Francisco da Cunha Ribeiro
A independência crítica é o bilhete de identidade que dá foro de cidadania ao ser humano. O seguidismo ideológico, ou a simples e quotidiana aversão à crítica caracteriza o grau zero do racionalismo. É preciso muito esforço e um enorme amor ao pensamento livre para nos comportarmos como seres racionais. Julgo que essa é também a única forma de sermos fiáveis perante os outros. A preguiça do pensamento é a melhor amiga do irracionalismo. Não significa isto que quem não pensa deixe, só por isso, de ser homem ou mulher, e passe a ser uma besta, nada disso. Quem, por exemplo, passa os seus dias a trabalhar, a discutir futebol, e a jogar a sueca pode não treinar o pensamento, mas não deixa de ser capaz de gostar ou de amar. Mas esse amor tanto pode subir à altura do céu, como descer ao fundo do Inferno. Quem pensa e ama nunca ama de mais, mas também nunca chega a odiar ninguém. Porquê? Porque sabe melhor relativizar emoções, sentimentos e equilibrar os valores. O homicídio sentimental (pelo ciúme) é, a meu ver, o exemplo mais veemente do que a falta de exercício do pensamento lógico pode ter como consequência.
Aos que pensam pela cabeça dos outros poderíamos chamar “parasitólogos”. Os parasitólogos são, pois, seres racionais que alimentam as suas ideias com as ideias dos outros. E como as suas são, afinal, as dos outros, podemos dizer que este tipo de gente não muda nada, não cria nada, apenas copia. Cerebralmente não evoluíram muito além do homo-sapiens. Por isso os poderemos também designar de “macacos de imitação”, sem qualquer desprezo pelos macacos. [Read more…]






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