios liberais (escudados em anacrónicos pretensos direitos medievais) se ufanavam de, com pompa e circunstância, inaugurar fontanários, caminhos rurais ou casas do povo. Hoje são rotundas, parques de merenda e auditórios, como se a cada concelho coubesse a necessidade de equipar-se segundo um pequeno país. No fundo não temos municípios mas antes 308 principados do “tipo Andorra” cada um com a sua biblioteca, o seu auditório, tribunal e complexos desportivos que poucos usam porque as muitas estradas levaram os habitantes a procurar outras paragens. No meio desta esquizofrenia urbanística estão, portanto, os jornais locais. [Read more…]

Cerveira (I)

Rio Minho junto à Ponte Internacional (Ponte da Amizade) que liga Cerveira a Goian

A Ternura da Extinção

Não deixo de sentir uma enorme ternura pela decorrente manifestação contra a fusão de freguesias, neste sábado à tarde, em Lisboa. Basta olhar para mim, um bairrista feroz pelo menos vinte anos da minha vida aqui por Gaia, recanto onde nasci. Por Lisboa, porém, o que se vê é a festa do protesto: desfile de diversidade, com ranchos folclóricos, associações culturais, recreativas e desportivas. Talvez nada impeça a metamorfose toponímica contra a qual lutam esses bravos portugueses no seu festivo esbracejar de náufrago: há tanto século acumulado, tanta vida, nesses lugares, lugarejos, freguesias, deliciosos pardieiros espirituais do País que o topónimo parece um absoluto. Mas os jovens e os velhos que hoje provincianizam a Capital sabem que terá valido bem a pena fazer a festa do protesto.

Porto, o Melhor Destino Europeu 2012:

A cidade do Porto foi escolhida como “Melhor Destino Europeu 2012” por mais de 212 mil votantes. A escolha das 20 cidades a votos foi da responsabilidade de um júri da Associação de Consumidores Europeus. Confesso que não estou admirado. [Read more…]

Em terra de vinhos

Por HUGO OLIVEIRA

1- Na cidade de Bordéus existe uma pequena praça, igual a tantas outras. Envolvida por árvores. Alguns bancos para se sentar. Espaço para se estar, brincar. Dois arquitectosforam escolhidos para embelezá-la. Após várias conversas com os moradores e de inúmeras visitas ao local, chegaram à conclusão de que a praça já era bonita assim como estava. Os edifícios circundantes também partilhavam dessa bela simplicidade. A vanidade tão frequentemente associada aos arquitectos foi renunciada ao se constatar que não era necessário um projecto de arquitectura. Podar as árvores, cuidar do cascalho. Uma simples vassourada era suficiente.
 2- O Douro Vinhateiro, por outro lado, não é qualquer praça. A sua beleza é bem mais complexa. Os elementos que a compõem estão associados à “produção de vinho, através dos seus terraços, quintas, vilas, capelas e caminhos” e não propriamente à produção hidroeléctrica. Segundo especialistas, a criação da famigerada barragem do Tua levaria à submersão de significativas áreas da zona classificada pela UNESCO. Do ponto de vista económico também haveria consequências muito fortes (há quem fale de um aumento na já elevada factura de electricidade fazendo lembrar os já elevados lucros – €1079 milhões – registados pela EDP em 2010). [Read more…]

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 9 – Manuel Cardoso

 

«“Era um local recôndito mas havia pior. Fora comodamente de comboio até ao Tua pela linha do Douro. Mudara para um outro, de via estreita, que lhe pareceu penetrar num reino diferente de contos e histórias, de fragas antigas e medos terríveis, a subir por desfiladeiros a cujas paredes as carruagens se agarravam a custo.
Em Mirandela esta imagem tinha-se-lhe apaziguado, a terrinha parecia até com movimento. Simpatizou com ela e havia de lá voltar algumas vezes, teve mesmo de lá voltar bastantes vezes porque mais tarde veio a ser médico da Companhia Nacional, que explorava este ramal de caminho-de-ferro. Era o términus da linha, a estação era grande, tinha gente.
Deu uma volta pela beira-rio, entrou num ou noutro boteco, ensinaram-lhe o Zé Maria das Barbas, patriarca da boa mesa, descobriu o Totó onde se comia bem e se era servido pelas muchachas de Chaves e de Verin. Gastou meia hora nesta deambulação. Retornou à estação para acomodar as suas bagagens na diligência que partiria defronte. Carroças e carros de todo o tipo estacionavam pelas ruas, empedradas de calhaus do rio, malcheirosas e muito sujas. [Read more…]

O arquitecto da Robbialac e uma Barragem toda catita


«Assim, fica mais catita!», terá confidenciado Souto de Moura, entusiasmado, a António Mexia. «É para disfarçar. No meio da paisagem, ninguém vai perceber que são postes de electricidade. Uma espécie de pantomina dos elementos visuais».
Isso e o paredão. Com a nova cor escolhida por Souto de Moura, a própria paisagem vai ganhar um novo significado. Eu cá, por motivos óbvios, escolho o azul.

Souto Moura é a vergonha da Arquitectura portuguesa


Ao fazer um novo projecto para a Barragem do Tua, que em quase nada altera o projecto original, Souto Moura passa à História como um dos agentes da destruição do Vale do Tua e do Douro Património Mundial.
«De enorme qualidade», proclama, fremente de excitação, o presidente da EDP António Mexia. De «qualidade superior», carcareja o edil Artur Cascarejo de Alijó.
Afinal, onde está a pretensa genialidade de Moura? O enorme e disforme paredão continua por lá. A linha de alta tensão Tua – Armamar vai atravessar, com postes de mais de 60 metros de altura, dezenas de quilómetros do Douro Património Mundial. A linha férrea vai desaparecer. A paisagem única do Tua vai desaparecer. Genialidade aonde? Só se for na ponta do paredão.
O Regulamento de Deontologia da Ordem dos Arquitectos refere logo no Preâmbulo que o Arquitecto é «intérprete e servidor da cultura e da sociedade de que faz parte, devendo ter sempre presente que a arquitectura é uma profissão de interesse público.» Ora, Moura será intérprete e servidor, sim, mas da Cultura do dinheiro – aquele que a EDP lhe paga.
Passando ao lado da dignidade que todos os Arquitectos devem demonstrar na sua profissão, dignidade essa de que Souto faz tábua rasa, o artigo 3.º deste Regulamento é bem claro: «Orientar o exercício da sua profissão pelo respeito pela natureza, bem como pela atenção pelo edificado pré-existente, de modo a contribuir para melhorar ta qualidade do ambiente e do património edificado».
Parece-me que está tudo dito. Não é por ter ganho o Prémio Pritzer, por ter feito um estádio de futebol e por ter projectado apartamentos para ricos que Souto Moura vai ficar na história. Depois de deixar o seu nome indelevelmente ligado à destruição do Tua e do Douro Património Mundial, ficará na história, sim, como a vergonha da arquitectura portuguesa.

O passadismo nacional.

Quero tanto saber de Olivença, como de Zeca Afonso, ou seja muito pouco. Ambos os assuntos me soam vagamente passadistas: peças observadas do ponto de vista de um antropólogo ou um historiador. Ou talvez, mesmo, de um simples visitante de museu. Parece haver nas elites portuguesas, electrizadas ocasionalmente com assuntos de que apenas sabem falar pela rama, uma capacidade inata para se agarrarem a momentos do passado que logo transformam em coisas idolatradas. Vão transitando de anacronismo em anacronismo a tentar encontrar algo que os conforte para as circunstâncias do presente. Sem querer generalizar (mas generalizando) os monárquicos agarram-se à questão de Olivença e alguns de Esquerda, ao Zeca Afonso.
Aos primeiros sugiro a leitura atenta e repetida da História de Portugal – isto para não os obrigar a saber mais sobre a formação dos países, sujeitos a flutuações de propriedade. De resto, um bom monárquico mais depressa faria jus ao dístico que corria de boca em boa na Primeira República: antes um Afonso XIII que o Afonso Costa. Meus caros, a única guerra que força a nossa preocupação, hoje em dia, não é só de laranjas. É de laranjas e rosas. O resto é estória.
No concernente aos segundos lamento a proverbial incapacidade de se renovarem. É o triste síndrome marxista. Ainda houve quem tentasse adoptar os Deolinda como grupo de folk-intervenção, mas debalde. Zeca Afonso é um homem de um tempo. Duvido que o seu género singrasse nos dias de hoje, em melodia ou em conteúdo. Ponham-no a “tocar” numa sala cheia de adolescentes e procurem reacções.
De resto, o que será que o José Afonso clandestino pensaria dos assuntos fracturantes que fazem as delícias de uma esquerda actual? por esta entrevista não é claro, mas creio que seria uma desilusão para muitos.
Uma coisa é certa: já passou o tempo de qualquer uma destas cantigas.

O Norte.

 

Por estranho que possa parecer, concordo com boa parte da opinião de Alberto Gonçalves (disponível na edição em papel) na Sábado de hoje, “O Norte Imaginário”. Mais, é um texto de leitura obrigatória para todos aqueles, como eu, que defendem a Regionalização. Porquê?

 

Simples, as críticas duras que aponta aos defensores da Regionalização, pelo menos a boa parte deles, é justa. O autor da prosa começou por expor o centralismo de forma correcta. Destaco: “O centralismo, velho de séculos e nas recentes décadas insultuoso, nota-se”.

 

Contudo, Alberto Gonçalves sublinha um ponto fundamental: “Graças à apropriação de uma desmesurada parcela das maiores fontes nacionais de riqueza, leia-se os impostos e os fundos europeus, Lisboa tornou-se comparativamente próspera face ao Porto e crescentemente indiferente face às lamúrias do Porto. O engraçado, para quem se diverte com o infortúnio alheio, é a ocorrência de um processo simultâneo e similar entre o Porto e o Norte de facto”. Esta afirmação final é, por muito que custe, profundamente verdadeira e explica o motivo pelo qual boa parte dos responsáveis políticos nacionais nascidos nesse “Norte de facto” a que se refere, chegados a Lisboa e alçados ao poder são os mais centralistas dos centralistas.

 

A mudança só serve se for para melhor. Para quem, como eu, acredita que a Regionalização é um caminho de mudança, mais, é “o caminho” e sendo eu nado e criado no Porto, não posso deixar de defender que a Regionalização, no que toca ao Norte, só pode ser realizada se, e só se, o Porto não representar para a Região o que Lisboa representa para o país. Trocando por miúdos: o Porto não pode nem deve ser a capital da Região.

[Read more…]

“Pelas ruas de Burgau”

Photo©Pedro Noel da Luz

Coisas que não se podem dizer

Porque soam mal e porque não fazem sentido.

Apareceu no Porto24 que “O ex-líder do PSD Luís Filipe Menezes pediu esta sexta-feira ao primeiro-ministro para instalar no Porto metade das sedes das empresas públicas, nomeadamente a REFER e a CP, explicando que seria uma “reforma estrutural muito importante””

Mas não faria mais sentido sugerir a descentralização pelo país todo dos serviços centrais do estado?

Porque não mover os serviços eminentemente administrativos para o interior, por exemplo ter o INE em Bragança e a DGCI na Covilhã.
Ou então mover serviços centrais para perto das regiões que mais necessitam deles, tipo agricultura em qualquer outra parte que não Lisboa e Porto…

Assim ficou só a ideia (certa?) que a única coisa que ele quer é uma fatia neste bolo ultra-gordo que é o nosso estado.

PS: As TIC não servem só para Magalhães ou Facebook… servem também para estas coisas.

O impacto da Linha de Alta Tensão Tua – Armamar (400KV) no Douro Património Mundial


Termina amanhã o processo de consulta pública relativo à Linha de Alta Tensão Tua- Armamar – 400KV, a construir no âmbito da Barragem da Morte, isto é, a Barragem do Tua. Para todos os inocentes que dizem que a Barragem será construída fora da zona classificada, eis a prova de que todas as infra-estruturas adjacentes, necessárias para o aproveitamento da Barragem, vão afectar profundamente o Douro.
Os pareceres ou opiniões devem ser enviados ao Director da Agência Portuguesa do Ambiente através dos e-mails geral@apambiente.pt ou aia@apambiente.pt ou por correio postal registado. Mesmo que em momentos anteriores, no decorrer de outras participações públicas, ter havido estranhos “problemas informáticos” que não permitiram a recepção de centenas de participações.
Está iminente a perda da classificação do Douro como Património da Humanidade, embora não possa revelar de imediato o ponto a que o processo chegou. Não me arependo do que fiz. Que Passos Coelho, Assunção Cristas e Francisco José Viegas saibam assumir todas as consequências das suas atitudes.

 

Os régulos.

Apareceu ainda há pouco na televisão um autarca (creio que de Pampilhosa da Serra) exasperado porque o novo mapa judiciário lhe ia tirar o tribunal, ausência que, segundo o mesmo, estimulará a desertificação, acentuará o abandono do interior, blá, blá, e o choradinho eleitoralista do costume. Pergunta: como é que a saída de um tribunal resulta em desertificação? Tomara nenhum cidadão precisar dos serviços destas criaturas amanuenses que neles copiam ou julgam. Se o meu instinto não me engana, e penso que não, um tribunal de comarca municipal não emprega mais que 20-50 pessoas, logo me parece ser causa para o aumento de desemprego (de resto, sob o suave jugo do Estado não serão despedidos, apenas transferidos). Não presta serviços relevantes à comunidade (se entre os serviços não contarmos o trabalho dos advogados e solicitadores que orbitam ao redor de tão grata instituição), que não aqueles estritamente determinados pela natureza dos crimes que aí se julgam (ora, é estatístico que a o volume e a gravidade dos crimes violentos se concentra nos maiores núcleos urbanos). Como, pois, a sua extinção influi na desertificação? [Read more…]

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 8 – Sant’Anna Dionísio (Fim)

(continuação)

« – 83,7 km Macedo de Cavaleiros, est (E); (537 m. de altura)

A via férrea cruza duas vezes a estrada de Mogadouro, seguindo em plano através das extensas folhas de cultivo (milhos, centeios, trigais, pomares, vinhas, campos de morangos), que nos acomoanham, de um lado e outro, mas principalmente do lado da montanha tranquila que se desenha a meia distância.

– 85 km Castelãos, ap. (D.)
Sucedem-se as colinas alongadas, ao mesmo tempo familiares e sem nome. A pouco e pouco, o perfil da serra de Bornes modifica-se. A linha sobe, cortando pequenas trincheiras, ao longo da ribeira de Azibo. À esquerda, ergue-se a ermida de S. Bartolomeu, cuja romaria anual é muito concorrida.

– 89,4 km Azibo, est. (E.)
A partir da Ponte de Azibo, a via férrea obe continuamente. A cada passo se descobrem neste belo pedaço do mundo, tão impressivo, chamado Trás-os-Montes. É ver aquele formoso souto, hermético e misterioso como todas as florestas desconhecidas, vistas de longe. [Read more…]

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 8 – Sant’Anna Dionísio (IV)

(continuação)

« – 54 km Mirandela, est. (D.); (208 m. de altitude).
A vila é airosa. Rodeiam-na, à distância, os perfis macios de alguns ondulantes outeiros.
À saída da estação, a via férrea trespassa um breve túnel e, ladeando discretamente a vila, afasta-se do rio Tua para tomar a direcção do nordeste. A estrada de Bragança segue, por momentos, ao lado da via férrea, num arborizado segmento horizontal e rectilíneo, de uns novecentos metros de extensão. De um lado e outro, hortejos, olivais e alguma vinha. Horizontes alongadfos. Aprazível alameda.

– 58 km Avantos, ap.
Um pouco antes da povoação de Jerusalém de Romeu, a via faz uma pronunciada inflexão, transpondo um fundo valeiro sobre um viaduto metálico, de quatro tramos, de tabuleiro ascendente e encurvado. À saída do viaduto, a linha cruza a estrada de Bragança.

– 67 km Romeu [Read more…]

Quem tem as mãos sujas de sangue?


Três trabalhadores morreram hoje soterrados durante a construção da Barragem de Foz Tua. Ao que parece, o acidente foi provocado por um deslizamento de terras.
É espantoso como, numa obra de milhões e milhões, ainda é possível que acidentes destes aconteçam. Claro, o que se gastou a besuntar as mãos de quem tinha poder e influência, para que a obra avançasse e não fosse interrompida, poupa-se agora em segurança.
Entretanto, três homens, certamente com mulher e filhos, deram a sua vida por um dos investimentos mais inúteis e ruinosos do nosso país nos últimos anos.
Quem tem hoje as mãos sujas de sangue?

Alberto João Jardim: O Elogio a Quem o Merece

Visitei pela primeira vez a ilha da Madeira no ano de 1976, no verão, em pleno Agosto, e durante doze anos fui visita assídua do arquipélago. Várias vezes por ano lá aportava e, entre Agosto e Setembro de cada ano, lá passava eu e a minha família perto de um mês na praia, no Porto Santo, o que me permitiu conhecer como poucos a ilha dourada e razoavelmente a ilha da Madeira. Depois, e durante os vinte e poucos anos seguintes, acompanhei a vida do arquipélago através dos mesmos familiares e das notícias que lia e ouvia, mas com poucas viagens feitas. A minha última viagem foi feita em Abril do ano passado.
Durante os trinta e cinco anos que passaram desde a minha primeira vez, ouvi de tudo sobre o arquipélago, sobre as suas gentes e em especial sobre o seu Presidente. O sr Jardim, da Madeira.
Durante esses anos foi sendo construída aqui no continente uma imagem negativa do nível de vida das ilhas e da capacidade intelectual das gentes da Madeira, e acima de tudo da competência e da honestidade do Presidente do governo Regional e dos membros do seu governo.
Quando conheci as ilhas, estas tinham um nível de desenvolvimento fraco e provinciano. Vindo eu da segunda maior cidade do País, via que a esse nível pouco as diferenciava das cidades limítrofes da minha e se calhar nem mesmo da minha. Lá como cá, o País era Lisboa, a capital o Estoril, e o resto era paisagem. Naquela altura nem o Algarve tinha ainda ganho mais um “L” para o internacionalizar e por essa razão não era ainda o País anglo-germânico que hoje é.
Com o passar dos anos vi a regionalização a ser implementada, as obras públicas a acontecerem com as estradas novas e os “furados” a rasgarem a terra, o crescimento do aeroporto, a criação da Zona Franca, o incremento do turismo de qualidade, e de um modo geral o grande desenvolvimento daquela parte de Portugal.
Corrupção, compadrio, favores, cunhas, e outras coisas do género, por certo que as houve e há, mas não mais do que em todo o Portugal de uma ponta à outra. [Read more…]

O papel actual do movimento associativo

As questões levantadas com as recentes descobertas de idosos falecidos na solidão – que vieram a público graças à capacidade inata da comunicação social de transformar o óbvio em tendências abruptas – recordaram-me as noções de vicinidade e laços sociais. Quando a humanidade passou por fases eminentemente rurais (e hoje caminhamos aceleradamente para uma situação de urbanismo global) a sobrevivência estava assegurada por recursos e espaços devidamente controlados, mas sobretudo, por uma coesão sanguínea e afinitiva que as cidades não permitem por várias razões: entre elas a composição dos novos agregados familiares. E, no caso de Portugal, um país eminentemente litoralizado, em que as relações já não se baseiam no sangue, nem na afinidade ou na vicinidade, como resolver esta solidão, estes casos de alienação social forçada? [Read more…]

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 8 – Sant’Anna Dionísio (III)

(continuação)

– 34 km Ribeirnha, est. (D.).
O nome está a dizer com a frescura do sítio. Na margem do lado de cá está a pequena povoação desse nome. Do lado de cá, estão duas aldeias (Longa e Barcel), face a face, com uma pequena ribeira de permeio.
Daqui parte uma estradinha que serve a populosa vila antiga, decaída, de Vilas Boas, abrigada do lado do norte por um volumoso monte e que, noutros tempos, servia decerto de atalaia nocturna. é o chamado monte de Faro (824 metros de altitude), hoje coroado por um marco geodésico. Das janelas do comboio se contempla a crista granítica desse altaneiro serro, admirável miradouro de toda esta região de Riba-Tua. Um pouco mais além, à esquerda, destaca-se outro píncaro, relativamente isolado e grimpante: é o pico da Senhora da Assunção, coroado por uma ermida branca que certamente seria para Erastótenes ou Ticho – Brahe (caso um ou outro o visitassem) uma moradia ideal para uma discreta e paciente perscrutação dos grandes enigmas do Céu.
Do lado do poente, avista-se a montanha desnuda de Lamas de Orelhão.
Ao longo do rio, por fim pacificado, sucedem-se os olivais e alguns vinhedos. Estamos, ao cabo de um demorado segmento horizontal de 2 km, em

– 37,6 km. Vilarinho, est. (D.)
Voltam, por momentos, as penedias; mas as vinhas pequenas e os modestos olivedos voltam também, deixando aos renques de choupos a discreta hora de se remirarem no espelho verde do rio. O monte de Faro vai-se afastando, mas sem perda da sua manifesta grandeza. Nisto, porém, interpõe-se um serro escalvado que por pouco não nos oculta o pano orográfico do fundo. Aproxima-se o decantado

– 41,5 km. Cachão, [Read more…]

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 8 – Sant’Anna Dionísio (II)

(continuação)

Por momentos, a penediaparece querer esmorecer. É, porém, por enquanto, rebate falso. Mais um túnel (túnel das Falcoeiras). Volta a cornija quase suspensa sobre o profundo barranco. Agora surge um paredão estranho cujas raízes mergulham no leito tortuoso e cascalhento do rio, cujas águas, pueirs e rápidas, resvalam e brincam em consecutivos assaltos de espuma e granito.
De vez em quando o afluente recebe de um lado ou de outro algum córrego, nascido sabe-se lá onde, nalgum recôndito lameirinho só conhecido de alguma lontra lampeira, ou algum silvado vizinho do Reino dos Quintos. Ali temos, por exemplo, um desses ribeiros que vem das bandas de Carrazeda, e que dá pelo nome bíblico de Barrabás!
Cortes e mais cortes em esporões rochosos, amarelados, como que concentrados num inviolável mutismo.
Ao dobrar de um dos cotovelos do apertado e pedregoso vale, descobre-se na margem direita do rio, num recôncavo montanhoso, uma povoação empoleirada. É a aldeia de Amieiro. [Read more…]

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 8 – Sant’Anna Dionísio (I)

«Tua, est (E.), na margem direita do rio Douro.

O sítio é, ao mesmo tempo, grandioso e tristonho. Junto do entroncamento não há povoação alguma. O rio, enorme e de leito xistoso, corre a dois passos. De um lado e  outro, despenhadeiros. Defronte, ao cimo, situa-se a aldeia vinhateira de Nagoselo. Mais no alto, à direita, oculta-se a antiga vila de Soutelo do Douro.

O comboio, de material antiquado, com locomotivas da era do Fontismo, ou as automotoras, movidas a gasoil, um pouco mais rápidas, mas muito baloiçantes, saem da estrada em sentido inverso (isto é, na direcção do Poente), acompanhando por momentos a margem direita do rio Douro. A estrada para Carrazeda de Ansiães passa por cima da linha. Eis a confluência.

Afastamo-nos do Douro e entramos na garganta pedregosa e alcantilada do afluente. De relance vê-se a graciosa ponte moderna, de betão, que dá passagem à estrada de Carrazeda para Alijó, assim como o longo viaduto, misto, de pilares de granito e tabuleiro metálico, de vigas encanastradas, da Linha do Douro, cuja vista rapidamente se perde.

Transpõe-se um pequeno viaduto e imediatamente se trespassa um breve túnel, cortado no flanco rochoso do despenhadeiro. À saída surge a garganta encaixada entre caóticas penedias.

Alcantis formidáveis! [Read more…]

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 7 – Manuel Monteiro

«Para se fazer uma viagem a Bragança no ano pouco remoto de 1903 escolhia-se o Verão, seguia-se pela linha férrea do Douro, fazia-se um transbordo na Estação do Tua e subia-se pela via reduzida, aberta na margem esquerda deste rio. Pelo arrostar ofegante e moroso do comboio através da penedia britada a golpes de dinamite sobre a corrente coleante, profunda e torva, chegava-se a Mirandela ao cair da tarde. Aqui jantava-se mais reputada hospedaria de Trás-os-Montes, a do Zé Maria, que presidia pessoalmente com as suas barbas bíblicas às refeições dos seus hóspedes. [Read more…]

A Pronúncia do Norte

Ontem, pouco passava das oito da manhã e estava nas instalações da RTP Porto à conversa com o Presidente de Braga 2012 e um colaborador da RTP a discutir a velha questão do Norte e os media nacionais. Obviamente, a questão da privatização da RTP e, sobretudo, o futuro da RTP Porto eram tema de acalorado debate matinal entre cigarros consumidos no exterior do edifício.

Hoje, numa das páginas de facebook mais seguidas e activas do Norte (ESTA) um seguidor da mesma escreveu: O Jornal de Notícias foi o único jornal de expressão nacional a levar para a sua capa a abertura da Capital Europeia da Juventude em Braga. Os outros jornais optaram pelas habituais notícias de desgraça, intriga e futebol nas suas já tradicionais capas. Será que um evento que pretende ser um dinamizador de economia local, regional e até nacional não merece maior valorização, apoio e mediatismo por parte de quem pode e deve fazê-lo? (Miguel Oliveira).

[Read more…]

%d bloggers like this: